Transtorno alimentar no paciente com Diabetes: Vamos falar sobre isto?

28 maio, 2018    tags: DM1 saúde bucal saúde mental

 

De forma mais frequente, tem-se deparado com pacientes com diabetes e transtornos alimentares. E para trazer mais luz e conhecimento para este grave transtorno, a Sociedade Brasileira de Diabetes lançou a campanha “Estigma no Transtorno Alimentar” a ser abordada em junho.

Os jovens com diabetes tipo 1 têm 2,5 mais chances de desenvolver um transtorno alimentar quando comparado aos outros jovens da mesma faixa de idade. Chamamos de Diabulimia a ação deliberada do paciente em pular ou omitir doses de Insulina com o objetivo de perder peso.

Médicos e familiares devem ficar atentos para diagnosticar precocemente o distúrbio alimentar nos diabéticos. A combinação entre diabetes e transtorno alimentar tem sérias complicações para a saúde pois leva ao descontrole glicêmico, contribuindo para o surgimento de complicações agudas (como a cetoacidose diabética) e crônicas de forma mais precoce.

O tratamento é realizado por equipe multidisciplinar, com endocrinologista, nutricionista, psicólogo e/ou psiquiatra. A família tem papel fundamental no tratamento devendo participar ativamente na terapia

Confira os sinais e sintomas de alerta:

1-  Episódios recorrentes de cetoacidose diabética (CAD)/hiperglicemia constante e/ou e de hipoglicemias

2- Níveis sempre elevados de hemoglobina glicada

3- Atraso na puberdade ou maturação sexual ou menstruação irregular

4- Idas frequentes ao banheiro, sobretudo após alimentações

5- Náuseas e dores de estômago

6- Atraso na cicatrização de infecções/contusões

7- Problemas dentários (perda do esmalte)

8- Flutuações no peso/perda grave ou ganho rápido de peso sem explicações clínicas

9-  Anemia e outras deficiências vitamínicas e de eletrólitos

10- Presença de comorbidades psiquiátricas, tais como depressão, ansiedade ou outros como, por exemplo, personalidade Borderline

11-  Pedidos frequentes para mudar o plano alimentar

12-  Insistência na auto-administração de insulina de forma privada

13-  A crença fundamental de que a insulina faz engordar

14-  Complicações crônicas de início precoce, especialmente neuropatia, retinopatia e nefropatia

15-  Caso ocorra concomitante com hipotireoidismo, uso abusivo de levotiroxina

 

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes(2015-2016) – capitulo 15 – Claudia Pieper

Diabulimia: uma combinação perigosa – Grupo Gen – edição 2013 – autores: Claudia Pieper, Simone Freitas e Alexandra Araujo

 

 

9 Conselhos contra Estigma nos Transtornos Alimentares

1) Você não pode dizer apenas olhando para uma pessoa se ela tem ou não um Transtorno Alimentar

2) As famílias não são culpadas

3) As famílias podem ser as melhores aliadas para o tratamento

4) Os Transtornos Alimentares não ocorrem por escolha, mas são doenças mentais muito graves biologicamente influenciadas

5) Os Transtornos Alimentares afetam pessoas de todas as idades, sexo, raça, etnia, orientação sexual e condição sócio econômica

6) Os Transtornos Alimentares levam tanto a um maior risco de suicídio, bem como a complicações físicas e médicas

7) Os genes desempenham um papel nos transtornos alimentares, mas também o ambiente influencia em seu desenvolvimento

8) Os genes não significam que traçam nosso destino quando falamos dos Transtornos Alimentares

9) A recuperação completa é possível nos Transtornos Alimentares

 

Informação da Sociedade Brasileira de Diabetes

Disponível em http://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1647-sinais-e-sintomas-de-alerta-para-o-diagnostico-de-transtorno-alimentar-no-paciente-com-diabetes. Acessado em 15/05/2018