Anticoncepcional em mulheres com diabetes

26 novembro, 2018    tags: complicações; DM1 DM2 gestação saúde da mulher

A contracepção e o planejamento da gravidez devem ser discutidos com todas as mulheres diabéticas pois a hiperglicemia pode levar a má-formação fetal (teratogênese). Para as mulheres que não desejam engravidar, as diretrizes da Associação Americana de Diabetes (ADA) estabelecem que a seleção de um método contraceptivo deve seguir mesmas diretrizes que se aplicam às mulheres sem diabetes. Entretanto, a escolha da contracepção é mais complexa em mulheres com certos problemas de saúde, porque as alterações no organismo ou efeitos colaterais de alguns métodos contraceptivos podem aumentar o risco de morbidade ou mortalidade.

Existe preocupação em relação ao risco de eventos tromboembólicos de contraceptivos hormonais combinados (CHC) entre mulheres com diabetes, uma vez que tanto o estrogênio da pílula quanto o próprio diabetes predispõem a tais eventos. Entretanto, de acordo com pesquisas recentes, o risco de eventos tromboembólicos da maioria dos contraceptivos hormonais para mulheres com diabetes é relativamente baixo. As opções livres de estrogênio incluem dispositivos intra-uterinos (DIU) de cobre e DIU de levonorgestrel (DIU-LNG) e o implante de etonogestrel. Situações especiais como diabetes há mais de 20 anos ou presença de retinopatia, nefropatia, neuropatia ou doença cardiovascular, o uso de CHC ou pílula apenas com progesterona pode causar mais risco do que benefício, por isso o uso destas opções não são indicadas.

A contracepção de longa duração como o dispositivo intra-uterino de cobre (Cu-DIU), o dispositivo intra-uterino de levonorgestrel (DIU-LNG) e o implante de etonogestrel são tão eficazes quanto a contracepção permanente (ligadura tubária, conhecida como laqueadura), sem haver os riscos de um procedimento cirúrgico. Estes métodos são muito eficazes pois não dependem da tomada por parte da paciente, reduzindo o risco de falhas por esquecimento. Por isso, são recomendados com prioridade para mulheres que já apresentam complicações do diabetes e que não desejam engravidar..

Em 2016, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano) publicou os Critérios de Elegibilidade Médica dos Estados Unidos para o Uso de Anticoncepcionais, que fornece recomendações com base em condições médicas ou características pessoais. Confira na tabela abaixo as indicações e contra-indicações das opções existentes.

Para todas as mulheres com diabetes fica a dica: a gestação deve ser bem planejada! Saiba qual deve ser o alvo da hemoglobina glicada antes da gestação a fim de minimizar os riscos para a paciente e o bebê. Tire suas dúvidas e decida, junto ao seu médico, qual o melhor método de contracepção.

 

Critérios de Elegibilidade Médica dos Estados Unidos para o Uso de Anticoncepcionais

Legenda

  1. Pode utilizar sem restrição
  2. Vantagens superam riscos teóricos ou comprovados (pode ser utilizado)
  3. Riscos teóricos ou comprovados geralmente superam as vantagens
  4. Risco de saúde inaceitável (método não deve ser utilizado)

Cu-DIU: dispositivo intrauterino contendo cobre

DIU-LNG: dispositivo intra-uterino liberador de levonorgestrel

Implante: implante de etonogestrel

DMPA: acetato de medroxiprogesterona de depósito (injetável trimestral)

POP: pílula apenas com progesterona

CHC: contracepção hormonal combinada (pílula, adesivo e anel)

 

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