{"id":2457,"date":"2025-09-25T08:00:00","date_gmt":"2025-09-25T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/laranjanacolher\/?p=2457"},"modified":"2025-09-10T10:50:10","modified_gmt":"2025-09-10T13:50:10","slug":"o-que-e-doenca-celiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/laranjanacolher\/2025\/09\/25\/o-que-e-doenca-celiaca\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 doen\u00e7a cel\u00edaca?"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Texto elaborado por Nut Fabiana Tanabe (CRN2 9727), DPSD\/PRAE\/UFRGS.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar daquela condi\u00e7\u00e3o em que as pessoas n\u00e3o podem comer p\u00e3es, massas, biscoitos, entre outros produtos com a farinha de trigo na sua composi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Existem muitos motivos pelos quais as pessoas deixam de consumir esses alimentos, mas no caso de portadores de doen\u00e7a cel\u00edaca (DC), tal op\u00e7\u00e3o se aplica a um tratamento a longo prazo que deve ser feito para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Mas voc\u00ea sabe do que se trata a doen\u00e7a cel\u00edaca? Vem com o Laranja na Colher que te ajudamos a entender um pouco mais sobre essa condi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A doen\u00e7a cel\u00edaca \u00e9 uma desordem de natureza autoimune caracterizada por uma resposta inapropriada do sistema imunol\u00f3gico, o sistema de defesa do nosso corpo, ao gl\u00faten. O gl\u00faten, conforme j\u00e1 falamos em um outro texto (clique aqui para acessar), \u00e9 um complexo de prote\u00ednas naturalmente encontradas no trigo, cevada, centeio, entre outros, respons\u00e1veis por dar viscosidade, elasticidade e extensibilidade para as massas de p\u00e3es, macarr\u00e3o e biscoitos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, pessoas com predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de desenvolvimento de DC, ao comerem alimentos com gl\u00faten, podem desencadear uma resposta imunol\u00f3gica que danifica a integridade das c\u00e9lulas do intestino, comprometendo, assim, a absor\u00e7\u00e3o dos nutrientes. Dessa forma, os principais sintomas associados \u00e0 DC s\u00e3o a diarreia, dor e distens\u00e3o abdominais, al\u00e9m de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o dos nutrientes, anemia, fadiga e erup\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas (feridas na pele) e, em alguns casos, at\u00e9 sintomas neurol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico dessa condi\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por uma combina\u00e7\u00e3o de testes sorol\u00f3gicos para detectar anticorpos espec\u00edficos, como antiglutaminases, e antigliadinas e, principalmente, uma bi\u00f3psia do intestino delgado, a fim de verificar se h\u00e1 dano na integridade das c\u00e9lulas intestinais. O tratamento consiste em restri\u00e7\u00e3o permanente do gl\u00faten da alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo tolerada a ingest\u00e3o de nem um \u201cpouquinho\u201d de alimentos \u00e0 base de trigo, cevada, centeio ou outros ingredientes com gl\u00faten em sua composi\u00e7\u00e3o. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 motivos para iniciar o tratamento com restri\u00e7\u00e3o de gl\u00faten sem antes realizar a bi\u00f3psia e ser detectado o dano celular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, tamb\u00e9m \u00e9 recomendado que as pessoas portadoras de doen\u00e7a cel\u00edaca se atentem ao que consta na lista de ingredientes dos produtos que s\u00e3o adquiridos, uma vez que o gl\u00faten pode estar contido em itens que a princ\u00edpio n\u00e3o s\u00e3o feitos com trigo, cevada, centeio. Vale destacar que, no ano de 2003, foi sancionada a lei federal N\u00ba 10764 em que obriga a informa\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a de gl\u00faten em produtos aliment\u00edcios comercializados, como forma preventiva e de controle da doen\u00e7a cel\u00edaca. Sendo assim, todos os alimentos industrializados devem trazer no seu r\u00f3tulo os dizeres \u201ccont\u00e9m gl\u00faten\u201d ou \u201cn\u00e3o cont\u00e9m gl\u00faten\u201d, conforme o caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra quest\u00e3o a ser considerada \u00e9 sobre a chamada \u201ccontamina\u00e7\u00e3o cruzada\u201d, quando h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o indireta do alimento por conta do ambiente em que \u00e9 produzido. Um exemplo de contamina\u00e7\u00e3o cruzada pode ser o uso do mesmo \u00f3leo de fritura para alimentos com farinha de trigo e sem farinha de trigo, ou a utiliza\u00e7\u00e3o do mesmo maquin\u00e1rio para o processamento sem a devida higieniza\u00e7\u00e3o, como pode acontecer com a aveia e outros cereais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos pr\u00f3ximos textos desta s\u00e9rie, vamos compartilhar algumas receitas de prepara\u00e7\u00f5es que usualmente s\u00e3o conhecidas como fontes de gl\u00faten, como bolos e p\u00e3es, os quais podem ser feitos com outros ingredientes e que n\u00e3o incluam a farinha de trigo. Outro assunto a ser tratado ser\u00e1 a sensibilidade n\u00e3o-cel\u00edaca ao gl\u00faten e suas diferen\u00e7as com a doen\u00e7a cel\u00edaca. Acompanhem nossas publica\u00e7\u00f5es e n\u00e3o fiquem de fora das informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o aqui no Laranja na Colher!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OBS.: Caso voc\u00ea tenha descoberto ser portador de doen\u00e7a cel\u00edaca, acesse a p\u00e1gina da Associa\u00e7\u00e3o dos Cel\u00edacos do Brasil &#8211; ACELBRA (link aqui <a href=\"https:\/\/www.acelbra.org.br\/2004\/mapa.php\">https:\/\/www.acelbra.org.br\/2004\/mapa.php<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Brasil. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jur\u00eddicos. <a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%2010.674-2003?OpenDocument\">LEI N<sup>o<\/sup> 10.674, DE 16 DE MAIO DE 2003.<\/a> Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.674.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.674.htm<\/a>&gt;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caio, G., Volta, U., Sapone, A. <em>et al.<\/em> Celiac disease: a comprehensive current review. <em>BMC Med<\/em> 17, 142 (2019). <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1186\/s12916-019-1380-z\">https:\/\/doi.org\/10.1186\/s12916-019-1380-z<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Biesiekierski, J. R. What is gluten? Journal of Gastroenterology and Hepatology 2017; 32 (Suppl. 1): 78\u201381&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar daquela condi\u00e7\u00e3o em que as pessoas n\u00e3o podem comer p\u00e3es, massas, biscoitos, entre outros produtos com a farinha de trigo na sua composi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mesmo? 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