Atividade física para o Diabetes: qual o melhor tipo e com que frequência realizá-la?

9 maio, 2017    tags: exercício físico mexa-se

Para quem possui diabetes, o ato de movimentar-se quer seja com a atividade física, quer seja com o exercício físico, é um grande aliado no seu tratamento. Do ponto de vista do controle da doença, o principal benefício esperado é a redução dos níveis de glicose (açúcar) no sangue, mas é importante ressaltar que outros efeitos relevantes para sua saúde também podem ser alcançados, como a redução da pressão arterial, o aumento do colesterol HDL (colesterol “bom”), o condicionamento cardiorrespiratório, o aumento da massa muscular e da força muscular, que podem aumentar substancialmente sua funcionalidade diária e que diminuem as suas chances de ter doença cardiovascular. Dessa forma, fica a pergunta: qual o melhor tipo de exercício físico para auxiliar no controle do diabetes e com que frequência realizá-lo?

Antes de tudo, é importante esclarecer uma confusão frequente: a diferença entre atividade física e exercício físico. Quando nos referimos tecnicamente à primeira, trata-se de qualquer movimento corporal que leve a algum gasto energético, mas que não é estruturado. Caminhar para ir ao trabalho e ao supermercado, ou realizar tarefas domésticas são exemplos do que o conceito de atividade física engloba. Já quando falamos de exercício físico, trata-se de do movimento corporal estruturado (intensidade, duração e frequência controlados), usualmente orientado à melhoria de alguma capacidade física, como força muscular ou condicionamento aeróbico.

Ao nos exercitarmos, nossos músculos precisam de energia para que possam contrair e realizar o movimento desejado. Uma das principais fontes de energia que o corpo tem à disposição é o carboidrato. Então, para o paciente diabético, que possui níveis de glicose (que é um carboidrato) elevados no sangue, movimentar-se tem conexão direta com a redução dos níveis de glicose no sangue.

A Associação Americana de Diabetes e o Colégio Americano de Medicina do Esporte recomendam o aumento nos níveis de atividade física e o engajamento em programas de exercício físico estruturado, que trazem benefícios um pouco maiores do que o primeiro. Para a atividade física, reduzir o sedentarismo em atividades cotidianas como a ida ao trabalho de bicicleta ou caminhando; o aumento de tarefas de casa, como limpar a calçada; ou mesmo ficar mais tempo em pé são estratégias simples que já lhe auxiliarão no controle da sua glicemia, e que lhe oferecem facilidade e baixo custo.

Em relação aos programas de exercício físico para pacientes diabéticos, as recomendações são de frequência mínima de três vezes por semana e desejável de cinco vezes por semana. Para o caso de você somente puder se exercitar três vezes na semana, o intervalo de no máximo dois dias entre as sessões deve ser planejado.

Em relação ao tipo de exercício, atualmente recomenda-se a realização do treinamento físico combinado: exercícios aeróbicos, como caminhar ou pedalar; e exercícios de força, como a musculação.  A combinação dos exercícios deve se dar preferencialmente na mesma sessão de treinamento e especial atenção tem de ser dada principalmente à organização dos exercícios de força. Sobre a intensidade dos exercícios, a intensidade moderada (caminhada em que não seja possível conversar, mas que não haja desconforto; e treinamento com pesos sem que se chegue à fadiga muscular) é suficiente para lhe trazer os melhores benefícios.

Sabemos que os detalhes da organização do treinamento são complicados e, justamente por isso, recomendamos que o acompanhamento por um educador físico experiente seja realizado, após a liberação pelo seu médico. Para a atividade física, reforçamos que aumentá-la pode ser feito de forma integrada à sua rotina, com pequenas modificações de hábitos que não lhe terão custo financeiro e que otimiza o seu tempo.

Além dos benefícios específicos da atividade física e do exercício físico para o controle do diabetes reforçamos que outros benefícios importantes para a sua saúde podem ser esperados conjuntamente. Fique atento às publicações do site. Em breve, abordaremos questões de segurança e de adequações para o paciente que possui complicações advindas da doença, como a neuropatia (autonômica ou periférica), a retinopatia, a nefropatia, a hipertensão arterial sistêmica, a doença arterial coronariana e outras.