DIABETES MELITO TIPO 1 E SEUS SUBTIPOS

17 setembro, 2021    tags:

O Diabetes Melito é uma doença crônica que apresenta diferentes classificações conforme a sua etiologia. Dentre os seus tipos, existe o diabetes melito tipo 1, que possui prevalência de 5-10% entre todos os casos de diabetes, e é mais prevalente em crianças e adolescentes. Entretanto, existem casos de diabetes melito tipo 1 em adultos, o qual é chamado de diabetes autoimune latente do adulto (LADA) ou de diabetes tipo 1 do adulto. 

O diabetes melito tipo 1 ocorre devido a destruição das células beta do pâncreas por mecanismos autoimunes, o que ocasiona uma deficiência completa de insulina. A insulina é um hormônio que atua na entrada da glicose (“açúcar”) nas células insulino-dependentes do corpo humano. Ou seja, sem insulina a glicose não consegue entrar nessas células e acaba se acumulando na corrente sanguínea, o que gera a hiperglicemia (níveis altos de açúcar no sangue). 

O que muitas pessoas não sabem é que o diabetes tipo 1 tem subtipos, chamados de 1A e 1B, que são diferenciados pela presença de anticorpos:

— O diabetes tipo 1A possui autoanticorpos positivos, podendo ser desencadeado por fatores genéticos ou por fatores ambientais. Alguns autoanticorpos que já foram identificados no sangue de indivíduos com diabetes tipo 1A são: anticorpo anti-ilhotas, anticorpo anti-insulina, anticorpo anti-desacarboxilase do ácido glutâmico, anticorpo antitransportador de zinco, anticorpo antitirosina-fosfatase IA-2 e IA-2B

— No diabetes tipo 1B, os anticorpos não são detectados, e a sua etiologia é considerada idiopática. 

Independentemente dos subtipos, o diabetes tipo 1 tem início rápido e apresenta sintomas como polidipsia (aumento da sede), polifagia (aumento da fome), poliúria (aumento da frequência urinária) e perda de peso. Em uma a cada 3 pessoas o diabetes tipo 1 se apresenta inicialmente com cetoacidose diabética (leia mais no texto “Cetoacidose Diabética”, publicado em 15/12/2020). 

O tratamento do diabetes tipo 1A e 1B é semelhante, e inclui insulinoterapia e medidas não farmacológicas, como exercícios físicos e dieta balanceada, que devem ser recomendados por um profissional de saúde capacitado.

 

Gabriela D. L. G. Scherer

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS

– Livro: Diabetes Melito Uma Visão Interdisciplinar

– American Diabetes Association. Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus.Diabetes Care, 2008. Acesso em: 06 fev. 2021. http://dx.doi.org/10.2337/dc09-s062.

– Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

 




Diabetes e Insuficiência Cardíaca

27 agosto, 2021    tags:

Você sabia que pacientes com diabetes mellitus (DM) tipo 1 e tipo 2 apresentam risco duas a quatro vezes maior para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca? Fatores como a idade avançada, a duração do DM, o uso de insulina, o mau controle glicêmico, o maior índice de massa corporal (IMC), a presença de microalbuminúria e de outras doenças cardiovasculares estão associados a maior incidência de insuficiência cardíaca entre os diabéticos. O aumento do açúcar no sangue e a resistência à insulina são os responsáveis pelos danos nos vasos sanguíneos, o que aumenta a inflamação e o acúmulo de gorduras, resultando em doença arterial coronariana, principal causa de infarto e de disfunção do músculo cardíaco. Além disso, o metabolismo alterado dos açúcares no sangue pode, por si só, afetar o coração pela menor disponibilidade de combustível para as células cardíacas, diminuindo sua função de bomba. Na insuficiência cardíaca, o coração perde parte da sua capacidade de bombear o sangue e fica insuficiente, levando a menor oxigenação dos órgãos e tecidos, justificando o aparecimento de sintomas como faltar de ar, cansaço, inchaço e tontura. A insuficiência cardíaca costuma se instalar de forma lenta e os sintomas inicialmente aparecem durante atividades que exigem grandes esforços e, com a progressão da doença, podem estar presentes durante atividades menos intensas e inclusive durante o repouso, diminuindo consideravelmente a qualidade de vida. Contudo, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce podem ajudar a aliviar os sintomas e retardar a progressão da insuficiência cardíaca.
Para manter a saúde do coração no contexto do DM, é fundamental a adesão ao tratamento e o controle dos níveis glicêmicos. Além disso, é importante estar atento para outras condições que podem coexistir com o DM, como é o caso da pressão alta, do colesterol e triglicerídeos elevados, da obesidade, do sedentarismo, do alcoolismo e tabagismo. Esses fatores, somados ao DM, aumentam ainda mais os danos cardiovasculares e o risco de progressão para a insuficiência cardíaca. Portanto, seguir uma dieta saudável com base em mais frutas, vegetais e carnes magras, atingir um peso saudável, praticar exercício físico e cessar o tabagismo e o alcoolismo são medidas preventivas que podem auxiliar tanto no controle do DM, como também na melhora da saúde do coração. É possível manter a qualidade de vida mesmo na presença de uma doença cardíaca e grande parte do sucesso do tratamento depende da dedicação do paciente com sua saúde.

Rosano GM, Vitale C, Seferovic P. Insuficiência Cardíaca em Pacientes com Diabetes Mellitus. Rev. 2017 Abr;3(1):52-55. doi: 10.15420/cfr.2016:20:2. PMID: 28785476; PMCID: PMC5494155.

Shannon M Dunlay, MD, MS; Richard W Nesto, MD. Heart failure in patients with diabetes mellitus: Epidemiology, pathophysiology and management – UpToDate. Disponível em: <www.uptodate.com/contents/heart-failure-in-patients-with-diabetes-mellitus-epidemiology-pathophysiology-and- management?search=diabetes%20e%20insuficiência%20cardíaca&usage_type=default&source=search_result&selectedTitle=1~150&display_rank=1> Acesso em 25 de Agosto de 2021

Diabetes and heart disease often go hand in hand. Learn how to protect your heart with simple lifestyle changes that can also help you manage diabetes. Centers for Disease Control and Prevention. Disponível em: <www.cdc.gov/diabetes/library/features/diabetes-and-heart.html> Acesso em 25 de Agosto de 2021

Brenda Massochin Medeiros
Josiane Schneiders




Hipoglicemia noturna

2 julho, 2021    tags:

A hipoglicemia noturna é caracterizada pelo índice glicêmico menor do que 70mg/dL (estado de alerta) durante o período de sono, podendo ser chamada de hipoglicemia clinicamente importante caso o nível esteja abaixo de 54 mg/dL. Embora seja mais comum para pessoas em tratamento com insulina, a hipoglicemia noturna também pode ocorrer com quem faz o uso apenas de medicamentos antidiabéticos orais.

Quando dormimos, há o que chamamos de jejum noturno, ou seja, neste período não há consumo de alimentos e mesmo assim o nosso corpo continua necessitando de glicose para manter os órgãos em funcionamento, e com isso a glicemia reduz. No caso de pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2, o equilíbrio da glicemia não consegue ser mantido, causando a hipoglicemia. E caso as doses das medicações estejam em excesso, isso pode se acentuar.

Muitas vezes a hipoglicemia é assintomática e os pacientes continuam dormindo, independente do nível de glicose sanguínea, podendo levar a pessoa a ter convulsões, desmaios e ao que se conhece como Síndrome da Morte Súbita no Leito, que ocorre quando a pessoa é encontrada morta no outro dia por conta da hipoglicemia severa. Uma revisão publicada em 2017, publicada na revista Diabetes Research and Clinical Practice, traz que 50% dos casos de hipoglicemia severa ocorrem por conta da hipoglicemia noturna.

Apesar de muitas vezes assintomático, alguns sintomas sentidos na manhã seguinte podem indicar que houve hipoglicemia noturna. Estes sintomas são:

Irritabilidade, dores de cabeça e/ou confusão mental ao acordar;

Fadiga e/ou letargia;

Depressão;

Acordar em roupas e lençóis úmidos de suor.

Se você ou alguém que você conhece tem diabetes e apresentou algum desses sintomas, é recomendado que seja consultado o médico para que a terapia seja modificada de modo a prevenir a incidência da hipoglicemia.

É importante que quem convive com uma pessoa com diabetes saiba reconhecer um caso de hipoglicemia noturna, para que seja possível reverter a baixa concentração de glicose sanguínea. Abaixo estão listados sinais e sintomas de uma hipoglicemia severa que podem ser observadas por quem convive com uma pessoa com diabetes ou, mais incomumente, pelo próprio paciente:

Sonhos vívidos ou pesadelos;

Suor intenso ou aumento da umidade e calor da pele;

Ritmo cardíaco acelerado (taquicardia);

Respiração anormalmente lenta (bradipneia);

Tremores ou sacudidas;

Convulsão.

Nestes casos, deve-se administrar glicose que possa ser facilmente absorvida, como açúcar, suco natural ou balas. Caso a pessoa esteja dormindo, é importante que ela seja acordada e esteja sentada para consumir o alimento. Depois de totalmente acordada, ela deve consumir uma refeição e medir sua glicemia. Caso a pessoa não consiga ser acordada, deve ser injetado no paciente o kit de glucagon, para que a pessoa acorde e faça a alimentação. Caso você não tenha sido preparado para isto, ou não tenha o kit de glucagon, você deve chamar a emergência (Ligue 192 caso queira acionar a SAMU).

Como principal prevenção, portanto, é seguir o acompanhamento com a equipe médica, manter a terapia corretamente e medir a glicemia antes de dormir (Resultado inferior a 120 mg/dL é indício que seja necessário ser feito um lanche).

Daiana Daniele Boeff

Betina Nemetz

Mateus Augusto dos Reis

Beatriz D. Schaan

Graveling, A. J., & Frier, B. M. (2017). The risks of nocturnal hypoglycaemia in insulin-treated diabetes. Diabetes Research and Clinical Practice, 133, 30–39.doi:10.1016/j.diabres.2017.08.012

Allen KV, Frier BM. Nocturnal hypoglycemia: clinical manifestations and therapeutic strategies toward prevention. Endocr Pract. 2003 Nov-Dec;9(6):530-43. doi: 10.4158/EP.9.6.530. PMID: 14715482.

Diabetes.co.uk – the global diabetes community – 2003 – 2021 – Diabetes Digital Media Ltd Disponivel em: https://www.diabetes.co.uk/nocturnal-hypoglycemia.htmlb




DIABETES E DOENÇA HEPÁTICA

3 junho, 2021    tags:

Quando o assunto é as complicações que o diabetes pode trazer aos diferentes órgãos do nosso corpo, surge o questionamento: existe alguma relação entre o diabetes e a doença hepática?

 

A resposta é sim! E de qual doença hepática estamos falando especificamente? Da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). O nome é extenso e, à primeira vista, parece difícil de ser compreendido, mas, simplificando: temos o acúmulo de gordura no fígado causado pelo consumo de álcool e o acúmulo de gordura no fígado causado por outros fatores. Nessas duas situações, pode haver evolução para hepatite, cirrose e câncer hepático. Quando falamos em DHGNA, estamos nos referindo ao acúmulo de gordura no tecido hepático decorrente de outros fatores, como a resistência à insulina. E é aqui que a diabetes entra na história, especialmente a diabetes mellitus tipo 2 (DM2).

 

A DM 2 é consequência do aumento da resistência periférica à insulina, ou seja, embora o pâncreas siga produzindo insulina, as células dos diferentes tecidos do organismo deixam de ser sensíveis à insulina. O resultado disso é que a insulina não consegue exercer sua função de estimular a entrada de glicose nas células e, consequentemente, a concentração de glicose no sangue se eleva.

 

O aumento do nível de glicose no sangue gera elevação nos níveis sanguíneos de ácidos graxos, um tipo de molécula de gordura. Os ácidos graxos, por meio da circulação no sangue, se deslocam até o fígado, onde serão convertidos em triglicerídeos, um outro tipo de gordura que será acumulado no fígado. O progressivo acúmulo de triglicerídeos no fígado poderá originar a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que também pode ser denominada esteatose hepática. Com o passar do tempo a esteatose pode evoluir para esteatohepatite. Esta última é o processo em que a gordura acumulada no fígado começa a gerar inflamação no tecido hepático, levando à danificação e morte das células hepáticas. A cirrose é o estágio posterior à esteato hepatite e representa a formação de cicatrizes nas regiões danificadas do tecido hepático. Por fim, quando uma porção do fígado cicatriza, ela deixa de funcionar.

 

Agora que já entendemos a cascata de eventos que relacionam o diabetes e a doença hepática, é importante reforçar a relevância da associação entre elas: estima-se que de 65 a 70% das pessoas com diabetes têm DHGNA. Em relação à forma mais avançada da DHGNA, que é a esteatohepatite, ela aparece em 25 a 30% dos pacientes com diabetes. Enquanto isso, na população sem diabetes, apenas 12% das pessoas têm esteatohepatite.

 

Mas, é possível evitar a DHGNA? Sim! Em primeiro lugar, é essencial manter  o tratamento adequado da diabetes, a fim de manter a glicemia controlada. Além disso, a DHGNA está fortemente associada à obesidade e, por isso, a manutenção de uma dieta saudável e a prática de atividade física são também primordiais para evitar o desenvolvimento e a progressão dessa doença.

 

Shanna Luiza de Castro

Betina Nemetz

Mateus Augusto dos Reis

Beatriz D. Schaan

 

NICHOLS, Gregory A. NASH in Diabetes: New Therapies on the Horizon. MedScape. 2019. Disponível em <https://www.medscape.com/viewarticle/920003>. Acesso em: 31 mai 2021.

 

The Connection Between NASH and Diabetes. My Health Teams. 2019. Disponível em <https://www.myhealthteams.com/the-connection-between-nash-and-diabetes/>. Acesso em: 31 mai 2021.




SOPREPESO E OBESIDADE

25 maio, 2021    tags:

 

O QUE É?

Sobrepeso é pesar mais do que o ideal para a sua altura, sexo e idade, sendo que uma pessoa pode ter sobrepeso e não ter excesso de gordura corporal, como atletas fisiculturistas. Já a obesidade é uma doença crônica em que, além do excesso de peso corporal, a pessoa tem excesso de gordura corporal e visceral. No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, 61,7% dos brasileiros estão com excesso de peso e 26,8% possuem obesidade. Além disso, segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019, 2,3 bilhões de pessoas no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade. Assim, podemos afirmar que sobrepeso e obesidade são um problema mundial de saúde pública.

Para descobrirmos se um indivíduo está com sobrepeso ou tem obesidade, devemos calcular o seu Índice de Massa Corporal (IMC), que é o parâmetro recomendado pela OMS para observar se o peso está de acordo com a altura da pessoa. Para calcularmos o IMC, precisamos saber o peso (Kg) e a altura (cm), e dividirmos o peso pelo quadrado da altura. Resultados de IMC entre 25 e 29,9 kg/m2 indicam sobrepeso e resultados a partir de 30 kg/m2 indicam obesidade. Além disso, a obesidade está separada em três graus. Isso pode ser observado na tabela abaixo:

QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DE TER SOBREPESO/OBESIDADE?

Pessoas com sobrepeso ou obesidade apresentam redução da expectativa de vida e riscos elevados de desenvolverem algumas doenças, como: diabetes mellitus, síndrome metabólica, hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares (como infarto agudo do miocárdio), doenças respiratórias, doenças das vias biliares, doença  do fígado gorduroso, cânceres, osteoartrose, entre outras. Além disso, no cenário atual da pandemia de Covid-19 observou-se, em diversos estudos, que indivíduos que têm sobrepeso ou obesidade apresentam maiores taxas de hospitalização, de necessidade de suporte de oxigênio e de óbito.

 

EXISTE TRATAMENTO?

Sim. O tratamento indicado é a mudança de estilo de vida com o objetivo de redução de peso de forma saudável e equilibrada, o que inclui reeducação alimentar com acompanhamento de profissional e prática de exercício físico orientado por profissionais da área. Além disso, algumas pessoas podem ter indicação de associarem medicamentos ou cirurgia bariátrica às mudanças de estilo de vida. De maneira geral, o uso de medicamentos é indicado para pessoas com IMC >= 30 kg/m2 ou IMC >= 27 kg/m2 com comorbidades associadas e deve ser sempre realizada sob a orientação de médico especializado. Já a cirurgia bariátrica é indicada para pessoas com IMC >= 40 kg/m2 ou IMC >= 35 kg/m2 com comorbidades associadas, após avaliação de equipe multidisciplinar.

 

REFERÊNCIAS

– Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

– Organização Mundial da Saúde

– Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

– Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, Davies M, Van Gaal LF, Lingvay I, McGowan BM, Rosenstock J, Tran MTD, Wadden TA, Wharton S, Yokote K, Zeuthen N, Kushner RF; STEP 1 Study Group. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2021 Mar 18;384(11):989.

 

Gabriela D. L. G. Scherer

Giovana B. de Oliveira

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló




RETINOPATIA DIABÉTICA

22 abril, 2021    tags:

O QUE É? 

 

Retinopatia diabética (RD) é uma das complicações microvasculares do diabetes e está entre as doenças que mais causam cegueira mundialmente. Além disso, ela é a principal causa de diminuição da acuidade visual (capacidade de identificar a forma e o contorno dos objetos) em pessoas entre 25 e 74 anos.

 

QUEM APRESENTA RISCO DE DESENVOLVER RETINOPATIA DIABÉTICA (RD)?

 

Tanto pacientes com diabetes tipo 1, quanto aqueles com diabetes tipo 2 podem desenvolver a RD.  O tempo de doença é o principal fator de risco, sendo que 20 anos após o diagnóstico do diabetes, praticamente 100% das pessoas com diabetes tipo 1 e 50 a 80% daquelas com diabetes tipo 2 apresentam RD.

 

QUANDO APARECEM OS SINTOMAS? 

 

          As fases iniciais da RD são assintomáticas, por isso é importante fazer a triagem de alterações na retina por meio do exame de fundo de olho (retinografia). No caso dos pacientes com diabetes tipo 1, o rastreamento inicial é feito a partir de 5 anos após o diagnóstico do diabetes. Já nos pacientes diabéticos tipo 2, o rastreamento inicia assim que for feito o diagnóstico. A repetição do exame após a avaliação inicial vai depender de cada caso.  Naqueles pacientes que apresentam níveis de glicose controlados e fundo de olho normal, o rastreio pode ser repetido a cada 1-2 anos; já nos pacientes com níveis de glicose fora do controle e com alteração no fundo de olho inicial, o exame deve ser repetido com menor periodicidade sendo definida pelo médico que acompanha o paciente.

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS DAS ALTERAÇÕES VISUAIS NO DIABETES?

 

A hiperglicemia causa a perda dos pericitos, células que dão suporte a parede que envolve os vasos sanguíneos que irrigam a retina, tornando-os frágeis, o que leva ao surgimento de micro aneurismas. Além disso, esses vasos tornam-se mais permeáveis, deles extravasando sangue ou plasma, o que ocasiona depósitos hemorrágicos e edema macular. O plasma contém elevado teor proteico, o que ocasiona a formação de exsudatos duros. A oclusão capilar ocasiona isquemia da camada de fibras nervosas da retina, levando ao desenvolvimento de manchas algodonosas. A isquemia eleva os níveis de fatores vaso-proliferativos, em especial o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que aumenta a permeabilidade vascular, piorando o edema macular e levando ao surgimento de novos vasos (neovascularização), caracterizando o estágio proliferativo da RD. Esses vasos recém-formados são frágeis e podem causar hemorragia vítrea e, finalmente, descolamento de retina. A presença de edema macular é a principal causa de redução de acuidade visual nesses pacientes e parece ser independente do estágio de RD.

 

ATENÇÃO, GESTANTES!

          Durante a gestação há risco de desenvolvimento e de progressão da retinopatia! Por isso, é importante que mulheres com diabetes e que estão planejando engravidar procurem orientação e avaliação oftalmológica. Este cuidado é especialmente para as mulheres com diagnóstico prévio de diabetes, e não para as gestantes que desenvolvem diabetes durante a gestação (diabetes gestacional).

 

HÁ TRATAMENTO PARA A RETINOPATIA?

 

          Sim! O tratamento tem papel fundamental na prevenção de perda de visão em até 95% dos pacientes com RD significativa, se feito em tempo hábil. O mais importante para evitar a progressão da RD é o controle da glicose, a cessação do tabagismo, o tratamento da hipertensão arterial e o tratamento da dislipidemia. Além disso, nos casos mais graves se faz necessária a terapia com fármacos (medicação), a terapia com laser ou até mesmo a terapia cirúrgica. O tratamento com laser leva à diminuição da produção de fatores vaso-proliferativos e à inibição da neovascularização (formação de novos vasos na retina). Como terapia medicamentosa pode-se utilizar agentes anti-VEGF. Esses medicamentos bloqueiam a ação do VEGF, um mediador inflamatório responsável pelo crescimento do endotélio vascular.

O tratamento pode variar conforme as condições de cada paciente. O ideal é realizar acompanhamento periódico com oftalmologista, para intervir nas etapas iniciais da doença, evitando a sua progressão para formas mais graves.

Shanna Luiza de Castro

Betina Nemetz

Josiane Schneiders

Mateus Augusto dos Reis

Débora Wilke Franco

Beatriz D Schaan

 

REFERÊNCIAS:

Fraser, CE, D’Amico, DJ. Diabetic retinopathy: Classification and clinical features. Uptodate. Atualizado em 26/10/2020. Acesso em 20/04/2021. https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-classification-and-clinical-features;

Fraser, CE, D’Amico, DJ, Shah, AR. Diabetic retinopathy: Prevention and treatment. Uptodate. Atualizado em 29/10/2020. Acesso em 20/04/2021. https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-prevention-and-treatment;

Silveiro S.P, Satler, F. Rotinas em endocrinologia. Artmed Editora, 2015;

Duncan B, Schmidt M, Giugliani E, Duncan M, Giugliani C. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseada em Evidências. Artmed Editora, 2013.

Gossenheimer, AN, Schaan, BD, Teló, GH.  Diabetes Melito Uma Revisão Interdisciplinar. 1.e.d. Porto Alegre, RS: Pubblicato Editora, 2021.

 




COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES MELLITUS TIPO 2

16 dezembro, 2020    tags:

  • Cetoacidose Diabética:

O QUE É: Complicação decorrente da hiperglicemia aguda,  aumento da lipólise e produção de corpos cetônicos.

SINAIS E SINTOMAS: Início agudo e evolução rápida de polidipsia, poliúria, dor abdominal, náusea, vômito, fadiga, hiperventilação (respiração de Kussmaul), hálito cetônico, visão turva, desidratação, hiper ou hipotermia, hipotensão e confusão mental. Conforme evolução podem surgir complicações graves, como, choque, insuficiência renal, distúrbios hidroeletrolíticos e falência respiratória. Pacientes podem apresentar hiponatremia leve, creatinina elevada, leucocitose e hiperlipidemia.

MANEJO INICIAL: Avaliar estado respiratório, cardiovascular e mental. Ver sinais de desidratação (turgor cutâneo, mucosa, débito urinário). Solicitar exames de glicose, cetonas, creatinina e eletrólitos séricos (com cálculo do hiato aniônico), hemograma completo, EQU com análise de cetonas e gasometria arterial se o bicarbonato sérico estiver reduzido

DIAGNÓSTICO: Glicemia sérica >250 mg/dL e <800 mg/dL, PH < 7,3, bicarbonato <15 mEq/L e osmolaridade sérica <320 mOsm / kg. Outros achados podem auxiliar no diagnóstico, como cetonemia

TRATAMENTO: Estabilizar a via aérea, a perfusão sanguínea e monitorizar o paciente. Corrigir a desidratação (infundir 15-20/mL/kg/h de soro). Após, deve ser feita a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos (administrar bicarbonato 100 mEq se PH< 6,90 e cloreto de potássio 20-40 mEq/h IV se potássio sérico < 3,3 ), correção da hiperglicemia (insulina regular 0,1 U/kg endovenoso em bolus ou 0,14 U/kg/h em infusão contínua) e  tratamento do fator precipitante se possível. Checar glicemia, eletrólitos e creatinina a cada 2-4h até ficar estável. O objetivo do tratamento é atingir glicemia <250mg/dL, bicarbonato >15 mEq/L e PH >7,3.

 

  • Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar

O QUE É: Quadro de hiperglicemia grave que leva ao desequilíbrio osmótico e desidratação intensa.

SINAIS E SINTOMAS: Similares aos da cetoacidose porém de início insidioso e normalmente com deterioração neurológica mais grave (cerca de 25-50% dos casos apresentam-se comatosos). Pode ocorrer desidratação severa, alteração do estado mental, perda de peso, taquicardia, sudorese, podendo evoluir para convulsões, afasia, déficits motores e sensitivos, coma.

MANEJO INICIAL: Semelhante ao da cetoacidose diabética.

DIAGNÓSTICO: Glicemia sérica > 600 mg/dL (normalmente excede 1000 mg/dL), osmolaridade plasmática >320 mOsm/ kg, ausência de cetoacidose, PH>7,3 e bicarbonato > 20 mEq/L.

TRATAMENTO: É essencialmente o mesmo da cetoacidose diabética. Estabilizar a via aérea, a perfusão sanguínea e monitorizar o paciente. Corrigir desidratação, hiperglicemia e distúrbios hidroeletrolíticos. O objetivo do tratamento é atingir osmolaridade plasmática <315 mOsmol/ kg e o paciente ficar consciente.

 

  • Hipoglicemia

O QUE É: Complicação frequente causada pela diminuição dos níveis sanguíneos de glicose, principalmente em pacientes que fazem o uso de insulina.

SINAIS E SINTOMAS: Inicialmente pode ser assintomática. Os sintomas normalmente iniciam com níveis glicêmicos menores que 65/mg/dL, podendo variar entre pacientes. Podem ser neurogênicos, como, tremor, palpitações, ansiedade, sudorese, fome, parestesias e/ou neuroglicopênicos, como, tontura, fraqueza, sonolência, confusão mental. Em concentrações muito baixas de glicose sérica o paciente pode evoluir para alteração de consciência, convulsões, coma e morte.

MANEJO INICIAL: Identificar sintomas sugestivos de hipoglicemia e realizar hemoglicoteste (HGT).

DIAGNÓSTICO: Glicemia sérica < 70 mg/dL.

TRATAMENTO: O objetivo do tratamento é restaurar a glicemia sérica.  Em valores de glicose < 70 mg/dL deve ser feita a ingestão de 15-20g de carboidratos de rápida absorção. Se após 15 minutos o paciente ainda apresentar-se hipoglicêmico, a ingestão deve ser repetida. Para pacientes hospitalizados com acesso venoso podem ser administradas 25-50g de dextrose IV seguido de infusão de glicose ou, se o paciente estiver apto, alguma refeição. Na hipoglicemia grave em pacientes não hospitalizados pode-se utilizar glucagon subcutâneo, intramuscular ou nasal.

 

REFERÊNCIAS:

Association AD. Standards of Medical Care in Diabetes – 2021. Diabetes Care. 2021;44.

Duncan B, Schmidt M, Giugliani E, Duncan M, Giugliani C. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseada em Evidências. 2013.

Umpierrez G, Korytkowski M. Diabetic emergencies-ketoacidosis, hyperglycaemic hyperosmolar state and hypoglycaemia. Nature Reviews Endocrinology. 2016.

Carolina Padilla Knijnik

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló




CETOACIDOSE DIABÉTICA

15 dezembro, 2020    tags:

A cetoacidose diabética é uma complicação aguda e grave associada ao diabetes melito, e ocorre mais comumente no diabetes tipo 1. Ela ocorre na presença de hiperglicemia, e os seus sintomas e a sua evolução ocorrem rapidamente, podendo levar ao estado de coma e ao óbito, por isso, é muito importante que o paciente com diabetes conheça os sinais para procurar ajuda médica rapidamente.

  • Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da cetoacidose diabética é feito através de exames laboratoriais, que demonstram hiperglicemia, presença de cetonas e um desequilíbrio ácido-básico no organismo.

  • Mas como ocorre a cetoacidose diabética?

A falta de insulina faz com que as células não consigam utilizar a glicose presente no sangue e, portanto, ficam sem energia. A energia é fundamental para a manutenção das funções do nosso organismo e, por isso, o corpo lança mão de outros mecanismos para produzir energia, um deles é através da produção de cetonas, que ocorre pela degradação das células adiposas (células de gordura). As cetonas conseguem suprir um pouco da energia que as células precisam, porém, elas diminuem o PH do sangue, deixando-o muito ácido. Além disso, uma vez que as células não estão conseguindo captar a glicose da corrente sanguínea, pela falta da insulina, ocorre o acúmulo de glicose no sangue, causando a hiperglicemia. Por isso essa complicação é mais comum no diabetes tipo 1, porque o paciente tem pouca ou nenhuma produção de insulina.

  • E por que ocorre a cetoacidose diabética?

Ocorre pela falta de insulina, o que impossibilita as células de captarem e utilizarem a glicose presente no sangue. A A cetoacidose diabética pode ser o primeiro sintoma do Diabetes Melito, ocorrendo principalmente em crianças ainda sem diagnóstico, levando a uma investigação mais detalhada, ou pode ocorrer também em pacientes já com o diagnóstico de diabetes, normalmente em duas situações: quando o paciente parou de administrar sua insulina ou quando alguma doença causou estresse ao organismo (infecções, infarto, AVC, pancreatite).

  • Como identificar a cetoacidose diabética?

Os sintomas iniciais são aumento da vontade de urinar, sede excessiva, náusea e vômitos, dor abdominal e hálito com cheiro frutado (devido a liberação de cetonas). A respiração tende a se tornar profunda e rápida como uma tentativa do corpo de corrigir a acidez do sangue.

  • E o que fazer?

Procurar atendimento médico! A cetoacidose diabética é uma emergência que necessita de intervenção urgente. O tratamento é feito com a reposição de líquidos, eletrólitos e insulina. Sem tratamento, pode evoluir para coma e morte.

 

Carolina Knijnik

Bibiana Brino

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

Duncan B, Schmidt M, Giugliani E, Duncan M, Giugliani C. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseada em Evidências. 2013.

Umpierrez G, Korytkowski M. Diabetic emergencies-ketoacidosis, hyperglycaemic hyperosmolar state and hypoglycaemia. Nature Reviews Endocrinology. 2016.




O Diabetes e a Neuroartropatia de Charcot

7 dezembro, 2020    tags:

A neuroartropatia de Charcot, ou mais popularmente conhecida como Pé de Charcot, é uma complicação grave causada pelo Diabetes Melito. Consiste em uma deformidade nos ossos e articulações associados a perda de sensibilidade protetora e a traumas repetitivos. Estes fatores predispõe a formação de úlceras plantares decorrentes da distribuição anormal da pressão de apoio do peso corporal durante o movimento de andar.

Clinicamente é dividida em três fases: aguda, intermediária e crônica, de acordo com a intensidade do processo inflamatório. A fase aguda, se manifesta com hiperemia, calor local e edema difuso no pé e/ou tornozelo, ocorrendo a fragmentação óssea. Na fase intermediária, ocorre a diminuição deste processo inflamatório e observam-se fenômenos de reabsorção óssea. Já na fase crônica, não há sinais de infecção, mas podem ocorrer formação de proeminências e deformidades ósseas.

O tratamento depende de vários fatores, como: fase da neuroartropatia (aguda, intermediária ou crônica), idade do paciente, localização da deformidade e a presença de úlcera/infecção. Pode-se utilizar como tratamento: imobilização com gesso de contato total, imobilização com órtese suropodálica (robofoot), calçado terapêutico e palmilha sob medida e ajustada para as deformidades. A cirurgia é uma exceção no tratamento do Pé de Charcot e geralmente é utilizada quando o tratamento acima não é eficaz.

O atraso no diagnóstico e no tratamento da neuroartropatia de Charcot podem conduzir à ulceração e amputação do pé. Como medidas preventivas, deve-se: examinar os pés todos os dias e ficar atento as mudanças de cor, temperatura e umidade da pele; usar sapatos confortáveis e fechados; controlar a glicemia. Observando qualquer alteração, procure o seu médico ou enfermeiro para avaliação.

Betina Nemetz

Josiane Schneiders

Débora Wilke Franco

Beatriz D Schaan

 

REFERÊNCIAS:

Ferreira RC. Diabetic Foot. Part 2: Charcot Neuroarthropathy. Rev Bras Ortop (Sao Paulo). 2020;55(4):397-403.

Dardari D. An overview of Charcot’s neuroarthropathy. J Clin Transl Endocrinol. 2020;22:100239.

SBD. Sociedade Brasileira de Diabetes (2019). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019–2020. Acesso em 06 de dezembro, em https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf




Desvendando o Diabetes: outros 5 mitos sobre a doença

16 novembro, 2020    tags:

MITO 6: PESSOAS COM DIABETES PODEM CONSUMIR MEL, AÇÚCAR MASCAVO E CALDO DE CANA SEM RESTRIÇÕES

Apesar de naturais, esses alimentos são ricos em açúcar (sacarose) e devem ser consumidos com moderação por pessoas com diabetes, a fim de manter a glicemia na faixa ideal, para evitar as complicações da doença.  Ou seja, o consumo desses alimentos não é proibido para essas pessoas, no entanto devem ser consumidos seguindo uma dieta balanceada e personalizada.

 

MITO 7: SE VOCÊ ESTÁ ACIMA DO PESO, UM DIA VOCÊ IRÁ DESENVOLVER DIABETES TIPO 2

Estar acima do peso é um fator de risco para desenvolver o Diabetes Melito tipo 2, mas não é o único. Idade, história familiar, hipertensão e hipertrigliceridemia  são outros fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Isso não significa que todos os indivíduos que têm esses fatores de risco desenvolverão diabetes melito tipo 2, apenas que há maiores chances de desenvolver a doença. Vale ressaltar que pessoas com peso normal ou abaixo do peso também podem desenvolver diabetes.

 

MITO 8: PESSOAS COM DIABETES ESTÃO MAIS PROPENSAS A TEREM GRIPES E RESFRIADOS

Não há comprovação de que pessoas com diabetes sejam mais propensas a terem gripes e resfriados. No entanto, quando o diabetes não está controlado, pode haver uma queda na imunidade e, assim, o indivíduo fica mais suscetível a infecções, inclusive a gripe.

 

MITO 9: A APLICAÇÃO DA INSULINA CAUSA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Por ser injetável e usada de forma contínua, muitos indivíduos ficam apreensivos em utilizar a insulina por medo de ela causar dependência química, entretanto, isso não ocorre. A insulina é um hormônio produzido pelo corpo humano e é essencial para manter a nossa homeostase (que se refere ao equilíbrio das funções do corpo) e para a produção e o armazenamento de energia vinda dos alimentos que ingerimos. Pessoas com Diabetes tipo 1 e algumas com Diabetes tipo 2 têm deficiência na produção de insulina e, por isso, necessitam fazer uso diário dela.

 

MITO 10: É MUITO FÁCIL SABER SE VOCÊ TEM DIABETES, OS SINAIS SÃO MUITO CLAROS

O diabetes pode apresentar alguns sintomas como: poliúria (urinar frequentemente), polidipsia (excessiva sensação de sede), polifagia (fome frequente) e perda de peso. Porém, nem todos os indivíduos que desenvolvem o diabetes apresentam esses sintomas no seu diagnóstico. E, além disso, esses sintomas não são exclusivos do diabetes melito. Por isso, além de observar os sintomas, é necessária a realização de exames de rotina para a avaliação dos níveis glicêmicos e o adequado diagnóstico de diabetes.

Bruna Leiria Meréje Leal

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org.br/publico/vivendo-com-diabetes/mitos-e-verdades

https://www.diabetes.org.br/publico/para-voces/sbd-na-imprensa/1182-7-mitos-e-5-verdades-sobre-o-diabetes

Diretrizes da Associação Americana de Diabetes (ADA) para 2019

Cnop, Miriam et al. The concurrent accumulation of intra-abdominal and subcutaneous fat explains the association between insulin resistance and plasma leptin concentrations. De: http://www.medscape.com About obesity in the last 12 months.De: diabetes volume 51,number4.Selections from 2002,2002.

Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseada em evidências




DIABETES E HEPATITE C

8 novembro, 2020    tags:

A hepatite C é uma doença silenciosa com transmissão por via sanguínea, seja através do uso de seringas e agulhas contaminadas, relação sexual desprotegida ou até mesmo no período perinatal.  Alguns estudos epidemiológicos sugerem uma possível relação entre a hepatite C e o diabetes melito, pois foi observada uma prevalência aumentada do vírus da hepatite C em pacientes com diabetes tipo 2, quando comparado com a população geral. 

A hepatite C costuma ser uma doença de caráter silencioso inicialmente que provoca poucos ou até mesmo nenhum sintoma, o que pode dificultar o seu diagnóstico. Já o diabetes possui uma gama de sinais e sintomas que são mais sugestivos da presença da doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, o risco de um paciente com diabetes melito tipo 2 ter hepatite C é de cerca de duas a três vezes maior quando comparado com indivíduos sem diabetes. Observado isso, pesquisou-se possíveis mecanismos que poderiam levar à associação dessas duas doenças e, embora a patogênese ainda não esteja totalmente conhecida, postula-se que o vírus da hepatite C (HCV) possa conduzir a uma piora da resistência insulínica e, com isso, levar ao desenvolvimento do diabetes.

O mecanismo pelo qual a infecção pelo vírus da hepatite C induz um aumento da resistência insulínica tem sido alvo de intensa investigação por parte de pesquisadores, e uma das possíveis hipóteses que explicam essa relação inclui a ação de citocinas que induzem resistência insulínica, tais como a interleucina 6 (IL-6) e fator de necrose tumoral, que naturalmente se elevam na presença de inflamação causada pelo HCV. Mais recentemente houve a descoberta de que a infecção pelo vírus da hepatite C induz a expressão de genes de uma proteína que desempenha papel central na via de sinalização da insulina. 

Por fim, é possível estabelecer uma associação entre essas duas doenças tão prevalentes em nossa sociedade, salientando que a infecção pelo HCV pode servir como um fator de risco adicional para o surgimento de diabetes tipo 2 em pessoas com outros fatores de risco estabelecidos para o desenvolvimento da doença. Cabe salientar, assim, conforme recomendação do Ministério da Saúde, a importância da realização de testes capazes de detectar a infecção pelo HCV em pessoas com diabetes, a fim de que os indivíduos diagnosticados possam ser tratados o mais breve possível para evitar complicações da hepatite C, como a cirrose e o hepatocarcinoma. 

William Venâncio Ribeiro da Silva

Débora Wilke Franco

Beatriz D Schaan

REFERÊNCIAS:

PAROLIN, B. M.; RÉA, R.; VARGAS, M. R.; ALMEIDA, R. C. A.; BALDANZI, R. G.; LOPES, W. R. Prevalência de infecção pelo vírus da hepatite C em pacientes com diabetes melito tipo 2. Curitiba, 2005. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-28032006000200003>. Acesso em 06 de nov. de 2020.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: <https://www.diabetes.org.br/publico/temas-atuais-sbd/1944-hepatite-c-faca-o-teste-rapido-e-evite-complicacoes#:~:text=O%20que%20poucos%20sabem%2C%20por%C3%A9m,C%2C%20particularmente%20diabetes%20tipo%202.>. Acesso em 06 de nov. de 2020.




Desvendando o Diabetes: 5 mitos sobre a doença

2 novembro, 2020    tags:

MITO 1: PESSOAS COM DIABETES NÃO PODEM COMER ALIMENTOS AÇUCARADOS

Pessoas com diabetes devem evitar a ingestão de açúcar a fim de controlar a glicemia e o peso, para reduzir o risco de doenças cardiovasculares e outras complicações. Nesse sentido, uma dieta pobre em teores de açúcares faz parte do tratamento da doença, mas isso não significa que a pessoa com diabetes não possa comer alimentos adocicados com açúcar.

O ponto-chave é que pessoas com diabetes devem ter uma dieta balanceada, podendo incluir o açúcar, desde que com moderação. Vale ressaltar que não há uma dieta alimentar única para os indivíduos com diabetes, e sim que o planejamento da dieta deve ser individualizado.

 

MITO 2: O DIABETES TIPO 2 AFETA APENAS PESSOAS QUE ESTÃO ACIMA DO PESO

Pessoas com sobrepeso e obesidade têm maiores chances de desenvolverem diabetes, pois o aumento da massa gorda e, consequentemente, dos níveis glicêmicos, favorece o desenvolvimento de resistência à insulina e a piora na resposta das células beta pancreáticas à glicose. Porém, apesar desses indivíduos terem maior tendência a desenvolver o diabetes, não significa que todas as pessoas com sobrepeso e obesidade têm ou terão diabetes, assim como também não significa que todo o indivíduo com peso adequado ou baixo peso não possa ter ou desenvolver a doença, inclusive, cerca de 20% das pessoas com diabetes tipo 2 têm peso normal ou baixo peso.

 

MITO 3: PESSOAS COM DIABETES NÃO DEVEM PRATICAR ESPORTES

A prática de exercícios físicos, além de auxiliar na perda de peso, aumenta a captação de glicose pelo tecido muscular por mecanismos independentes dos mediados pela insulina, o que contribui para resultados positivos no tratamento do diabetes. Vale ressaltar que pacientes que fazem uso de insulina ou de hipoglicemiantes orais devem tomar cuidados extras a fim de evitar a hipoglicemia causada pelo exercício.

A verdade é que pessoas com diabetes não só podem como devem praticar esportes. Há, inclusive, diversos relatos de atletas que possuem a doença. É o caso, por exemplo, do corredor Ayden Byle, que foi o primeiro indivíduo com diabetes insulino-dependente a percorrer uma grande distância.

 

MITO 4: O DIABETES É CONTAGIOSO

Por existir uma influência genética para o desenvolvimento do diabetes, muitas pessoas entendem que se seus parentes têm diabetes elas também terão, ou que o diabetes é contagioso. No entanto, ter um histórico familiar de diabetes não significa que todos os indivíduos dessa família desenvolverão a doença e nem que o diabetes seja contagioso. O diabetes é classificado como uma doença não transmissível (portanto, não contagiosa), ou seja, não pode ser  transmitida por meio de espirros, sangue ou outras secreções.

 

MITO 5: DIABETES TIPO 2 NÃO É UMA DOENÇA SÉRIA

É verdade que um bom controle do diabetes tipo 2 reduz significativamente as chances de complicações da doença, mas isso não significa que ela não seja séria. O DM2 mal controlado pode levar a complicações sérias como: doença renal crônica (nefropatia diabética), úlceras de extremidades e amputações (neuropatias), infarto agudo do miocárdio, entre outras.

Bruna Leiria Meréje Leal

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.co.uk/diabetes-myths.html

https://www.diabetes.org.br/publico/vivendo-com-diabetes/mitos-e-verdades

Diretrizes da Associação Americana de Diabetes (ADA) para 2019

Cnop, Miriam et al. The concurrent accumulation of intra-abdominal and subcutaneous fat explains the association between insulin resistance and plasma leptin concentrations. De: http://www.medscape.com About obesity in the last 12 months.De: diabetes volume 51,number4.Selections from 2002,2002.

Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseada em evidências




AUTOMONITORAMENTO DA GLICEMIA COM GLICOSÍMETRO

27 outubro, 2020    tags:

O glicosímetro é um dispositivo utilizado para monitorizar a glicemia capilar. Para isso, ele utiliza uma pequena amostra de sangue (geralmente obtida da ponta do dedo, com o auxílio de um lancetador), que é colocada em uma fita biossenssora, que contém uma enzima capaz de reagir com a glicose sanguínea. Essa reação gera uma resposta eletroquímica capaz de ser medida por equipamentos eletrônicos e cuja intensidade do sinal pode ser relacionada com a concentração de glicose da amostra de sangue, aparecendo o resultado no visor do glicosímetro. Por ser um método fácil para verificar a glicemia capilar, ele é muito utilizado em ambulatórios, emergências, campanhas públicas e no automonitoramento domiciliar da glicemia capilar. 

A utilização do glicosímetro para o automonitoramento da glicemia auxilia na avaliação e no gerenciamento do tratamento do diabetes, visto que possibilita que o paciente verifique como os alimentos, os exercícios físicos, o estresse, as doenças e os medicamentos  interferem na sua glicemia, e até mesmo, se é necessário fazer algum ajuste na terapia sob o qual está submetido.

Como aquela velha frase diz “saber é poder”, o automonitoramento, quando feito corretamente, pode reduzir significativamente a morbimortalidade relacionada ao diabetes. Por isso é de suma importância que os profissionais que atendem pacientes com diabetes saibam orientá-los a fazer o teste de forma correta e na frequência mais indicada, para obterem os melhores resultados terapêuticos. 

A frequência de teste pode variar conforme o tipo de diabetes, de tratamento e das condições do paciente, variando de várias vezes ao dia até algumas vezes na semana. É importante tomar alguns cuidados no uso do glicosímetro para que o resultado mostrado no visor seja correto e para prevenir infecções  que possam ocorrer ao se fazer o furo no dedo.


 Como utilizar um glicosímetro: 

Os glicosímetros costumam vir acompanhados com manuais de instruções ensinando como fazer o teste, podendo ter pequenas variações de utilização entre um modelo e outro. Desta forma, é importante seguir os passos conforme o manual de instrução do seu aparelho, para que os valores de glicemia capilar resultantes sejam confiáveis. Deve-se ter uma atenção especial ao primeiro uso, que geralmente requer a configuração do dispositivo. 

Passo-a-passo geral de como utilizar um glicosímetro:

  1. Lave bem as mãos para retirar os contaminantes que possam atrapalhar na medição;
  2. Insira a fita do seu “kit” no aparelho sem encostar os dedos nas extremidades da fita. É importante observar a seta e inserir na direção que ela indica.  Quando encaixada, o monitor sinalizará que o aparelho está pronto para medir a glicemia capilar;
  3. Faça a punção do seu dedo com a lanceta. (É importante apertar o dedo até ele ficar vermelho, encostar a caneta lancetadora na lateral do dedo e apertar o botão para “furar” o dedo);
  4. Por último, deve-se apertar o dedo para sair o sangue e então, encostá-lo na ponta da fita. Uma contagem de 5 segundos vai aparecer na tela do monitor e em seguida o valor da sua glicemia capilar. 

 

Abaixo estão listados alguns cuidados importantes para garantir a segurança do procedimento e a exatidão do resultado:

  • – Leia sempre o manual de instruções antes de utilizar o aparelho. Cada kit costuma ter suas próprias instruções;
  • – As lancetas devem ser descartadas após o uso em um lixo especial para objetos perfurocortantes.
  • – As lancetas já utilizadas nunca devem ser compartilhadas ou reutilizadas!
  • – Use apenas as tiras que foram designadas para seu dispositivo.
  • – As fitas que ainda não foram utilizadas devem ser guardadas, longe do sol ou do calor. 
  • – Não utilize fitas que estejam fora do período de validade.
  • – Faça a limpeza correta do seu aparelho conforme o manual de instruções. 
  • – Leve o glicosímetro para suas consultas para esclarecer dúvidas e demonstrar como você faz a utilização do dispositivo.

 

Um dado importante quando se utiliza um glicosímetro é saber que o valor de uma única medida fora da faixa estabelecida dificilmente terá a capacidade de avaliar a eficácia da terapia para o diabetes. Por isso, é essencial que o paciente anote os valores aferidos e leve-os na consulta com o seu médico endocrinologista. É possível ter um estado hipoglicemiante ou hiperglicemiante no momento da monitorização, mas esta medida não necessariamente significa que o tratamento não esteja funcionando, e sim que talvez naquele momento haja um desbalanço causado por uma situação específica, por exemplo ingesta recente de alimentos, infecções, entre outros.

Alguns sinais e sintomas podem estar relacionados à variação da glicemia e podem causar desconfortos e complicações. Para auxiliar no autocuidado, listamos alguns a seguir:

  • Hipoglicemia:
    • Tremores;
    • Dores de cabeça;
    • Nervosismo;
    • Visão embaçada;
    • Tonturas;
    • Náusea;
    • Fome;
    • Sudorese;
    • Taquicardia (coração acelerado).

 

  • Hiperglicemia:
    • Sede;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Fraqueza;
    • Dores no estômago e no corpo;
    • Dificuldade de respirar;
    • Agitação;
    • Perda de apetite;
    • Náusea.

Para que se consiga identificar as possíveis causas de uma hipo ou hiperglicemia, e consequentemente evitar novos episódios, orientamos que, se possível, o paciente faça anotações sobre: as atividades realizadas no dia, os medicamentos utilizadas, os alimentos ingeridos e os sentimentos predominantes do dia (por exemplo, preocupação, angústia, felicidade). E que leve estes registros na consulta médica para analisar possíveis fatores desencadeantes e a necessidade de mudanças nos hábitos ou no tratamento.

Daiana Daniele Boeff

Bianca Gomes dos Reis

Débora Wilke Franco

Beatriz D Schaan

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/pdf/diabetes-tipo-2/010-Diretrizes-SBD-Metodos-para-Avaliacao-pg110.pdf

https://www.diabetes.org.br/publico/colunas/32-dr-carlos-negrato/193-esclarecimentos-quanto-a-metodologia-utilizada-nos-monitores-de-glicemia-capilar-glicosimetros-e-erros-mais-frequeentes-na-pratica-clinica

https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/hiperglicemia#:~:text=Para%20evitar%20essa%20condi%C3%A7%C3%A3o%2C%20valem,seja%20insulina%20ou%20outros%20medicamentos.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2769957/

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71672019000601601&script=sci_arttext&tlng=pt

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71672019000601601&script=sci_arttext&tlng=pt

https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes-em-debate/1230-como-realizar-a-automonitorizacao-da-glicemia-de-forma-correta-1




Prebióticos, probióticos e simbióticos no diabetes

21 outubro, 2020    tags:


Afinal, o que são?

Probióticos são suplementos alimentares ricos em bactérias saudáveis, ou seja, microorganismos (como lactobacilos e bifidobactérias) que promovem um melhor trânsito intestinal, um melhor aproveitamento das vitaminas alimentares e uma melhor defesa para o nossos sitema imune. Existem também os suplementos compostos unicamente de alimento para essas bactérias intestinais, os prebióticos. Quando o suplemento é composto por uma combinação de probiótico com prebiótico, este passa a ser chamado de simbiótico.

 

O efeito desses suplementos na pessoa com diabetes mellitus tipo 2:

Ainda em outubro de 2020, foi publicado no periódico internacional Diabetologia uma revisão sistemática com meta-análise realizada por integrantes do grupo LIDIA sobre os efeitos desses suplementos sobre desfechos metabólicos em pacientes com diabetes.

Até então, não havia grande concordância entre os estudos previamente publicados a respeito do assunto. Com a intenção de preencher exatamente essa lacuna, os autores do estudo promoveram uma vasta busca na literatura, identificando mais de 5000 estudos candidados à entrarem na revisão. Destes, 38 estudos atenderam aos critérios necessários para entrarem na análise final.

O uso de probióticos, prebióticos e simbióticos foi associado com melhora em variáveis metabólicas de pessoas com diabetes mellitus tipo 2. No entanto, a magnitude desse efeito é pequena, ou seja, a suplementação jamais deve substituir o tratamento convencional de uma pessoa com diabetes. A grande contribuição do estudo foi sumarizar o potecial efeito do uso de probióticos, prebióticos e simbióticos como adjuvantes ao tratamento.

 

Probiótico, prebiótico ou simbiótico: Qual? Como? Quanto?

Ainda não há evidências de qualidade sobre quais suplementos e concentrações apresentam maior benefício ao indivíduo com diabetes. A revisão destaca a necessidade de investigação subsequente para determinar a relevância de cada uma das cepas bacterianas, suas doses e duração da suplementação.

 

Gabriel Leivas

Débora Wilke Franco

Gabriela H. Teló

Beatriz D. Schaan




Diabético? Não! Pessoa com Diabetes!

19 outubro, 2020    tags:

Nos dias atuais, na linguagem do cuidado do paciente com o diabetes, não é incomum ouvirmos o termo “diabético(a)” antes de ouvirmos o termo “pessoa”. Grande parte dos indivíduos sem a doença não percebe isso como um problema, porém, usar o termo “diabético” para identificar um ser humano NUNCA é a melhor opção, visto que pode fortalecer o estigma em relação à doença. Grande parte das pessoas ainda acredita que essa polêmica em torno do termo “diabético” não passa de uma questão desimportante e pessoal, porém, para aqueles que têm esse diagnóstico, é a diferença entre viver com o diabetes e permitir que o diabetes controle a sua vida.

Em julho de 2012, foi realizado um estudo com indivíduos com diabetes em que foi questionado o uso do termo “diabético” para se referir a uma pessoa com a doença. Os resultados mostraram que 40% das pessoas com Diabetes Melito tipo 1 não gostavam de ser chamadas assim, pois a pessoa com diabetes, ao ser chamada de “diabética”, pode se sentir reduzida à sua condição, uma vez que sugere que ela é primeiro uma doença, antes de ser uma pessoa.

Alguns estudiosos sugerem que rotular uma pessoa como “diabética” pode até piorar o seu prognóstico, visto que pode tornar a sua condição uma fonte de vergonha e de culpa para o indivíduo. Atualmente, acredita-se que palavras específicas podem modificar o modo como um indivíduo entende as suas doenças, e alguns estudos indicam que simplesmente mudar o modo como uma condição é “rotulada” pode influenciar em como os pacientes conceituam o seu problema.

Levando tudo isso em consideração, a partir de 2016, as maiores entidades internacionais dedicadas ao diabetes, incluindo a American Diabetes Association e a International Diabetes Federation, decidiram não admitir o uso do termo “diabético” (substantivo) em referência a pessoas com diabetes em suas revistas científicas. O termo “diabético” (adjetivo) pode ser utilizado, contudo, para descrever complicações da doença.

Por isso, lembre-se: referir-se a uma pessoa como “alguém com diabetes” é um modo de reconhecer que, apesar de ela ter o diabetes, não é tudo o que ela é! É muito importante fortalecermos o fato de que o indivíduo é primeiramente um ser humano, antes de ser uma doença, e cabe a nós adequarmos nosso vocabulário de forma a garantir respeito e empatia às pessoas com diabetes ou qualquer outra doença!

Giovana Berger de Oliveira

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:
https://www.diabeteseducator.org/news/perspectives/aade-blog-details/karen-kemmis-pt-dpt-ms-cde-faade/2013/03/12/is-it-a-person-with-diabetes-or-a-diabetic-#:~:text=Diabetic%20should%20be%20reserved%20for,a%20person%20by%20a%20disease.
https://www.diabetes.org.br/publico/notas-e-informacoes/1027-por-que-eliminar-o-diabetico-do-seu-vocabulario
http://tenhodiabetestipo1eagora.blogspot.com/2012/09/diabetico-uma-palavra-ser-eliminada.html
https://health.usnews.com/health-news/health-wellness/articles/2014/12/10/why-diabetic-is-a-dirty-word
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/edn.233




O Diabetes na infância e na adolescência

12 outubro, 2020    tags:

Doze de outubro é o Dia Nacional das Crianças. Esse dia marca a oficialização dos direitos das Crianças, e, além da celebração dessas conquistas, devemos perpetuar a conscientização dos cuidados necessários para o desenvolvimento de uma vida mais saudável para esses pequeninos. Portanto, nosso assunto de hoje é o diabetes na infância e na adolescência.

É bem conhecido que a prevalência do diabetes melito tipo 2 (DM2) é maior que a do tipo 1 (DM1), correspondendo a cerca de 90 a 95% de todos os casos de DM. Enquanto o DM2 ocorre majoritariamente em indivíduos após os 40 anos de idade e está fortemente associado a fatores de riscos como obesidade, sedentarismo e maus hábitos alimentares, o DM1 é uma doença autoimune que compromete as células β pancreáticas e costuma ser diagnosticado na infância e na adolescência. Entretanto, ao contrário do que muitos sabem, ambos os tipos podem se manifestar nas crianças.

Em 2017, foram estimadas aproximadamente 1.104.500 pessoas entre zero e 19 anos com DM1 no mundo, e surgimento anual de 132 mil novos casos. Além da predisposição genética, fatores epigenéticos e ambientais estão associados ao DM1, como: microbiota intestinal, vitamina D, aleitamento materno, peso ao nascer, crescimento infantil, infecções, entre outros.

A prevalência de DM2 vem sofrendo grandes aumentos nos últimos anos. Nos Estados Unidos da América a doença corresponde de 10 a 50% do total de casos de diabetes na juventude, a depender das características sociodemográficas. A obesidade infantil, assim como para o adulto, é um fator de risco para o DM2 e está presente em aproximadamente 70 a 90% dos jovens americanos.

No Brasil, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) demonstrou que 8,4% dos adolescentes estão obesos e 20% deles têm diagnóstico de síndrome metabólica. Além disso, foi observado prevalência de DM2 e pré-diabetes em 3,3% e 22%, respectivamente, nos jovens entre 12 e 17 anos. Esse estudo também demonstrou diferenças entre os determinantes sociais de saúde, sendo mais prevalente nas etnias pretos e indígenas, e nos status socioeconômicos menos favorecidos.

Apesar da fisiopatologia do DM2 na infância e na juventude ainda não ser totalmente compreendido, há evidências de que a falência das células β ocorre de forma mais rápida e severa quando precoce, bem como a prevalência e a progressão de complicações micro e macrovasculares.

Na população pediátrica, a maior incidência do DM2 ocorre por volta dos 13 anos, pois nessa idade ocorrem elevações transitórias da resistência à insulina decorrentes da puberdade. No entanto, há diagnósticos do DM2 antes dos 10 anos. O diagnóstico correto do tipo de diabetes é essencial para o tratamento adequado.

Além do tratamento farmacológico, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar de saúde é essencial para o controle da doença e para a redução de morbimortaidade. Ter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos (seja através de esportes ou de brincadeiras) é indispensável para a saúde das crianças e dos jovens, tanto para prevenir, quanto para tratar o diabetes melito. Sendo assim, políticas de promoção da saúde que ofereçam assistência de qualidade e gerem espaços de educação são essenciais para que as crianças e os adolescentes se tornem adultos sadios.

Luanda de Souza Conrado

Yasmin Lorenz da Rosa

Débora Wilke Franco

Julianna Ritter

Beatriz D. Schaan

REFERÊNCIAS:

MALONE, John I.; HANSEN, Barbara C.. Does obesity cause type 2 diabetes mellitus (T2DM)? Or is it the opposite? Pediatric Diabetes , International Society For Pediatric And Adolescent Diabetes, v. 20, n. 5, p. 5-9, out. 2018.

NADEAU, Kristen J. et al . Relatório de consenso sobre diabetes tipo 2 de início jovem: status atual, desafios e prioridades. Diabetes Care [S.L.], v. 39, n. 9, p. 1635-1642, ago. 2016. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5314694/. Acesso em: 10 out. 2020.

POCIOT, Flemming; LERNMARK, Åke. Genetic risk factors for type 1 diabetes. The Lancet , [S.L.], v. 387, n. 10035, p. 2331-2339, jun. 2016. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(16)30582-7. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673616305827. Acesso em: 11 out. 2020.

REWERS, Marian; LUDVIGSSON, Johnny. Environmental risk factors for type 1 diabetes. The Lancet , [S.L.], v. 387, n. 10035, p. 2340-2348, jun. 2016. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(16)30507-4. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673616305074. Acesso em: 10 out. 2020.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2019-2020. São Paulo:Clannad; 2019. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-20 20.pdf. Acesso em 27 set. 2020.




O Diabetes no Outubro Rosa

5 outubro, 2020    tags:

O Outubro Rosa é dedicado à conscientização do câncer de mama – neoplasia mais comum em mulheres no mundo e principal causa de morte por câncer entre as mulheres no mundo[1]. Mas qual a relação dessa patologia com o diabetes?

O diabetes melito e câncer de mama são doenças crônicas com incidência crescente em muitos países[2,3]. Estimativas recentes indicam que a prevalência de diabetes é de 8,1% entre as mulheres no Brasil[4] e que o risco de câncer de mama ao longo da vida é de 9,7% no mundo[5]. Essas duas patologias compartilham fatores de risco e comumente ocorrem juntas, sendo que até 16% das pacientes podem apresentar as duas doenças, principalmente  em idade mais avançada[6]. Mulheres com o diagnóstico de diabetes têm um risco maior de desenvolver câncer de mama (15-20%) e de este ser diagnosticado em um estágio mais avançado[7-15]. Além disso, a mortalidade geral após o diagnóstico de câncer de mama mostrou ser 30-60% maior nessa população[11, 12, 15-18].

Outra razão para a pior sobrevida nesses casos é que já foi demonstrado que a obesidade está associada ao desenvolvimento de tumores com receptores de estrogênio (RE) negativos – subtipo mais agressivo do câncer de mama e menos responsivo aos tratamentos atuais[24,25]. A resistência das células à insulina, presente em pacientes com DM2, pode resultar em uma proliferação desordenada de células mamárias, uma vez que esse hormônio tem receptores no tecido mamário, e esses podem ser ativados. Por fim, no DM2 há aumento na produção de estrogênios e androgênios especialmente nas suas formas livres, pois há diminuição dos níveis da SHBG (do inglês sex hormone-binding globulin), uma proteína que se liga a estes hormônios[6]. Como o câncer de mama é hormônio-dependente, o diabetes poderia estimular o desenvolvimento de cânceres de mama com RE positivos também por esta via[6,26].

Contudo, apesar de evidências de que a associação entre câncer de mama e diabetes exista, é importante destacar as diferenças dos tipos de diabetes nesse contexto.  O DM2 compartilha fatores de risco em comum para o câncer de mama e é marcado pela resistência insulínica, o que é diferente para o diabtes tipo 1, em que já se sabe que há uma influência genética, mas ainda não há pesquisas conclusivas sobre seus fatores de risco[27].

De qualquer forma, todas as mulheres devem ser orientadas a participar dos programas de rastreamento para o câncer de mama. Outro ponto importante é a assistência médica especializada no caso de diagnóstico confirmado de câncer de mama, tendo em vista o maior número de complicações do diabetes. O trabalho em equipe do mastologista, do oncologista e do endocrinologista é imprescindível para o sucesso do tratamento.

E lembre-se: “quanto antes, melhor!”. (Campanha lançada pela Sociedade Brasileira de Mastologia, neste Outubro Rosa de 2020, para reforçar a importância do rastreamento e tratamento de diversas doenças, dentre elas o câncer de mama, que foram prejudicados durante a Covid-19.)

Alice Scalzilli Becker

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS: 

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Agency for Research on Cancer. Globocan. Acesso em 05/02/2020.
  2. Diabetes Atlas. Internal Diabetes Federation. 7th ed; 2015.
  1. Global Cancer Observatory. http://globocan.iarc.fr/Pages/fact_sheets_ cancer.aspx. Acessado 04/10/2020.
  2. https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/SBD-_Dados_Epidemiologicos_do_Diabetes_-_High_Fidelity.pdf
  3. Forouzanfar MH, Foreman KJ, Delossantos AM, Lozano R, Lopez AD, Murray CJ, et al. Breast and cervical cancer in 187 countries between 1980 and 2010: a systematic analysis. Lancet 2011; 378: 1461– 1484. doi: 10.1016/S0140-6736(11)61351-2 PMID: 21924486
  4. Wolf I, Sadetzki S, Catane R, Karasik A, Kaufman B. Diabetes mellitus and breast cancer. Lancet Oncol. 2005;6(2):103.
  5. Starup-Linde J, Karlstad O, Eriksen SA, Vestergaard P, Bronsveld HK, de Vries F, et al. CARING (CAn- cer Risk and INsulin analoGues): the association of diabetes mellitus and cancer risk with focus on pos- sible determinants—a systematic review and a meta-analysis. Curr Drug Saf 2013; 8: 296–332. PMID: 24215312
  6. Larsson SC, Mantzoros CS, Wolk A. Diabetes mellitus and risk of breast cancer: a meta-analysis. Int J Cancer 2007; 121: 856–862. doi: 10.1002/ijc.22717 PMID: 17397032
  7. Liao S, Li J, Wei W, Wang L, Zhang Y, Li J, et al. Association between diabetes mellitus and breast cancer risk: a meta-analysis of the literature. Asian Pac J Cancer Prev 2011; 12: 1061–1065. PMID: 21790252
  8. Xue F, Michels KB. Diabetes, metabolic syndrome, and breast cancer: a review of the current evidence. Am J Clin Nutr 2007; 86: s823–835. PMID: 18265476
  9. Luo J, Virnig B, Hendryx M, Wen S, Chelebowski R, Chen C, et al. Diabetes, diabetes treatment and breast cancer prognosis. Breast Cancer Res Treat 2014; 148: 153–162. doi: 10.1007/s10549-014- 3146-9 PMID: 25261292
  10. Peairs KS, Barone BB, Snyder CF, Yeh HC, Stein KB, Derr RL, et al. Diabetes mellitus and breast can- cer outcomes: a systematic review and meta-analysis. J Clin Oncol 2011; 29: 40–46.
  11. Hou G, Zhang S, Zhang X, Wang P, Hao X, Zhang J. Clinical pathological characteristics and prognostic analysis of 1,013 breast cancer patients with diabetes. Breast Cancer Res Treat 2013; 137: 807–816. doi: 10.1007/s10549-012-2404-y PMID: 23292119
  12. Renehan AG, Yeh HC, Johnson JA, Wild SH, Gale EAM, Moller H, et al. Diabetes and cancer (2): evalu- ating the impact of diabetes on mortality in patients with cancer. Diabetologia 2012; 55: 1619–1632. doi: 10.1007/s00125-012-2526-0 PMID: 22476948
  13. Cleveland RJ, North KE, Stevens J, Teitelbaum SL, Neugut AI, Gammon MD. The association of diabe- tes with breast cancer incidence and mortality in the Long Island Breast Cancer Study Project. Cancer Causes Control 2012; 23: 1193–1203. doi: 10.1007/s10552-012-9989-7 PMID: 22674293
  14. Erickson K, Patterson RE, Flatt SW, Natarajan L, Parker BA, Heath DD, et al. Clinically defined type 2 diabetes mellitus and prognosis in early-stage breast cancer. J Clin Oncol 2011; 29: 54–60. doi: 10. 1200/JCO.2010.29.3183 PMID: 21115861
  15. Redaniel MT, Jeffreys M, May MT, Ben-Shlomo Y, Martin RM. Associations of type 2 diabetes and dia- betes treatment with breast cancer risk and mortality: a population-based cohort study among British women. Cancer Causes Control 2012; 23: 1785–1795. doi: 10.1007/s10552-012-0057-0 PMID: 22971998
  16. Schrauder MG, Fasching PA, Haberle L, Lux MP, Rauh C, Hein A, et al. Diabetes and prognosis in a breast cancer cohort. J Cancer Res Clin Oncol 2011; 137: 975–983. doi: 10.1007/s00432-010-0960-2 PMID: 21132511
  17. Westley RL, May FE. A twenty-first century cancer epidemic caused by obesity: the involvement of insu- lin, diabetes, and insulin-like growth factors. Int J Endocrinol 2013; 2013: 632461. doi: 10.1155/2013/ 632461 PMID: 23983688
  18. Flores-Lopez LA, Martinez-Hernandez MG, Viedma-Rodriguez R, Diaz-Flores M, Baiza-Gutman LA. High glucose and insulin enhance uPA expression, ROS formation and invasiveness in breast cancer- derived cells. Cell Oncol (Dordr) 2016.
  19. Seshasai SR, Kaptoge S, Thompson A, Di Angelantonio E, Gao P, Sarwar N, et al. Diabetes mellitus, fasting glucose, and risk of cause-specific death. N Engl J Med 2011; 364: 829–841. doi: 10.1056/ NEJMoa1008862 PMID: 21366474
  20. Zhou XH, Qiao Q, Zethelius B, Pyorala K, Soderberg S, Pajak A, et al. Diabetes, prediabetes and can- cer mortality. Diabetologia 2010; 53: 1867–1876. doi: 10.1007/s00125-010-1796-7 PMID: 20490448
  21. Goodwin PJ, Ennis M, Pritchard KI, Trudeau ME, Koo J, Madarnas Y, et al. Fasting insulin and outcome in early-stage breast cancer: results of a prospective cohort study. J Clin Oncol 2002; 20: 42–51. doi: 10.1200/jco.2002.20.1.42 PMID: 11773152
  22. Yang XR, Chang-Claude J, Goode EL, Couch FJ, Nevanlinna H, Milne RL, et al. Associations of breast cancer risk factors with tumor subtypes: a pooled analysis from the Breast Cancer Association Consor- tium studies. J Natl Cancer Inst 2011; 103: 250–263. doi: 10.1093/jnci/djq526 PMID: 21191117
  23. Phipps AI, Buist DS, Malone KE, Barlow WE, Porter PL, Kerlikowske K, et al. Breast density, body mass index, and risk of tumor marker-defined subtypes of breast cancer. Ann Epidemiol 2012; 22: 340– 348. doi: 10.1016/j.annepidem.2012.02.002 PMID: 22366170
  24. Rose DP, Vona-Davis L. The cellular and molecular mechanisms by which insulin influences breast cancer risk and progression. Endocr Relat Cancer 2012; 19: R225–241. doi: 10.1530/ERC-12-0203 PMID: 22936542
  25. Sociedade Brasileira de diabetes, disponível em https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/fatores-de-risco



DESPRESCRIÇÃO EM IDOSOS COM DIABETES

28 setembro, 2020    tags:

A desprescrição de fármacos é um processo de revisão individual de medicamentos usados por pacientes que orienta os profissionais de saúde a considerar relações desfavoráveis de riscos e benefícios. Entre os objetivos da desprescrição está a redução dos resultados negativos relacionados ao medicamento, que podem acarretar em mais problemáticas, tais como quedas, internações hospitalares e aumento da mortalidade, aliado a outras comorbidades já existentes que impactam a vida do paciente. Tendo em vista a pessoa com diabetes, especialmente a população idosa, a desprescrição de fármacos em alguns casos específicos pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de eventos potencialmente adversos causados por tais medicamentos, cujas situações serão abordadas a seguir.

A hipoglicemia é o evento adverso mais temido em relação ao uso de antidiabéticos na população idosa, tal fato reside nos potenciais danos neurológicos, injúrias físicas, risco de quedas, e internações que essa condição implica aos pacientes. Além disso, o difícil e justo controle glicêmico que varia de acordo com cada indivíduo pode favorecer a ocorrência de quadros hipoglicêmicos que venham a causar mais danos do que benefícios, levando, desse modo, a uma piora da qualidade de vida da pessoa que convive com diabetes. Cabe ressaltar ainda que, normalmente, a população idosa utiliza muitos medicamentos ao mesmo tempo, assim a polifarmácia aliada às alterações do metabolismo no idoso pode induzir potenciais interações medicamentosas que são danosas, aumentando ainda mais a responsabilidade do profissional de saúde na prescrição, ou até mesmo desprescrição, de fármacos que sejam inapropriados para essa população.

Tendo em vista o diabetes em si, já está sendo proposto um protocolo referente a um algoritmo de desprescrição de fármacos que atuam na doença, sendo que, de acordo com o estado geral do paciente e de metas estabelecidas para o controle da doença (expectativa de vida, níveis aceitáveis de glicemia, comorbidades, fragilidades), a desprescrição de fármacos pode ser uma realidade através das seguintes maneiras: redução das doses; descontinuação do medicamento; ou mudança para outro medicamento de outra classe. Cabe salientar que cada pessoa deve ser tratada de modo individualizado e reavaliada periodicamente a fim de saber como o organismo está reagindo em relação à interrupção ou redução das doses desses fármacos, permanecendo sempre em mente de que caso ocorra uma piora da doença ou do estado geral do paciente, os medicamentos podem e devem ser novamente inseridos no cotidiano de cada indivíduo. No que diz respeito aos principais efeitos da desprescrição de fármacos antidiabéticos, o principal é a ocorrência de hiperglicemia, que pode ser percebida pelo paciente através de sinais e sintomas sugestivos, tais como sede, diurese e cansaço excessivos. Assim, é de grande importância o monitoramento diário da doença para que, casos situações semelhantes às ditas ocorram, o profissional de saúde possa ser notificado e, assim, programe um novo plano de tratamento para seu paciente.

Por fim, é imprescindível ressaltar a importância de um tratamento individualizado voltado para as necessidades e comorbidades de cada indivíduo, a fim de que, através de uma decisão conjunta entre o profissional de saúde e o paciente, a melhor opção terapêutica seja definida, seja pela desprescrição de um fármaco ou pela continuação do tratamento estabelecido. Cabe dizer que já existem estudos referentes à desprescrição de antidiabéticos em pacientes idosos, com ou sem outras comorbidades além do diabetes, que indicam que a suspensão do tratamento possa trazer mais benefícios do que malefícios, influenciando em uma melhor qualidade de vida e uma estabilização da progressão da doença. Apesar disso, são necessárias mais pesquisas e estudos a respeito da temática, ressaltando que a melhor decisão terapêutica será sempre aquela que for definida em conjunto entre o paciente e o médico responsável por seu tratamento.

 

William Venâncio Ribeiro da Silva

Agnes Nogueira Gossenheimer

Débora Wilke Franco

Beatriz D. Schaan

REFERÊNCIAS:

DA SILVA, D. K.; FREITAS, R. G. Desprescrição em idosos: uma revisão da literatura. Caxias do Sul, 2019. Disponível em: <http://diversitates.uff.br/index.php/1diversitates-uff1/article/download/289/155.>. Acesso em 18 de set. de 2020.

Algoritmo de desprescrição de Hipoglicemiantes. Deprescribing.org, 2017. Disponível em: <http://www.sbrafh.org.br/inicial/wp-content/uploads/2019/05/Algoritmo-desprescri%C3%A7%C3%A3o-Hipoglicemiantes.pdf>. Acesso em 18 de set. de 2020.

SEIDU, S.; KUNUTSOR, S. K.; TOPSEVER, P.; HAMBLING, C. E.; COS, F. X.; KHUNTI,  K. Deintensification in older patients with type 2 diabetes: A systematic review of approaches, rates and outcomes. Diabetes Obes Metab. 2019; 21:1668-1679.




Dexametasona e diabetes: os riscos do uso inapropriado de corticoesteroides

20 setembro, 2020    tags:

Há algumas semanas foi divulgado um estudo realizado pela Universidade de Oxford evidenciando os possíveis benefícios do uso de dexametasona em pacientes com infecção de COVID-19. Os resultados preliminares deste estudo, que ficou conhecido como RECOVERY (Randomised Evaluation of COVID-19 Therapy), mostraram que a administração desse medicamento poderia reduzir a mortalidade em até um terço em pacientes com infecção grave que necessitavam de ajuda de aparelhos para respirar. Para os pacientes com necessidade de oxigênio, a mortalidade poderia ser reduzida a um quinto. No entanto, para os pacientes com formas leves da doença, o uso da dexametasona não trouxe nenhum benefício. A grande preocupação relacionada à divulgação desses resultados diz respeito à difusão em massa pelas mídias e redes sociais.  O medo e a incerteza que a atual pandemia de COVID-19 despertam podem levar a decisões desesperadas na procura por um tratamento, estimulando a auto-medicação e a utilização inadequada dessa medicação. O problema é que o uso de dexametasona pode ser particularmente perigoso e nós vamos lhe explicar o por quê.

A dexametasona é um medicamento do grupo dos corticoesteroides, uma classe que contempla diferentes fármacos com potentes funções anti-inflamatórias. Outros fármacos desse grupo que são bastante conhecidos incluem a prednisona, a prednisolona, a hidrocortisona e os corticoides inalatórios, como a beclometasona, a fluticasona e a budesonida. O nosso corpo produz um glicocorticoide endógeno chamado de cortisol, que é derivado do metabolismo do colesterol e que é fundamental para a manutenção de diversas funções vitais. Os farmacos dessa classe de medicamentos mimetizam as ações desse nosso hormônio. Mudanças em determinadas moléculas dessas substâncias permitiram que algumas delas obtivessem maior atividade “mineralocorticoide”, que significa regular a retenção de água e sais importantes para o nosso corpo, enquanto outras obtivessem maior atividade “glicocorticoide”, que significa interferir no metabolismo da glicose. A função anti-inflamatória, que é a mais desejada nesses medicamentos, está ligada à função glicocorticoide, por isso quanto mais potente for o efeito anti-inflamatório, maiores serão os efeitos indesejados nas reações que envolvem o açúcar do sangue.

O uso de corticoesteroides – como a dexametasona – pode, por si só, levar ao surgimento de diabetes se utilizado por um longo período de tempo. Para aqueles que já tem diabetes, o uso dessas medicações pode procovar uma descompensação da doença, visto que interferem no metabolismo do açúcar, levando à hiperglicemia. Os corticoesteroides aumentam a produção e o armazenamento de açúcar no sangue pelo fígado. Além disso, eles provocam um aumento na degradação de proteínas, fazendo com que os produtos dessa degradação sejam convertidos em mais glicose para o corpo. Como resposta a essa hiperglicemia, ocorre um aumento na liberação de insulina pelo pâncreas, que é um dos hormônios responsáveis pelo controle do açúcar no sangue. Quando a insulina está aumentada, algumas células e músculos do nosso corpo passam a criar resistência à sua ação. No diabetes tipo 2, por exemplo, a resistência periférica à ação da insulina e o aumento nos níveis de açúcar do sangue são os principais fatores relacionados ao surgimento do diabetes e ao desenvolvimento de complicações. Como tudo isso se encontra agravado no paciente em uso de corticoesteroides, entende-se que essas medicações podem descompensar um diabetes que vinha bem controlado.

Além dos efeitos no açúcar do sangue, os glicocorticoides também alteram a produção de gordura no corpo, aumentando a formação de  gordura abdominal e reduzindo a gordura periférica. Além disso, essas medicações agem diretamente no fígado, aumentando a produção de triglicerídios, moléculas de colesterol e levando à deposição de gordura no fígado, condição chamada de esteatose. Não é incomum o paciente com diabetes apresentar sobrepeso, obesidade e problemas de colesterol ou triglicerídeos alterados. Portanto, todas essas condições também poderão ser agravadas durante o uso de corticoesteroides. Além disso, esses medicamentos também aumentam a retenção de sal de água e interferem na resistência dos vasos sanguíneos, provocando aumento da pressão arterial. Todas essas alterações poderão aumentar o risco de doenças cardiovasculares em pacientes com diabetes.

Os corticoesteroides também apresentam um efeito importante nos músculos e nos ossos. Além de estimular a quebra das proteínas e enfraquecer os músculos, os corticoesteroides estimulam células que promovem à reabsorção do osso. Isso significa que esses medicamentos fazem o osso enfraquecer com o tempo. O enfraquecimento dos ossos e dos músculos pode aumentar o risco de queda e de fratura nesses pacientes. O surgimento de catarata, que também está associado ao uso desses medicamentos, também pode contribuir para o risco de queda nesses pacientes.

Por fim, a última (e talvez a mais importante) preocupação diz respeito à suspensão do medicamento. Lembra que expliquei no início do texto que nosso corpo produz um glicocorticoide endógeno chamado de cortisol? Quando utilizamos corticoesteroides, ocorrem reações no nosso corpo que levam à desregulação da produção desse hormônio. É como se nosso corpo entendesse que, por estar recebendo glicocorticoides “de fora”, não precisa continuar produzindo por si próprio. Se a medicação for suspensa abruptamente, especialmente após o uso prolongado, pode ocorrer o que se chama de “insuficiência adrenal”, que é quando o corpo não recebe e nem produz mais esse hormônio vital. Os sintomas dessa síndrome podem iniciar com dor abdominal, pressão baixa, náusea, vômitos, falta de apetite, sonolência e perda de peso. Entretanto, é possível inclusive evoluir com quadros mais graves, como choque circulatório e coma.

Tudo isso para explicar para vocês a importância de JAMAIS iniciar uma medicação como um glicocorticoide sem a orientação médica adequada! Os resultados finais do estudo que avaliou os benefícios da dexametasona em pacientes com infecção de COVID-19 ainda não foram publicados na íntegra e, se eles serão importantes ou não, só saberemos com o tempo. Enquanto isso, vamos proteger a nós mesmo e àqueles que amamos lembrando diariamente que nessa batalha contra o coronavírus (ainda) não existe “pílula mágica”. O uso de medicamentos de forma indevida e o desconhecimento dos riscos relacionados podem ser tão graves quanto a infecção contra a qual lutamos diariamente.

Sempre lembrando que a prevenção é o melhor tratamento: siga o  distanciamento social sempre que possível e mantenha as medicações para o diabetes e para as outras doenças em dia durante a quarentena. Estamos todos juntos!

 

(Ilustração criada por Giovana Berger de Oliveira)

Janine Alessi

Giovana Berger de Oliveira

Débora Wilke Franco

Beatriz D. Schaan

Gabriela H. Telo

REFERÊNCIAS:

Oxford University News Release. Low-cost dexamethasone reduces death by up to one third in hospitalised patients with severe respiratory complications of COVID-19. [Online], Oxford United Kingdon, 16 Jun 2020. Available in <https://www.recoverytrial.net/files/recovery_dexamethasone_statement_160620_final.pdf>. Acessed 27 Jun 2020.

Axelrod L. Glucocorticoid Therapy. Medicine (Baltimore) 1976;55(1):39-65




Diabetes e Doenças Cardiovasculares

14 setembro, 2020    tags:

Atualmente, sabe-se que as complicações cardiovasculares do diabetes são a principal causa de morte em pacientes com essa doença crônica. Esses pacientes, além de terem o dobro de risco de eventos cardiovasculares, também respondem pior ao tratamento e possuem piores desfechos se acometidos por algum evento cardiovascular. Para compreendermos melhor a relação entre o diabetes e doenças cardiovasculares, primeiramente é preciso conhecer os fatores de risco cardiovasculares. Entre eles, temos:

  • – Tabagismo
  • – Hipertensão arterial
  • – Colesterol LDL alto
  • – Colesterol HDL baixo
  • – Duração do diabetes
  • – Complicações microvasculares

O diabetes se caracteriza por doença arterial coronariana frequentemente assintomática, com comprometimento arterial extenso e difuso, ateromas (placas de gordura nas artérias) instáveis e mais vulneráveis a ruptura. Porém, o que torna o paciente com diabetes mais propenso a desenvolver aterosclerose?

  1. Efeitos tóxicos da glicose sobre os vasos sanguíneos
  2. Dislipidemia: hipertrigliceridemia, níveis elevados de Apolipoproteína B, LDL alto e HDL baixo
  3. Estado pró-trombótico do diabetes: maior agregação plaquetária e alteração na fibrinólise do ateroma no vaso
  4. Hiperglicemia: altera as respostas imunes e inflamatórias envolvidas na aterogênese
  5. Achados pró-inflamatórios do diabetes que propiciam maior instabilidade e probabilidade de ruptura da placa aterosclerótica

Os ateromas, portanto, acabam prejudicando o fluxo sanguíneo pelas artérias, provocando diversas doenças, como:

  • – Doença arterial coronariana
  • – Acidente vascular cerebral
  • – Doença vascular periférica
  • – Insuficiência cardíaca

A seguir, vamos explicar cada uma dessas doenças.

DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA: tem como causa o estreitamento das artérias coronarianas que fornecem sangue para o músculo cardíaco, bloqueando o fluxo sanguíneo e causando dor torácica (angina) ou infarto do miocárdio. Dados mostram que 20 a 30% dos casos dessa doença ocorrem em pacientes com diabetes e estão associados com prognóstico pior.

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC): Vasos que levam sangue para o cérebro obstruem ou se rompem, provocando paralisia na parte do cérebro comprometida. A associação entre AVC e diabetes independe do tipo de AVC, com maior risco para AVC isquêmico do que para o hemorrágico. Em pacientes hospitalizados por AVC, a proporção de pacientes com diabetes geralmente é superior a 20%, e a hiperglicemia é um importante fator de pior prognóstico. Pacientes com diabetes são mais propensos à readmissão hospitalar e a pior desfecho funcional, apresentando mais incapacidade funcional e menos autonomia em atividades diárias.

DOENÇA VASCULAR PERIFÉRICA: Estreitamento ou bloqueio das artérias, que limita o fornecimento de sangue rico em oxigênio pelo corpo, principalmente nas artérias dos membros inferiores. Dessa forma, a DVP acomete quase exclusivamente os membros inferiores, sendo que 20% dos indivíduos com claudicação intermitente (dificuldade para caminhar) têm diabetes. O diabetes e o tabagismo são os mais importantes fatores de risco para DVP.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: O coração não consegue suprir as necessidades do corpo, causando redução do fluxo sanguíneo, congestão venosa e congestão pulmonar. A prevalência de IC é maior em pacientes com diabetes, e vice-versa. Em pacientes internados por diabetes e IC, o tempo de hospitalização e a mortalidade são maiores.

Giovana Berger de Oliveira

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://saude.gov.br/saude-de-a-z/acidente-vascular-cerebral-avc#:~:text=O%20AVC%20hemorr%C3%A1gico%20ocorre%20quando,do%20que%20o%20AVC%20isqu%C3%AAmico
https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/conditions/peripheral-arterial-disease.html

https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/doen%C3%A7a-arterial-coronariana/considera%C3%A7%C3%B5es-gerais-sobre-a-doen%C3%A7a-arterial-coronariana-dac

https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/insufici%C3%AAncia-card%C3%ADaca/insufici%C3%AAncia-card%C3%ADaca#:~:text=Insufici%C3%AAncia%20card%C3%ADaca%20%C3%A9%20um%20dist%C3%BArbio,enrijecer%20ainda%20mais%20o%20cora%C3%A7%C3%A3o.




Contagem de carboidratos

7 setembro, 2020    tags:

Você sabia que a contagem de carboidratos é utilizada desde 1935 na Europa? E que, a partir de resultados obtidos de estudos que demonstraram os seus benefícios, esta estratégia nutricional foi adotada pela American Diabetes Association em 1994 e começou a ser utilizada no Brasil em 1997?

Essa estratégia nutricional tem como objetivo otimizar o controle glicêmico com base na quantidade de carboidratos existentes nos alimentos e na quantidade de insulina utilizada, proporcionando maior flexibilidade nas escolhas alimentares. Atualmente, ela é reconhecida como um dos principais pilares do tratamento do diabetes tipo 1. Lembrando que a contagem de carboidratos deve ser sempre orientada por uma equipe multidisciplinar!

Mas por que contar carboidratos?
O carboidrato é o macronutriente que mais afeta a glicemia, já que a totalidade do que é ingerido transforma-se em glicose em até 2 horas. Está é a razão principal que o coloca como foco do tratamento. Apesar disso, ele é um nutriente importante para o fornecimento de energia e deve fazer parte da alimentação. A quantidade de carboidrato que deve ser consumida diariamente varia conforme a faixa etária, o peso corporal, o nível de atividade física, dentre outros fatores.

Então, por que aderir a esta estratégia?
Além de possibilitar melhor adesão ao tratamento e maior autonomia alimentar dos pacientes, é possível ter um aumento na variedade alimentar em cada uma das refeições, respeitando as suas necessidades nutricionais, diferenças culturais e sociais.

Gostou? Qur saber mais? Veja o nosso vídeo explicativo sobre contagem de carboidrato no IGTV do nosso Instagram: https://www.instagram.com/tv/CEXqWQWnbbY/?utm_source=ig_web_copy_link

Lembrando que, em caso de dúvida, procure sempre um nutricionista!

Bruna Lacerda

Luanda Conrado

Joise Munari

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

Beatriz D. Schaan


Referências:
1. Manual de contagem de carboidratos, SBD, 2016.
2. GOUVEIA G. R.; BRUNO, L. P. C.; Pascali P. M. Contagem de carboidratos e monitorização. SP, Brasil: 2003.
3. TASCINI, G., et al. Carbohydrate Counting in Children and Adolescents with Type 1 Diabetes. Perugia, Italy: 2018
4. Imagem pela Freepik

 




A Nutrição no cuidado do Diabetes

31 agosto, 2020    tags:

Hoje, no dia do nutricionista viemos lhe mostrar a importância desse profissional no cuidado do seu diabetes.

O manejo adequado do diabetes depende de uma equipe multidisciplinar. No entanto, para obter bons resultados, o tratamento também depende da adesão do paciente ao que lhe é prescrito. Nesse contexto, a nutrição possui papel essencial, pois é responsável, principalmente, por guiar as escolhas alimentares deste paciente.
Por este motivo, hoje falaremos do papel do nutricionista.

A conduta nutricional tem como foco o indivíduo, considerando idade, diagnóstico nutricional, hábitos alimentares, questões socioculturais e, ainda, o tratamento prescrito pelo médico endocrinologista que o acompanha; e tem como principal objetivo dar autonomia ao paciente, ensinando-o a fazer boas escolhas alimentares, a ler e interpretar os rótulos dos alimentos e a adequar as quantidades do que for consumir.

Somado às escolhas alimentares inteligentes, a adoção de uma rotina equilibrada também é um ponto chave para um bom controle glicêmico. Juntas, estas medidas favorecem níveis estáveis de glicemia, reduzindo os episódios de hipo e hiperglicemia, favorecendo a adequação do peso e, assim, melhorando a qualidade de vida do paciente.

É válido destacar que a alimentação do paciente com diabetes pode (e deve) ser a mesma de sua família, desde que as quantidades sejam ajustadas e que esta contenha alimentos saudáveis e nutritivos – por isso, a autonomia alimentar é tão importante.

Em resumo, a alimentação saudável é associada ao melhor manejo da doença, à redução do risco de complicações e, ainda, ao menor uso de medicamentos – inclusive de insulina, no caso do diabetes tipo 2. Então, para um melhor tratamento, procurar um nutricionista para orientá-lo é essencial.

Na próxima semana lhe contaremos um pouquinho sobre a contagem de carboidratos, não perca essa!

Bruna Lacerda

Luana Conrado

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

Beatriz D. Schaan

 

 




A Medicina no cuidado do Diabetes

24 agosto, 2020    tags:

O manejo adequado do paciente diabético depende de uma equipe multidisciplinar. A Medicina também faz parte da arte de CUIDAR, por isso hoje falaremos do papel do médico endocrinologista.

O acompanhamento com um especialista é fundamental para que o paciente tenha todas informações e orientações necessárias sobre os cuidados que deverão ser tomados no controle da doença, uma vez que o tratamento eficaz reduz as complicações crônicas, proporcionando uma melhor qualidade de vida.

Durante as consultas, o médico vai avaliar os fatores de risco e a presença de complicações ou outras comorbidades, definir uma meta terapêutica individualizado a depender das características do paciente, instituir um tratamento, programar (junto a equipe) estratégias para educação do paciente e passar recomendações importantes para o controle adequado, permitindo a ele mais independência em relação aos seus cuidados. Nas consultas também são abordadas orientações sobre a alimentação, a atividade física, a adesão ao tratamento proposto, a forma adequada de aplicação de insulina (quando em uso), o controle glicêmico e a importância da adesão ao tratamento.

O médico é parte importante do time que atua no manejo do diabetes e alguém que sempre terá como propósito o zelo pelo seus pacientes.
Lembre-se: qualquer dúvida, consulte seu médico!

Clara Krummenauer Maraschin

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

Beatriz D. Schaan




Diferenças entre o Diabetes tipo 1 e o Diabetes tipo 2

3 agosto, 2020    tags:

Você certamente já ouviu falar em diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2, mas você sabe realmente quais são as diferenças entre esses dois tipos? Para entendermos uma doença precisamos primeiro entender o funcionamento normal do organismo:

Você já ouviu falar do pâncreas? O pâncreas é um órgão do corpo humano, localizado atrás do estômago, que faz parte do sistema digestório e do sistema endócrino, e possui duas funções importantes: produzir enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos e produzir insulina – o hormônio responsável pelo controle da glicemia. Em condições normais, o pâncreas produz quantidades adequadas de insulina para deslocar a glicose da nossa corrente sanguínea para dentro das células, onde será armazenada e funcionará como energia, mantendo assim níveis adequados de glicose no sangue. No diabetes, essa função do pâncreas está comprometida, porém ocorre de maneira diferente no tipo 1 e no tipo 2:

No diabetes tipo 1 o pâncreas não consegue mais produzir insulina, devido à destruição das células beta por um mecanismo autoimune. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células, ficando na corrente sanguínea, causando a hiperglicemia e sensações de fraqueza e cansaço, além de outros sintomas.

Já no diabetes tipo 2, temos dois mecanismos que causam a permanência de glicose no sangue (hiperglicemia): o pâncreas até consegue produzir insulina, porém em quantidade insuficiente e algumas células do corpo não reconhecem a insulina, o que chamamos de resistência à insulina.

Em ambos os tipos de diabetes o resultado do mau funcionamento do pâncreas é a hiperglicemia e as complicações resultantes disso. Porém o tratamento é diferente, já que, como vimos acima, a fisiopatologia não é a mesma.

No diabetes tipo 1 necessitamos da aplicação de insulina, pois o organismo não produz mais esse hormônio, e a falta dela não permite que as células recebam a glicose, fonte tão importante de energia para manter o funcionamento adequado de todo o organismo. Além da insulina uma dieta saudável e exercícios físicos são necessários para evitar complicações futuras.

No diabetes tipo 2 – dependendo da gravidade – o tratamento pode ser feito apenas com medicação oral, exercício físico e controle da dieta, no entanto, com o passar dos anos, pode ser necessário o uso de insulina, pois o pâncreas vai reduzindo cada vez mais a produção desse hormônio.

A longo prazo as complicações do diabetes tipo 1 e tipo2 são as mesmas, porém a curto prazo o diabetes tipo 1 tem muito mais chances de fazer hipoglicemia e ter consequências severas por causa disso.

E quanto a idade, há diferenças entre o diabetes tipo 1 e tipo 2?

O diabetes tipo 1 ocorre mais comumente na infância e juventude, porém isso não significa que um adulto não possa desenvolver o diabetes tipo 1. Já o diabetes tipo 2 costuma aparecer principalmente na idade adulta, mas, novamente, não significa que não possa ocorrer em jovens, inclusive, devido ao alto índice de obesidade precoce observado na população geral tem sido cada vez mais frequente o surgimento dessa doença em pessoas mais novas, uma vez que a obesidade leva à resistência à insulina.

Ok, agora você sabe um pouco mais sobre as diferenças desses dois tipos de diabetes! Ficou com alguma dúvida? Têm interesse em aprender um pouco mais sobre esse assunto? Entre em contato conosco através dos nossos e-mails (lidia.pucrs@gmail.com ou lidiadmufrgs@gmail.com) ou do nosso instagram (@lidia.diabetes).

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

Sociedade Brasileira de diabetes (https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/tipos-de-diabetes)




Pensamento, Emoção e Comportamento Alimentar

27 julho, 2020    tags:

É muito comum ouvirmos dos pacientes com diabetes que cometeram excessos em relação a alimentação, comendo mais ou menos do que seria o ideal. A forma como nos relacionamos com a comida/alimentos está muito associada com nossos pensamentos e emoções. Talvez você já tenha se sentido muito feliz ou muito triste e aí resolveu comer muito mais do que de costume; ou o inverso, perdeu a fome e não comeu ou comeu bem menos do que costuma. Você se identifica com essa afirmação? Reflita sobre como é a sua relação com a comida: você come mais ou menos do que deveria?

Alguns hábitos relacionados com o nosso comportamento durante as refeições e até mesmo a forma como organizamos os alimentos na nossa casa, podem nos atrapalhar, principalmente, se queremos, mas temos dificuldade em seguir e manter uma alimentação saudável ou uma dieta específica, por exemplo. Começar fazendo pequenas mudanças de hábitos e no ambiente pode ser uma boa estratégia. Portanto, para que a gente possa melhorar nossos hábitos alimentares é necessário tanto compreender quais são os gatilhos que nos levam a cometer excessos e atentar para alguns comportamentos que podem atrapalhar a manutenção de uma dieta saudável.

 

Compreendendo a relação entre pensamentos e emoções e o comportamento alimentar:

 

  • – Identificando pensamentos sabotadores: Você já percebeu que sempre há um pensamento que antecede nosso modo de sentir as coisas e a forma como nos comportamos? Então, com o comportamento de comer não é diferente. Por mais que você tenha a sensação de comer automaticamente, o comer é não é uma ação automática. Isso quer dizer que podemos aprender a ter mais controle sobre nossas decisões/comportamentos alimentares. Todos os pensamentos que nos fazem agir de modo inadequado são chamados de PENSAMENTOS SABOTADORES. Por exemplo: “é muito difícil seguir a dieta”, “não consigo resistir a essa comida tão gostosa”, “eu sei que não devo comer isto, mas eu quero tanto”, etc. Assim, é importante que a gente sempre tente ouvir nossos pensamentos antes de comer qualquer tipo de alimento.

 

  • – Identificando estímulos: Existem diferentes estímulos que fazem com que a gente coma e que também nos levar a ter pensamentos sabotadores antes de comer. Esses estímulos podem ser: ambientais (visão e cheiro dos alimentos, etc.); biológicos (fome, sede, desejo incontrolável de comer, etc); mentais (pensar em alimentos, ler uma receita culinária, lembrar de uma comida que você comeu e gostou, etc.); emocionais (sentimentos negativos tais como raiva, ansiedade, frustração, tristeza, etc., que levam ao ato de comer para buscar conforto ou distração. Sentimentos positivos também são estímulos emocionais!); e sociais (situações e/ou pessoas que nos incentivam a comer). Por isso, é muito importante sempre tentar IDENTIFICAR QUAIS ESTÍMULOS nos fazem ter pensamentos sabotadores e comportamentos inadequados em relação a comida. Essa identificação é importante, pois poderemos agir na redução de nossa exposição a eles ou mudar a forma como lidamos com eles.

 

  • – Diferenciando fome x vontade de comer x desejo incontrolável: Outro aspecto importante é saber diferenciar a sensação de fome com as demais sensações que se parecem com ela. Chamamos de FOME quando experimentamos uma sensação de vazio no estômago que é frequentemente acompanhada por ruídos. A VONTADE DE COMER é quando queremos comer algo porque estamos sendo influenciado por outros estímulos (ambientais, por exemplo etc.) mesmo que recém tenhamos comido. Já o DESEJO INCONTROLÁVEL é quando sentimos uma urgência de comer algum tipo específico de alimento, acompanhada de tensão ou de uma sensação desagradável na boca, na garganta ou no corpo. Conseguir perceber essa diferença poderá ajudar a tomar decisões certas sobre alimentação. Então é importante, antes de comer fora dos horários fixos de refeições necessárias durante o dia, tentar identificar se o que sentimos é fome mesmo, se é vontade de comer apenas ou se é um desejo incontrolável.

Organização do Ambiente e dos hábitos alimentares

 

  • – Sentar para comer: Sentar-se para comer é um comportamento muito importante, principalmente, para se ter consciência da quantidade de alimentos que colocamos na boca. Na maioria das vezes, quando comemos em pé, comemos por impulso em vez de escolhermos alimentos que fazem parte de sua alimentação/refeição planejada; sem falar na rapidez e na distração. Prestar atenção no que está comendo pode ajudar a não deixar que pensamentos sabotadores como “ainda estou com fome”, “quero mais”, te convençam a comer mais do que deveria. SENTAR, mastigar e sentir o gosto dos alimentos com mais calma também vai te dar um certo grau de satisfação.

 

  • – Comer devagar e conscientemente: Comer devagar e de forma consciente, por si só, traz vários benefícios: quando comemos DEVAGAR, nosso cérebro tem tempo para registrar que estamos satisfeitos; ou ainda quando percebemos e APRECIAMOS CADA PORÇÃO DE COMIDA, nos sentimos mais satisfeito depois de comer. Pesquisas indicam que existe um intervalo de até 20 minutos entre o momento que seu estômago fica pleno de comida e o reconhecimento disso pelo cérebro; além disso, pessoas que comem mais devagar tendem a comer menos.

 

  • – Organizar o ambiente: O modo como os alimentos estão expostos em nossa cozinha ou o tamanho dos utensílios que utilizamos podem fazer diferença na hora de controlar o impulso para comer algo tentador ou até mesmo a quantidade de comida que nos servimos. Por exemplo, algumas pessoas comem exageradamente quando usam talheres e pratos grandes. Para isso, podemos REORGANIZAR OS UTENSÍLIOS da cozinha de nossas casas, de modo que os utensílios pequenos possam ficar de fácil acesso. Outra dica é em relação a ORGANIZAÇÃO DOS ALIMENTOS, se os alimentos que são tentadores para a gente ficam visivelmente expostos nos armários da cozinha, uma alternativa é coloca-los na parte de trás de um armário/prateleira ou em um armário/prateleira alto. A ideia é diminuir os estímulos visuais que possam fazer com que a gente exagere e coma mais do que deveria e em horários/momentos inapropriados. E, quando possível, evitar comprar esses alimentos considerados tentadores, principalmente, em grandes quantidades/porções.

Mensagens para relembrar:

1) Identificar pensamentos sabotadores em relação a comida, ou seja, aqueles pensamentos que nos levam a ter comportamentos inadequados como comer mais do que deveria, comer alimentos que são prejudiciais para a saúde, entre outros.
2) Identificar também os estímulos que fazem com que tenhamos pensamentos sabotadores e comportamentos inadequados em relação a comida.
3) Diferenciar as sensações de fome, vontade de comer e desejo incontrolável, e tomar decisões certas sobre alimentação para cada uma dessas sensações.
4) Sentar para comer, mesmo que seja durante aquele lanche da tarde ou da noite.
5) Comer devagar e conscientemente, ou seja, apreciando cada porção de comida.
6) Organizar o ambiente para diminuir a exposição de estímulos alimentares visuais na sua cozinha, como alimentos tentadores.

Doutoranda Ariane de Brito (PPGPSICO/UFRGS)

LIDIA PUC: Janine Alessi, Débora Franco, Gabriela Teló

REFERÊNCIA:

Beck, J. S. (2008). Pense magro: treine seu cérebro a pensar como uma pessoa magra. A dieta definitiva de Beck. 1 Edição. Porto Alegre: Artmed.




O Diabetes e as suas medicações

20 julho, 2020    tags:

Não é segredo que pessoas com diabetes mellitus precisam fazer uso de medicações para ajudar no seu controle glicêmico, os chamados antidiabéticos. Porém existem vários tipos de medicamentos, cada um com seu mecanismo de ação específico! É muito importante saber como cada um desses medicamentos age no nosso corpo para entendermos melhor sobre o cuidado do diabetes. Porém, primeiramente, vamos relembrar qual a diferença entre os dois tipos de diabetes?

Diabetes mellitus tipo 1: O sistema imune da pessoa ataca as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Sem insulina, o corpo perde a capacidade de controlar a utilização de glicose pelas células, o que resulta em seu acúmulo na corrente sanguínea.

Diabetes mellitus tipo 2: A pessoa perde sensibilidade à insulina, ou seja, por mais que ela seja produzida, as células do corpo não conseguem receber o sinal para regular a utilização de glicose, resultando no acúmulo de glicose no sangue.

Agora que relembramos os tipos de diabetes, podemos seguir a explicação sobre as três classes de medicamentos mais utilizados no tratamento dessa doença:

a) Metformina (ou glifage): é um sensibilizador à insulina, ou seja, ele permite que as células recebam o sinal da insulina para deixar a glicose entrar. Esse medicamento não promove uma maior secreção de insulina e, consequentemente diminui o risco de hipoglicemia. Ele é geralmente o primeiro fármaco receitado para pacientes com diabetes tipo 2.

b) Sulfonilureias (glibenclamida, glimepirida ou glicazida): é chamado de “secretagogo de insulina”, o que significa que esse medicamento promove a liberação de insulina pelas células beta do pâncreas. Por aumentar a secreção de insulina, esse fármaco pode causar hipoglicemia, sendo recomendado para pacientes com diabetes mellitus tipo 2 geralmente quando a metformina já não é mais tão eficiente. Outro efeito adverso desse medicamento é ganho de peso.

c) Insulinas (NPH, regular, glargina ou lispro): esse medicamento é utilizado por pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e por alguns pacientes com diabetes mellitus tipo 2 em estágios mais avançados da doença, em que os fármacos citados anteriormente já não são mais tão eficientes no controle glicêmico. Como esses pacientes ou não produzem insulina ou perderam sensibilidade a ela, esse fármaco deve ser injetado no corpo, por via subcutânea, para compensar. Existem vários tipos de insulina, tópico que, futuramente, abordaremos em nosso site!

d) Há outras classes de medicamentos antidiabéticos que consideramos importantes, porém não são tão utilizados quanto os citados anteriormente. A dapaglifozina e a empaglifozina são uma classe de medicamentos novos que melhoram desfechos cardiovasculares em pacientes com e sem diabetes. A liraglutida também é uma classe de medicamentos novos que melhoram desfecho cardiovascular em pacientes com diabetes, além de ajudarem na perda de peso. Ainda são medicamentos pouco utilizados pelo seu preço elevado e pela indisponibilidade no SUS, mas que apresentam um potencial muito grande de melhorarem mortalidade por doenças do coração nos pacientes com diabetes.

Além disso, pessoas com diabetes comumente utilizam outros medicamentos para tratar outras doenças associadas ao diabetes (como obesidade, hipertensão, dislipidemia) ou para tratar algumas das complicações da doença (como problemas no coração ou nos rins). Você já ouviu falar ou faz uso de algum deles? Sabe para que funcionam?

a. Inibidores da ECA (ex: enalapril) e bloqueadores dos receptores da angiotensina (ex: losartana): São medicamentos cuja função principal é reduzir a pressão arterial sistêmica. Nos pacientes com diabetes, entretanto, esse fármaco tem uma função muito importante: reduzir a perda de proteínas na urina e proteger o rim dos efeitos do diabetes. Além disso, esses medicamentos são muito importantes após infarto ou nos pacientes com insuficiência cardíaca pois evitam o remodelamento cardíaco. É importante lembrar, contudo, que os mecanismos de ação dessas duas classes de medicamentos são parecidos e que não devem ser administrados juntos.

b. Anlodipino: é um medicamento da classe dos antagonistas do canal de cálcio, cuja principal função é reduzir a pressão arterial sistêmica. Além disso, apresentam efeito dilatador nas artérias coronárias, que são vasos que irrigam o coração. Por causa desse efeito, ajudam nos pacientes que apresentam angina (dor no peito devido à falta de sangue no coração).

c. Diuréticos (hidroclorotiazida e furosemida): são medicamentos que agem em diferentes partes do rim, promovendo a perda de maior quantidade de líquido na urina, efeito chamado “diurético”. Isso permite que, além de diminuir os níveis de pressão arterial sistêmica, seja possível reduzir a retenção de líquidos no corpo, muito comum em quem apresenta insuficiência cardíaca

d.Estatinas (sinvastatina, rosuvastatina ou atorvastatina): são medicamentos utilizados para a redução do colesterol ruim nos pacientes com níveis alterados de colesterol, também chamada de “dislipidemia”. Esses medicamentos apresentam função importante na prevenção de isquemia do coração, visto que agem tanto reduzindo a formação quanto estabilizando a parede de placas nas coronárias e em outras artérias do corpo. Também estão indicados para prevenção primária em pacientes com alto risco cardiovascular, conforme a avaliação do médico. Por isso, se você não tiver problema de colesterol e, ainda assim, o seu médico iniciou estatina, não se assuste. É possível que você esteja utilizando para proteger o seu coração.

e. Fibratos: são medicamentos utilizados em pacientes com aumento de triglicerídeos no sangue. O uso dessas medicações, quando necessárias, também apresenta um papel importante na redução de isquemia do miocárdio, reduzindo a formação de placas nas artérias coronárias.

E você… usa algum medicamento diferente? Tem curiosidade sobre como funciona e para que serve? Mande suas sugestões de conteúdo para a Lidia (e-mail (lidia.pucrs@gmail.com ou lidiadmufrgs@gmail.com ou pelo nosso instagram @lidia.diabetes)! E não esqueça: se tiver dúvidas sobre a indicação ou os efeitos colaterais de qualquer medicamento em uso, converse com meu médico antes de fazer qualquer mudanças no seu uso.

Giovana Berger de Oliveira

Janine Alessi

Débora Wilke Franco

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

WHALEN, K.; FINKEL, R.; PANAVELIL, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

GOODMAN & GILMAN: AS BASES FARMACOLÓGICAS DA TERAPÊUTICA. 11a Edição. Porto Alegre (RS): Mc Graw Hill/Artmed, 2010.




O DM e suas complicações: Retinopatia

14 julho, 2020    tags:

Um controle glicêmico adequado é importante para prevenir diversas complicações do diabetes, entre elas a perda da acuidade visual. A retinopatia diabética é uma complicação microvascular do diabetes, sendo uma das causas mais preocupantes de cegueira no mundo e acometendo indivíduos de todas as idades. A sua progressão está intimamente relacionada ao mal controle glicêmico. Ela acontece em decorrência de lesões nos pequenos vasos sanguíneos da retina, causadas pelo aumento de glicose no sangue. Seus principais sintomas são: perda visual, pontos ou manchas flutuantes na visão, visão embaçada, mudança de visão borrada para clara ou até mesmo perda da visão central ou periférica. Mesmo no início dos sintomas você já pode ter uma doença avançada, e por isso é tão importante visitar regularmente um oftalmologista. Além do diabetes, a hipertensão e a predisposição genética são outros fatores de risco para desenvolver a retinopatia. Então, agora que você sabe o que é a retinopatia, vamos entender como ela ocorre?

A retina – tecido interno do olho – é a peça responsável por formar toda imagem captada e conduzi-la ao nosso sistema nervoso. Os inúmeros vasos dela se distribuem ao redor da mácula, uma pequena região circular que é responsável por garantir nitidez nas imagens que vemos. A elevação da glicemia, mesmo em estágios iniciais do diabetes, é capaz de destruir as células desses vasos e tornar a membrana deles mais espessa. Conforme essas estruturas vão se deformando, o fluxo sanguíneo tende a reduzir e isso leva a uma maior morte celular. Há então, uma estimulação para a retina formar novos vasos sanguíneos, desta vez, porém, mais frágeis. Na retinopatia diabética estas deformações são chamadas de microaneurismas que – junto com o fluxo sanguíneo comprometido – levam a hemorragias e vazamento de um líquido com gorduras (exsudato) no olho. Uma vez que esse extravasamento alcança a mácula, ocorre o edema macular, que é um inchaço capaz de gerar perda visual. Além disso, em estágios avançados, a doença pode causar o descolamento da retina e a cegueira total.

Um tratamento adequado do diabetes e da pressão arterial são essenciais para evitar a retinopatia, ou para reduzir a velocidade da progressão dela, caso essa complicação já esteja presente. Consultar anualmente com um oftalmologista para realizar o exame de fundo de olho é essencial para prevenir, reverter ou retardar o processo da doença, seja com medicações ou com cirurgias a laser. Mas lembre-se que a eficácia do tratamento envolve um bom cuidado do seu diabetes e um acompanhamento regular com um endocrinologista.

Se você tiver diabetes, hipertensão, ou apresentar alguns dos sintomas abaixo, deve agendar uma consulta com um oftalmologista:

  • -Visão embaçada
  • -Visão duplicada
  • -Dificuldade de leitura
  • -Dor ou pressão em um ou nos dois olhos
  • -Manchas brancas ou círculos
  • -Mancha flutuante em seu campo de visão
  • -Diminuição da visão periférica

Então lembre-se, para evitar o aparecimento de complicações do diabetes, como a retinopatia, procure sempre seguir o tratamento indicado pelos seus médicos e mantenha um bom controle glicêmico, além de um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e exercícios físicos. Muito disso depende de você!

 

Gabriel Luiz Köbe

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

Eye Complications. American Diabetes Association. Disponível em: https://www.diabetes.org/diabetes/complications/eye-complications. Acesso em: 8 jul. 2020.

Doenças oculares podem ser evitadas e tratadas. Hospital Sírio-libanês. Disponível em: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/sua-saude/Paginas/comuns-diabeticos-doencas-oculares-podem-ser-evitadas-tratadas.aspx. Acesso em: 9 jul. 2020.

Diabetic Retinopathy: Prevention and treatment. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-prevention-and-treatment?search=diabetic%20retinopathy&topicRef=1783&source=see_link#H13808748. Acesso em: 9 jul. 2020.

Diabetic Retinopathy: Screening. UpToDate. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/diabetic-retinopathy-screening?search=diabetic%20retinopathy&topicRef=1783&source=see_link#H8. Acesso em: 9 jul. 2020.

Retinopatia Diabética. Becton, Dickinson. Disponível em: https://www.bd.com/pt-br/our-products/diabetes-care/diabetes-learning-center/diabetes/complications/eye-care. Acesso em: 9 jul. 2020.

Sinais e Sintomas da Retinopatia Diabética. De Olho no Diabetes. Disponível em: https://deolhonodiabetes.com.br/sinais-e-sintomas-da-retinopatia-diabetica/. Acesso em: 9 jul. 2020.




O DM e suas complicações: Neuropatia

6 julho, 2020    tags:

O controle inadequado do diabetes pode levar ao desenvolvimento de complicações a curto e longo prazo em diferentes órgãos do corpo. As altas taxas de açúcar no sangue relacionadas ao controle inadequado podem, com o passar do tempo, danificar vasos sanguíneos, lesar terminações nervosas e provocar aumento da filtração renal. Essas alterações poderão levar a alterações em órgãos específicos, muitas vezes irreversíveis. Por esse motivo, é importante sempre manter o cuidado necessário, seguindo tanto o tratamento quanto as mudanças de hábitos de vida.

Hoje falaremos um pouco a respeito da neuropatia diabética, que é uma lesão crônica dos nervos do corpo relacionada ao controle glicêmico inadequado. Os nervos são responsáveis por estabelecerem conexões dos diversos órgãos para o Sistema Nervoso Central, que é onde todos os mecanismos do corpo são processados. Infelizmente até 50% dos pacientes com diabetes de longa data e sem controle glicêmico adequado podem desenvolver neuropatia diabética. Isso mostra como é importante conhecermos essa complicação e ficarmos atentos ao surgimento de suas manifestações. Os sinais mais comuns podem iniciar com perda de sensibilidade, dor, fraqueza e sensação de formigamento nas mãos, braços, pés e pernas.

Outra coisa muito comum é o surgimento de feridas nos pés dos pacientes com diabetes. Quem nunca ouviu falar sobre o “Pé Diabético”? Essa é uma das principais complicações em quem apresenta neuropatia diabética. O paciente com neuropatia apresenta perda de sensibilidade nos pés, podendo perder o calçado e caminhar sobre superfícies lesivas sem nem perceber. Isso favorece o surgimento de lesões nos pés, que podem passar despercebidas e complicar com infecções, levando, inclusive, à amputação se não for devidamente cuidado. Por isso, devemos sempre nos manter alertas em relação a feridas ou pequenas alterações de sensibilidade nos pés.

Em vista disso, diversos cuidados com os pés devem ser realizados em quem tem diabetes. Atitudes como a limpeza diária e secagem adequada, especialmente entre os dedos, além da utilização de hidratantes para evitar o ressecamento da pele são essenciais para a prevenção de lesões e complicações relacionadas ao pé diabético. Lembre-se de deixar o hidratante ser absorvido pela pele e só colocar meias e sapatos após estar sequinho novamente, para evitar crescimento de fungos. O uso de sapatos adequados, confortáveis e firmes, evitando andar descalço, é essencial para uma boa manutenção da vitalidade dos pés. Portanto, é importante perguntar ao seu médico sobre sapatos terapêuticos especiais, ao invés de usar calçados comuns que possam prejudicar ainda mais a sensibilidade e má circulação das extremidades.

A prática do autocuidado no diabetes é aspecto fundamental para a prevenção de neuropatia periférica e do pé diabético. Manter o tratamento a risca, controlando os níveis de glicemia, além de uma alimentação e hábitos de vida saudáveis, são medidas essenciais para a diminuição da progressão da doença e das complicações a curto e longo prazo.

Bibiana Brino do Amaral

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org.br/publico/complicacoes/complicacoes-do-diabetes

https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/nucleo-avancado-dor-disturbios-movimentos/Paginas/neuropatia-diabetica.aspx

https://www.bd.com/pt-br/our-products/diabetes-care/diabetes-learning-center/diabetes-education/complications




Higiene dos alimento em tempos de pandemia e aproveitamento dos alimentos não perecíveis

28 junho, 2020    tags:

O vírus que causa a Covid-19 pode ser transmitido de várias maneiras:

  • – por meio de gotículas e aerossois (que expelimos naturalmente ao respirar, falar, espirrar ou tossir) – por isso a importância do uso adequado de máscaras e da ventilação dos ambientes.
  • – por meio de contato (pelo contato direto da pele, em geral das mãos, com pessoas ou objetos contaminados e depois levados às “portas de entrada do corpo”, como nariz, boca, olhos) – por isso a importância da higiene rigorosa e frequente das mãos e dos objetos, como compras de supermercado.

É por isso que nesta semana ensinaremos à você a maneira ideal de higienizar suas compras de supermercado e como armazenar e selecionar frutas, verduras e legumes, fazendo com que durem mais, e assim reduzir as suas idas ao mercado, para evitar maior exposição ao vírus.

Primeiro é importante que você saiba que não existem evidências de contaminação pelo novo Coronavírus por meio de alimentos, e que o cozimento dos alimentos (em torno de 70ºC) parece ser efetivo caso o vírus esteja presente no alimento.

Ao chegar do mercado  é necessário higienizar todos os produtos (caixas, embalagens, latas, frutas, verduras). Para isso você pode:

  • – lavar com água e sabão (principalmente naquelas embalagens que não danificam)
  • – borrifar ou passar um pano com álcool 70% (outras apresentações de álcool não são adequadas para isso, pois são fracas para matar o vírus)
  • – borifar ou passar um pano com solução clorada (como água sanitária – 1 medida de cloro para 3 de água)
  • – abrir as embalagens e despejar seu conteúdo em potes para guardá-los (cuide para não contaminar o alimento e as outras superfícies durante esse processo)
  • – deixar os produtos em “quarentena” (observando o tempo ideal para cada tipo de embalagem)
    • – plástico: 3 dias/72 horas (por isso é importante tomar cuidado com as sacolas de supermercado, deixe elas isoladas por esses 3 dias inteiros até reutilizá-las)
    • – aço inoxidável:  3 dias/72 horas
    • – papel e papelão: 1 dia/ 24 horas

Para higienizar as frutas, verduras e legumes o ideal é deixá-las de molho por até 15 minutos com água com cloro (1 colher de cloro/água sanitária para 1 litro de água) e depois enxaguá-las. Se você não tiver água sanitária, lave com água corrente e com sabão.

Guarde os alimentos perecíveis mais a vista e os demais conforme a data de validade, para que você possa consumi-los antes de estragarem. Se você quiser congelar legumes e hortaliças, para durarem mais tempo e para você ir menos vezes ao mercado, opte pela técnica de branqueamento antes de colocá-los no freezer, pois ela ajuda a manter os nutrientes desses alimentos:

  • – Higienização (conforme descrito anteriormente)
  • – Mergulhe os alimentos em água fervente por 1 minuto (alimentos de casca mais fina, como pimentão, ervilha, berinjela, espinafre, rúcula, agrião, couve e outras folhas) ou 2-3 minutos (alimentos de casca mais grossa, como batatas, abóbora, beterraba, nabo, cenoura, brócolis, couve-flor, entre outros)
  • – Imediatamente após, mergulhe os alimentos em uma bacia com água fria e alguns cubos de gelo e deixe-os por 1 minuto.
  • – Agora é só armazená-los em potes (preferencialmente de vidro) ou em sacos plásticos de cozinha. Escorra bem os alimentos para armazená-los secos.

Lembre-se que uma alimentação saudável é essencial para a saúde e imunidade do seu organismo, portanto mesmo que frutas, verduras e legumes sejam alimentos perecíveis e necessitem de maior cuidado de armazenamento, não deixe de consumi-los durante o isolamento social. Aqui vão algumas dicas para você ter esses alimentos sempre em casa, mesmo indo ao mercado 1 vez por mês:

  • – Aproveite o alimento por inteiro, não despreze os cascas, talos, sementes e folhas, você pode usá-los na preparação de chás, sopas e sucos.
  • – Compre frutas em diferente estados de amadurecimento, para que assim você tenha frutas durante quase todo o mês.
  • – Compre alimentos frescos com maior durabilidade, abóbora, repolho, couve, maçã, laranja, limão, goiaba, melão, abacaxi, abacate, cenoura, pimentão, alho, cebola, entre outros.

Ah, e não se esqueça de trocar de roupas e sapatos sempre ao chegar em casa, para evitar possível contato com o vírus.

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Ebook SBD Autocuidado e Diabetes em tempos de COVID-19. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/data/e-book/Autocuidado_e_Diabetes_em_tempos_de_COVID_19_Ebook_SBD.pdf

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/image/tempo-de-duracao-do-virus-em-superficies_0.jpg

http://www.ufrgs.br/afeira/operacoes-unitarias/preliminares/branqueamento

 

 

 




Exames de rotina na avaliação médica do paciente com diabetes

19 junho, 2020    tags:

Todo paciente com diabetes consulta seu médico rotineiramente, que faz avaliações do seu estado de saúde, de seus exames, das dosagens das medicações, do avanço das complicações, entre outros. Porém, é comum que muitos pacientes com diabetes não saibam o que esses exames tão rotineiros significam, nem o porquê de eles serem feito. É por isso que a publicação dessa semana é sobre cada um dos exames e das avaliações de rotina aos quais um paciente com diabetes é submetido, pois o conhecimento em diabetes é fundamental para uma adesão eficaz ao tratamento.

EXAMES LABORATORIAIS:

Albuminúria: O teste da microalbuminúria serve para detectar estágios iniciais de nefropatia diabética (problema nos rins causado pelo diabetes). Uma vez que quando os rins estão danificados permitem a passagem de estruturas que não deveriam ser eliminadas na urina, que é o caso da albumina, (uma proteína). Portanto, se a albumina aparece na nossa urina (microalbuminúria) significa que a função dos rins está comprometida.

Creatinina sérica: Esse exame é um bom medidor do funcionamento dos rins. Ela é um produto do metabolismo dos nossos músculos. Em condições normais, nossos rins filtram a creatinina e excretam ela na urina, não permitindo que ela se acumule no organismo. Se os nossos rins não estão funcionando adequadamente, a creatinina se acumula em nosso sangue, e o exame de sangue detecta isso.

Glicose sérica: Este é o exame que mede a quantidade de glicose no nosso sangue. Esse teste é muito similar ao que é feito em casa, pelo glicosímetro, porém é mais confiável. Este exame serve para avaliar os níveis de glicose no momento do exame, e é usado no diagnóstico do diabetes. Também pode servir para confirmar a acurácia do glicosímetro, fazendo uma comparação entre o resultado dos dois testes.

HbA1c: A hemoglobina glicada é um teste que permite avaliar como esteve a glicemia do paciente nos últimos 3 a 4 meses, e ajuda a perceber falhas no tratamento.  A hemoglobina é uma substância presente nas nossas hemácias, que são as células vermelhas do sangue que carregam o oxigênio para os nossos tecidos. Além de ligar-se ao oxigênio, ela também pode ligar-se à glicose, formando a hemoglobina glicada (Hba1c). Dessa forma, se houver muito açúcar no sangue, ou seja, se o diabetes não estiver adequadamente controlado, mais moléculas de glicose se grudarão na hemoglobina, o que poderá ser visto no resultado do exame.

Colesterol total: O colesterol é um tipo de gordura presente no nosso sangue, essencial para a formação de hormônios, porém quando em quantidades muito altas ele se torna extremamente prejudicial. Ele age obstruindo nossos vasos sanguíneos e consequentemente causando problemas cardíacos (como infartos) e acidentes vasculares (derrames) e outros problemas de circulação. Há dois subtipos mais importantes de colesterol que podem ser medidos por exames sanguíneos:

  • – LDL:  o que costumamos chamar de “colesterol ruim”, porque ele tende a se acumular nos nossos vasos sanguíneos, entupindo-os e reduzindo o fluxo de sangue para os órgãos.
  • – HDL:  o que chamamos de “colesterol bom”, porque ele ajuda a tirar o excesso de LDL da corrente sanguínea.

Triglicerídeos totais: Assim como o colesterol, os triglicerídeos são lipídios (gordura) presentes em nosso sangue, e quando estão em quantidades elevadas estão relacionadas à obstrução dos vasos e consequentemente a problemas sérios de saúde. Eles também são uma fonte de energia alternativa usada pelo nosso corpo, porém quando ingerimos mais calorias do que o nosso corpo necessita, elas se transformam em triglicerídios e se depositam no tecido adiposo, levando ao ganho de peso, o que leva a sobrepeso e obesidade.

Abaixo colocamos uma tabela com os valores de referência desses exames:

Exame Valor ideal Periodicidade
HbA1c <7% (ADA)

Até 8-8,5% em pacientes idosos e com doenças graves (ADA)

Se estiver no alvo: a cada 6 meses

Se estiver fora do alvo: a cada 3 meses

Glicose sérica Jejum: 80 a 130 (ADA)

Pós-refeições: <180 (ADA)

Anualmente
Colesterol total < 200mg/dL Anualmente
LDL < 100mg/dL Anualmente
HDL > 45mg/dL Anualmente
Triglicerídeos totais < 150mg/dL Anualmente
Creatinina Homens: 0,7 a 1,3mg/dL

Mulheres: 0,6 a 1,1mg/dL

Anualmente
Albuminúria  

3,5 a 5,5g/dL

A cada 6 meses após o paciente testar positivo para microalbuminúria

 

AVALIAÇÕES NA CONSULTA MÉDICA:

IMC: O IMC é o Índice de Massa Corporal, avaliado pelo seu médico através de um cálculo matemático feito com os valores do seu peso e da sua altura, serve para avaliar se o seu peso está adequado ou não (subnutrido, sobrepeso ou obesidade). Essa avaliação é muito importante para o paciente com diabetes, visto que o sobrepeso e a obesidade geram diversos problemas de saúde e complicações do diabetes, além de comprometer a imunidade, pois a obesidade gera um estado de inflamação crônica do organismo.

Sua fórmula é: Peso (em kg) / altura x altura (em centímetros).

Muito abaixo do peso 16 a 16,9 kg/m2
Abaixo do peso 17 a 18,4 kg/m2
Peso normal 18,5 a 24,9 kg/m2
Acima do peso 25 a 29,9 kg/m2
Obesidade grau I 30 a 34,9 kg/m2
Obesidade grau II 35 a 40 kg/m2
Obesidade grau III Maior que 40 kg/m2

PRESSÃO ARTERIAL: O médico sempre afere a pressão arterial, pois a hipertensão (pressão alta) está muito presente em pacientes com diabetes, e é um fator de risco importante para diversas outras doenças e complicações (como infarto, derrame, glaucoma, etc). O ideal é que ela esteja até 120/80 mmHg, porém, tratando-se de um paciente previamente hipertenso o alvo do tratamento tem como meta inicial valores <140/80 mmHg, e no paciente com boa tolerância <130/80 mmHg (diretriz da ESC).

TESTE DO MONOFILAMENTO: O teste do monofilamento serve para avaliar o nível de sensibilidade do paciente e assim identificar se o paciente tem algum grau de comprometimento dos nervos (neuropatia) e a gravidade desse comprometimento. Ele é feito com um objeto chamado monofilamento, que é um objeto de plástico pontudo, fino e maleável. O médico encosta esse objeto na sola do pé do paciente e pergunta ao paciente se ele sente o toque ou não. Quando o paciente não sente algum ponto significa que já há uma perda de sensibilidade nessa região do corpo, demonstrando o início de uma neuropatia diabética.

Giovana Berger de Oliveira

Gabriel Luiz Köbe

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

XAVIER, Ricardo; Laboratórios na Prática Clínica: Consulta Rápida. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2010. p. 200-205.

https://www.diabetesselfmanagement.com/diabetes-resources/definitions/creatinine/

https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/creatinine-test/about/pac-20384646

https://www.webmd.com/diabetes/qa/what-is-a-glycated-hemoglobin-test-hba1c

https://www.webmd.com/diabetes/guide/glycated-hemoglobin-test-hba1c

https://www.diabetes.co.uk/Diabetes-and-cholesterol.html

https://www.healthline.com/health/triglyceride-level#purpose

 




Corpo e mente saudáveis durante a quarentena

11 junho, 2020    tags:

Apesar de necessário nesse momento de pandemia, seguir a recomendação de distanciamento social não é tarefa fácil. Sabemos que sentimentos de ansiedade, angústia, medo e tristeza surgem facilmente e que manter uma rotina saudável se torna um desafio quando não estamos nos sentindo bem ou motivados, principalmente quando estávamos tão acostumados a manter rotinas que se tornaram inviáveis atualmente. Foi pensando nisso que a LIDIA preparou para você algumas dicas que podem lhe ajudar nesse momento:

 

Explore a sua criatividade:

Tente encarar esse momento como uma grande oportunidade para fazer tudo aquilo que um dia você pensou que gostaria de tentar, ou, se não pensou, experimente agora, e libere a sua criatividade! Você pode:

  • – Desenhar
  • – Pintar (papel, quadros, paredes, móveis)
  • – Bordar
  • – Tricotar
  • – Costurar
  • – Fazer colagens com figuras ou fotos
  • – Criar um painel de fotos suas e de sua família
  • – Construir ou reformar os móveis da sua casa, dar aquela repaginada mudando a cor, fazendo pátina ou apenas mudando ele de lugar dentro de casa
  • – Escrever histórias, contos, poemas

Deixe sua imaginação fluir, e não se desanime se não sair como você esperava, a prática é que faz a perfeição. Se você sentir que precisa de inspiração, ou precisa aprender a fazer algo que nunca fez, busque vídeos na internet, garanto que você encontrará muitas ideias e aulas fáceis para aprender.

 

Busque sua espiritualidade:

É muito importante que em momentos desafiadores como esse você se conecte consigo mesmo. Isso significa lhe presentear com um momento só seu, no qual você faz algo que lhe proporciona sensação de bem-estar. Para isso basta você fazer algo que faça você se sentir acolhido e tranquilo. Você pode:

  • – Rezar e colocar em prática as tradições da sua religião
  • – Fazer yoga (Se você nunca praticou, existem diversas aulas onlines e gratuitas na internet, experimente.)
  • – Escrever (Você pode escrever uma espécie de diário, e a cada dia escrever sobre algo que lembrou, que aconteceu no seu dia, que você sonhou… Você também pode praticar o exercício de gratidão, e escrever algo pelo qual você é grato em sua vida.)
  • – Meditar (Existem vários métodos, e acredite, é mais simples do que parece. Você pode escolher o que mais lhe agradar ou até criar um que combine mais com você. Uma maneira de meditar é simplesmente observar a natureza – e você pode adaptar isso para um vídeo com imagens bonitas e uma música tranquila ao fundo. Outro jeito é ouvir uma música instrumental e focar a atenção na sua melodia. Você também pode sentar-se ou deitar-se e prestar atenção na sua respiração. E enquanto você medita não se preocupe em não pensar em nada, deixe os pensamentos virem naturalmente, observe-os e deixe que vão embora, não se atenha a eles, esse é um jeito de aprender a lidar com a ansiedade.)
  • – Exercícios de respiração (Essa atividade é muito útil para crises de ansiedade e também ajuda a exercitar os pulmões. Sente-se ou deite-se em uma posição confortável e respire fundo e devagar, preste atenção no som da sua respiração. Faça quantas vezes achar necessário.)

 

Aprimore seus conhecimentos:

Quantas vezes um dia de 24 horas não pareceu pouco para você? Possivelmente agora que você não perde horas no trânsito e sai menos de casa, um dia parece durar muito mais que isso, não? Aproveite e se aprimore naquilo que te interessa, ou busque novos interesses. Experimente:

  • – Estudar (Seja um idioma estrangeiro, ou uma matéria como história, geografia, engenharia…o que você tiver interesse. Você encontra diversos cursos onlines e gratuitos na internet, inclusive em sites de universidades.)
  • – Aprender mais sobre o diabetes (Está comprovado que quanto mais você compreender sobre o diabetes melhor será o controle da sua glicemia.)
  • – Ler livros (Sejam eles de literatura ou didáticos)
  • -Tocar instrumentos (Você também encontra diversos vídeo aulas gratuitos na internet.)
  • -Cozinhar (Você pode aprender a cozinhar ou, se já sabe, experimentar criar receitas ou fazer novos pratos que você viu na TV ou internet. E pode aproveitar e escrever o seu livro de receitas.)

 

Tenha momentos de entretenimento e libere sua energia:

Aproveite para se mexer, se divertir, rir, chorar, correr…faça isso sozinho ou com os que moram com você. Você pode:

  • – Assistir séries e filmes
  • – Ler um livro em voz alta para outra pessoa, e quem sabe até encenar a história
  • – Dançar
  • – Ouvir suas músicas preferidas
  • – Cantar
  • – Fazer exercícios

 

Seja solidário:

Fazer boas ações proporcionam sensações agradáveis e de bem-estar, aproveite o momento para repensar os seus valores e lembre daqueles que não são tão afortunados quanto você e no que você pode fazer para ajudá-los. Você pode doar qualquer coisa que não faz mais uso, como roupas, calçados, móveis, eletrodomésticos, louças. Também pode participar de campanhas solidárias e doar alimentos e produtos de higiene e de limpeza.

 

Crie uma rotina e cuide do seu diabetes:

Ter uma rotina que funcione para você é muito importante para manter a qualidade do seu sono, e de suas atividades, além do que, um dia organizado permite que você usufrua melhor do seu tempo.

Aproveite também a rotina e esse momento que estamos vivendo mais dentro de casa para seguir as orientações do seu médico, aprender mais sobre o diabetes e fazer um tratamento exemplar:

  • – Tome suas medicações na hora certa
  • – Faça com calma e cuidado para tomar a dose certa
  • – Prepare suas refeições com calma e tente torná-las mais saudáveis
  • – Mantenha o horário das suas refeições
  • – Realize o controle da sua glicemia capilar antes das refeições e às 22h
  • – Anote os resultados para mostrar ao seu médico
  • – Pratique exercício físico (Organize um espaço dentro de casa para você praticar. Ter um lugar disponível para isso vai ajudar você a manter a prática.)
  • – Tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias para não mudar o horário das suas medicações e refeições, nem prejudicar a qualidade do seu sono.

Essas são algumas das dicas que preparamos para você aliviar o estresse causado pela pandemia e pelo isolamento social. Se você desejar ou sentir necessidade de ser mais organizado tenha uma agenda, anote seus planos e defina horários para realizar as atividades planejadas, crie metas e planos para os seus dias, semanas e meses.

Use o tempo livre a favor do seu diabetes e do seu bem-estar, e deixe a criatividade aflorar!

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIA:

https://nacoesunidas.org/como-lidar-com-o-estresse-causado-pela-pandemia-do-coronavirus/




Estresse e enfrentamento durante a pandemia

4 junho, 2020    tags:

No contexto atual de pandemia de COVID-19 e isolamento social, a cada dia que passa têm se tornado mais comum vivenciar sentimentos e emoções negativas, como medo, tristeza, raiva e solidão, além de ansiedade e estresse. Há um conjunto de fatores que se somam e potencializam essas sensações, resultando em um significativo desconforto emocional. O excesso de notícias sobre a pandemia, a mudança de rotina, o distanciamento físico, e as consequências econômicas, sociais e políticas relativas a esse novo cenário são alguns exemplos.

Suportar esses novos obstáculos pode ser um desafio para muitos. Podemos sentir que estamos sobrecarregados, principalmente quando pensamos ou sentimos que:

  •  – não conseguimos fazer as coisas do nosso jeito;
  •  – não temos capacidade para lidar com os desafios;
  •  – não contamos com o apoio necessário de pessoas que são, para nós, importantes.

Todos somos seres individuais e por isso cada um reage da sua forma a situações estressantes. Em tempos de crise, grupos de pessoas que apresentam maior risco de COVID-19, como idosos e portadores de doenças crônicas – ressalta-se, aqui, o diabetes – podem responder mais intensamente a este esgotamento e, assim, necessitar auxílio externo.

Para reagir, o primeiro passo é reconhecer os sintomas de estresse e ansiedade. Segue uma lista dos mais comuns:

Sinais físicos:

  • – Falta de ar (na ausência de um resfriado ou outro problema respiratório)
  • – Dor de cabeça
  • – Dores musculares
  • – Aumento dos batimentos cardíacos
  • – Alterações drásticas do apetite e do sono (falta ou excesso)
  • – Má digestão
  • – Sensação de “queimação” ou “peso” no estômago
  • – Prisão de ventre
  • – Cansaço e falta de “energia”
  • – Tensão muscular
  • – Dores em geral sem causa aparente
  • – Tremores
  • – Piora no quadro geral de quem já tem uma doença

Sinais emocionais:

  • – Emoções excessivas e persistentes de tristeza, raiva, culpa, medo ou preocupação
  • – Humor deprimido
  • – Desânimo
  • – Irritação ou sentir que está com “os nervos à flor da pele”
  • – Indiferença afetiva (uma sensação de “tanto faz”, de estar “frio” afetivamente)

Sinais comportamentais:

  • – Discussões e perda de paciência com as pessoas
  • – Evitar expressar e compartilhar sentimentos
  • – Aumento ou abuso de substâncias (remédios, álcool, cigarro e drogas)
  • – Violência
  • – Agitação

Sinais cognitivos:

  • – Dificuldade de lembrar informações e ter “brancos” de memória
  • – Dificuldade de concentração nas tarefas
  • – Dificuldade de tomar decisões
  • – Confusão
  • – Pensamentos repetitivos e intrusivos (que “invadem a mente”) sobre temas desagradáveis

Pessoas com problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, bipolaridade, entre outros) pré-existentes devem continuar seu tratamento e estar cientes de sintomas novos ou agravantes, e devem buscar atendimento especializado se isso ocorrer.

É necessário seguir as medidas de precaução adequadas, de tal modo que se torna indispensável estar constantemente informado a respeito do avanço da situação e de novas orientações, porém é importante buscar essas informações em fontes confiáveis para evitar coberturas sensacionalistas que agravem os sintomas de estresse. Restrinja-se às fontes credenciadas, como as designações da Organização Mundial da Saúde (OMS – https://www.paho.org/bra/ covid19/), do Ministério da Saúde (https://coronavirus.saude.gov.br/) e de autoridades de saúde locais.

Precisa de ajuda ou conhece alguém que precisa?

  • – Disque Saúde – 136
  • – Centro de Valorização da Vida – 188
  • – Central de Atendimento à Mulher – 180
  • – Psicólogos que atendem online: https://bem.care/covidzero/

Está se sentindo sobrecarregado? Fique ligado que em breve postaremos dicas de atividades para aliviar o estresse e ocupar o tempo nesse período.

Alice Scalzilli Becker

Bibiana Amaral

Carolina Padilla Knijnik

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

Weide, J. N., Vicentini, E. C. C., Araujo, M. F., Machado,W. L., & Enumo, S. R. F. (2020). Cartilha para enfrentamento do estresse em tempos de pandemia. Porto Alegre: PUCRS/ Campinas: PUC-Campinas. Trabalho gráfico : Gustavo Farinaro Costa.

https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/Cartilha-Psicovida.pdf

https://www.diabetes.org.br/covid-19/estresse-e-enfrentamento/

http://www2.ebserh.gov.br/documents/16756/5119444/A+cartilha+sau%CC%81de+mental+covid-19+ok.pdf/b277aed9-f881-45cd-b289-4457f33a0d85

https://www.sbponline.org.br/arquivos/Consenso_COVID_19_portugu%C3%AAs_Agudelo_et_al_2020.pdf

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6130:covid-19-materiais-de-comunicacao&Itemid=0#mental




Cuidados com o diabetes em tempos de pandemia

28 maio, 2020    tags:

A pandemia do novo Coronavírus trouxe inúmeras mudanças na rotina de todos. Desde o início do isolamento social, práticas que antes eram incomuns passaram a ser rotineiras, como maior cuidado com a higiene, trabalho e aulas à distância, atividades de lazer longe da família e dos amigos, entre outras. Além disso, temos vivido um cenário de incertezas em relação à saúde, principalmente daquelas pessoas com doenças crônicas, como o diabetes. Por isso, é essencial que, durante a pandemia, aqueles que se encontram no grupo de risco se informem sobre os cuidados necessários para preservar a sua saúde física e mental.

Na publicação dessa semana reforçaremos e incentivaremos o desenvolvimento e a prática de sete comportamentos para o autocuidado, adaptados do livro “AADE7 TM Self-Care behaviors”, junto com algumas sugestões. Boa leitura!

1.  Alimentação Saudável

Para ter uma alimentação saudável prefira alimentos “In natura”, como os grãos (arroz, milho, feijão…), tubérculos (batata, beterraba, cenoura…), frutas, verduras, legumes, carnes em geral, leite e ovos. Para cozinhar e temperar utilize óleos, sal e açúcar em pequenas quantidades. Evite o consumo de alimentos processados (bolachas e biscoitos, salgadinhos, refrigerantes, sucos artificiais, massa instantânea) pois eles são acrescidos de grandes quantidades de açúcar, sal e gordura.

Coma regularmente, escolha um local tranquilo e seguro, e se possível, faça suas refeições com companhia, pois isso proporciona melhorias na sua qualidade de vida. Seja crítico quanto às informações sobre alimentos nas redes sociais, pois muitos dados sem base científica têm sido publicados! Busque evidência nas fontes das notícias e reportagens.

Para saber mais sobre esse assunto, confira a nossa postagem “Alimentação em tempos de coronavírus” logo abaixo!

2. Exercícios Físicos

Lembre-se de sempre conferir a glicemia capilar antes de iniciar qualquer exercício físico. Se possível, torne esse acompanhamento mais rigoroso durante o dia da prática, principalmente no caso de ter realizado um exercício extenuante ou incomum para você. É muito importante que você tenha por perto uma garrafa de água para se hidratar, e um carboidrato de ação rápida (como 3 sachês de mel, 3 balas ou 150mL de suco de laranja) para o caso de ter uma hipoglicemia!

Caso você saia para caminhar na rua, evite locais com muitas pessoas, como as praças. Respeite os 2 metros de distância, use máscara e procure não tocar em nada. Ao voltar para casa tire os sapatos antes de entrar, higienize-se e troque de roupa. Não esqueça de limpar os pertences que você carregou ao sair, como celular, relógio, óculos.

Para mais informações confira as nossas postagens “Prática de exercícios físicos durante a pandemia por Covid-19” e “Como se proteger do novo coronavírus?”, logo abaixo!

3. Glicemia capilar

Vigiar os valores glicêmicos deve ser uma prática rotineira, uma vez que o diabetes mal controlado pode prejudicar o nosso sistema de defesa, e não queremos isso principalmente em tempos de pandemia. Para manter os valores glicêmicos dentro do alvo por mais tempo é recomendado aumentar a frequência dos testes. Pessoas com diabetes tipo 2 (que utilizam medicação oral e/ou insulina) devem realizar os testes de glicemia capilar antes de todas refeições e pelo menos duas vezes por dia 2 horas após comer. Pessoas com diabetes tipo 1 ou com diabetes gestacional devem realizar o teste antes e 2 horas depois de todas as refeições do dia.

4. Medicações

Durante o período de isolamento social siga usando suas medicações para o diabetes normalmente, como indicadas pelo seu médico. Essa orientação se aplica para todos os remédios que você usa diariamente, seja para problemas cardíacos, renais, metabólicos, entre outros. Lembre-se que nenhum remédio utilizado para o diabetes aumenta o risco de infecção por coronavírus.

Em caso de mal-estar, devido a algum medicamento, procure sempre um profissional da saúde e informe-se sobre efeitos colaterais. Além disso, tenha sempre anotado quais remédios você está usando, incluindo suplementos, produtos naturais e vitaminas.

5. Adaptação saudável

Adaptar-se à situação atual pode ser um desafio. Sentimentos como ansiedade, medo, raiva ou tristeza surgem com facilidade e podem impactar no controle do diabetes. O estresse, por exemplo, é um dos responsáveis por alterar a glicemia, mesmo que a pessoa esteja tomando suas medicações regularmente. Encontrar maneiras para lidar com nossas emoções e buscar o equilíbrio é um grande desafio, assim como manter um bom autocuidado. Por mais que estejamos isolados fisicamente, é fundamental termos alguém que se importe conosco para conversar. Sugerimos que você mantenha contato com parentes e amigos por ligações ou troca de mensagens. Manter os laços afetivos contribui para o nosso estado emocional e traz, inclusive, benefícios no controle do diabetes.

Sabemos que lidar com o diabetes nem sempre é uma tarefa fácil, e em momentos de pandemia pode se tornar ainda mais difícil. Portanto esteja alerta a uma eventual desmotivação ou cansaço do tratamento. Este é o momento decisivo de pedir ajuda! Jamais menospreze seus sentimentos. Reconheça qualquer sofrimento, pois esse é o primeiro passo para buscar ajuda! Nesse período de isolamento, há diversos atendimentos onlines com profissionais extremamente qualificados para esta prática. Não hesite em pedir ajuda!

6. Resolução de Problemas

Extremamente importantes, as duas maiores preocupações do diabetes merecem atenção: Hiper e Hipoglicemia.

A Hiperglicemia (níveis altos de glicose no sangue) ocorre quando temos níveis glicêmicos maiores que 100mg/dL em jejum ou maiores que 140mg/dL duas horas após as refeições.

Mudanças na rotina podem contribuir para o aparecimento de episódios hiperglicêmicos. É importante tentar descobrir o que gerou esse episódio para evitar que novos aconteçam. Intensifique a monitorização de sua glicemia capilar. Avalie também os valores junto com uma equipe de saúde para quaisquer ajustes na terapia.

Causas comuns de uma indesejada hiperglicemia:

– Errar na contagem dos carboidratos

  • – Esquecer-se de aplicar a insulina de correção da refeição
  • – Esquecer-se da medicação oral
  • – Ter um padrão alimentar inadequado
  • – Estar no período pré-menstrual
  • – Não praticar exercícios físicos
  • – Estar estressado
  • – Lipodistrofia (insulina injetada muitas vezes no mesmo local, ou agulha reutilizada nas mesmas aplicações podem prejudicar)
  • – Medicações vencidas
  • – Conservação dos medicamentos em local inadequado
  • – Tratamento inadequado da hipoglicemia
  • – Erro no uso da bomba de insulina (avaliar se a cânula está dobrada ou deslocada do tecido subcutâneo, cumpra o período de troca do conjunto de infusão/reservatório)

 

A Hipoglicemia (níveis baixos de glicose no sangue) ocorre quando temos níveis glicêmicos iguais ou abaixo de 70mg/dL. É importante ressaltar que este limite pode ser individualizado para cada pessoa.

Causas comuns de Hipoglicemia:

  • – Erro na contagem dos carboidratos
  • – Erro no cálculo ao corrigir uma hiperglicemia
  • – Pular refeições, ou alterar o horário da alimentação
  • – Exercícios físicos que extenuantes ou fora do padrão habitual
  • – Praticar exercícios físicos sem orientação prévia por profissional
  • – Praticar exercícios físicos sem monitorização da glicemia capilar
  • – Aplicar insulina em um local “virgem”
  • – Consumo de bebidas alcoólicas
  • – Aplicação de doses excessivas de medicamentos

Para corrigir a hipoglicemia recomenda-se o consumo de carboidratos simples (como mel, açúcar), pois eles agem rapidamente elevando a glicemia. Não use alimentos que tenham proteínas ou gorduras (como leite, doce de leite, chocolate, biscoitos ou doces) pois eles impedem a absorção rápida da glicose!

Classificamos a hipoglicemia em 3 níveis:

  • – Nível 1 (menor ou igual a 70mg/dl): Procure utilizar 15g de carboidrato simples (150ml suco de laranja; 1 colher de sopa de açúcar dissolvida na água; 1 colher de sopa de mel ou 3 sachês de mel; 3 balas macias sem chocolate; 150ml refrigerante comum).
  • – Nível 2 (menor que 54 mg/dl): Procure utilizar 30g de carboidrato simples (2 colheres de sopa de mel ou 6 sachês de mel ou 2 colheres de sopa de açúcar diluídas em água). Aguarde 15 minutos, para então refazer o teste de glicemia. Se continuar com hipoglicemia, repita esta porção!
  • – Nível 3 (episódio sério em que há comprometimento cognitivo): Neste caso severo, não há possibilidade de deglutir alimentos. É importante que Glucagon intramuscular ou subcutâneo seja administrado, com a dose sendo decidida e orientada em conjunto com a equipe de saúde.

Alguns sensores de glicose intersticiais ligados à bomba de insulina mostram alertas, enquanto outros só mostram o resultado com o valor e a tendência. Nesses dois casos ou no caso de você não fazer uso desses aparelhos, faça um teste de glicemia capilar para confirmar o resultado e tome as atitudes com base no resultado, MESMO que você não perceba os sintomas clássicos da hipoglicemia (palidez, suor frio, tremores, irritabilidade). Lembre-se que os sintomas nem sempre irão aparecer quando sua glicose estiver baixa!

7. Redução de Riscos

Além de seguir os 6 passos anteriores, é muito importante incluir ao seu estilo de vida atitudes positivas, como praticar atividades que lhe trazem bem-estar emocional e físico, participar de um programa de educação em diabetes, entre outras. Estarmos informados sobre a nossa saúde é muito importante! Outra forma de reduzir riscos é estar em dia com seus exames laboratoriais, como hemoglobina glicada, colesterol ou fundo de olho. Avalie também se há algum aspecto emocional afetando sua saúde. Situações como mal gerenciamento do diabetes, ganho ou perda de peso, sintomas depressivos ou níveis elevados de hemoglobina glicada podem sugerir que há algum transtorno alimentar se instalando.

Tente ter uma rotina equilibrada, com hábitos alimentares e de sono adequados. Pratique exercícios físicos e mantenha seu tratamento para o diabetes.

Lembre-se também de manter o isolamento social para evitar o contágio da Covid-19. Caso você perceba sinais ou sintomas da doença evite ao máximo contato físico com qualquer pessoa, principalmente idosos e doentes crônicos, coloque uma máscara e busque atendimento médico. Lembre-se também de realizar a vacina da gripe, que lhe protege de outras doenças graves.

Recomendamos a leitura do E-book “Autocuidado e Diabetes em tempos de Covid-19” da Sociedade Brasileira de Diabetes, disponível aqui: Autocuidado_e_Diabetes_em_tempos_de_COVID_19_Ebook_SBD

Boa semana!

Gabriel Luiz Köbe

Giovana Berger de Oliveira

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Diabetes and Coronavirus (COVID-19): Take Everyday Precautions. Disponível em: https://www.diabetes.org/coronavirus-covid-19/take-everyday-precautions-for-coronavirus. Acesso em: 22 mai. 2020.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Ebook SBD Autocuidado e Diabetes em tempos de COVID-19. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/data/e-book/Autocuidado_e_Diabetes_em_tempos_de_COVID_19_Ebook_SBD.pdf. Acesso em: 20 mai. 2020.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Notas de esclarecimentos da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre o coronavírus (COVID-19). Disponível em: https://www.diabetes.org.br/covid-19/notas-de-esclarecimentos-da-sociedade-brasileira-de-diabetes-sobre-o-coronavirus-covid-19/. Acesso em: 22 mai. 2020.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA. 10 Coisas que Você Precisa Saber Sobre Diabetes. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes/. Acesso em: 22 mai. 2020.

DIABETES EDUCATOR. AADE7 Self-Care Behaviors. Disponível em: https://www.diabeteseducator.org/living-with-diabetes/aade7-self-care-behaviors. Acesso em: 27 mai. 2020.

 




Por que a população com diabetes é grupo de risco para Covid-19?

21 maio, 2020    tags:

Desde o início da pandemia por Covid-19, foi anunciado que o grupo de risco para o novo coronavírus era formado por pessoas com inúmeras doenças crônicas, entre elas, indivíduos com diabetes. Porém, apesar de serem grupo de risco, poucos entendem a razão disso.

Primeiramente, é preciso deixar claro que os indivíduos com diabetes, por pertencerem ao grupo de risco, não tem mais chance de contrair o vírus. Pertencer a esse grupo significa que, se for contaminado, seus sintomas e suas complicações poderão ser mais severos em comparação com os de uma pessoa sem diabetes. Além disso, é importante ressaltar que apesar de o risco não variar entre indivíduos com diabete melito tipo 1 ou tipo 2, pessoas com mais idade e com mais complicações da doença costumam apresentar um quadro mais grave.

O principal fator responsável por incluir todos os indivíduos com diabetes no grupo de risco é o controle glicêmico. A capacidade do nosso sistema imune de combater uma infecção está diretamente relacionada à quantidade de glicose no sangue. Isso se deve ao fato de a glicose em excesso comprometer nossos vasos sanguíneos, impedindo a chegada das células de defesa, ao mesmo tempo que atrai bactérias para esse local. Daí a importância de o indivíduo com diabetes manejar sua glicemia diariamente: quanto mais glicose no sangue, menor a capacidade de defesa do nosso organismo.

Porém, não é só a dificuldade no controle glicêmico que inclui pessoas com diabetes no grupo de risco para Covid-19. Há outros fatores importantes, comumente presentes nessa população, que agravam o quadro de um paciente infectado pelo coronavírus: 

A hipertensão (doença crônica muito presente entre os pacientes com diabetes) pode levar a problemas cardíacos, principalmente se for prolongada. O coração aumenta de tamanho e suas paredes ficam mais espessas devido ao grande esforço para bombear o sangue, resultando em um enchimento menos eficiente e, consequentemente, arritmias ou insuficiência cardíaca. O problema é que a resposta inflamatória do nosso corpo contra a infecção por Covid-19 aumenta a produção de proteínas que podem estimular a formação de coágulos, resultando na obstrução de vasos importantes e comprometendo órgãos vitais, como o coração. Ou seja, o paciente que sofre de uma condição cardíaca pré-existente e que for infectado pelo vírus, poderá apresentar complicações mais sérias, devido a essa obstrução de vasos, em comparação a uma pessoa sem problemas cardíacos. 

Outro fator é a obesidade, doença muito comum na população mundial e nos pacientes com diabetes, especialmente diabetes tipo 2. Ela causa um estado de inflamação crônica no organismo. Isso significa que o corpo do paciente obeso está constantemente agindo contra uma inflamação gerada por ele mesmo. O excesso de gordura leva à circulação de proteínas pró-inflamatórias no organismo do indivíduo, comprometendo seu sistema imune e, consequentemente, dificultando sua ação contra qualquer agente infeccioso.

Por fim, indivíduos com diabetes que apresentam Doença Renal Crônica também têm sua imunidade comprometida. Os rins são responsáveis por manter o equilíbrio em nosso corpo, filtrando as impurezas presentes em nossa circulação.  Em pacientes com Doença Renal Crônica, há uma perda desse equilíbrio, que desregula o sistema imune do indivíduo devido a um aumento de substâncias pró-inflamatórias e de toxinas. Esses fatores, além de diminuírem a quantidade das nossas células de defesa, dificultam sua ação contra o vírus; isto é, facilitam sua instalação e reprodução em nosso organismo.  

Portanto, é essencial que, além de manter um bom controle glicêmico e uma alimentação saudável, o paciente que tem diabetes vá ao médico regularmente para prevenir ao máximo as complicações associadas a essa doença.

Aqui, no Site da Lidia, oferecemos várias sugestões de como manter o cuidado em dia, vale à pena conferir!

Giovana Berger de Oliveira

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org/coronavirus-covid-19

https://www.touchendocrinology.com/insight/covid-19-infection-in-people-with-diabetes/

https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/hipertens%C3%A3o-arterial/hipertens%C3%A3o-arterial

https://news.harvard.edu/gazette/story/2020/04/covid-19s-consequences-for-the-heart/

https://pebmed.com.br/doenca-renal-cronica-e-o-risco-de-infeccoes/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22429824/




Como se proteger do novo coronavírus?

14 maio, 2020    tags:

Diante da pandemia por Covid-19 que estamos vivendo, muitas instituições e governos implementaram medidas para conter a transmissão do novo coronavírus, como o isolamento social da população, a suspensão das aulas, o cancelamento de eventos, reuniões e festas, fechamento de parques e praias, novas regras para o uso do transporte público, entre outros. Essas medidas são essenciais para o controle da transmissão do vírus, pois reduzindo o número de pessoas em um mesmo ambiente, reduzimos as chances de contágio da doença. 

Também vale lembrar que algumas pessoas serão contaminadas pelo vírus mas apresentarão sintomas muito leves, que podem passar desapercebidos, e mesmo antes do sintomas aparecerem já podem contagiar outras pessoas que poderão desenvolver a doença, inclusive de forma grave. Portanto é essencial respeitar as medidas recomendadas para proteger a si e ao próximo.

As principais medidas para evitar o contágio do novo coronavírus são:

– Isolamento social.

– Higienização rigorosa e frequente das mãos.

– Uso de equipamentos de proteção individual (máscaras que cobrem o nariz e a boca)

É muito importante lembrar que essas recomendações se aplicam para toda a população, e não somente para as pessoas dos grupos de risco.

 

Dúvidas frequentes:

1) E quando trabalho em serviço essencial e não tenho a opção de ficar em casa?

  • – Realize a higienização rigorosa e frequente das mãos.
  • – Não toque o rosto (boca, olhos e nariz) 
  • – Ao chegar em casa, deixe seu sapato do lado de fora de casa, troque de roupas e tome um banho de chuveiro.
  • – No ambiente de trabalho evitar lugares mal arejados e com muitas pessoas. 
  • – Ao tossir ou espirrar, proteja-se com o antebraço ou com um lenço de papel descartável, e lave as mãos após.
  • – Não compartilhe alimentos, talheres, copos e garrafas.
  • – Use máscara.

2) E quando preciso sair de casa para fazer compras de alimentos ou medicamentos? 

  • – Opte, sempre que possível, por fazer compras online ou com entrega em casa.
  • – Se tiver que ir a um local físico, procure comprar no comércio mais próximo de sua casa, e tente ir a pé. Além de evitar o transporte público e assim ter menos exposição e contato com outras pessoas, você ajuda a  fortalecer o comércio do seu bairro.
  • – Tente sair em horários em que o fluxo de pessoas é menor, por exemplo, logo cedo quando o estabelecimento acabou de abrir, ou mais tarde antes de fechar. 
  • – Alguns locais estão oferecendo horários alternativos para idosos ou pessoas dos grupos de risco, ou controlando a entrada para que não ultrapasse o número limite de pessoas dentro do estabelecimento, informe-se sobre essas rotinas. 
  • – Nas filas dos caixas mantenha a distância segura de pelo menos 1 metro entre as pessoas. 
  • – Evite múltiplas viagens, organize-se para sair o menor número de vezes possível.
  • – Higienize suas mãos após as compras e ao chegar em casa.
  • – Limpe todas as compras e as sacolas, com água e sabão ou com água sanitária.
  • – Use máscara.

3) Se eu usar luvas e máscara, posso continuar minhas atividades normalmente?

Uso de luvas:

  • – O uso de luvas não é recomendado, pois não substitui a higienização de mãos e pode dar uma falsa sensação de segurança, fazendo com que você toque em superfícies e pessoas de forma descuidada, contaminando-as e se contaminando.
  • – O álcool gel não é melhor ou superior a higienização com água e sabão, ou seja, você pode higienizar as mãos com qualquer um dos dois.
  • – Se quiser mais informações sobre como lavar as mãos adequadamente assista ao video: http://portal.anvisa.gov.br/coronavirus/audiovisual

Uso de Máscara:

  • – Inicialmente o uso de máscara facial era indicado apenas para as pessoas que apresentassem sintomas, porém, agora o uso está recomendado para todos, assim protegemos a nós e ao próximo.
  • – O uso de máscaras faciais também é crucial para os profissionais da saúde e outras pessoas que cuidam de alguém infectado com COVID-19.
  • – As máscaras podem ser feitas de tecido, preferencialmente algodão e com dupla camada, ou podem ser aquelas prontas compradas em farmácias, as chamadas máscaras cirúrgicas (que são descartáveis e não devem ser reutilizadas)
  • – Após usar sua máscara de pano lembre-se de lavá-la bem, preferencialmente com um pouco de água sanitária. Após a lavagem, você pode usá-la novamente.
  • – Evite ao máximo encostar na máscara durante o seu uso, pois ela pode estar contaminada, e se você contaminar a sua mão, irá contaminar tudo o que toca. E principalmente, pode levar a mão ao olho e se contaminar.

Carolina Padilla Knijnik

Alice Scalzilli Becker

Bibiana Amaral

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org.br/

https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/specific-groups/get-ready.html

http://portal.anvisa.gov.br/coronavirus




Dicas para manter uma alimentação saudável em tempos de pandemia

7 maio, 2020    tags:

A Pandemia que estamos enfrentando por COVID-19 está exigindo adaptações na rotina das pessoas. Isso pode refletir em níveis maiores de estresse, de ansiedade, de alterações no ritmo do sono e também impactar na quantidade, qualidade e horários das refeições.

O humor e o estado emocional estão diretamente relacionados com a escolha de alimentos que são mais ou menos saudáveis. Por isso, é importante diferenciar a fome relacionada a necessidade emocional, daquela fome fisiológica necessária para nossa nutrição, para que não se extrapole nas calorias diárias. Lembre-se de que comer bem e adicionar exercícios físicos à sua rotina diária são maneiras importantes de gerenciar o diabetes. Além disso, uma boa nutrição, associada a um bom controle glicêmico, fortalece o sistema imunológico e auxilia na proteção de diversas doenças.

Para o café da manhã é recomendado o consumo de boas fontes de proteína, como ovos e queijo magro. Inclua suco verde e frutas, que são ricas em vitaminas e minerais. Quando for consumir pão, opte pela versão integral que é mais rica em fibras e auxilia no funcionamento intestinal.

Para o almoço, considerada uma das refeições mais importantes do dia, contemple uma boa variedade de legumes, hortaliças e boas fontes de carboidrato como arroz integral, batata doce, mandioca ou inhame. As proteínas magras, como peixe, frango e patinho são as mais indicadas.

Nos lanches entre as principais refeições – café da manhã, almoço e jantar-, a recomendação é de consumir frutas, aveia, ovos, sementes e castanhas. Já no jantar priorize uma refeição mais leve com peixe ou frango e legumes. Outra dica importante para ajudar na digestão e qualidade do sono, é realizar o jantar mais cedo, pois ter um sono de qualidade ajuda a reduzir os níveis de estresse e a manter uma rotina de alimentação saudável.

A suplementação de vitaminas e minerais deve ser orientada e supervisionada por um profissional médico ou nutricionista. Isso porque, uma análise prévia é necessária, considerando que tanto a falta como o excesso de nutrientes pode ser prejudicial à saúde. Além disso, a ingestão de líquidos, de preferência água, é essencial para evitar a desidratação e manter o equilíbrio do organismo. Faça isso regularmente ao longo do dia. E se você for um pouco esquecido, ter uma garrafa de água sempre por perto pode ser uma boa maneira de ingerir a quantidade adequada para manter a saúde.

Uma dieta balanceada como um todo ajuda o organismo a se manter saudável e a preparar seu sistema imune contra invasores. Porém, é importante salientar que não existe alimento ou nutriente milagroso que evite ou trate a COVID-19. A recomendação para quem não costuma ter hábitos alimentares saudáveis com um cardápio equilibrado é, em um primeiro momento, mudar esse comportamento, incluindo uma rotina na alimentação para manter os níveis glicêmicos e após isso, ir melhorando a qualidade dos alimentos consumidos diariamente. Para lhe auxiliar nas escolhas dos alimentos, clique nos links abaixo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O seu organismo agradece e o seu sistema imunológico, também!

https://www.endocrino.org.br/dicas/

https://www.endocrino.org.br/como-esta-sua-alimentacao/

Bibiana Amaral

Alice Scalzilli Becker

Carolina Padilla Knijnik

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

REFERÊNCIAS:

https://www.diabetes.org.br/covid-19/nutricao-imunidade-e-diabetes-em-tempos-de-coronavirus/

https://www.diabetes.org/nutrition

https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/marcelo-chaves/nutricionista-clayton-camargos-da-dicas-de-alimentacao-saudavel-em-tempos-de-isolamento-social/

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – https://www.endocrino.org.br/




Prática de exercícios físicos durante a pandemia por Covid-19

29 abril, 2020    tags:

A prática de exercícios físicos é muito importante para a saúde mental e física, além de ser parte importante no tratamento do diabetes ou pré-diabetes.  Nesse momento em que estamos vivendo em isolamento social, devido à pandemia por Covid-19, precisamos adaptar essa prática para dentro de casa. Foi pensando nessa necessidade que a LIDIA PUCRS criou para você uma lista de exercícios que podem ser realizados em locais pequenos e adaptados às diversas realidades existentes.

A Associação Americana de Diabetes  recomenda a prática de exercícios físicos, pelo menos 3 vezes por semana, com duração de 30 minutos, com o objetivo de se chegar à pática diária de 1 hora. Se você já estava ativo antes do isolamento social iniciar, ótimo! Você pode manter esse hábito realizando exercícios dentro de casa. Se você ainda não  praticava, saiba que pode iniciar agora, e que pequenas mudanças já fazem uma grande diferença, portanto, comece no seu ritmo e respeite os seus limites.

No nosso arquivo você encontrará diversas opções de exercícios aeróbicos e anaeróbicos, de aquecimento, de força, de equilíbrio, de flexibilidade e de alongamento. Recomendamos que você selecione os exercícios para realizar de acordo com as suas limitações e seu agrado, e que tente variar a escolha em cada dia de prática, para trabalhar diferentes grupos musculares. No caso de algum exercício lhe causar desconforto ou dor, é muito importante que você pare de realizá-lo imediatamente.

Para montar o seu treino, sugerimos selecionar: 2 exercícios de aquecimento, 4 de força, 2 de equilíbrio, 2 de flexibilidade e 4 de alongamento.

Lembre-se sempre de respeitar os seus limites, e de respirar. Vamos lá!

Exercícios Físicos para pessoas com mais de 50 anos

Exercícios Físicos para pessoas com até 50 anos de idade

 

Débora Wilke Franco

Janine Alessi

Gabriela Heiden Teló

 

REFERÊNCIAS:

American Diabetes Association ® https://www.diabetes.org/

MANOCCHIA, Pat. Anatomia do Exercício. 1ª edição.  São Paulo,Brasil; Manole, 2009.

NELSON, G., A., KOKKONEN, Jouko. Anatomia do Alongamento: Guia Ilustrado para Aumentar a Flexibilidade e a Força Muscular. 1ª edição. São Paulo,Brasil; Manole, 2007.




Com que frequência devo me exercitar?

6 maio, 2019    tags: DM1 DM2 exercício físico mexa-se




Como escolher o Chocolate na Páscoa?

20 abril, 2019    tags: chocolate dieta nutrição

 




Devo informar o profissional de Educação Física que tenho diabetes?

29 dezembro, 2018    tags: consulta exercício físico insulina mexa-se




Anticoncepcional em mulheres com diabetes

26 novembro, 2018    tags: complicações; DM1 DM2 gestação saúde da mulher




Por que não temos insulina em comprimidos ou gotas?

30 outubro, 2018    tags: insulina tratamento




Diabetes e a contagem de carboidratos

15 outubro, 2018    tags: alimentação dieta nutrição




O poder do hiper-sabor e dos alimentos hiper-palatáveis

30 julho, 2018    tags: alimento chocolate dieta nutrição




Qual o papel da família no cuidado com o Diabetes?

15 julho, 2018    tags: ajuda cuidado prevenção psicologia




Festejos Juninos: como manter o controle do Diabetes?

21 junho, 2018    tags:




Transtorno alimentar no paciente com Diabetes: Vamos falar sobre isto?

28 maio, 2018    tags: DM1 saúde bucal saúde mental

 




Como decifrar as informações dos rótulos de alimentos?

15 maio, 2018    tags: dieta nutrição




O paciente com diabetes pode realizar procedimentos odontológicos?

7 maio, 2018    tags: consulta glicose saúde bucal




Diabetes no SUS

1 maio, 2018    tags: consulta insulina tratamento




Pé Diabético

28 abril, 2018    tags: complicações; pé




Diabetes e Menopausa

20 abril, 2018    tags: menopausa saúde da mulher




Saúde Sexual e Diabetes

15 abril, 2018    tags: compartilhar complicações; sexo




A Relação do Diabetes com o Sono

5 abril, 2018    tags: hipoglicemia sono




Especial de Páscoa

26 março, 2018    tags: chocolate dieta nutrição




Depressão e Diabetes

19 março, 2018    tags: ajuda complicações; depressão psicologia

 




Acompanhamento do Diabetes: exames e consultas

19 março, 2018    tags: consulta exame hemoglobina glicada




Qual a diferença entre Diet e Light?

5 março, 2018    tags: dieta nutrição




Diabetes em lactentes

28 fevereiro, 2018    tags: criança DM1 DM2




Como ler rótulos de alimentos

24 fevereiro, 2018    tags: dieta nutrição




Bebidas alcóolicas e Diabetes

5 fevereiro, 2018    tags: álcool hipoglicemia




Que cuidados o paciente com diabetes deve ter com seus dentes e gengiva?

31 janeiro, 2018    tags: complicações; prevenção saúde bucal




Retinopatia diabética

25 janeiro, 2018    tags: complicações; olho




Glicemia capilar, hemoglobina glicada, frutosamina: o que são estes exames?

8 janeiro, 2018    tags: glicose hemoglobina glicada




Quando o paciente tem de fazer a aplicação de insulina?

8 janeiro, 2018    tags: farmácia insulina tratamento




Onde estou errando no meu tratamento?

6 dezembro, 2017    tags: tratamento




Efeitos adversos (colaterais) da insulina

28 novembro, 2017    tags: farmácia hipoglicemia insulina remédios tratamento




Diabetes e Problemas de Coração

15 novembro, 2017    tags: complicações; coração DM1 DM2




Descarte de Agulhas e Seringas

7 novembro, 2017    tags: enfermagem farmácia tratamento

 




Pressão Alta e Diabetes

25 outubro, 2017    tags: complicações; coração remédios




Gestação em pacientes com Diabetes Mellitus

17 outubro, 2017    tags: diagnóstico DM1 DM2 gestação




Cicatrização no Diabetes

8 outubro, 2017    tags: complicações; coração glicose pé prevenção




É possível ter hipoglicemia sem insulina?

4 outubro, 2017    tags: farmácia hipoglicemia remédios




Cuidados na alimentação

24 setembro, 2017    tags: dieta DM1 DM2 glicose nutrição




Hiperglicemia

18 setembro, 2017    tags: DM1 DM2 glicose prevenção tratamento




Alimentos gordurosos aumentam glicemia?

18 setembro, 2017    tags: dieta DM2 nutrição




Meus filhos terão diabetes?

10 setembro, 2017    tags: DM1 DM2 genética




Diabetes e o cigarro

27 agosto, 2017    tags: cigarro complicações; neuropatia prevenção rim




Doença Renal do Diabetes

20 agosto, 2017    tags: complicações; DM2 glicose prevenção rim




Medicamentos Orais no tratamento do Diabetes Mellitus

15 agosto, 2017    tags: DM2 farmácia remédios




Como e por que acontece hipoglicemia?

7 agosto, 2017    tags: glicose hipoglicemia




Monitorização da Glicemia em Casa

24 julho, 2017    tags: DM1 DM2 glicose hipoglicemia tratamento




Cetoacidose Diabética

15 julho, 2017    tags: complicações; DM1 DM2 insulina urgência




10 Dicas para Melhorar a Adesão ao Tratamento com Medicamentos

12 julho, 2017    tags: farmácia remédios tratamento




Tratamento Cirúrgico para Diabetes

30 junho, 2017    tags: obesidade tratamento




Obesidade pode causar diabetes?

28 junho, 2017    tags: dieta obesidade




Existe cura para o Diabetes?

17 junho, 2017    tags: diagnóstico prevenção tratamento




Tratamento medicamentoso substitui mudança alimentar e exercício físico?

5 junho, 2017    tags: dieta exercício físico farmácia mexa-se nutrição




Neuropatia Diabética

31 maio, 2017    tags: complicações; pé prevenção




5 Mitos sobre Alimentação

26 maio, 2017    tags:

 




É possível ter Diabetes tipo 1 e tipo 2 ao mesmo tempo?

25 maio, 2017    tags: diagnóstico DM1 DM2




Complicações do Diabetes

13 maio, 2017    tags: complicações; coração olho pé rim




Atividade física para o Diabetes: qual o melhor tipo e com que frequência realizá-la?

9 maio, 2017    tags: exercício físico mexa-se




Tipos de Insulina

8 maio, 2017    tags: farmácia insulina




Vacina contra a Pneumonia

6 maio, 2017    tags:




Diabetes e Saúde Bucal

6 maio, 2017    tags:




Produtos DIET, LIGHT e ZERO. Qual a diferença?

5 maio, 2017    tags:




Prevenção do Diabetes

20 abril, 2017    tags: dieta exercício físico prevenção




Vacinação contra a Gripe

12 abril, 2017    tags: gripe H1N1 influenza vacina




Fatores de Risco para Diabetes

9 abril, 2017    tags: prevenção




Critérios para o diagnóstico de Diabetes

8 abril, 2017    tags: diagnóstico glicose hemoglobina glicada




Páscoa e Diabetes

6 abril, 2017    tags: dieta nutrição




Diabetes, e agora?

2 abril, 2017    tags: compartilhar diagnóstico




Como aprender a viver com diabetes?

23 março, 2017    tags: compartilhar




Preciso fazer exercícios?

23 março, 2017    tags: exercício físico mexa-se




Como devo me alimentar?

23 março, 2017    tags: dieta hipoglicemia nutrição




Como devo cuidar dos meus pés?

23 março, 2017    tags: enfermagem pé prevenção

 




Como obter o maior benefício com os meus remédios?

22 março, 2017    tags: farmácia insulina remédios




Sinais e sintomas de diabetes

20 março, 2017    tags: diagnóstico




O que é pré-diabetes?

14 março, 2017    tags: diagnóstico glicose prevenção




O que é Diabetes?

14 março, 2017    tags: glicose hemoglobina glicada




Diabetes Gestacional

14 março, 2017    tags: gestação prevenção