{"id":3288,"date":"2021-08-15T08:56:38","date_gmt":"2021-08-15T11:56:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/?page_id=3288"},"modified":"2023-02-13T15:50:45","modified_gmt":"2023-02-13T18:50:45","slug":"indicadores-do-hiperadrenocorticismo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hiperadrenocorticismo\/","title":{"rendered":"Indicadores do hiperadrenocorticismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a avalia\u00e7\u00e3o inicial de um paciente com suspeita de HAC \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises laboratoriais, onde atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de <strong>hemograma<\/strong>, <strong>perfil bioqu\u00edmico<\/strong> e <strong>urin\u00e1lise<\/strong>, se busquem evid\u00eancias da exist\u00eancia do hipercortisolismo, assim como avalia\u00e7\u00e3o geral para pesquisar outras patologias respons\u00e1veis pelos sinais cl\u00ednicos do paciente. O hemograma de animais com HAC apresenta um <strong>perfil de estresse<\/strong>, com linfopenia (menos de 1.500\/\u03bcL) e eosinopenia (menos de 200\/\u03bcL), associadas a neutrofilia branda a moderada e monocitose. A linfopenia \u00e9 resultado da linfocit\u00f3lise induzida pelos corticoides ao passo que a eosinopenia \u00e9 devida ao sequestro destas c\u00e9lulas na medula \u00f3ssea. O aumento dos neutr\u00f3filos e mon\u00f3citos na circula\u00e7\u00e3o deriva da reduzida marginaliza\u00e7\u00e3o e diapedese destas c\u00e9lulas por efeitos dos corticoides. No eritrograma eventualmente pode-se observar tanto policitemia como anemia, embora n\u00e3o se observem altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas vermelhas. As plaquetas costumam estar elevadas (mais de 400.000\/\u03bcL).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <strong>perfil bioqu\u00edmico<\/strong>, a principal altera\u00e7\u00e3o \u00e9 o aumento na atividade s\u00e9rica da <strong>fosfatase alcalina<\/strong>, observada em mais de 90% dos casos. C\u00e3es com HAC apresentam uma isoforma da FA induz\u00edvel por corticoides end\u00f3genos e ex\u00f3genos, que pode chegar a mais de dez vezes o limite m\u00e1ximo fisiol\u00f3gico. Apesar disto, uma atividade normal da FA n\u00e3o descarta o diagn\u00f3stico de HAC. Por outra parte, o f\u00edgado de pacientes com HAC encontra-se bastante aumentado de volume como consequ\u00eancia do exagerado ac\u00famulo de glicog\u00eanio hep\u00e1tico secund\u00e1rio \u00e0 maior gliconeog\u00eanese hep\u00e1tica. Esta tumefa\u00e7\u00e3o hepatocelular causa aumento na atividade da enzima ALT, por\u00e9m este aumento \u00e9 moderado (menos de 500 U\/L). A tumefa\u00e7\u00e3o hepatocelular tamb\u00e9m leva a colestase intra-hep\u00e1tica, estimulando um aumento adicional na atividade da FA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>glicose <\/strong>s\u00e9rica dos pacientes com HAC fica na faixa superior (120 mg\/dL). Contudo, alguns pacientes podem apresentar glicemias maiores, com cerca de 5 a 20% dos casos podendo vir a desenvolver diabetes mellitus secund\u00e1ria \u00e0 exaust\u00e3o pancre\u00e1tica pelo antagonismo que os glicocorticoides promovem sobre os efeitos da insulina. A hiperlipidemia secund\u00e1ria ao HAC \u00e9 outro achado bastante comum, e os aumentos de <strong>colesterol <\/strong>e de <strong>triglicer\u00eddeos <\/strong>s\u00e3o atribu\u00eddos aos efeitos lipol\u00edticos e antiinsul\u00ednicos dos glicocorticoides. C\u00e3es com HAC apresentam hipertrigliceridemia em magnitude superior \u00e0 hipercolesterolemia. Os indicadores de fun\u00e7\u00e3o renal, ureia e creatinina, podem estar normais ou reduzidos por causa da diurese induzida pelos corticoides; contudo, a ureia pode estar pr\u00f3ximo do limite superior pela prote\u00f3lise exacerbada, e a creatinina abaixo de 0,7 mg\/dL devido \u00e0 menor massa muscular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>urin\u00e1lise <\/strong>em pacientes com suspeita de HAC \u00e9 uma importante ferramenta de avalia\u00e7\u00e3o geral. A densidade da urina \u00e9 inferior a 1,015, sendo muitas vezes hiposten\u00farica (densidade urin\u00e1ria menor de 1,008), desde que os c\u00e3es tenham livre acesso \u00e0 \u00e1gua. Se privados de \u00e1gua, a maioria dos c\u00e3es consegue concentrar a urina, por\u00e9m esta capacidade \u00e9 reduzida. Em c\u00e3es com macroadenomas comprimindo a neurohip\u00f3fise, uma diabetes ins\u00edpida central pode ficar evidente. Cerca de 50% dos c\u00e3es com HAC apresentam infec\u00e7\u00f5es ocultas do trato urin\u00e1rio, uma vez que al\u00e9m da imunodepress\u00e3o, a bexiga n\u00e3o \u00e9 esvaziada completamente a cada mic\u00e7\u00e3o, permanecendo sempre um volume residual. Uma vez que os corticoides inibem a resposta inflamat\u00f3ria, o exame do sedimento urin\u00e1rio pode n\u00e3o apresentar pi\u00faria ou hemat\u00faria, motivo pelo qual indica-se sempre a realiza\u00e7\u00e3o de urocultura nestes pacientes. Al\u00e9m disto, a bacteri\u00faria pode n\u00e3o ser evidente pela dilui\u00e7\u00e3o promovida pela poli\u00faria. Protein\u00faria associada \u00e9 observada em 50% dos c\u00e3es com HAC, sendo de leve a moderada, e secund\u00e1ria a hipertens\u00e3o sist\u00eamica promovida pelos corticoides. Entretanto, prote\u00ednas tubulares de baixo peso molecular t\u00eam sido identificadas caracterizando les\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 em n\u00edvel glomerular, mas tamb\u00e9m tubular. A glicos\u00faria s\u00f3 fica evidente naqueles pacientes com HAC que desenvolvem diabetes mellitus secund\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <strong>dosagens hormonais<\/strong>, o HAC provoca interfer\u00eancia com diferentes testes end\u00f3crinos, muitas vezes causando confus\u00e3o na interpreta\u00e7\u00e3o destes par\u00e2metros. Cerca de 70% dos casos de HAC apresentam valores baixos de T<sub>3<\/sub> e de T<sub>4<\/sub>, como efeito da inibi\u00e7\u00e3o da secre\u00e7\u00e3o de TSH pelos glicocorticoides. Apesar disto, este estado de hipotireoidismo secund\u00e1rio n\u00e3o deve ser alvo de reposi\u00e7\u00e3o hormonal. Deve-se tratar o HAC e se n\u00e3o houver normaliza\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios tireoidianos pode-se iniciar um tratamento para hipotireoidismo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recomenda-se a realiza\u00e7\u00e3o de <strong>radiografias <\/strong>tor\u00e1cicas e abdominais de c\u00e3es com HAC, apesar de que n\u00e3o \u00e9 frequente obter informa\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas interessantes; contudo, o aumento de volume abdominal fica evidente em proje\u00e7\u00f5es laterolaterais, bem como ventrodorsais. Muitas vezes a grande deposi\u00e7\u00e3o de gordura intra-abdominal faz com que exista um bom contraste para identifica\u00e7\u00e3o das estruturas. A identifica\u00e7\u00e3o de adrenais calcificadas pode indicar a presen\u00e7a de tumores adrenais, uma vez que cerca de 50% deles, sejam eles adenomas ou adenocarcinomas, costumam calcificar. A calcinose cut\u00e2nea tamb\u00e9m pode ser detectada em radiografias. A bexiga muito distendida pode ser facilmente visualizada no exame radiogr\u00e1fico, algumas vezes com c\u00e1lculos. A osteopenia promovida pelos corticoides pode ficar evidente quando se avalia a densidade dos corpos vertebrais em compara\u00e7\u00e3o aos processos vertebrais. Radiografias tor\u00e1cicas podem evidenciar met\u00e1stases de tumores adrenais, bem como mostrar evid\u00eancias de tromboembolismo pulmonar, uma complica\u00e7\u00e3o rara associada ao HAC canino, por\u00e9m potencialmente fatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>ultrassonografia <\/strong>abdominal \u00e9 um dos exames complementares que oferece mais informa\u00e7\u00f5es sobre o paciente, e \u00e9 um importante exame a ser solicitado em pacientes com suspeita de HAC. Al\u00e9m de oferecer ind\u00edcios suficientes para determinar a origem do HAC (hipofis\u00e1rio ou adrenal), a avalia\u00e7\u00e3o ultrassonogr\u00e1fica da cavidade abdominal permite avaliar todos os \u00f3rg\u00e3os abdominais e desta forma uma abordagem mais sist\u00eamica do paciente. Na ecografia, o f\u00edgado dos pacientes com HAC aparece aumentado de volume, com par\u00eanquima homog\u00eaneo e hiperecog\u00eanico. A imagem dos rins evidencia sinais de calcifica\u00e7\u00e3o da pelve renal, e muitas vezes a imagem ecogr\u00e1fica da bexiga apresenta sinais de infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria ou c\u00e1lculos. Pielonefrite \u00e9 outra consequ\u00eancia do HAC que pode ser suspeitada ap\u00f3s uma ecografia. As gl\u00e2ndulas adrenais s\u00e3o de dif\u00edcil visualiza\u00e7\u00e3o na ecografia. A gl\u00e2ndula adrenal direita \u00e9 mais dif\u00edcil de ser localizada uma vez que est\u00e1 mais cranial e entre o rim direito, veia cava caudal e polo caudal do f\u00edgado. A gl\u00e2ndula adrenal esquerda tem sua localiza\u00e7\u00e3o mais vari\u00e1vel. Na ecografia, as gl\u00e2ndulas adrenais aparecem achatadas, bilobuladas, homog\u00eaneas e hipoec\u00f3icas comparadas aos tecidos circunjacentes. Alguns trabalhos avaliaram as dimens\u00f5es das adrenais em c\u00e3es saud\u00e1veis e em c\u00e3es com HPD, por\u00e9m n\u00e3o existem valores de refer\u00eancia tidos como normais para diferentes ra\u00e7as e portes. Apesar disto, adrenais com mais de 0,75 cm de espessura, especialmente a esquerda, apresenta uma elevada especificidade e sensibilidade para o diagn\u00f3stico de HAC pituit\u00e1rio dependente. Contudo, este achado isolado n\u00e3o \u00e9 suficiente para um diagn\u00f3stico definitivo da doen\u00e7a. A ocorr\u00eancia do HPD est\u00e1 associado a um espessamento de ambas gl\u00e2ndulas adrenais de forma sim\u00e9trica. Nos casos de tumores adrenais, observa-se uma das gl\u00e2ndulas com dimens\u00f5es aumentadas, e perda da arquitetura normal e de suas caracter\u00edsticas ecogr\u00e1ficas. Os tumores apresentam-se heterog\u00eaneos e mais ecog\u00eanicos. Os adenocarcinomas muitas vezes podem aparecer c\u00edsticos na ecografia. A forma\u00e7\u00e3o de sombra ac\u00fastica pode indicar a calcifica\u00e7\u00e3o de um adenoma ou de um adenocarcinoma. Da mesma forma, a superf\u00edcie lisa e regular ou rugosa e irregular pode dar pistas sobre o tipo de tumor. Nos casos de tumores adrenocorticais funcionais, observa-se uma atrofia da gl\u00e2ndula contralateral, muitas vezes n\u00e3o observada nas ecografias rotineiras. Na presen\u00e7a de um tumor adrenal, \u00f3rg\u00e3os como f\u00edgado, ba\u00e7o e rins devem ser avaliados em busca de met\u00e1stases.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Testes end\u00f3crinos no hiperadrenocorticismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No diagn\u00f3stico do HAC canino \u00e9 utilizada uma variedade de testes hormonais, com o objetivo n\u00e3o s\u00f3 de determinar a causa da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m se a origem do problema \u00e9 hipofis\u00e1ria (HPD) ou adrenal (HAD). A diferencia\u00e7\u00e3o da origem do problema \u00e9 importante uma vez que pode determinar mudan\u00e7as no protocolo terap\u00eautico, bem como influenciar no progn\u00f3stico do paciente. A dosagem isolada de cortisol basal n\u00e3o traz nenhum valor diagn\u00f3stico ao processo investigativo por diferentes raz\u00f5es: (a) c\u00e3es n\u00e3o apresentam um ritmo circadiano bem definido de secre\u00e7\u00e3o de cortisol como observado em humanos, e desta forma a avalia\u00e7\u00e3o do cortisol basal, independente do hor\u00e1rio do dia n\u00e3o serve como indicador da fun\u00e7\u00e3o glandular; (b) n\u00e3o h\u00e1, na maior parte do dia, um hipercortisolismo franco, uma vez que c\u00e3es com HAC, independente da origem, passam praticamente todo o dia com a concentra\u00e7\u00e3o de cortisol dentro da faixa de refer\u00eancia (5\u201360 ng\/mL); (c) no HAC h\u00e1 uma maior frequ\u00eancia de pulsos de secre\u00e7\u00e3o, associado a uma maior amplitude destes picos. Apesar disto, a concentra\u00e7\u00e3o basal pode permanecer dentro da faixa de refer\u00eancia no HAC, assim como c\u00e3es saud\u00e1veis podem apresentar valores elevados de cortisol basal (mais de 60 ng\/mL) se estiverem estressados ou nervosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>teste de estimula\u00e7\u00e3o com ACTH<\/strong> parte do pressuposto que ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio adrenocorticotr\u00f3fico h\u00e1 um aumento consider\u00e1vel na secre\u00e7\u00e3o de cortisol pelas adrenais. Tumores adrenais ou a hiperplasia bilateral das adrenais secund\u00e1ria a tumor hipofis\u00e1rio respondem exageradamente a estimula\u00e7\u00e3o pelo ACTH. Este teste \u00e9 bastante pr\u00e1tico e uma excelente ferramenta diagn\u00f3stica, sendo menos afetado por doen\u00e7as n\u00e3o adrenais ou estado de estresse do paciente, por\u00e9m \u00e9 menos sens\u00edvel para o diagn\u00f3stico de tumores adrenais, uma vez que estes podem deixar de expressar receptores para ACTH durante a diferencia\u00e7\u00e3o tumoral. Em raz\u00e3o disto, resultados normais podem ser encontrados em 30 a 60% dos casos de HAD, enquanto somente cerca de 5 a 15% dos casos de HPD apresentar\u00e3o resultados normais. O protocolo mais utilizado envolve a coleta de amostra de sangue para determina\u00e7\u00e3o de cortisol basal, seguida da aplica\u00e7\u00e3o de 5 \u00b5g\/kg de ACTH sint\u00e9tico (cosintropina 0,25 mg) por via intravenosa, coletando-se nova amostra para dosagem de cortisol ap\u00f3s uma hora da aplica\u00e7\u00e3o do ACTH. C\u00e3es saud\u00e1veis apresentam valores de cortisol p\u00f3s-ACTH na faixa de 60 a 170 ng\/mL. Valores maiores que 220 ng\/mL s\u00e3o consistentes com diagn\u00f3stico de HAC. Uma limita\u00e7\u00e3o deste teste, al\u00e9m do custo, \u00e9 que n\u00e3o permite a diferencia\u00e7\u00e3o entre HPD e HAD. Apesar disto, este \u00e9 o \u00fanico teste que permite a comprova\u00e7\u00e3o de um HAC iatrog\u00eanico. Neste \u00faltimo n\u00e3o h\u00e1 aumento da concentra\u00e7\u00e3o de cortisol ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do ACTH em decorr\u00eancia da atrofia do c\u00f3rtex adrenal promovido pelo uso cr\u00f4nico de corticoides ex\u00f3genos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>teste de supress\u00e3o por baixa dose de dexametasona <\/strong>(TSBDD) tem como base fisiol\u00f3gica que a administra\u00e7\u00e3o de dexametasona em um c\u00e3o normal provoca uma supress\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cortisol por at\u00e9 48 horas devido ao <em>feedback<\/em> negativo promovido na hip\u00f3fise e hipot\u00e1lamo. A dexametasona \u00e9 o esteroide de elei\u00e7\u00e3o para o teste uma vez que n\u00e3o tem reatividade cruzada com o cortisol no imunoensaio. Desta forma, este teste avalia na verdade a responsividade do eixo hipot\u00e1lamo-hip\u00f3fise-adrenal. A premissa b\u00e1sica do HAC \u00e9 que existe disfun\u00e7\u00e3o deste eixo de controle tanto no HPD como no HAD, e em ambas as formas da doen\u00e7a, a administra\u00e7\u00e3o de dexametasona n\u00e3o ir\u00e1 promover a supress\u00e3o do cortisol plasm\u00e1tico. Este teste \u00e9 um pouco mais complexo e longo em compara\u00e7\u00e3o ao teste de estimula\u00e7\u00e3o com ACTH, por\u00e9m \u00e9 o teste de triagem de elei\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3stico de HAC, al\u00e9m de apresentar uma sensibilidade maior que 95%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protocolo de realiza\u00e7\u00e3o do teste envolve a coleta de uma amostra de sangue para determina\u00e7\u00e3o de cortisol basal s\u00e9rico, seguindo-se a administra\u00e7\u00e3o de uma dose de 0,01 a 0,015 mg\/kg de fosfato s\u00f3dico de dexametasona por via intravenosa. Ap\u00f3s esta aplica\u00e7\u00e3o sucedem-se mais duas coletas de sangue para dosagem de cortisol: uma ap\u00f3s 4 horas da aplica\u00e7\u00e3o e outra ap\u00f3s 8 horas da aplica\u00e7\u00e3o da dexametasona. A base da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que c\u00e3es com HAC s\u00e3o resistentes ao <em>feedback<\/em> negativo no hipot\u00e1lamo-hip\u00f3fise. Um c\u00e3o normal apresentar\u00e1 valores de cortisol p\u00f3s-dexametasona menores que 10 ng\/mL. Um valor de cortisol p\u00f3s-dexametasona maior que 14 ng\/mL num animal n\u00e3o estressado e sem doen\u00e7as graves associadas \u00e9 consistente com diagn\u00f3stico de HAC. O teste \u00e9 muito mais sens\u00edvel do que espec\u00edfico, e alguma propor\u00e7\u00e3o de falsos positivos ser\u00e3o observados principalmente frente a estresse, ou outros quadros patol\u00f3gicos como hepatopatias ou eventual uso cr\u00f4nico de fenobarbital. Desta forma o que fecha o diagn\u00f3stico, n\u00e3o \u00e9 somente o valor de cortisol p\u00f3s-dexametasona, mas o conjunto de sinais cl\u00ednicos, altera\u00e7\u00f5es laboratoriais e ecogr\u00e1ficas, al\u00e9m da resposta ao teste. Uma das limita\u00e7\u00f5es do TSBDD \u00e9 que n\u00e3o permite o diagn\u00f3stico de c\u00e3es com HAC iatrog\u00eanico; no entanto, se o TSBDD for aplicado a um c\u00e3o com HAC iatrog\u00eanico, \u00e9 esperado um baixo n\u00edvel de cortisol basal, seguido pelos mesmos valores em quatro e oito horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vantagem do TSBDD \u00e9 a de permitir a diferencia\u00e7\u00e3o entre HPD e HAD atrav\u00e9s da coleta de sangue ap\u00f3s 4 horas da administra\u00e7\u00e3o da dexametasona. Mesmo frente ao HAC, a dexametasona consegue promover um discreto <em>feedback<\/em> negativo sobre a hip\u00f3fise, embora este efeito seja muito r\u00e1pido uma vez que o sistema do citocromo P450 hep\u00e1tico est\u00e1 adaptado \u00e0 metaboliza\u00e7\u00e3o de corticoides, eliminando rapidamente da circula\u00e7\u00e3o a dexametasona. Desta forma, nos casos de HPD, ap\u00f3s 4 horas da aplica\u00e7\u00e3o da dexametasona \u00e9 poss\u00edvel observar uma inibi\u00e7\u00e3o da secre\u00e7\u00e3o de cortisol, interpretando-se como inibi\u00e7\u00e3o um valor de cortisol menor de 14 ng\/mL ou simplesmente um valor de cortisol ap\u00f3s 4 horas de aplicar a dexametasona menor que 50% da concentra\u00e7\u00e3o basal de cortisol. Nos casos de HAD, o tumor n\u00e3o est\u00e1 sujeito a controle hipofis\u00e1rio, e n\u00e3o se observa supress\u00e3o no cortisol s\u00e9rico ap\u00f3s 4 ou 8 horas da aplica\u00e7\u00e3o da dexametasona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o TSBDD ser capaz de diferenciar entre origem hipofis\u00e1ria ou adrenal para o problema, nem sempre este teste deixa clara esta quest\u00e3o, embora em cerca de 30% dos c\u00e3es com HPD possa n\u00e3o haver supress\u00e3o, mas em 100% dos c\u00e3es com HAD n\u00e3o h\u00e1 supress\u00e3o de cortisol durante o teste. Nestes casos, tr\u00eas op\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis para determina\u00e7\u00e3o da origem do problema. A primeira delas \u00e9 o <strong>teste de supress\u00e3o por alta dose de dexametasona<\/strong> (TSADD). Este \u00e9 similar ao TSBDD, mas a dose de dexametasona \u00e9 de 0,1 mg\/kg, sendo que alguns autores recomendam o uso de 1 mg\/kg. O princ\u00edpio \u00e9 que uma dose maior de corticoide ex\u00f3geno poder\u00e1 demonstrar algum efeito inibit\u00f3rio sobre a secre\u00e7\u00e3o de ACTH nos c\u00e3es com HPD, e consequentemente haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o no cortisol s\u00e9rico ap\u00f3s 4 horas da administra\u00e7\u00e3o da droga. C\u00e3es com HAD j\u00e1 tem suprimida a concentra\u00e7\u00e3o de ACTH, e a administra\u00e7\u00e3o de altas doses de dexametasona n\u00e3o provocar\u00e1 nenhuma supress\u00e3o apreci\u00e1vel de cortisol end\u00f3geno. Outra possibilidade para diferenciar HAD e HPD \u00e9 a <strong>determina\u00e7\u00e3o do ACTH end\u00f3geno<\/strong>, uma vez que c\u00e3es com HPD apresentaram concentra\u00e7\u00f5es excessivas de ACTH (mais de 45 pg\/mL) secund\u00e1ria a atividade do adenoma hipofis\u00e1rio, ao passo que c\u00e3es com HAD apresentar\u00e3o valores de ACTH muito baixos (menos de 10 pg\/mL), as vezes indetect\u00e1veis, em decorr\u00eancia do <em>feedback<\/em> negativo sobre a hip\u00f3fise promovida pelo cortisol secretado exageradamente pelo tumor adrenocortical. Outra possibilidade mais pr\u00e1tica de diferencia\u00e7\u00e3o entre HPD e HAD, s\u00e3o os exames de <strong>imagens <\/strong>(ecografia, resson\u00e2ncia, tomografia). A visualiza\u00e7\u00e3o de adrenais com par\u00eanquima e caracter\u00edsticas ecogr\u00e1ficas preservadas e com aumento bilateral \u00e9 compat\u00edvel com HPD, e a observa\u00e7\u00e3o de massas adrenais \u00e9 sugestivo de HAD.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>excre\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria de cortisol<\/strong> \u00e9 proporcional \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica de cortisol. A rela\u00e7\u00e3o cortisol\/creatinina urin\u00e1ria (C\/Cr) \u00e9 bastante sens\u00edvel, uma vez que animais com HAC apresentam C\/Cr elevadas (mais de 10 at\u00e9 1.000), contudo \u00e9 pouco espec\u00edfico, uma vez que qualquer fator estressante, e uma variedade de doen\u00e7as n\u00e3o adrenais podem provocar resultados semelhantes. Apesar disto, este teste tem um bom valor preditivo negativo caso a rela\u00e7\u00e3o C\/Cr seja baixa (menor de 10), sendo pouco prov\u00e1vel a exist\u00eancia de HAC nestes casos. A coleta da urina deve ser feita em casa pelo propriet\u00e1rio para evitar estresse do ambiente hospitalar. A dosagem pode ser feita em uma \u00fanica amostra de urina, mas o teste ter\u00e1 mais validade se for feito em uma mistura de urinas coletadas em duas manh\u00e3s consecutivas e mantidas sobre refrigera\u00e7\u00e3o at\u00e9 an\u00e1lise. Para uma \u00fanica coleta de urina, a primeira mic\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 \u00e9 mais adequada por refletir a produ\u00e7\u00e3o de cortisol durante um per\u00edodo maior (noite) quando presumivelmente o c\u00e3o n\u00e3o urinou. Al\u00e9m disso, um TSADD pode ser adicionado \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de C\/Cr em c\u00e3es com valores altos. A dexametasona (0,1 mg\/kg por via oral a cada oito horas durante dois dias) \u00e9 administrada e a C\/Cr urin\u00e1ria \u00e9 reavaliada nos dias dois e tr\u00eas do teste. A aus\u00eancia de supress\u00e3o de C\/Cr confirma o diagn\u00f3stico de HAC, mas n\u00e3o esclarece a origem, enquanto a supress\u00e3o do cortisol urin\u00e1rio descarta o hipercortisolismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/\" data-type=\"page\" data-id=\"393\">\ud83d\udcd6 Clique\/toque aqui para saber mais<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a avalia\u00e7\u00e3o inicial de um paciente com suspeita de HAC \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hiperadrenocorticismo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Indicadores do hiperadrenocorticismo<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"parent":393,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3288","page","type-page","status-publish","hentry"],"featured_image_src":"","featured_image_src_square":false,"rbea_author_info":{"display_name":"SCS","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/author\/ceroni\/"},"rbea_excerpt_info":"Durante a avalia\u00e7\u00e3o inicial de um paciente com suspeita de HAC \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de &hellip;<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hiperadrenocorticismo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Indicadores do hiperadrenocorticismo<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3288"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6615,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3288\/revisions\/6615"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}