No dia 31/03/2026, nós, estudantes da turma Geração, do curso de Licenciatura em Educação do Campo — Ciências da Natureza, pela disciplina de Educação de Jovens e Adultos e Educação Popular, ministrada pela professora Elisete Enir Bernardi Garcia, visitamos a Escola São Francisco de Assis, em Tramandaí, para conhecer de perto o funcionamento da EJAI (Educação de Jovens, Adultos e Idosos). A visita foi realizada como articulação da disciplina com o Tempo Comunidade.
Sentimo-nos acolhidos desde o momento em que chegamos. Os professores Marina, vice-diretora do turno da noite, e o supervisor João Paulo estavam nos esperando e relataram os desafios das novas diretrizes da EJA, bem como o empenho para aplicá-las, o que demonstrou o cuidado que a escola tem com as pessoas que compõem aquele espaço. Chamou-nos a atenção o fato de a escola ser a única do município de Tramandaí a oferecer para os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental a modalidade de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), o que a torna essencial para a região.
Ao conhecer as turmas, percebemos que cada sala carregava histórias únicas. A escola possui turmas multisseriadas de Ensino Fundamental na modalidade EJA, abrangendo alfabetização, pós-alfabetização e anos finais. Notamos que, na alfabetização, os alunos são mais velhos, enquanto na pós-alfabetização o perfil é misto, com jovens e idosos dividindo a sala. Em cada uma delas, era possível sentir o esforço e a vontade de aprender, o que nos permitiu perceber a diversidade de trajetórias e o compromisso da instituição em atender diferentes níveis de aprendizagem, respeitando o ritmo e a realidade de cada estudante.
A escola possui um AEE (Atendimento Educacional Especializado), conquistado este ano e atendido pela professora Diane. Em diálogo, ela nos contou que uma estudante idosa frequenta a escola há cerca de muitos anos, pois ali é o momento em que socializa e não se sente sozinha. Se, por um lado, existem dificuldades na aprendizagem escolar, por outro, sobressai a importância da socialização, de sentir-se parte de um grupo e dos significados atribuídos à escola — sendo ela muito mais do que uma “transferidora de conhecimentos”. É importante destacar a fala dos professores: “a diferença da EJA para a educação regular é que eles optaram por estar aqui”. São pessoas que, mesmo após um dia cansativo de trabalho, escolhem estar ali, na escola, investindo em si mesmas. Isso, por si só, é muito potente.
Outro momento marcante foi a aula de Educação Física. No ginásio, os alunos sorriam e participavam com entusiasmo. Isso nos faz refletir o quanto aquele espaço é necessário como um “respiro”, um momento de leveza e um refúgio para a correria diária. A atividade mostrou-se essencial não somente para o corpo, mas como um exercício de liberdade e descontração.
Conhecemos a biblioteca, um espaço organizado que convida à leitura, com variedade de livros, artes e origamis feitos à mão nas paredes, além de uma parte sensorial para os estudantes da educação especial. Percebemos o quanto a escola se preocupa em oferecer acesso ao conhecimento de forma digna e inclusiva. O refeitório foi outro ponto importante: ver os alunos se alimentando com uma refeição de qualidade, o cheirinho de comida fresca e quentinha nos abraçava por toda a escola, demonstrando o quanto o cuidado vai além do ensino. É um olhar humano que entende as necessidades reais de quem está ali.
Apesar da ausência de áreas verdes, o pátio é amplo, com quadra coberta e acessibilidade. Mesmo com problemas ocasionais de energia, a escola é bem equipada, contando com laboratório de informática, auditório e ar-condicionado.
Em resumo, a instituição cumpre um papel fundamental ao mostrar que nunca é tarde para aprender. A EJA não é apenas uma modalidade de ensino; é uma oportunidade de recomeço. Cada estudante carrega coragem e esperança, reafirmando que todos precisam de acesso a uma educação de qualidade, independentemente da idade.
Foi uma experiência que nos trouxe muito conhecimento e enriquecimento para a disciplina de forma muito especial, não só contribuindo para a nossa formação, mas também mexeu conosco como pessoa, nos fazendo refletir sobre o verdadeiro sentido da educação.


