Diabetes e o cigarro

27 agosto, 2017    tags: cigarro complicações; neuropatia prevenção rim

O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para várias doenças, incluindo a maioria dos tipos de câncer, doenças respiratórias e doenças cardiovasculares , mas sua ligação ao diabetes não foi amplamente reconhecida até recentemente. Estudos mostram que tanto o fumo ativo quanto o passivo estão associados a riscos significativamente aumentados de desenvolver diabetes. O número de cigarros fumados diariamente está associado a um risco aumentado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 a longo prazo, e isso pode ser em parte devido ao efeito da nicotina sobre a sensibilidade à insulina.

As evidências atuais demonstram que o tabagismo está associado a um risco elevado de doença cardiovascular e acidente vascular cerebral em pacientes diabéticos. O tabagismo também tem participação em  complicações microvasculares do diabetes, que  incluem principalmente nefropatia, retinopatia e neuropatia, as quais podem ser desencadeadas por danos hiperglicêmicos a pequenos vasos sanguíneos.
Vários estudos epidemiológicos demonstraram que o tabagismo aumentou o risco de início e a progressão da nefropatia em pessoas com diabetes.  O tabagismo foi associado à diminuição da taxa de filtração glomerular, um sinal de disfunção renal, em pacientes com diabetes mellitus 2, particularmente entre os pacientes do sexo masculino. A literatura atual implica que o tabagismo pode aumentar o risco de  neuropatia em indivíduos com diabetes mellitus tipo 1, mas a evidência entre pacientes com diabetes melitus tipo 2 ainda não é conclusiva. Em relação à retinopatia,  nenhum consenso foi alcançado sobre a associação com tabagismo.

Pacientes fumantes também tem pior controle glicêmico e maior risco de hipoglicemia. Além disso, estudos demonstraram que pacientes diabéticos tabagistas têm níveis mais elevados de depressão e ansiedade quando comparados com diabéticos não tabagistas.

Como amplamente reconhecido, a cessação do tabagismo mostra benefícios na redução do risco de morbidade e mortalidade cardiovascular entre a população em geral. Nos pacientes com diabete mellitus tipo 2, a cessação do tabagismo foi bem documentada para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, tanto a curto como a longo prazo. Além disso, um estudo recente com pacientes diabéticos de mais de 55 anos mostrou que o abandono do tabagismo foi associado a uma redução de 30% na mortalidade tanto em homens como em mulheres, e os benefícios para a redução de eventos cardiovasculares geralmente foram maiores em pacientes que deixaram de fumar por mais de 10 anos. Embora pareça haver um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 pouco depois de deixar o uso do tabaco (talvez em parte devido ao ganho de peso), a cessação do tabagismo reduz o risco de diabetes após vários anos de abstinência.

Em resumo, há evidências consistentes que apóiam os benefícios da cessação do tabagismo na redução do risco de complicações em pacientes diabéticos. É necessária atenção especial e ação urgente para a cessação do tabagismo como um componente crucial para a prevenção e gestão do diabetes.  A Associação Americana de Diabetes sugere que a integração das intervenções de dependência do tabagismo com programas de gerenciamento de diabetes  pode ser uma estratégia efetiva para aumentar as tentativas de abandono e reduzir a prevalência de tabagismo entre pessoas com diabetes.

 

https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs11892-017-0903-2

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http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0033062003000112?via%3Dihub

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1464-5491.1994.tb00283.x/abstract;jsessionid=CC7B012AF24F92BA5305FB6AC0FF4A75.f01t01