A Thomson, empresa que trabalha com sistemas de informação, trocou seus jornalistas por um robô que escreve notícias em apenas 0,3 segundos. O objetivo é fazer com que informações sobre o mercado financeiro cheguem mais rápido a seus clientes. Evidentemente, o texto é padronizado ao extremo, mas estilo não é a principal preocupação dos investidores.
Isso é ruim? Não necessariamente. Tendo trabalhado no setor de notícias em um grande portal, posso atestar que não haveria muita diferença no resultado de um texto tratado por mim e meus colegas de profissão na época, do que um texto tratado por computador. Nosso trabalho era basicamente copiar, colar e corrigir erros gramaticais. E provavelmente um computador os corrigiria com eficiência muito maior. Quando por acaso tínhamos de fazer uma notícia do zero, a pressão do tempo fazia com que simplesmente preenchêssemos lacunas em uma pirâmide invertida. Esse tipo de trabalho é uma tortura para os seres humanos. Se a Revolução Industrial no início oferecia funções repetitivas como apertar um parafuso na linha de montagem, a Revolução Informacional atualizou esse tipo de trabalho no copiar e colar dos jornalistas e nos manuais de telemarketing.
Como diz um representante da Thomson, “isto quer dizer que podemos livrar os repórteres para que eles tenham mais tempo para pensar”. O futuro do jornalismo, definitivamente, está na interpretação.