{"id":437,"date":"2019-11-18T09:00:50","date_gmt":"2019-11-18T12:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/?p=437"},"modified":"2022-08-08T14:23:55","modified_gmt":"2022-08-08T17:23:55","slug":"informacao-gerada-no-passado-acessivel-no-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/informacao-gerada-no-passado-acessivel-no-presente\/","title":{"rendered":"Informa\u00e7\u00e3o gerada no passado acess\u00edvel no presente"},"content":{"rendered":"\n<p>Se n\u00e3o existisse mem\u00f3ria, todo o processo de ac\u00famulo do\nconhecimento estacionaria permanentemente na fase da aquisi\u00e7\u00e3o. A mem\u00f3ria d\u00e1 o\nsentido de identidade, pois, ao sabermos o que fomos, confirmamos o que somos,\ndando-se a no\u00e7\u00e3o de continuidade. <\/p>\n\n\n\n<p>A obra <em>Mem\u00f3ria:\ninterfaces no campo da informa\u00e7\u00e3o<\/em> traz um conjunto de 10 artigos que tratam\ndos conceitos e das rela\u00e7\u00f5es entre mem\u00f3ria, informa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o.\nOrganizada com a contribui\u00e7\u00e3o de pesquisadores em torno do tema, evidencia a\nprofunda imbrica\u00e7\u00e3o entre mem\u00f3ria e informa\u00e7\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o fica a cargo do\nrenomado pesquisador Rafael Capurro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o que interessa para a Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a\ninforma\u00e7\u00e3o registrada, a mem\u00f3ria \u00e9, por sua vez, o passado registrado, o qual\nnos confere a identidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA subjetividade nos processos informacionais, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem ao emissor (quando for humano), nem ao receptor estar desvinculado das emo\u00e7\u00f5es, torna a informa\u00e7\u00e3o, a partir dessa \u00f3tica, um produto exclusivamente humano e, portanto, um artefato.\u201d <\/p><cite>p.62<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os textos trazem algumas luzes para bibliotec\u00e1rios,\narquivistas, muse\u00f3logos e cientistas da informa\u00e7\u00e3o refletirem sobre as quest\u00f5es\nsociais que os cercam e, acima de tudo, sobre a relev\u00e2ncia da interven\u00e7\u00e3o\ndesses profissionais nos debates sociais \u2013 em especial na mem\u00f3ria explicitada\nnos documentos que denotam as escolhas, os apagamentos, os silenciamentos e as rela\u00e7\u00f5es\nde poder.<\/p>\n\n\n\n<p>As aproxima\u00e7\u00f5es conceituais entre mem\u00f3ria e Ci\u00eancia da\nInforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o relativamente recentes, datadas do s\u00e9culo XX. Assim, a \u201cCi\u00eancia\nda Informa\u00e7\u00e3o que se ocupava apenas com documentos cient\u00edficos passa a ter um\ninteresse nos objetos produzidos no cotidiano das rela\u00e7\u00f5es sociais: cartas,\nfotografias, filmes, esculturas religiosas&#8230;\u201d (p. 55).<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos d\u00e3o um enfoque para a categoria da mem\u00f3ria social<strong>, <\/strong>a qual se entende\npor\u201ctextos com foco nos registros da informa\u00e7\u00e3o como mem\u00f3ria\nsocialmente constru\u00edda, representada e compartilhada por um grupo, estejam eles\ninstitucionalizados ou n\u00e3o\u201d (p. 97).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns artigos versam sobre estudos, pesquisas e a relev\u00e2ncia\ndo tema, constatando um aumento significativo dessa abordagem nos \u00faltimos anos.\n<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria tem caracter\u00edsticas multifacetadas e poliss\u00eamicas\ntendo distintas conota\u00e7\u00f5es de acordo com as \u00e1reas do saber. Na Hist\u00f3ria, vista\ncomo um fator identit\u00e1rio de um povo, de uma comunidade. Na Arquitetura, associada\n\u00e0 ideia dos monumentos comemorativos; na Neuroci\u00eancia, como faculdade do c\u00e9rebro\nque conserva e reproduz conhecimentos; nos Estudos Liter\u00e1rios, narrativas que\ncompilam fatos vividos pelo autor. Na Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o, seriam informa\u00e7\u00f5es\npassadas que, analisadas sob uma perspectiva de tempo, podem ser\nressignificadas no presente. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, dois conceitos \u2013 mem\u00f3ria e informa\u00e7\u00e3o \u2013 que ocupam\nlugar central na base da fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da \u00e1rea disciplinar da Ci\u00eancia\nda Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-luminous-vivid-amber-color\"><em>Resenha do livro<\/em> <strong>Mem\u00f3ria: interfaces no campo da informa\u00e7\u00e3o<\/strong><em>, organizado por Eliane Braga de Oliveira e Georgete Medleg Rodrigues e publicado pela Editora da UnB (Bras\u00edlia, 2017)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\"><strong><em>Sobre a resenhista:<\/em><\/strong> <br><br><strong>Patr\u00edcia Saldanha<\/strong> \u00e9 bacharel em Biblioteconomia, mestranda no PPG em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o da UFRGS e atua com os temas de narrativas, mem\u00f3rias e feminismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se n\u00e3o existisse mem\u00f3ria, todo o processo de ac\u00famulo do conhecimento estacionaria permanentemente na fase da aquisi\u00e7\u00e3o. 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