A Relação do Diabetes com o Sono

5 abril, 2018    tags: hipoglicemia sono

O estilo de vida saudável é, de forma bem estabelecida, essencial tanto para a prevenção de doenças crônicas, como o diabetes, quanto para o tratamento adequado dessas condições. Não é definido apenas pela combinação de alimentação balanceada e exercícios regulares: a qualidade do sono também compõe esse quadro e influencia na saúde.

Em 2017, 59 mil mulheres de 55 a 83 anos tiveram seus hábitos e rotinas investigados por pesquisadores britânicos, que chegaram à seguinte conclusão: aquelas que passavam menos de 6 horas ou mais de 10 horas dormindo tinham propensão maior a desenvolver pré-diabetes e diabetes. Portanto, dormir a mais ou a menos, bem como ter um sono de má qualidade, com muitos despertares noturnos, é fator de risco para o problema.

Mas é o diabetes que causa noites mal dormidas ou são as noites mal dormidas que propiciam à doença? Ao que tudo indica, os dois caminhos são verdadeiros.

Consenso na literatura mundial, as horas de sono diárias para um adulto deve ficar entre 7 e 9 horas. Durante o sono, muitos hormônios essenciais para o funcionamento equilibrado e regulação fina das funções vitais são liberados, como o hormônio do crescimento, e a leptina, associada com a redução do apetite. Àqueles com sono diário reduzido por um período prolongado deixam de produzir essa substância em quantidade satisfatória e passa a produzir outro hormônio, a grelina, de função oposta, aumentando o apetite do indivíduo. Dessa forma, buscam-se refeições mais rápidas e calóricas, elevando a tendência à obesidade, que, como se sabe, aumenta a resistência à insulina, mecanismo diretamente ligado ao diabetes do tipo 2. O estresse causado por uma noite mal dormida é capaz de elevar os níveis de outro hormônio, o cortisol, que atua da mesma forma e dificulta ainda mais o controle glicêmico dos que já são diabéticos.

Através de mecanismo semelhante, a má qualidade do sono pode ser uma consequência das complicações do diabetes. A neuropatia diabética, lesão dos nervos sensitivos pela hiperglicemia, pode gerar dor em pernas e braços, capaz de atrapalhar o momento de descanso do paciente, assim como a síndrome das pernas inquietas, resultado do mesmo dano, que cria a sensação de necessidade constante de mover as pernas e pode ser outro fator a dificultar o sono.

Uma condição anatômico-respiratória, a apneia do sono, encaixa-se tanto entre as causas quanto entre as consequências do diabetes. O paciente apresenta roncos noturnos pela obstrução da via aérea durante o sono, especialmente se houver obesidade associada. Ao obstruir a entrada de ar, reduz o oxigênio circulante e ativa mecanismos de despertares noturnos, eventos curtos e múltiplos, que reduzem a qualidade do sono e fazem o paciente acordar com sensação de cansaço. Um indivíduo cansado, muitas vezes, apresenta menor zelo com sua saúde, que inclui o tratamento de sua doença. Ao mesmo tempo, a nível hormonal, a apneia do sono faz com que hormônios associados ao aumento da resistência das células à insulina sejam liberados no organismo.

O paciente que necessita utilizar insulina em seu tratamento pode sofrer hipoglicemia na madrugada. Ao contrário da hipoglicemia que ocorre enquanto o indivíduo está acordado, a hipoglicemia da madrugada tende a ter poucos sintomas, sendo mais perigosa. Muitos pacientes tem despertares devido à hipoglicemia na madrugada outros, devido ao medo de terem hipoglicemia, tem sono de pior qualidade.

Não há dúvidas, portanto, da importância de preservar hábitos saudáveis de sono. Se as dificuldades para dormir tornarem-se crônicas, um médico deve ser consultado na busca de tratamento para essa condição. Manter um horário rotineiro para ir à cama e evitar aparelhos eletrônicos nesse ambiente ou próximo a esse horário são algumas das medidas que podem ajudar a regularizar o sono.