{"id":386,"date":"2019-09-16T15:21:49","date_gmt":"2019-09-16T18:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/?p=386"},"modified":"2022-08-08T14:28:08","modified_gmt":"2022-08-08T17:28:08","slug":"gostar-de-ler-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/gostar-de-ler-por-que\/","title":{"rendered":"Gostar de ler, por qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"\n<p>A meu\nver, um dos maiores desafios para um educador \u00e9 encontrar respostas para os\nquestionamentos: o que interessa aos meus alunos? Como me mantenho pr\u00f3ximo e\nsens\u00edvel \u00e0s diversas realidades que habitam uma mesma sala de aula? <em>A forma\u00e7\u00e3o do leitor jovem<\/em> suscita\ninteressantes reflex\u00f5es e proposi\u00e7\u00f5es acerca dessas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o\nobjetivo de oferecer aos professores alternativas para a forma\u00e7\u00e3o de leitores,\nAna Mariza Ribeiro Filipouski e Diana Maria Marchi re\u00fanem em sua obra, al\u00e9m de\nsubs\u00eddios pedag\u00f3gicos, diversas sugest\u00f5es de projetos de trabalho para as\ndisciplinas de L\u00edngua Portuguesa e Literatura, tendo como foco o texto\nliter\u00e1rio e temas de interesse do seu p\u00fablico-alvo: alunos de ensino m\u00e9dio. Sem\nse limitar \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de formar jovens letrados, as autoras visam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de\nleitores cr\u00edticos, num processo que n\u00e3o s\u00f3 potencializa a inser\u00e7\u00e3o desses\njovens na sociedade, mas tamb\u00e9m estimula e capacita sua participa\u00e7\u00e3o enquanto\natores sociais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cAo romper com as preocupa\u00e7\u00f5es da cronologia que costumam organizar os cursos de literatura e comprometer-se com o investimento na qualidade da leitura dos alunos, a partir de temas que fa\u00e7am sentido para os jovens e de textos que promovam desafios, podem ser executadas organiza\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas mais livres, mais motivadoras, que invistam na rela\u00e7\u00e3o interativa da leitura e valorizem o leitor\u201d<\/p><cite>p.26<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, intitulado \u201cA forma\u00e7\u00e3o do leitor liter\u00e1rio\u201d, \u00e9 frisada a natural indissociabilidade de l\u00edngua portuguesa e literatura: \u201c[&#8230;] a literatura est\u00e1 fundada no fen\u00f4meno da l\u00edngua, vincula-se \u00e0 descoberta do mundo e das perplexidades que ele pode suscitar em cada ser humano e pode ser limitada por seus constrangimentos ou viabilizada por potenciais expressivos. Por isso, aprender e ensinar l\u00edngua portuguesa significa tamb\u00e9m aprender e ensinar literatura\u201d (p. 9). <\/p>\n\n\n\n<p>Assim,\na ideia \u00e9 que, a partir de um assunto ou tema sobre o qual os estudantes se\ninteressam, o texto liter\u00e1rio seja o ponto de partida e de chegada do trabalho\na eles proposto. Segundo as autoras, o uso do texto liter\u00e1rio como objeto de\naprendizagem na escola proporciona tanto a conquista de autonomia individual\nquanto a aproxima\u00e7\u00e3o entre os jovens, o que colabora para o desenvolvimento da\ncidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das qualidades do livro de Filipouski e Marchi \u00e9 a leveza e a fluidez de seu texto, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, que \u00e9 feita de maneira bastante did\u00e1tica. Ao final do primeiro cap\u00edtulo, s\u00e3o resumidos alguns procedimentos, previamente explicados, que fazem parte do processo de forma\u00e7\u00e3o do leitor liter\u00e1rio, tais como a abordagem de diferentes habilidades de leitura liter\u00e1ria, o planejamento de leituras progressivamente mais complexas, a oferta de leitura individual supervisionada e o est\u00edmulo da leitura recreativa por meio de contratos de leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>No ensino m\u00e9dio, as diretrizes escolares apontam para uma amplia\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de literatura brasileira, sendo essencial valorizar \u2013 n\u00e3o de maneira acr\u00edtica \u2013 tanto obras cl\u00e1ssicas quanto o que \u00e9 considerado relevante na atualidade. Para Filipouski e Marchi, o est\u00edmulo \u00e0 leitura de textos can\u00f4nicos enquanto forma de di\u00e1logo do passado com o presente pode dar aos jovens um maior sentido na hora de l\u00ea-los. Nesse contexto, as autoras destacam a necessidade de uma progress\u00e3o curricular que valorize a contextualiza\u00e7\u00e3o das leituras e da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o (escrita ou oral), dando sempre especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas tanto discentes quanto docentes e se articulando \u201c\u00e0s condi\u00e7\u00f5es culturais e hist\u00f3ricas que transformam a escola em uma oportunidade social concreta\u201d (p. 27).&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cap\u00edtulo apresenta, ent\u00e3o, as duas dimens\u00f5es que estruturam o eixo da progress\u00e3o curricular \u2013 os temas e os g\u00eaneros do discurso. Os temas possibilitam o cumprimento do papel formador da escola, por meio da transmiss\u00e3o de conhecimentos socialmente relevantes e de refer\u00eancia. Nos projetos sugeridos na obra, os temas s\u00e3o elencados conforme a inquieta\u00e7\u00e3o que determinados assuntos despertam nos alunos e a condi\u00e7\u00e3o de os jovens refletirem sobre si. J\u00e1 os g\u00eaneros dizem respeito aos textos propriamente ditos, \u201ccaracterizados por proximidade de conte\u00fado tem\u00e1tico, estilo e constru\u00e7\u00e3o composicional\u201d (p. 28); podem ser trabalhados por unidade, estimulando-se o contato com diversos autores e a reflex\u00e3o acerca do g\u00eanero dentro de um contexto cotidiano e sociocultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\nfim, no terceiro e \u00faltimo cap\u00edtulo, o foco das autoras passa a abranger, al\u00e9m\nda leitura, a escrita e a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, respondendo aos dois\nprinc\u00edpios que regem seu estudo: o direito \u00e0 frui\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio da\ncidadania.&nbsp; S\u00e3o propostas, assim como no\ncap\u00edtulo anterior, unidades para cada ano do ensino m\u00e9dio, considerando\nposs\u00edveis demandas e objetivos a serem atingidos com os alunos, por\u00e9m\nadicionando tamb\u00e9m conte\u00fados gramaticais e problemas que auxiliem a constru\u00e7\u00e3o\nde conhecimentos por parte dos alunos de maneira aut\u00f4noma e cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-luminous-vivid-amber-color\"><em>Resenha do livro<\/em> <strong>A forma\u00e7\u00e3o do leitor jovem: temas e g\u00eaneros da literatura<\/strong><em>, de Ana Mariza Ribeiro Filipouski e Diana Maria Marchi, publicado pela <a href=\"https:\/\/loja.edelbra.com.br\/a-formacao-do-leitor-jovem-temas-e-generos-da-literatura\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Edelbra (abre numa nova aba)\">Edelbra<\/a> (Erechim, 2011).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\"><strong><em>Sobre a resenhista:<\/em><\/strong><br><br><strong>Natalia Henkin<\/strong> \u00e9 formada em Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual pela PUCRS e cursa a gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; Jornalismo na UFRGS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A meu ver, um dos maiores desafios para um educador \u00e9 encontrar respostas para os questionamentos: o que interessa aos meus alunos? 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