Digitalização 3D da escultura da Deusa Nimba, Museu Histórico das Missões, Santo Ângelo/RS.
De autoria desconhecida, pesquisas revelam que a escultura da Deusa Nimba foi esculpida no século XVIII, em um único bloco de madeira guajuvira, por alguém que conhecia a arte e a cultura Baga. A peça possui 46,4 cm de altura e pesa 3,7 kg. Foi encontrada na década de 1980 no Rio Ijuí, em Santo Ângelo/RS, por um pescador. Por anos a escultura ficou no anonimato, em uma coleção particular, até ser redescoberta pelo professor Édson Hüttner (PUCRS), que iniciou pesquisas sobre sua origem e seu significado.
É a primeira escultura do tipo identificada na América Latina, integrando o acervo do Museu Histórico das Missões, situado na cidade de Santo Ângelo/RS. A escultura foi um dos destaques da exposição Presença Negra no MARGS, que aconteceu no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, em 2022.
Nimba é cultuada em rituais praticados pelos povos africanos Baga e Nalu. Podemos encontrar outras esculturas de Nimba em museus de diversos lugares do mundo, como o Museu do Louvre, na França, e o Instituto de Arte de Chicago, nos Estados Unidos. As imagens das representações de Nimba evidenciam a existência de características semelhantes, porém nenhuma das peças já encontradas e identificadas como Deusa Nimba são idênticas.
Nimba significa o feminino enquanto alma, é uma deusa que gera, atua, coopera, compartilha e tece o destino da vida dos seres. As celebrações em sua homenagem reverenciam o ciclo da vida, a produção agrícola e a prosperidade da terra, promovendo também a união social entre os Bagas. Uma importante herança da cultura de afrodescendentes representando zênite de poder, beleza feminina e alma grande como mãe universal.