{"id":524,"date":"2021-03-31T20:32:56","date_gmt":"2021-03-31T23:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lappacs\/?p=524"},"modified":"2021-03-31T20:32:56","modified_gmt":"2021-03-31T23:32:56","slug":"mensagemabpp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lappacs\/2021\/03\/31\/mensagemabpp\/","title":{"rendered":"Mensagem da ABPP &#8211; 1964 \/ 2021: assanham-se os autorit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"entry-title\" style=\"text-align: center;\"><strong>1964 \/ 2021: assanham-se os\u00a0autorit\u00e1rios<\/strong><\/h1>\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"text-align: right;\"><em>31 de mar\u00e7o de 2021<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O golpe parlamentar-jur\u00eddico de 2016 tornou expl\u00edcito a presen\u00e7a de apoiadores da ditadura civil-militar iniciada em 1964 no Parlamento brasileiro. A homenagem ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador no per\u00edodo ditatorial, proferida por Jair Bolsonaro em seu voto a favor do Impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff n\u00e3o foi punido por nenhum dos tr\u00eas Poderes Constitucionais do Estado Democr\u00e1tico Brasileiro. Muito pelo contr\u00e1rio, serviu de palanque para a campanha eleitoral vitoriosa de Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 2018.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Entre golpe e homenagens \u00e0 torturador vimos tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o por parte da grande m\u00eddia brasileira de um novo \u201cher\u00f3i nacional\u201d, Sergio Moro, o qual serviu ao sucesso da candidatura do \u201cmito\u201d e ao governo deste, como Ministro da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Chegamos ao 57\u00ba anivers\u00e1rio do golpe civil-militar de 1964. Neste m\u00eas de mar\u00e7o de 2021 o mesmo Superior Tribunal Federal que legitimou o golpe de 2016, decidiu favoravelmente pela suspei\u00e7\u00e3o de Moro no julgamento do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O \u201cher\u00f3i\u201d n\u00e3o era apenas uma fraude, era tamb\u00e9m autorit\u00e1rio. No dia 30 de mar\u00e7o tivemos, pela primeira vez na hist\u00f3ria democr\u00e1tica brasileira, a ren\u00fancia dos tr\u00eas Comandantes das For\u00e7as Armadas ap\u00f3s a demiss\u00e3o por Bolsonaro do General Fernando Azevedo e Silva, Ministro da Defesa. Em sua carta de sa\u00edda do governo, o General considerou necess\u00e1rio afirmar que preservou as For\u00e7as Armadas como institui\u00e7\u00f5es de Estado, ou seja, que elas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 servi\u00e7o do governo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O substituto do General Fernando Azevedo, o tamb\u00e9m General Walter Braga Netto, at\u00e9 ent\u00e3o Ministro da Casa Civil \u2013 como sabemos, h\u00e1 grande presen\u00e7a de integrantes das For\u00e7as Armadas em cargos do governo Bolsonaro -, iniciou sua atua\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Defesa fazendo o mesmo que seu antecessor em anos anteriores: publicou uma nota de elogio ao golpe de 1964.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A substitui\u00e7\u00e3o do Ministro da Defesa e a ren\u00fancia dos Comandantes das For\u00e7as Armadas s\u00e3o atos importantes a ser considerados no jogo autorit\u00e1rio do governo Bolsonaro, sobretudo, porque parecem estar ligados a alega\u00e7\u00e3o por parte do presidente de falta de apoio a ideias recentes dele como a de decretar a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a governadores que t\u00eam apoiado medidas restritivas para combater a pandemia da Covid-19. Entretanto, \u00e9 importante n\u00e3o esquecermos que durante o per\u00edodo do General Fernando Azevedo como Ministro da Defesa, Bolsonaro participou e incentivou atos antidemocr\u00e1ticos, bem como que foi defendida a narrativa do golpe civil-militar de 1964 como um \u201cmovimento\u201d para \u201cgarantir as liberdades democr\u00e1ticas que hoje desfrutamos\u201d, como afirmou ontem o General Walter Braga Netto.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psicologia Pol\u00edtica ressalta sua posi\u00e7\u00e3o completamente contr\u00e1ria a qualquer ato de apoio ao golpe de 1964, \u00e0 ditadura civil-militar decorrente dele e a quaisquer a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias vivenciadas no pa\u00eds ap\u00f3s o fim da ditadura. N\u00e3o podemos permitir sequer \u201cuma p\u00f3lvora\u201d favor\u00e1vel ao autoritarismo, o qual longe de proteger direitos democr\u00e1ticos, legitima a tortura, o assassinato, a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a censura \u00e0quelas e \u00e0queles que n\u00e3o se calam e n\u00e3o cansam de lutar por horizontes mais igualit\u00e1rios e livres.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" style=\"text-align: center;\">\u201cApesar de voc\u00ea, amanh\u00e3 h\u00e1 ser outro dia\u201d<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" style=\"text-align: center;\">#DitaduraNuncaMais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado em:\u00a0<a href=\"https:\/\/psicologiapolitica.org.br\/2021\/03\/31\/1964-2021-assanham-se-os-autoritarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/psicologiapolitica.org.br\/2021\/03\/31\/1964-2021-assanham-se-os-autoritarios\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1964 \/ 2021: assanham-se os\u00a0autorit\u00e1rios 31 de mar\u00e7o de 2021 O golpe parlamentar-jur\u00eddico de 2016 tornou expl\u00edcito a presen\u00e7a de apoiadores da ditadura civil-militar iniciada em 1964 no Parlamento brasileiro. 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