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Os precursores filogenéticos do léxico funcional humano e sua articulação à Arquitetura da Gramática

O Instituto de Letras convida os alunos de graduação e pós-graduação para palestra “Os precursores filogenéticos do léxico funcional humano e sua articulação à Arquitetura da Gramática”, promovida pelo Círculo Linguístico: Fonologia & Morfologia, com apoio do PPG em Letras da UFRGS. O palestrante convidado é  Vitor Augusto Nóbrega (USP, posdoc UFSC). O evento, que ocorre nessa sexta-feira (29), no Auditório Celso Pedro Luft do IL, tem mediação de Luiz Carlos Schwindt (UFRGS).

Resumo:

As reformulações dos primitivos da gramática, sobretudo após o advento do Programa Minimalista, não promoveram um avanço das investigações sobre as bases biológicas do léxico humano. Na realidade, por falta de uma hipótese mais convincente, parte das entradas lexicais foi relegada à Gramática Universal (GU, Chomsky 2000, 2007). Essa assunção, além de não fornecer uma explicação biológica e cognitivamente fundamentada acerca das origens do léxico, apresenta um impacto negativo quando considerada sob a ótica do Problema de Wallace-Darwin. Isso se deve ao fato de que, ao atribuir os átomos da computação sintática à GU, sobrecarregamos a influência de caracteres exclusivos ao genótipo humano no suposto desenvolvimento recente da Faculdade da Linguagem. Sugiro, nesta palestra, que as bases filogenéticas do léxico humano estão, na realidade, presentes na linhagem primata e, muito possivelmente, são anteriores à separação dos primatas como uma ordem independente. Para firmar essa correlação, comparo as propriedades do léxico com o comportamento vocal e as habilidades perceptuais de primatas não humanos, cujas relações filogenéticas com a espécie humana são bem estabelecidas. Aponto que, contrariamente ao que assumem trabalhos em teoria linguística e em comunicação animal, a correlação referencial entre as vocalizações e as palavras não reside em sua porção conceitual, mas em sua porção funcional. A denotação rígida das vocalizações, percebida mais diretamente no desenvolvimento vocal de primatas não humanos (Seyfarth e Cheney 1986, 2010), assemelha-se à natureza semanticamente fixa das unidades funcionais da linguagem, tendo em vista que ambas não estão sujeitas à variação de conteúdo. Tal característica difere diametralmente do que é observado na porção conceitual do léxico (Arad 2003, 2005; Acquaviva e Panagiotidis 2012; Borer 2013; Harley 2014). Com base nessas considerações, proponho que primatas não humanos e humanos são dotados de um sistema interpretativo responsável por extrair do mundo informações sobre um conjunto predeterminado de categorias pré-adaptadas, a que um organismo está geneticamente predisposto a categorizar, o qual é privilegiado para externalização. Será a fixação das categorias presentes nesse sistema —a que dou o nome de sistema funcional— que dará origem ao léxico funcional. Enquanto, em primatas, essas categorias estão atreladas majoritariamente a classes de predadores, alimentos, urgência e relações sociais; na espécie humana, elas dizem respeito às classes de conteúdo veiculadas pelas categorias funcionais, tal como vislumbrado em Wiltschko (2014, 2015).


Os precursores filogenéticos do léxico funcional humano e sua articulação à Arquitetura da Gramática

Palestrante: Vitor Augusto Nóbrega (USP, posdoc UFSC)
Mediador do debate: Luiz Carlos Schwindt
Quando: 29 de março, 14h, Auditório Luft
Promoção: Círculo Linguístico: Fonologia & Morfologia e PPG/Letras da UFRGS.