{"id":273,"date":"2019-06-24T15:08:04","date_gmt":"2019-06-24T18:08:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/?p=273"},"modified":"2022-08-08T14:33:36","modified_gmt":"2022-08-08T17:33:36","slug":"a-madeira-como-patrimonio-historico-e-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/a-madeira-como-patrimonio-historico-e-cultural\/","title":{"rendered":"A madeira como patrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais do que falar especificamente das\naplica\u00e7\u00f5es diretas da madeira na constru\u00e7\u00e3o e no local geogr\u00e1fico-temporal da\nBahia no per\u00edodo colonial, o livro <em>Madeiras\nde Constru\u00e7\u00e3o do Per\u00edodo Colonial na Bahia: uso, explora\u00e7\u00e3o, venda, destina\u00e7\u00e3o\ne identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies<\/em>, de autoria dos arquitetos Karina de Matos de\nAra\u00fajo F. Cerqueira e M\u00e1rio Mendon\u00e7a de Oliveira, traz ao leitor um apanhado\nhist\u00f3rico da quest\u00e3o da madeira como artefato que evoluiu em seus usos e teve\ndiferentes significados ao longo do tempo. O texto, em estilo acad\u00eamico, permite\nfluidez na leitura sem excessivas refer\u00eancias e cita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas primeiras partes do livro s\u00e3o\nnarrativas que situam o leitor quanto \u00e0 origem, import\u00e2ncia e forma das\nmadeiras, seu uso, sua explora\u00e7\u00e3o e venda, bem como seu destino. A segunda\nparte, formatada em fichas com a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, tem um formato de\ncat\u00e1logo para consulta breve, com enfoque t\u00e9cnico e cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro inicia com um breve, por\u00e9m abrangente,\napanhado hist\u00f3rico da rela\u00e7\u00e3o entre a madeira e o seu uso pela humanidade. Nas\nconstru\u00e7\u00f5es, a aplica\u00e7\u00e3o da madeira \u00e9 diferenciada, como dizem os autores, \u201cn\u00e3o\nsomente pela cultura local, como tamb\u00e9m pelas adversidades do clima e pelo\npr\u00f3prio avan\u00e7o tecnol\u00f3gico da hist\u00f3ria\u201d. Seu uso \u00e9, ent\u00e3o, condicionado pelo\nclima, pelo meio, pela facilidade de obten\u00e7\u00e3o e pelas necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores fazem uma Importante abordagem em\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 escassez do material em algumas regi\u00f5es e a vasta explora\u00e7\u00e3o das madeiras\nbrasileiras, especialmente no per\u00edodo entre os s\u00e9culos XVI e XIX \u2013 Brasil\ncol\u00f4nia. Portugal, al\u00e9m da madeira para constru\u00e7\u00e3o habitacional, necessitava-a\npara as constru\u00e7\u00f5es navais e as terras brasileiras prestaram-se a essa\nexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo central do livro \u00e9 um \u201cestudo\ndocumental sobre as madeiras da Bahia no per\u00edodo colonial, enfocando o uso, a\nexplora\u00e7\u00e3o, a venda, a destina\u00e7\u00e3o e as esp\u00e9cies mais usadas nas constru\u00e7\u00f5es\nnavais e civis no Brasil e em Portugal, com intuito de suprimir quaisquer\nd\u00favidas quanto \u00e0 proced\u00eancia desses materiais usados nos artefatos que comp\u00f5em\no Patrim\u00f4nio Cultural baiano\u201d (p. 9).<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores investigam as origens das t\u00e9cnicas\nextrativistas das madeiras, sobretudo a influ\u00eancia europeia na devasta\u00e7\u00e3o das\nmatas brasileiras. Concluem que a pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o em solo europeu ao longo\nde s\u00e9culos fez com que a mat\u00e9ria prima daquele continente ficasse rara e com\nbaixa qualidade quando em compara\u00e7\u00e3o com as existentes no novo mundo. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p> <br><strong><em>\u201cAs madeiras brasileiras n\u00e3o tiveram import\u00e2ncia apenas na constru\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia, mas foram intensamente exploradas, n\u00e3o s\u00f3 por contrabandistas de outras na\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 citado, mas, especialmente, pelo pr\u00f3prio Reino portugu\u00eas, devido ao seu grande valor comercial, j\u00e1 que podiam ser utilizadas na tinturaria, na constru\u00e7\u00e3o naval e nas constru\u00e7\u00f5es em geral\u201d. <\/em><\/strong><\/p><cite> <br><strong><em>(p. 53)<\/em><\/strong>  <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A pesquisa apresentada avan\u00e7a sobre diversos\ntipos de documenta\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos XVII e XVIII em arquivos brasileiros e\nportugueses, tais como Cartas R\u00e9gias, of\u00edcios, decretos, alvar\u00e1s, regimentos e\nportarias oficiais em que constam registros do uso e explora\u00e7\u00e3o da madeira na\nBahia. Essa parte do estudo j\u00e1 vale a leitura, dada a qualidade dos documentos\ncompilados pelos autores.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que o cuidadoso trabalho cumpre seu\nobjetivo de entregar dados de caracter\u00edsticas das madeiras daquele per\u00edodo,\ncujos pesquisadores, restauradores e profissionais t\u00e9cnicos que trabalham no\n\u00e2mbito do patrim\u00f4nio edificado e cultural, tanto no Brasil quanto em Portugal,\npossam utilizar este livro como fonte de consulta, ou ainda, como manual e guia\npara que as interven\u00e7\u00f5es e os restauros possam ser executados com precis\u00e3o e\nacuidade. Assim, essa parte da pesquisa permite subs\u00eddios para interven\u00e7\u00f5es\npontuais sem trocas ou substitui\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias de elementos executados em\nmadeira nas edifica\u00e7\u00f5es e nos objetos hist\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra tamb\u00e9m\nvale como subs\u00eddio para trabalhos de pesquisadores, arquitetos, engenheiros e\nhistoriadores que necessitem aprofundar-se e embasar seus trabalhos de\nconstru\u00e7\u00e3o, restauro e preserva\u00e7\u00e3o que utilizem este recurso natural, o qual\nnecessita de grande conhecimento para manejo e usos adequados. <\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da\nsustentabilidade, associada \u00e0 madeira, faz com que este material seja novamente\nretomado como alternativa de material renov\u00e1vel. Seu uso, quando adequado e com\nconhecimentos e controle sobre sua origem, suas formas de extra\u00e7\u00e3o e suas aplica\u00e7\u00f5es\nfinais adequadas, pode colaborar com a quest\u00e3o ambiental. Entende-se, portanto,\nque essa obra tamb\u00e9m possa colaborar com essa \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-luminous-vivid-amber-color\"><em>Resenha do livro <\/em>Madeiras de constru\u00e7\u00e3o do Per\u00edodo Colonial na Bahia: uso, explora\u00e7\u00e3o, venda, destina\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies<em>, de Karina de Matos Ara\u00fajo F. Cerqueira e M\u00e1rio Mendon\u00e7a de Oliveira, publicado pela <a href=\"http:\/\/www.edufba.ufba.br\/2019\/04\/madeiras-de-construcao-do-periodo-colonial-na-bahia-uso-exploracao-venda-destinacao-e-identificacao-das-especies\/\">Editora da UFBA<\/a> (Salvador, 2019)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\"><strong><em>Sobre a resenhista:<\/em><\/strong><br><br><strong>Ana L\u00facia Richter Dreyer<\/strong> \u00e9 arquiteta e urbanista, mestre em planejamento urbano. Trabalha no Setor de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico da UFRGS, atuando em planejamento, projetos e obras para preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios da Universidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que falar especificamente das aplica\u00e7\u00f5es diretas da madeira na constru\u00e7\u00e3o e no local geogr\u00e1fico-temporal da Bahia no per\u00edodo colonial, o livro Madeiras de Constru\u00e7\u00e3o do Per\u00edodo Colonial na Bahia: uso, explora\u00e7\u00e3o, venda, destina\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, de autoria dos arquitetos Karina de Matos de Ara\u00fajo F. 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