{"id":1297,"date":"2021-12-21T10:05:23","date_gmt":"2021-12-21T13:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/laranjanacolher\/?p=1297"},"modified":"2025-11-03T14:32:07","modified_gmt":"2025-11-03T17:32:07","slug":"nutricionismo-o-que-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/laranjanacolher\/2021\/12\/21\/nutricionismo-o-que-e\/","title":{"rendered":"Nutricionismo: o que \u00e9?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nutricionismo \u00e9 o termo, cunhado pelo autor Gyorgy Scrinis, que re\u00fane reducionismo e nutri\u00e7\u00e3o em uma s\u00f3 palavra. O livro do cientista foi traduzido para o portugu\u00eas e lan\u00e7ado no Brasil apenas em maio de 2021, mas, antes disso, j\u00e1 era refer\u00eancia para grandes estudiosos de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o pelo mundo. Vamos tentar entender como o nutricionismo afeta as nossas vidas e as nossas escolhas alimentares?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem nunca se deparou com an\u00fancios de produtos aliment\u00edcios com chamadas do tipo \u201cbaixo em calorias\u201d, \u201cfonte de vitamina C\u201d, \u201crico em \u00f4mega-3\u201d? Todas essas abordagens derivam da vis\u00e3o reducionista em nutrientes que nossa alimenta\u00e7\u00e3o tem se pautado desde meados do s\u00e9culo passado. Segundo Scrinis, o nutricionismo se divide em eras ao longo dos anos. Atualmente, vivemos a era do nutricionismo funcional, em que as pesquisas e comunica\u00e7\u00f5es sobre nutri\u00e7\u00e3o focam em nutrientes e alimentos que possuem alguma funcionalidade ben\u00e9fica para o nosso organismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das grandes quest\u00f5es levantadas pelo autor \u00e9 que, de modo geral, hoje, as pessoas deixaram de se alimentar se baseando somente nos alimentos dispon\u00edveis na sua regi\u00e3o em cada \u00e9poca do ano. Perdeu-se o costume de comer frutas, verduras, arroz e feij\u00e3o. O que est\u00e1 na moda s\u00e3o termos <em>gluten free, low carb, whey protein<\/em> e \u00e9 com base nessas express\u00f5es que muitos indiv\u00edduos se pautam para escolher o que v\u00e3o colocar em seus pratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo que podemos citar \u00e9 o do ovo. At\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o ovo era um alimento celebrado por ser de baixo custo e conter prote\u00edna, o que, na era do nutricionismo quantificador ou protetor, era muito importante, principalmente para alimentar as classes trabalhadoras. O objetivo naquela \u00e9poca era fornecer a cota cal\u00f3rica e de nutrientes necess\u00e1ria para os oper\u00e1rios executarem bem o seu trabalho sem ficar doentes, e, dessa forma, o foco em valor cal\u00f3rico da dieta e quantidade de prote\u00edna da alimenta\u00e7\u00e3o eram fatores cruciais. Por conseguinte, frutas e verduras, consideradas caras e de baixo teor proteico e cal\u00f3rico, foram desencorajadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os anos foram passando, e essa era do nutricionismo tamb\u00e9m. Por volta da d\u00e9cada de 1970, j\u00e1 na \u00e9poca do nutricionismo \u201cbom versus ruim\u201d, o foco das pesquisas apontava para os malef\u00edcios de alguns nutrientes na causa de doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o, por exemplo. Nessa fase, a gordura come\u00e7ou a ser largamente criticada nas dietas e, dessa forma, o ovo, outrora queridinho, tamb\u00e9m entrou na lista de alimentos a serem evitados pelo seu teor de colesterol. Novos produtos foram desenvolvidos para substituir a gordura saturada e, dessa forma, a margarina ganhou espa\u00e7o na mesa dos consumidores, tomando lugar da tradicional manteiga. No af\u00e3 de suprir as demandas do nutricionismo vigente nesse per\u00edodo, a ind\u00fastria criou a gordura trans, supostamente mais \u201csaud\u00e1vel\u201d por ser de origem vegetal, e que, anos mais tarde, mostrou-se como pior que a pr\u00f3pria gordura saturada&#8230; \u00c9 o verdadeiro \u201co mundo d\u00e1 voltas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Continuemos com a saga do ovo&#8230; Atualmente, como j\u00e1 foi dito, vivemos a era do nutricionismo funcional. As pesquisas avan\u00e7aram e deram mais uma chance ao ovo na nossa alimenta\u00e7\u00e3o: por ser fonte de prote\u00edna de alta qualidade, \u00f4mega-3 e colina, saiu da lista dos produtos a serem evitados para entrar em outra, a de super alimentos. Sim, \u00e9 muito confuso, e seria engra\u00e7ado se n\u00e3o fosse real. Outros exemplos s\u00e3o a valoriza\u00e7\u00e3o de certas vitaminas e minerais para fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na nossa sa\u00fade &#8211; quem lembra da propaganda que foi feita em prol do zinco e da vitamina D no fortalecimento da imunidade contra a covid-19?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Por isso que salientamos: n\u00e3o se deixe levar por not\u00edcias sensacionalistas de alimentos ou nutrientes que, sozinhos, possam trazer a cura das doen\u00e7as ou a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer ou at\u00e9 da covid-19. Nenhum alimento ou nutriente isolado tem esse poder. Os cientistas devem, sim, continuar com as suas pesquisas, mas sempre precisamos ter em mente que nossa alimenta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pelo conjunto de fatores sociais, biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos, econ\u00f4micos, ambientais e etc. Nesse caso, o melhor a se fazer \u00e9 seguir a regra de ouro do Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, que diz: \u201dprefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias a alimentos ultraprocessados\u201d. Ou seja: coma comida, de prefer\u00eancia feita em casa, com frutas e verduras frescas e da \u00e9poca. Pode ficar tranquilo que grande parte das nossas necessidades nutricionais ser\u00e3o atendidas se a sua alimenta\u00e7\u00e3o seguir essa regra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fabiana Tanabe <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nutricionista &#8211; CRN2 9727<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade. Departamento de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. <strong>Guia alimentar para a popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>. 2. ed., 1. reimpr. \u2013 Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCRINIS, Gyorgy. <strong>Nutricionismo: <\/strong><strong>a ci\u00eancia e a pol\u00edtica do aconselhamento nutricional.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Editora Elefante, 2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nutricionismo \u00e9 o termo, cunhado pelo autor Gyorgy Scrinis, que re\u00fane reducionismo e nutri\u00e7\u00e3o em uma s\u00f3 palavra. O livro do cientista foi traduzido para o portugu\u00eas e lan\u00e7ado no Brasil apenas em maio de 2021, mas, antes disso, j\u00e1 era refer\u00eancia para grandes estudiosos de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o pelo mundo. 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