Colóquio: Ser editor, ser livreiro, no Brasil e em Portugal

Data: 15 de julho de 2011
Horário: 14h a 18h00
Local: Auditório Machado de Assis,
Fundação Biblioteca Nacional
Rua México, s/nº (entrada pelos jardim) – Centro – Rio de Janeiro
Entrada franca

Fundação Biblioteca Nacional
Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração
Coordenação de Promoção e Difusão Cultural

Público-alvo: Editores, livreiros e outros profissionais da cadeia
produtiva e criativa do livro. Pesquisadores da área, escritores em
geral, professores, jornalistas, bibliotecários, estudantes, amantes
do livro e da leitura.

Programação

14h00: Mesa-redonda: Ser editor, ser livreiro, no Brasil e em Portugal

Palestrantes:
Mário Feijó (ECO/UFRJ): A formação de produtores editoriais no Brasil
Thais Sena Schettino (IFCS/UFRJ): Comércio e cultura: a identidade
profissional do livreiro
Nuno Medeiros (UNL): Ser editor em Portugal no século XX: tensões e
transformações

Debatedores:
Milena Duchiade (Livraria Leonardo Da Vinci)
Renato Casimiro (EdUERJ)

Mediador:
Aníbal Bragança (UFF/CNPq)

16h30-17h00 – Pausa para café

17h00-18h00: Lançamentos de revistas editadas pela Biblioteca Nacional

Revista do Livro da Biblioteca Nacional, n° 54, ano 18, 2010, editada
por Benício Medeiros. Em destaque: Dossiê Joaquim Nabuco: Textos de:
Ewaldo Cabral de Mello, Gilberto Freyre, Julio César de Castro Rocha.
dentre outros, e entrevista com Roger Chartier.

Revista Poesia Sempre, números 33 e 34, ano 17, 2010, editadas por
Marco Lucchesi. Em destaque, no nº 33: Dossiê Poesia Húngara e Índice
Geral da revista; no nº 34: Dossiê Poesia híndi contemporânea.

Palestrantes

1. Mário Feijó
Escritor e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, onde coordena o
curso de Produção Editorial e ministra as disciplinas de Editoração e
Edição de Livros. Doutor em Letras pela PUC-Rio. Trabalhou nas
editoras Moderna e Ediouro. É pesquisador do Núcleo de Estudos em
Linguagens Gráficas (NelGraf) da UFRJ, com pesquisa na área de
Formação de leitores, livros escolares etc. Autor dos livros: O prazer
da leitura – Como a adaptação de clássicos ajuda a formar leitores.
São Paulo: Ática, 2010, e de ”Adaptações de clássicos para crianças na
primeira metade do século XX e a nacionalização do livro escolar no
Brasil”, capítulo do livro Cultura letrada: objetos e práticas,
Campinas: Mercado de Letras, 2005.
Mais informações: http://lattes.cnpq.br/5152972526429719

Palestra: A Formação de Produtores Editoriais no Brasil
Resumo: O maior desafio na formação de um produtor editorial apto a
trabalhar com livros é prepará-lo para compreender o conteúdo que ele
terá de editar com competência e arte. Cada obra tem seu próprio
público, que terá sempre suas exigências específicas. Editar, nestes
termos, é mediar o encontro entre o livro e seu leitor, levando em
consideração não apenas a adequação da materialidade do produto, mas
também, e principalmente, o valor daquele conteúdo para o público a
que se destina. É realmente possível ensinar isso na escola?

2. Thais Sena Schettino
Graduada em Jornalismo e mestre em Sociologia e Antropologia (ambas
pela UFRJ) é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e
Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez estágio doutoral no Centre
de recherches sociologiques et politiques, em Paris. Autora da
comunicação: “Ser ou não ser? Comparações entre o modelo de
profissionalização do livreiro no Brasil e na França” (XIV Congresso
Brasileiro de Sociologia, 2009). Mais informações: Lattes

Palestra: Comércio e cultura: a identidade profissional do livreiro
Resumo: No universo de estudos sobre o livro, ainda são poucos os que
se debruçaram sobre o papel do livreiro como um profissional
fundamental na cadeia produtiva do livro. Hoje, a emergência das
tecnologias da comunicação gerou novos desafios para aqueles que lidam
com o comércio de informação. Diante desse cenário, cabe pensar como
se configura a identidade profissional dos livreiros, um grupo que por
“dever de ofício” está o tempo todo dialogando com o conhecimento,
pois negociam um produto cultural, por excelência, na economia dos
bens simbólicos. Ainda que atuem como intermediários culturais, a
imagem social do livreiro está mais próxima da de um comerciante, mas
eles acreditam que não vendem somente livros, mas conselhos sobre o
universo editorial.

3. Nuno Ribeiro de Medeiros
Filho de livreiros, animadores de leitura e estudiosos do livro, Nuno
Miguel Ribeiro de Medeiros, 38 anos, é licenciado em Sociologia e
mestre em Sociologia Histórica pela Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa, especializando-se em
sociologia e história da edição, da livraria e da leitura. É
doutorando em Sociologia Histórica da Cultura na mesma instituição. É
Professor Adjunto de sociologia na Escola Superior de Tecnologia da
Saúde de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa. É pesquisador no
CesNova – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de
Lisboa e na Númena – Centro de Investigação em Ciências Sociais e
Humanas. Foi pesquisador visitante da Brown University, nos Estados
Unidos da América. Autor do livro: Edição e Editores: o mundo do livro
em Portugal, 1940-1970. que recebeu o Prêmio da Fundação Mário Soares
de História de Portugal no século XX.
Mais informações

Palestra: Ser editor em Portugal no século XX: tensões e
transformações
Resumo: A atividade de editar foi-se apresentando e representando em
Portugal de formas múltiplas e dinâmicas, muitas vezes ambivalentes e
até contraditórias. Analisar os modos de representação de si e das
suas práticas produzidos pelos editores enquanto membros de uma
comunidade que gravita em torno da produção especializada do livro e
que imagina a sua coesão a partir da ideia de promoção da leitura é
justamente perceber esta pluralidade e as transformações que foi
conhecendo à luz da tensão entre cultura e comércio.

Debatedores:

Renato Casimiro Lopes
Editor e mestre em Comunicação (PUC-Rio), autor da dissertação
“Frívolos ou Graves: leitores e leituras na periferia do capitalismo”.
Coordenador de publicações da EdUERJ, e ex-diretor da ABEU –
Associação Brasileira de Editoras Universitárias.

Milena Duchiade
Livreira. Médica, com mestrado em Saúde Pública (Fiocruz, 1991).
Responsável pela Livraria Leonardo da Vinci (Rio de Janeiro). Diretora
da Associação Nacional de Livrarias, ex-presidente e atual diretora da
Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro.

Curador do evento:

Aníbal Bragança
Ex-livreiro. Professor Associado da Universidade Federal Fluminense.
Doutor em Ciências da Comunicação (USP). Pesquisador bolsista do CNPq.
Coordenador do Lihed – Núcleo de Pesquisa Livro e História Editorial
no Brasil. Coorganizador do livro Impresso no Brasil – Dois séculos de
livros brasileiros, Edunesp/FBN, 2010. Autor de Livraria Ideal, do
cordel à bibliofilia, 2ª. ed., Edusp, 2009; de “O pretérito do futuro
do livro”, capítulo do livro Cultura letrada: objetos e práticas,
Campinas: Mercado de Letras, 2005.

 

 

 

Impresso no Brasil: dois séculos de livros brasileiros

Lançada em 2011, a obra reúne  diversos  ensaios  sobre o  percurso  da  produção  editorial  brasileira,  durante  seus  duzentos  anos  de  história. A  primeira  parte  da  obra,  intitulada  “Uma  nova  história  editorial  brasileira:  editores, tipógrafos  e  livreiros”,  apresenta  22  capítulos,  que  focalizam  os  aspectos  da  produção editorial  nacional.  Na  segunda  parte,  “Cultura  letrada  no  Brasil:  autores,  leitores  e leituras”,  13  trabalhos  analisam  e  interpretam  a  formação  do  leitor  e  do  público  para o qual se dirigiam nossas produções editoriais, ao longo das décadas.

O livro constrói um panorama, entre outros assuntos, da produção de livros escolares e de alfabetização, literatura de cordel, da produção em jornais e periódicos, e analisa a história  de  editoras  como  Garnier,  Melhoramentos,  Civilização  Brasileira,  Companhia das Letras e Abril. O direito de autor e casos como Harry Potter e Paulo Coelho recebem análises especiais, na composição de um panorama sobre mercado e consumo recentes. É organizado por Aníbal Bragança e Márcia Abreu  e editado em uma parceria da Fundação Biblioteca Nacional com a  Editora UNESP.

 

Confira aqui a resenha elaborada por Ana Elisa Ribeiro.