{"id":395,"date":"2019-09-30T15:09:09","date_gmt":"2019-09-30T18:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/?p=395"},"modified":"2022-08-08T14:27:27","modified_gmt":"2022-08-08T17:27:27","slug":"aprendizagem-de-adultos-e-suas-trajetorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/aprendizagem-de-adultos-e-suas-trajetorias\/","title":{"rendered":"Aprendizagem de adultos e suas trajet\u00f3rias"},"content":{"rendered":"\n<p>Existe um momento certo na vida\npara aprender? \u00c9 poss\u00edvel adultos em idade madura adquirirem novos\nconhecimentos, mudarem h\u00e1bitos? E como isso acontece? O livro <em>Trajet\u00f3rias de Adultos na EJA: processo\neducativo e mudan\u00e7as bioecol\u00f3gicas<\/em>, de Fernanda de Brito Kulmann Conzatti e\nT\u00e1rcia Rita Davoglio, pretende responder a essas perguntas, buscando\nidentificar impactos provocados pelo processo educativo formal vivido por\nadultos maduros.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo do conceito de\naprendizagem ao longo da vida, as autoras acompanham de perto as trajet\u00f3rias de\nquatro homens adultos, com idades entre 47 e 68 anos, que voltaram aos bancos\nda escola ap\u00f3s um longo per\u00edodo de afastamento. Elas usam a experi\u00eancia desses\nsujeitos, seus aprendizados, seus medos, suas transforma\u00e7\u00f5es, suas hist\u00f3rias\npara discutirem os sentidos do processo educativo formal de adultos na\nmodalidade Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA).&nbsp;\n<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem est\u00e1 centrada no\nsujeito e em sua trajet\u00f3ria, mas esse sujeito n\u00e3o \u00e9 encarado como um ser\nisolado no mundo. Ele \u00e9 entendido em constante v\u00ednculo, social e afetivo, com\noutros sujeitos e com o contexto que o cerca, numa permanente rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica\nentre pessoa e ambiente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cAs falas apresentadas indicaram que a forma de relacionar-se com o conhecimento na idade madura \u00e9 diferente daquela vivida na inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia. Os conflitos a serem solucionados t\u00eam uma nova dimens\u00e3o. Ademais, os sentidos atribu\u00eddos \u00e0 aprendizagem foram outros, na medida em que os contextos e tempos vividos refletiram uma nova realidade e tornaram-se produtos e produtores de um ambiente que influencia e \u00e9 influenciado pelas pr\u00e1ticas dos sujeitos envolvidos\u201d<\/p><cite>p.131<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As autoras usam a Teoria\nBioecol\u00f3gica do Desenvolvimento Humano (TBDH), de Urie Bronfenbrenner, como\nferramenta te\u00f3rica para evidenciar como a vida escolar dos estudantes se\ndesenvolve em uma rede de rela\u00e7\u00f5es estabelecidas a partir da integra\u00e7\u00e3o,\npermanente e fluida, de cinco sistemas que envolvem a pessoa: o microssistema,\ncomposto por fam\u00edlia, escola, trabalho; o mesossistema, composto pelas inter-rela\u00e7\u00f5es\nestabelecidas entre os microssistemas; o exossistema, que corresponde \u00e0\nvizinhan\u00e7a, aos servi\u00e7os sociais, aos amigos da fam\u00edlia; o macrossistema,\ncaracterizado pelos valores sociais, pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, pelo Estado; e o\ncronossistema, que inclui as condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas, os eventos ao longo da\nvida. <\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Fernanda e T\u00e1rcia apresenta\no argumento de que a experi\u00eancia escolar e o impacto que ela tem na vida dos\nestudantes \u00e9 resultado n\u00e3o somente da escola, de seu projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico,\nde seus professores ou do esfor\u00e7o individual dos alunos. Ela resulta das\nin\u00fameras rela\u00e7\u00f5es que envolvem os estudantes nos cinco sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por serem os sistemas\ninterligados e pelo fato de os sujeitos n\u00e3o se desenvolverem de forma isolada\nno tempo e no espa\u00e7o \u00e9 que os efeitos do processo educativo e da aprendizagem n\u00e3o\nse limitam ao sujeito envolvido diretamente neles. Eles potencialmente atingem\ne modificam tamb\u00e9m o seu entorno: a escola, a fam\u00edlia, o trabalho, a\ncomunidade, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa constatou que aspectos\nexternos aos sujeitos educandos foram elementos-chave no desenvolvimento\npositivo das experi\u00eancias de retorno tardio aos bancos escolares. Entre eles,\nest\u00e3o: o apoio da fam\u00edlia e de amigos; o incentivo da institui\u00e7\u00e3o de trabalho,\nque liberou os estudantes mais cedo para frequentarem a escola; o recebimento\nde bolsa de estudos; a adequa\u00e7\u00e3o de um hor\u00e1rio de estudos compat\u00edvel \u00e0 demanda\ndos estudantes; a possibilidade de aumento salarial ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso;\na proposta pedag\u00f3gica adequada a educandos adultos; as rela\u00e7\u00f5es de afeto e\nconfian\u00e7a estabelecidas com professores e demais atores escolares.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante destacar que o\nabandono precoce das escolas pelos sujeitos pesquisados ou mesmo a\nimpossibilidade de acessar a escola na idade regular encontram algumas de suas explica\u00e7\u00f5es,\nnovamente, em elementos externos aos sujeitos, como a necessidade de trabalhar\nmuito jovem, a condi\u00e7\u00e3o de pobreza material das fam\u00edlias, a falta de\ninfraestrutura escolar, tanto material quanto humana, um contexto hist\u00f3rico de\nbaixa escolaridade na fam\u00edlia e ambientes de aprendizagem n\u00e3o favor\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao destacarem a condi\u00e7\u00e3o sist\u00eamica\ndo ato educativo, as autoras evidenciam que educar pessoas adultas requer a\ncompreens\u00e3o destas e de outras imbrica\u00e7\u00f5es, sociais e afetivas, no\ndesenvolvimento do sujeito, de forma a oportunizar estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas\nadequadas. Dessa forma, elas abrem um di\u00e1logo direto com leitores que se\ninteressem pelas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que envolvam adultos, inclusive gestores\np\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Trajet\u00f3rias de Adultos na EJA: processo educativo e mudan\u00e7as bioecol\u00f3gicas<\/em> \u00e9 fruto de um processo de pesquisa <em>stricto sensu<\/em>. Ele est\u00e1 composto por nove cap\u00edtulos, al\u00e9m de uma introdu\u00e7\u00e3o e de notas de encerramento. Ao longo dos cap\u00edtulos, as autoras apresentam a pesquisa realizada. Para isso, os cap\u00edtulos 1 e 2 se ocupam da constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica adotada. Ali est\u00e3o algumas notas sobre a modalidade EJA e a educa\u00e7\u00e3o de adultos, al\u00e9m de uma discuss\u00e3o te\u00f3rica sobre idade adulta madura, aprendizagem e processos de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-luminous-vivid-amber-color\"><em>Resenha do livro<\/em> <strong>Trajet\u00f3rias de Adultos na EJA: processo educativo e mudan\u00e7as bioecol\u00f3gicas<\/strong><em>, de Fernanda de Brito Kulmann Conzatti e T\u00e1rcia Rita Davoglio, publicado pela <a href=\"https:\/\/www.editoraappris.com.br\/produto\/2466-trajetrias-de-adultos-na-eja-processo-educativo-e-mudanas-bioecolgicas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Editora Appris  (abre numa nova aba)\">Editora Appris <\/a>(Curitiba, 2018).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\"><em><strong>Sobre a resenhista:<\/strong><\/em><br><br><strong>Bet\u00e2nia Cordeiro<\/strong> \u00e9 jornalista e doutoranda no PPG em Educa\u00e7\u00e3o da UFRGS na linha de pesquisa Trabalho, Movimento Social e Educa\u00e7\u00e3o. Estuda processos formativos relacionados \u00e0 autogest\u00e3o, ao trabalho associado e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o popular. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um momento certo na vida para aprender? \u00c9 poss\u00edvel adultos em idade madura adquirirem novos conhecimentos, mudarem h\u00e1bitos? E como isso acontece? 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