  {"id":22543,"date":"2023-07-06T20:28:16","date_gmt":"2023-07-06T20:28:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/litoral\/?p=22543"},"modified":"2023-07-06T20:28:16","modified_gmt":"2023-07-06T20:28:16","slug":"morro-de-osorio-abriga-uma-das-ultimas-areas-remanescentes-de-mata-atlantica-do-litoral-norte-gaucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/litoral\/morro-de-osorio-abriga-uma-das-ultimas-areas-remanescentes-de-mata-atlantica-do-litoral-norte-gaucho\/","title":{"rendered":"Morro de Os\u00f3rio abriga uma das \u00faltimas \u00e1reas remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica do Litoral Norte ga\u00facho"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"loop-title entry-title\">Morro de Os\u00f3rio abriga uma das \u00faltimas \u00e1reas remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica do Litoral Norte ga\u00facho<\/h1>\n<div class=\"loop-description\">\n<div class=\"entry-byline\">\n<div class=\"entry-byline-block entry-byline-author\"><span class=\"entry-author\"><a title=\"Posts de Carolina Zanette Dill\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/author\/carolinadill\/\" rel=\"author\">Carolina Zanette Dill<\/a><\/span> \/ 6 de julho de 2023<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reportagem originalmente publicada no <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/morro-de-osorio-abriga-um-dos-ultimos-remanescentes-de-mata-atlantica-do-litoral-norte-gaucho\/\">Jornal da Universidade<\/a><\/div>\n<h4><\/h4>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Meio ambiente | Projeto de extens\u00e3o da UFRGS re\u00fane institui\u00e7\u00f5es educacionais, sociedade civil e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para debater sobre o desenvolvimento sustent\u00e1vel do territ\u00f3rio, definido como \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) desde 1994<\/h4>\n<p><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s margens da BR-101, no munic\u00edpio de Os\u00f3rio, em dire\u00e7\u00e3o ao litoral norte, \u00e9 poss\u00edvel avistar um grande morro coberto por \u00e1rea verde, o chamado Morro de Os\u00f3rio, conhecido tamb\u00e9m como Morro da Bor\u00fassia. Muitos que trafegam pela rodovia sequer imaginam que o territ\u00f3rio de 6.064 hectares \u00e9 um dos \u00faltimos remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica da regi\u00e3o. Ainda, aqueles que decidem adentrar pelas estradas que levam ao seu topo encontram poucas placas que identificam o local como uma \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA).<\/p>\n<p>A riqueza da regi\u00e3o se traduz, em parte, pela sua biodiversidade. Sua flora se destaca pela presen\u00e7a de canjerana, ip\u00ea-amarelo, angico-vermelho e camboat\u00e1-vermelho, assim como de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como palmeira-jussara, arauc\u00e1ria, xaxim, orqu\u00eddea e alm\u00e9cega. J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fauna, foram registradas mais de 287 esp\u00e9cies, entre aves, anf\u00edbios, r\u00e9pteis, mam\u00edferos e peixes. Al\u00e9m disso, importantes bacias hidrogr\u00e1ficas do Rio Grande do Sul atravessam o local, como a Bacia do Rio dos Sinos, do Rio Tramanda\u00ed e do Litoral M\u00e9dio.<\/p>\n<p>A historiadora Isabel do Santos conta que, na d\u00e9cada de 70, a regi\u00e3o era tomada pela planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar em escala industrial. \u201cNa parte da frente do Morro, era comum enxergar as ro\u00e7as de cana, as ro\u00e7as de milho. No m\u00eas de maio, era colocado fogo para o corte, ent\u00e3o n\u00f3s v\u00edamos a fuma\u00e7a saindo\u201d, relembra. Em 1990, ap\u00f3s o encerramento das atividades da empresa canavieira que dominava o cultivo, uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es veio \u00e0 tona sobre o futuro do local.<\/p>\n<p>A extensa \u00e1rea territorial foi institu\u00edda como uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel, denominada APA Morro de Os\u00f3rio, pela\u00a0<a href=\"https:\/\/leismunicipais.com.br\/a\/rs\/o\/osorio\/lei-ordinaria\/1994\/266\/2665\/lei-ordinaria-n-2665-1994-cria-a-area-de-protecao-ambiental-do-morro-de-osorio-e-da-outras-providencias\">Lei Municipal n.\u00ba 2.665, de 1994<\/a>, na tentativa de conter a sua degrada\u00e7\u00e3o. Transformar um territ\u00f3rio em \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental significa que \u00e9 permitido certo grau de presen\u00e7a humana, desde que se garanta a prote\u00e7\u00e3o dos atributos naturais e culturais do local. As APAs prezam pela concilia\u00e7\u00e3o entre ocupa\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Dessa forma, certas atividades s\u00e3o aceitas \u2013 desde que n\u00e3o haja risco ao ambiente.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-67026\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4507-695x462.jpg 695w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"665\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A localiza\u00e7\u00e3o da APA Os\u00f3rio, ocupando uma \u00e1rea de serra pr\u00f3xima ao litoral, \u00e9 respons\u00e1vel pela rica biodiversidade da regi\u00e3o (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Diante da determina\u00e7\u00e3o e da aplica\u00e7\u00e3o das novas regras, como a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento irregular, a Mata se recomp\u00f4s. Atualmente, a vegeta\u00e7\u00e3o consiste em mata secund\u00e1ria em est\u00e1gio m\u00e9dio de regenera\u00e7\u00e3o. Ou seja, a regi\u00e3o passou pela degrada\u00e7\u00e3o da sua flora original e se encontra em processo de recupera\u00e7\u00e3o. De acordo com o bi\u00f3logo Eduardo Ruppenthal, o territ\u00f3rio representa em torno de 7% do bioma Mata Atl\u00e2ntica original da cidade.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO que tem de preservado est\u00e1 dentro da APA. O seu estabelecimento ajudou a preservar ou tentar recuperar o pouco que n\u00f3s temos\u201d<\/p>\n<p><cite>Eduardo Ruppenthal\u00a0<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC) \u00e9 o principal instrumento jur\u00eddico que fundamenta o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o no Brasil. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9985.htm\">legisla\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0que rege o SNUC aponta que toda unidade de conserva\u00e7\u00e3o deve dispor de um Plano de Manejo pr\u00f3prio, documento que define as normas para o uso da \u00e1rea e a administra\u00e7\u00e3o dos recursos existentes e que deve ser renovado a cada cinco anos. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o em 1994, entretanto, o primeiro Plano de Manejo da APA Morro de Os\u00f3rio foi implementado apenas em 2008, e o seu processo de atualiza\u00e7\u00e3o levou 14 anos. A partir de um estudo financiado pelo grupo CPFL Transmiss\u00e3o de Energia Sul II, em novembro de 2022, a prefeitura municipal colocou o\u00a0<a href=\"https:\/\/leismunicipais.com.br\/a1\/rs\/o\/osorio\/decreto\/2022\/20\/200\/decreto-n-200-2022-institui-o-plano-de-manejo-revisado-da-area-de-protecao-ambiental-apa-morro-de-osorio?r=p\">novo documento<\/a>\u00a0em vigor. \u201cO Plano de Manejo nada mais \u00e9 do que um norte, um plano diretor para essa \u00e1rea\u201d, explica o Secret\u00e1rio Municipal do Meio Ambiente, Agricultura e Pecu\u00e1ria de Os\u00f3rio, Dirlei Souza.<\/p>\n<p>O SNUC tamb\u00e9m orienta para a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de um Conselho Gestor, uma inst\u00e2ncia colegiada entre representantes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e da sociedade civil ligada ao territ\u00f3rio, de car\u00e1ter consultivo, para tratar das quest\u00f5es que envolvem exclusivamente a APA. At\u00e9 2007, a unidade de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o possu\u00eda um Conselho. Com a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Os\u00f3rio (COMDEMA), ficou a cargo do \u00f3rg\u00e3o deliberar sobre o Morro. Foi em 2022, junto aos estudos para a implementa\u00e7\u00e3o do Plano de Manejo, que o primeiro Conselho Gestor foi proposto. \u201cO Conselho de Meio Ambiente \u00e9 de todo o munic\u00edpio, ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da \u00e1rea da APA. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma atribui\u00e7\u00e3o que caberia a esse conselho, mas, na aus\u00eancia do Conselho Gestor, ele acabava cumprindo esse papel\u201d, explica Jonas Seminotti, professor do C\u00e2mpus Litoral Norte da UFRGS na \u00e1rea de Din\u00e2micas Regionais e Educa\u00e7\u00e3o no Campo.<\/p>\n<p>Seminotti \u00e9 coordenador do F\u00f3rum da APA Morro de Os\u00f3rio, um projeto de extens\u00e3o da UFRGS, composto por institui\u00e7\u00f5es educacionais, representantes da sociedade civil e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e voltado para a abertura de debates sobre os desafios e as oportunidades que atingem o territ\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c\u00c9 muito mais esse papel mediador, articulador dos atores para que eles pr\u00f3prios se constituam sujeitos desse processo. O F\u00f3rum \u00e9 um processo de resist\u00eancia, sobretudo no sentido de organizar as pessoas para a resist\u00eancia, e a resist\u00eancia levando \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p><cite>Jonas Seminotti<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O F\u00f3rum iniciou suas discuss\u00f5es em 2016, por demanda de um coletivo de moradores que sentiam a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o um pouco maior junto aos agentes internos e ao poder executivo municipal. O grupo questionava a implanta\u00e7\u00e3o de linhas de transmiss\u00e3o e de uma subesta\u00e7\u00e3o de energia dentro do territ\u00f3rio, por observarem a falta de estudos aprofundados sobre outras possibilidades de local para a sua constru\u00e7\u00e3o, sem considerar os riscos que a obra poderia trazer \u00e0 fauna local.<\/p>\n<p>Capitaneada pelo grupo CPFL, a constru\u00e7\u00e3o das linhas e da subesta\u00e7\u00e3o \u00e9 tema de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/morrodeosorio\/download\/acao-civil-publica-mpf-2022\/\">A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) em 2022<\/a>. Na a\u00e7\u00e3o, o MPF pediu a suspens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o at\u00e9 que sejam feitos novos estudos e mais debates com a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso foi um marco na cidade. Foi uma das poucas vezes que a comunidade conseguiu se mobilizar para barrar um projeto ou, pelo menos, para conseguir colocar alguns freios estrat\u00e9gicos de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Ricardo Dagnino, professor do Departamento Interdisciplinar do C\u00e2mpus Litoral Norte e vice-coordenador do F\u00f3rum da APA Morro de Os\u00f3rio.<\/p>\n<p>A partir da ACP, que est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o na 1.\u00aa Vara Federal de Cap\u00e3o da Canoa, a CPFL j\u00e1 realizou um novo levantamento da percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, conclu\u00eddo em fevereiro deste ano. No mesmo m\u00eas, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) emitiu a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o, o que permite que a empresa comece a transportar energia pelas linhas de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, o F\u00f3rum segue acompanhando as decis\u00f5es e busca um olhar atento \u00e0s atualiza\u00e7\u00f5es do Plano de Manejo, al\u00e9m de uma maior participa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios moradores nas tomadas de decis\u00e3o que permeiam a APA.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento regional<\/h5>\n<p>O desenvolvimento regional sustent\u00e1vel deve ser o motor de uma \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, onde se busca garantir que a gera\u00e7\u00e3o de riquezas seja acompanhada de medidas que preservem o ambiente e melhorem as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o local. Entre as principais iniciativas, destacam-se o incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia limpa, a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de reciclagem e de reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais, o fomento \u00e0 agricultura org\u00e2nica e ao turismo ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Silvia Munari \u00e9 enfermeira por forma\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 tr\u00eas anos decidiu dedicar-se exclusivamente \u00e0 agricultura familiar, passando a viver do cultivo de milho, arroz, trigo e ovos e do turismo rural de base comunit\u00e1ria.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO objetivo inicial de ter um s\u00edtio em um lugar como esse era dar o exemplo, era fazer o diferente. Era impactar a comunidade de uma forma saud\u00e1vel, que preserve o meio ambiente\u201d<\/p>\n<p><cite>Silvia Munari<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-67032\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4401-695x462.jpg 695w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"665\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Silvia Munari \u00e9 enfermeira, mas sempre esteve ligada ao trabalho no campo, seja na \u00e1rea da Sa\u00fade em assentamentos de trabalhadores rurais ou, agora, em sua propriedade no Morro de Os\u00f3rio, no S\u00edtio Urutau. Al\u00e9m de milho, trigo e hortali\u00e7as, Silvia chama \u2013 e \u00e9 prontamente atendida \u2013 seus animais pelo nome, inclusive as cinco carpas do lago (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A gest\u00e3o de uma APA costuma enfrentar desafios que v\u00e3o desde a falta de recursos financeiros at\u00e9 a resist\u00eancia de comunidades locais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s restri\u00e7\u00f5es. \u201cMuitos moradores veem a APA como \u2018n\u00e3o pode\u2019: n\u00e3o pode cortar, n\u00e3o pode passar veneno, n\u00e3o pode construir, n\u00e3o pode queimar. Viver na APA para grande parte das pessoas \u00e9 o \u2018n\u00e3o pode\u2019\u201d, afirma a agricultora.<\/p>\n<p>A historiadora Isabel dos Santos declara que, durante o processo de implementa\u00e7\u00e3o da APA, n\u00e3o houve discuss\u00f5es com os moradores, o que dificultou o entendimento sobre o significado da classifica\u00e7\u00e3o. \u201dSe tivesse sido discutido o que se podia e o que n\u00e3o se podia como uma forma de conscientiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teria esse problema.\u201d<\/p>\n<p>Silvia procura mudar essa mentalidade por meio do exemplo. Ela n\u00e3o deixa de ter a sua planta\u00e7\u00e3o e os seus resultados, e procura introduzir a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis no cultivo, como o uso de cobertura verde, o rod\u00edzio de planta\u00e7\u00f5es sem a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, a cria\u00e7\u00e3o de cisternas para coleta de \u00e1gua da chuva, o aproveitamento dos aclives e declives naturais da regi\u00e3o e a ideia de economia circular.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex hoot-block-gallery-0\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4480.jpg\" data-slb-active=\"1\" data-slb-asset=\"300001449\" data-slb-internal=\"0\" data-slb-group=\"61733\" data-src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4480.jpg\" data-lightbox=\"yes\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-67038\" 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href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470.jpg\" data-slb-active=\"1\" data-slb-asset=\"129538375\" data-slb-internal=\"0\" data-slb-group=\"61733\" data-src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470.jpg\" data-lightbox=\"yes\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-67037\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4470-768x511.jpg 768w, 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Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure>\n<p>O agricultor familiar e artes\u00e3o F\u00e1bio Silveira \u00e9 um nativo da Bor\u00fassia e acompanhou de perto as mudan\u00e7as ao longo dos anos. Segundo ele, foi poss\u00edvel observar um aumento no n\u00famero de habitantes. \u201cVeio bastante gente de outras regi\u00f5es em busca de algo diferente\u201d, comenta. O n\u00famero se reflete na taxa de crescimento populacional. De acordo com o Plano de Manejo de 2022, houve um aumento estimado de 14,4% na popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o desde 2008, totalizando aproximadamente 1.021 moradores. A \u00e1rea predominantemente rural passou por uma expans\u00e3o de caracter\u00edsticas urbanas, com a chegada de frigor\u00edficos, pousadas e restaurantes.<\/p>\n<p>Com a demora para a implementa\u00e7\u00e3o do primeiro Plano de Manejo, da atualiza\u00e7\u00e3o e da consequente fiscaliza\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie de dificuldades tornaram-se latentes, como a ocupa\u00e7\u00e3o irregular do solo em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, a presen\u00e7a de atividades n\u00e3o condizentes com as diretrizes em vigor e a agricultura intensiva e extrativista. A degrada\u00e7\u00e3o ambiental e a abertura de po\u00e7os artesianos de forma desenfreada trouxeram a falta de \u00e1gua para a Bor\u00fassia, em fun\u00e7\u00e3o do esgotamento dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Parte da popula\u00e7\u00e3o depende de po\u00e7os comunit\u00e1rios e do recebimento de \u00e1gua atrav\u00e9s de caminh\u00f5es-pipa.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-67028\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4512-695x462.jpg 695w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"665\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Artes\u00e3o e pequeno agricultor, Fabio \u00e9 particularmente preocupado com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental da regi\u00e3o em que vive desde que nasceu. Suas cabras s\u00e3o parte de um projeto de trabalho ainda indefinido que \u201caos poucos vai se formando\u201d, afirma (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Outra demanda por parte dos moradores \u00e9 pela regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Na APA, muitos terrenos foram passados de pais para filhos, sem a devida titula\u00e7\u00e3o. A venda de loteamentos irregulares atrav\u00e9s de contrato de compra e venda, sem escritura p\u00fablica, tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade. Al\u00e9m dessas problem\u00e1ticas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pecu\u00e1ria afirma que ir\u00e1 trabalhar para trazer maiores incentivos para a fixa\u00e7\u00e3o do agricultor no campo, uma vez que muitos n\u00e3o encontram vantagens nas atividades dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cQuando a gente fala em valoriza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio rural, \u00e9 ele ter validade para o propriet\u00e1rio, ter uso, poder gerar renda\u201d, sugere o bi\u00f3logo Rodrigo Roduit, da Prefeitura Municipal de Os\u00f3rio.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o reconhece essas quest\u00f5es como as principais demandas a serem solucionadas a partir da nova legisla\u00e7\u00e3o de 2022 e declara que as a\u00e7\u00f5es ainda devem ser discutidas com o novo conselho gestor.<\/p>\n<p>Ricardo Dagnino defende que o desenvolvimento regional sustent\u00e1vel deve estar diretamente ligado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos moradores na tomada de decis\u00f5es, em que se deve buscar um modelo mais participativo e democr\u00e1tico.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO desenvolvimento tem que procurar dialogar. \u00c9 importante a gente entender que o mundo \u00e9 din\u00e2mico, a vida \u00e9 din\u00e2mica, a pol\u00edtica \u00e9 din\u00e2mica\u201d<\/p>\n<p><cite>Ricardo Dagnino<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex hoot-block-gallery-1\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4608.jpg\" data-slb-active=\"1\" data-slb-asset=\"1718978400\" data-slb-internal=\"0\" data-slb-group=\"61733\" data-src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4608.jpg\" data-lightbox=\"yes\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-67031\" 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href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548.jpg\" data-slb-active=\"1\" data-slb-asset=\"1740798701\" data-slb-internal=\"0\" data-slb-group=\"61733\" data-src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548.jpg\" data-lightbox=\"yes\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-67029\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flavio-Dutra-4548-768x511.jpg 768w, 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Ap\u00f3s uma visita, se encantou com as riquezas naturais da localidade e, no ano de 2009, decidiu sair de Porto Alegre para morar na Bor\u00fassia. Hoje ele vive do turismo ecol\u00f3gico e atua como um ativista ambiental da regi\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cAs pessoas v\u00eam para c\u00e1 com a inten\u00e7\u00e3o de olhar a cidade de cima e acabam ficando de costas para o morro. Poucos sabem o valor que \u00e9 viver aqui\u201d<\/p>\n<p><cite>Francisco dos Reis<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Uma quest\u00e3o que diferencia o Morro de Os\u00f3rio das outras APAs s\u00e3o as suas paisagens. \u201cEssa \u00e9 uma APA que possui uma biodiversidade, n\u00e3o s\u00f3 pela fauna e pela flora, mas pela localiza\u00e7\u00e3o dela. Ela est\u00e1 em cima de uma serra, \u00e9 formada por serra, por vales no seu interior e por essa vista a\u00e9rea que permite aos turistas visualizarem grandes dist\u00e2ncias\u201d, relata o professor Jonas Seminotti. No seu topo, est\u00e1 localizado o Mirante do Morro da Bor\u00fassia, um dos principais pontos tur\u00edsticos da cidade, por proporcionar uma vista de 360 graus da paisagem litor\u00e2nea. Em uma altura de 400 metros, os visitantes conseguem avistar lagoas, o parque e\u00f3lico de Os\u00f3rio e o mar de Tramanda\u00ed.<\/p>\n<p>Ao olhar a Bor\u00fassia de frente, Francisco defende a cria\u00e7\u00e3o de agroflorestas e ecoparques e o incentivo ao ecoturismo, considerando a riqueza de trilhas ecol\u00f3gicas, cascatas e o paisagismo. A cidade poderia aproveitar instrumentos como ICMS Verde e Cr\u00e9ditos de Carbono, aponta. Para ele, a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o essenciais para a valoriza\u00e7\u00e3o do morro e para o desenvolvimento de uma sensibilidade socioambiental, inclusive para resgatar a autoestima dos moradores nativos. \u201cA Bor\u00fassia \u00e9 um vulc\u00e3o de energia e hoje \u00e9 um vulc\u00e3o de oportunidades. H\u00e1 muitas localidades que est\u00e3o perdendo a sua identidade porque querem trazer uma extens\u00e3o urbana para c\u00e1\u201d, diz o morador.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cOs\u00f3rio poderia ser uma cidade refer\u00eancia na quest\u00e3o ambiental, porque j\u00e1 tem o parque e\u00f3lico, que \u00e9 uma energia considerada limpa. Os\u00f3rio tem uma APA \u2013 poucos munic\u00edpios do Rio Grande do Sul possuem \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental municipal. Os\u00f3rio tem as suas lagoas e poderia investir num transporte alternativo\u201d<\/p>\n<p><cite>Ricardo Dagnino<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao preservar as APAs, estamos garantindo a continuidade de ecossistemas saud\u00e1veis, al\u00e9m de assegurar a manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de vida das comunidades locais e a prote\u00e7\u00e3o de recursos naturais. \u201cA APA \u00e9 como um patrim\u00f4nio natural \u00fanico e que deve ser preservado\u201d, conclui o bi\u00f3logo Eduardo Ruppenthal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morro de Os\u00f3rio abriga uma das \u00faltimas \u00e1reas remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica do Litoral Norte ga\u00facho Carolina Zanette Dill \/ 6 de julho de 2023 Reportagem originalmente publicada no Jornal da Universidade Meio ambiente | Projeto de extens\u00e3o da UFRGS [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":22544,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - 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