{"id":464,"date":"2013-05-09T14:29:37","date_gmt":"2013-05-09T17:29:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/site\/?page_id=464"},"modified":"2023-02-13T15:39:50","modified_gmt":"2023-02-13T18:39:50","slug":"glicose","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/glicose\/","title":{"rendered":"Glicose"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre v\u00e1rios metab\u00f3litos usados como combust\u00edvel para a oxida\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, a glicose \u00e9 considerada o mais importante, sendo vital para fun\u00e7\u00f5es, tais como o metabolismo do c\u00e9rebro e na lacta\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel de glicose sangu\u00ednea pode indicar falhas na homeostase, como ocorre em doen\u00e7as tais como as cetoses. Na digest\u00e3o dos ruminantes, praticamente nenhuma glicose proveniente do trato alimentar entra na corrente sangu\u00ednea. O <strong>f\u00edgado<\/strong> \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela sua s\u00edntese a partir de mol\u00e9culas precursoras na via da gliconeog\u00eanese. Assim, nos ruminantes o \u00e1cido propi\u00f4nico produz 50% dos requerimentos de glicose, os amino\u00e1cidos gliconeog\u00eanicos contribuem com 25%, e o \u00e1cido l\u00e1ctico com 15%. Outro precursor importante \u00e9 o glicerol. O n\u00edvel de glicose tem poucas varia\u00e7\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o dos mecanismos homeost\u00e1ticos bastante eficientes do organismo, os quais envolvem o controle end\u00f3crino por parte da insulina e do glucagon sobre o glicog\u00eanio e dos glicocorticoides sobre a gliconeog\u00eanese. Quando o fornecimento energ\u00e9tico \u00e9 inadequado, esses horm\u00f4nios estimulam a degrada\u00e7\u00e3o de glicog\u00eanio hep\u00e1tico e a s\u00edntese de nova glicose no f\u00edgado; e quando o balan\u00e7o energ\u00e9tico se torna negativo, estimulam a mobiliza\u00e7\u00e3o de triglicer\u00eddeos para fornecer \u00e1cidos graxos como fonte de energia e glicerol como precursor de glicose hep\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dieta tem pouco efeito sobre a glicemia, em fun\u00e7\u00e3o dos mecanismos homeost\u00e1ticos, exceto em animais com severa desnutri\u00e7\u00e3o. Sob alimenta\u00e7\u00e3o sem defici\u00eancia ou excesso dr\u00e1sticos de energia, o n\u00edvel de glicose n\u00e3o \u00e9 bom indicador do n\u00edvel energ\u00e9tico da dieta. Por\u00e9m, o fato de ser um metab\u00f3lito vital para as necessidades energ\u00e9ticas do organismo justifica sua inclus\u00e3o no perfil metab\u00f3lico. A concentra\u00e7\u00e3o de glicose pode aumentar no estresse cr\u00f4nico. A diabetes mellitus, mais frequente em monog\u00e1stricos do que em ruminantes, \u00e9 caracterizada por quadro de hiperglicemia e glicos\u00faria. A glicemia pode diminuir com a idade. Estados hipoglic\u00eamicos em vacas leiteiras est\u00e3o associados \u00e0 cetose e defici\u00eancias severas de energia ou, em menor grau, a produ\u00e7\u00f5es elevadas de leite. O n\u00edvel de glicose tende a diminuir com produ\u00e7\u00f5es de leite acima de 30 L\/dia. Na lacta\u00e7\u00e3o, o suprimento de glicose na vaca \u00e9 importante, especialmente quando alcan\u00e7a o m\u00e1ximo de produ\u00e7\u00e3o, pois a gl\u00e2ndula mam\u00e1ria necessita de glicose para s\u00edntese de lactose. Quando ocorre hipoglicemia na lacta\u00e7\u00e3o (glicemia menor de 35 mg\/dL), diminui a produ\u00e7\u00e3o de leite como forma de compensa\u00e7\u00e3o e, em casos extremos, pode sobrevir cetose. Nas vacas de alta produ\u00e7\u00e3o leiteira, os requerimentos energ\u00e9ticos s\u00e3o cobertos pela alimenta\u00e7\u00e3o adequada e gliconeog\u00eanese normal. A primeira deve adaptar-se \u00e0s necessidades particulares dos ruminantes (a fibra \u00e9 importante no periparto) e a segunda s\u00f3 \u00e9 realizada se o f\u00edgado estiver funcionando normalmente. Diante de uma falha na alimenta\u00e7\u00e3o ou na gliconeog\u00eanese, ocorre mobiliza\u00e7\u00e3o de triglicer\u00eddeos que servem como fonte de energia. A falta de oxalacetato leva ao aumento dos corpos cet\u00f4nicos e, eventualmente, \u00e0 cetose. Por outra parte, a excessiva mobiliza\u00e7\u00e3o de lip\u00eddeos pode levar a uma infiltra\u00e7\u00e3o gordurosa no f\u00edgado, aumentando a falha hep\u00e1tica e, eventualmente, causando cirrose.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob condi\u00e7\u00f5es de campo, diferentemente das condi\u00e7\u00f5es experimentais, em ocasi\u00f5es ocorre hipoglicemia, e seja qual for a causa, ela indica um estado patol\u00f3gico com importantes implica\u00e7\u00f5es na sa\u00fade e na produ\u00e7\u00e3o. Em cavalos subalimentados, apresentam-se com frequ\u00eancia hipoglicemia e hiperlipemia. A mobiliza\u00e7\u00e3o de lip\u00eddeos nesta esp\u00e9cie pode ser excessiva, podendo causar dano hep\u00e1tico, \u00e0s vezes fatal. O n\u00edvel de glicose nos ruminantes tende a ser menor no ter\u00e7o final da gesta\u00e7\u00e3o do que nos per\u00edodos anteriores, isto \u00e9, os n\u00edveis tendem a diminuir \u00e0 medida que a gesta\u00e7\u00e3o avan\u00e7a. Sabe-se que o feto <em>in utero<\/em> demanda glicose como maior fonte de energia. Entretanto, no momento do parto, a glicemia tem um aumento agudo, devido ao estresse. No per\u00edodo posterior ao parto os n\u00edveis caem de novo, especialmente na primeira semana e em vacas de alta produ\u00e7\u00e3o leiteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/\" data-type=\"page\" data-id=\"393\">\ud83d\udcd6 Clique\/toque aqui para saber mais<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre v\u00e1rios metab\u00f3litos usados como combust\u00edvel para a oxida\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, a glicose \u00e9 considerada o mais &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/glicose\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Glicose<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"parent":393,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-464","page","type-page","status-publish","hentry"],"featured_image_src":"","featured_image_src_square":false,"rbea_author_info":{"display_name":"SCS","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/author\/ceroni\/"},"rbea_excerpt_info":"Entre v\u00e1rios metab\u00f3litos usados como combust\u00edvel para a oxida\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, a glicose \u00e9 considerada o mais &hellip;<p class=\"read-more\"> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/ensino\/manual_bioq_clin\/glicose\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Glicose<\/span> Read more \u2192<\/a><\/p>","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=464"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5719,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/464\/revisions\/5719"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lacvet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}