Cetoacidose Diabética

15 julho, 2017    tags: complicações; DM1 DM2 insulina urgência

O que é cetoacidose diabética?

A cetoacidose diabética é uma complicação aguda do diabetes, considerada uma emergência médica e caracterizada por cetonemia, acidose metabólica(pH acima de 7,3 e bicarbonato menor de 15mEq/L) e hiperglicemia (glicose maior de 200-250 mg/dL).  É uma complicação mais frequente em pacientes jovens (<65 anos), caracteristicamente associada à diabetes tipo 1, podendo ocorrer também no diabetes tipo 2 em condições de estresse extremo (infecção grave, trauma). Na maioria dos casos, a cetoacidose é precipitada por uso inadequado de insulina (deixar de usar a insulina ou usar dose menor do que o recomendado, por exemplo). Além disso, abuso de álcool, jejum ou uso de algumas medicações (glicocorticóides e beta-bloqueadores) e eventos como infecções, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, pancreatite também estão associados como causa da cetoacidose.

Por que ela ocorre?

A concentração sanguínea de glicose é regulada por dois hormônios: insulina e o glucagon. Após uma refeição, os níveis de glicose aumentam no sangue, ativando células pancreáticas responsáveis pela liberação de insulina. A insulina, por sua vez, diminui a produção de glicose pelo fígado e aumenta a absorção de glicose pelo músculo esquelético e pelo tecido adiposo, normalizando os níveis de glicemia. Assim sendo, defeitos na secreção ou ação da insulina que ocorrem no diabetes tipo 1 e 2 contribuem para o desenvolvimento de hiperglicemia. Já a cetoacidose ocorre como consequência da lipólise (quebra da gordura armazenada no corpo) aumentada, processo que é utilizado como uma alternativa para a obtenção de energia, resultando em produção de cetonas e outros cetoácidos, alterando o pH do sangue. O glucagon, ao contrário da insulina, aumenta os níveis de glicose no sangue, e seu excesso contribui para o desenvolvimento de cetoacidose.

Quais os sintomas que o paciente apresenta durante a cetoacidose?

Os sintomas estão relacionados com a hiperglicemia, como aumento da diurese e desidratação, e com a cetonemia, como náuseas e vômitos. A hiperglicemia, dependendo do seu grau e duração, está relacionada com sintomas neurológicos, como alteração do sensório. Dor abdominal também é comum, principalmente em crianças, e é associada à gravidade da acidose metabólica. Alguns sinais como mucosas desidratadas, hálito cetônico (semelhante ao aroma do removedor de esmaltes), respiração de Kussmaul (respiraçõe profunda, ofegante), taquicardia, hipotensão e alteração da consciência são manifestações clínicas da cetoacidose e devem alertar os pacientes.

Qual o tratamento para a cetoacidose?

A duração prolongada está associada a complicações graves e até a morte. Na suspeita do quadro de cetoacidose o paciente deve ser levado imediatamente à emergência. O tratamento da cetoacidose diabética inclui hidratação, terapia com insulina intravenosa e reposição de eletrólitos conforme a necessidade.