{"id":3302,"date":"2021-08-16T09:06:07","date_gmt":"2021-08-16T12:06:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/?page_id=3302"},"modified":"2023-02-13T15:53:13","modified_gmt":"2023-02-13T18:53:13","slug":"indicadores-do-hipotireoidismo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hipotireoidismo\/","title":{"rendered":"Indicadores do hipotireoidismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico definitivo de hipotireoidismo pode ser bastante frustrante e desafiador por uma s\u00e9rie de interfer\u00eancias na avalia\u00e7\u00e3o das dosagens hormonais; no entanto, o diagn\u00f3stico \u00e9 basicamente cl\u00ednico, aplicando-se as dosagens bioqu\u00edmicas e hormonais para confirma\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o da suspeita cl\u00ednica. Nenhum teste end\u00f3crino \u00e9 100% acurado, ainda mais quando se trata de HT, uma vez que doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas e muitas medica\u00e7\u00f5es utilizadas em medicina veterin\u00e1ria tem capacidade de provocar a redu\u00e7\u00e3o destes horm\u00f4nios no plasma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um protocolo simples das etapas b\u00e1sicas na avalia\u00e7\u00e3o de um paciente suspeito de hipotireoidismo pode seguir os seguintes passos: (a) Presen\u00e7a de sinais cl\u00ednicos compat\u00edveis com hipotireoidismo; (b) Verifica\u00e7\u00e3o de tratamentos com drogas que possam causar redu\u00e7\u00e3o nos HT, caso em que se deve aguardar o t\u00e9rmino destas medica\u00e7\u00f5es para a avalia\u00e7\u00e3o hormonal; (c) Excluir doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas por exames complementares e quaisquer outros testes espec\u00edficos necess\u00e1rios; e (d) Dosagem de T<sub>4<\/sub> total e TSH. Se os resultados forem confusos, dosar T<sub>4<\/sub> livre por di\u00e1lise e\/ou TgAA. Caso ainda n\u00e3o tenha sido poss\u00edvel estabelecer um diagn\u00f3stico, aguardar e repetir os testes ap\u00f3s algumas semanas ou estudar a possibilidade de um ensaio terap\u00eautico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os exames rotineiros de patologia cl\u00ednica s\u00e3o importantes na avalia\u00e7\u00e3o inicial de um paciente suspeito por permitirem uma investiga\u00e7\u00e3o inicial de doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas, bem como a observa\u00e7\u00e3o de anormalidades cl\u00e1ssicas observadas associadas ao estado hipotireoideo. A altera\u00e7\u00e3o mais comum associada ao hipotireoidismo \u00e9 a <strong>hiperlipidemia<\/strong>, especialmente por <strong>hipercolesterolemia<\/strong>, altera\u00e7\u00e3o presente em at\u00e9 80% dos casos. A falta de HT leva a uma menor s\u00edntese e degrada\u00e7\u00e3o de lip\u00eddeos, predispondo ao ac\u00famulo de colesterol e de triglicer\u00eddeos no plasma. A menor express\u00e3o do receptor de LDL por causa da redu\u00e7\u00e3o nos HT \u00e9 outro fator que leva a hipercolesterolemia. Apesar de outras doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas tamb\u00e9m causarem aumento no colesterol, aumentos muito pronunciados s\u00e3o preditores de hipotireoidismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na bioqu\u00edmica sangu\u00ednea n\u00e3o existem outras altera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para hipotireoidismo, mas s\u00e3o importantes na avalia\u00e7\u00e3o do paciente como um todo na busca por evid\u00eancias de doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas. Aumentos na atividade s\u00e9rica das enzimas <strong>fosfatase alcalina<\/strong> e <strong>\u03b3-glutamil transferase<\/strong> s\u00e3o observados em at\u00e9 30% dos casos, pela maior deposi\u00e7\u00e3o de gordura no f\u00edgado e consequente lipidose discreta; entretanto, este \u00e9 um achado pouco espec\u00edfico. A <strong>creatina quinase<\/strong>, enzima indicadora de les\u00e3o muscular, pode estar aumentada em at\u00e9 35% dos casos de hipotireoidismo por miopatias secund\u00e1rias. A <strong>fructosamina <\/strong>foi proposta como um indicador com at\u00e9 80% de sensibilidade para hipotireoidismo, pois aumentos discretos na sua concentra\u00e7\u00e3o s\u00e3o causados por uma redu\u00e7\u00e3o na renova\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas e n\u00e3o por causa de hiperglicemia. Em c\u00e3es com hipotireoidismo observam-se valores pr\u00f3ximos ao limite superior de fructosamina (cerca de 300 \u00b5mol\/L).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na hematologia, uma <strong>anemia <\/strong>normoc\u00edtica-normocr\u00f4mica discreta pode ser observada em at\u00e9 50% dos casos de hipotireoidismo. Esta altera\u00e7\u00e3o deriva do menor consumo de oxig\u00eanio pelos tecidos, al\u00e9m do menor est\u00edmulo para eritropoiese. Uma anemia mais intensa, indica maior o tempo de evolu\u00e7\u00e3o do transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o end\u00f3crina da <\/strong>tir<strong>eoide<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da tireoide pode ser feita atrav\u00e9s da dosagem s\u00e9rica dos <strong>HT <\/strong>e do <strong>TSH<\/strong>. Rotineiramente, o <strong>T<sub>4<\/sub> total<\/strong> (livre + ligado a prote\u00ednas) e o TSH s\u00e3o utilizados como testes iniciais de triagem. Como cerca de 95% dos casos de hipotireoidismo em c\u00e3es s\u00e3o prim\u00e1rios, a determina\u00e7\u00e3o de valores baixos de T<sub>4<\/sub> total (tT<sub>4<\/sub>) e altos de TSH em um c\u00e3o suspeito pode ser suficiente para confirmar o diagn\u00f3stico de hipotireoidismo. Contudo, observam-se valores baixos de tT<sub>4<\/sub> por administra\u00e7\u00e3o de algumas drogas comuns em medicina veterin\u00e1ria, bem como em determinadas doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas (falsos positivos). Da mesma forma, estas condi\u00e7\u00f5es podem afetar o TSH sangu\u00edneo, tornando o processo diagn\u00f3stico confuso. Cerca de 80% dos c\u00e3es com hipotireoidismo prim\u00e1rio apresentam TSH elevado. Essa sensibilidade melhorou ap\u00f3s o desenvolvimento de um teste espec\u00edfico de TSH canino (cTSH). Por outro lado, cerca de 10% dos c\u00e3es com hipotireoidismo podem ter autoanticorpos anti-T<sub>4<\/sub> que interferem nos imunoensaios e causam uma falsa eleva\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio no sangue (falso negativo). Muitas vezes o diagn\u00f3stico s\u00f3 pode ser confirmado ap\u00f3s a resposta terap\u00eautica adequada do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma segunda linha de exames de avalia\u00e7\u00e3o da tireoide inclui a dosagem do <strong>T<sub>4<\/sub> livre por di\u00e1lise<\/strong> (dfT<sub>4<\/sub>), que \u00e9 mais sens\u00edvel e muito mais espec\u00edfica para diagn\u00f3stico de hipotireoidismo. O dfT<sub>4<\/sub> \u00e9 menos afetado por doen\u00e7as n\u00e3o tireoidianas e por determinadas drogas, apesar de ainda sofrer influ\u00eancia de acordo com a medica\u00e7\u00e3o e gravidade do transtorno. Al\u00e9m disso, no processo de di\u00e1lise de separa\u00e7\u00e3o do T<sub>4<\/sub> das prote\u00ednas (um processo que leva de 24 a 48 horas em di\u00e1lise de equil\u00edbrio de temperatura), a passagem do dialisado por uma membrana de filtra\u00e7\u00e3o elimina a interfer\u00eancia de autoanticorpos no imunoensaio. Ao solicitar medi\u00e7\u00e3o de T<sub>4<\/sub> livre, \u00e9 essencial verificar com o laborat\u00f3rio se a t\u00e9cnica de determina\u00e7\u00e3o \u00e9 para dfT<sub>4<\/sub>. A maioria dos laborat\u00f3rios que medem T<sub>4<\/sub> n\u00e3o determina o dfT<sub>4<\/sub>, e a medi\u00e7\u00e3o do T<sub>4<\/sub> livre por outros m\u00e9todos tem o mesmo valor diagn\u00f3stico da medi\u00e7\u00e3o do tT<sub>4<\/sub>, embora com uma sensibilidade mais baixa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel determinar a presen\u00e7a de <strong>autoanticorpos contra tireoglobulina<\/strong> (TgAA) no soro de pacientes com tireoidite linfoc\u00edtica. No entanto, muitos animais com tireoidite n\u00e3o apresentam TgAA no momento da avalia\u00e7\u00e3o, de forma que a n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o destes n\u00e3o significa aus\u00eancia de tireoidite. De qualquer forma, a detec\u00e7\u00e3o de TgAA indica que um processo patol\u00f3gico est\u00e1 em curso na tireoide, e num primeiro momento, o paciente pode estar apresentando valores normais de HT, por\u00e9m com valores as vezes elevados de TSH, em uma tentativa do organismo de compensar uma fun\u00e7\u00e3o tireoidiana que come\u00e7a a ficar d\u00e9bil como resultado do ataque do sistema imune \u00e0 gl\u00e2ndula. No entanto, a disponibilidade deste teste \u00e9 um pouco limitada. Diante do custo da medi\u00e7\u00e3o de tT<sub>4<\/sub> e TSH e poss\u00edveis falhas no diagn\u00f3stico, pode ser mais eficiente e eficaz determinar o dfT<sub>4<\/sub> como a primeira op\u00e7\u00e3o, uma vez que a diferencia\u00e7\u00e3o entre a origem prim\u00e1ria ou central do problema n\u00e3o altera o comportamento terap\u00eautico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para diferenciar um caso de hipotireoidismo prim\u00e1rio de um secund\u00e1rio \u00e9 \u00fatil realizar uma <strong>prova de estimula\u00e7\u00e3o com TSH<\/strong>, administrando este horm\u00f4nio e observando o efeito sobre a concentra\u00e7\u00e3o dos HT. No c\u00e3o eutireoidiano e no hipotireoidismo secund\u00e1rio, o n\u00edvel de T<sub>4<\/sub> deve aumentar dobrando o valor normal em oito horas, enquanto nos animais com hipotireoidismo prim\u00e1rio, os n\u00edveis de T<sub>4<\/sub> n\u00e3o s\u00e3o afetados depois de administrar o TSH.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras formas de diagn\u00f3stico tamb\u00e9m podem ser utilizadas, apesar de pouco pr\u00e1ticas, confi\u00e1veis \u200b\u200be usuais. Por exemplo, testes com <strong>administra\u00e7\u00e3o de TRH seguidos de medi\u00e7\u00e3o de TSH <\/strong>para avalia\u00e7\u00e3o do eixo hipot\u00e1lamo-hip\u00f3fise em casos de hipotireoidismo secund\u00e1rio, ou administra\u00e7\u00e3o de TSH seguida de medi\u00e7\u00e3o subsequente de TH foram menos utilizados hoje devido a dificuldades e custos na obten\u00e7\u00e3o de TRH e TSH, bem como o risco de choque anafil\u00e1tico. Al\u00e9m disso, a disponibilidade atual de testes mais confi\u00e1veis, como TSH e dfT<sub>4<\/sub>, tornou o diagn\u00f3stico de hipotireoidismo muito mais pr\u00e1tico. O T<sub>3<\/sub> na sua forma livre (fT<sub>3<\/sub>) ou total (tT<sub>3<\/sub>) tamb\u00e9m pode ser determinado no soro, embora ofere\u00e7a muito pouca informa\u00e7\u00e3o sobre a fun\u00e7\u00e3o da tireoide, uma vez que cerca de 75% do T<sub>3<\/sub> circulante n\u00e3o foi produzido pela tireoide, mas \u00e9 um produto da desioda\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica do T<sub>4<\/sub>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/\" data-type=\"page\" data-id=\"393\">\ud83d\udcd6 Clique\/toque aqui para saber mais<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diagn\u00f3stico definitivo de hipotireoidismo pode ser bastante frustrante e desafiador por uma s\u00e9rie de interfer\u00eancias &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hipotireoidismo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Indicadores do hipotireoidismo<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"parent":393,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3302","page","type-page","status-publish","hentry"],"featured_image_src":"","featured_image_src_square":false,"rbea_author_info":{"display_name":"SCS","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/author\/ceroni\/"},"rbea_excerpt_info":"O diagn\u00f3stico definitivo de hipotireoidismo pode ser bastante frustrante e desafiador por uma s\u00e9rie de interfer\u00eancias &hellip;<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/indicadores-do-hipotireoidismo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Indicadores do hipotireoidismo<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3302"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5744,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3302\/revisions\/5744"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}