{"id":444,"date":"2019-11-25T16:19:40","date_gmt":"2019-11-25T19:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/?p=444"},"modified":"2022-08-08T14:23:20","modified_gmt":"2022-08-08T17:23:20","slug":"mulheres-em-movimento-no-passado-e-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/lugardelivro\/mulheres-em-movimento-no-passado-e-presente\/","title":{"rendered":"Mulheres em movimento no passado e presente"},"content":{"rendered":"\n<p>De\nleitura agrad\u00e1vel, o ensaio de Carla Rodrigues \u00e9 bastante simp\u00e1tico. Carla \u00e9\nfil\u00f3sofa, professora de \u00c9tica da UFRJ e pesquisadora de epistemologias\nfeministas. O feminismo apresentado no texto \u00e9 hist\u00f3rico, cr\u00edtico, vasto,\nplural, com a presen\u00e7a de mulheres guerreiras brasileiras, que s\u00e3o invisibilizadas\nna Hist\u00f3ria do Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>O\ntexto de abertura apresenta uma historiografia n\u00e3o linear. Segundo Carla, a invisibilidade\ndas mulheres na Hist\u00f3ria promoveu a produ\u00e7\u00e3o de uma \u201chistoriografia pr\u00f3pria\u201d, \u201cfazendo do ato de contar a pr\u00f3pria\ntrajet\u00f3ria um ato de resist\u00eancia\u201d (p. 11). Por meio de fios de condu\u00e7\u00e3o, retoma\nmuitas protagonistas. O primeiro \u00e9 o das #Resist\u00eancias (formato utilizado pela\nautora) das mulheres negras contra a escravid\u00e3o. &nbsp;Neste, destacam-se: Luiza Mahin, uma das\nl\u00edderes da Revolta dos Mal\u00eas, de 1835; Tereza de Benguela, rainha escravizada e\nl\u00edder do Quilombo Quariter\u00ea; Carolina de Jesus, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Djamila\nRibeiro, Lelia Gonzalez; mulheres negras de coletivos como <em>Slam das Minas<\/em>,\nselo editorial <em>Feminismos Plurais<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cFeministas s\u00e3o vastas quanto os oceanos e est\u00e3o em permanente movimento para reduzir os continentes masculinos de poder. A hist\u00f3ria da pol\u00edtica feminista respira por estas ondas que se erguem, acumulam, quebram e varrem. A for\u00e7a dos feminismos est\u00e1 na sua dial\u00e9tica infinita como horizonte\u201d. <\/p><cite> (p. 62) <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No fio seguinte, #Escrever, Editar, Publicar, Carla destaca a publica\u00e7\u00e3o\nde textos feministas no Brasil. Entre as protagonistas, est\u00e3o: N\u00edsia Floresta, com\na tradu\u00e7\u00e3o da obra hist\u00f3rica de Mary Wollstonecraft, <em>Direitos das mulheres e injusti\u00e7a dos homens;<\/em> Rose Marie Muraro,\nautora e editora de muitos livros sobre a tem\u00e1tica das mulheres; Heloisa\nBuarque de Holanda, Danda Prado, Maria Amelia de Almeida Teles, Guacira Lopes\nLouro. <\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro fio, #Internacional e Decolonial, a autora afirma ser\nimportante um olhar cr\u00edtico sobre nossos conhecimentos, fontes, referenciais, para\nn\u00e3o ficarmos em uma condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia intelectual e n\u00e3o negligenciarmos os\npr\u00f3prios saberes. No \u00faltimo fio, #Constru\u00e7\u00e3o e Desconstru\u00e7\u00e3o do Conceito de G\u00eanero, Carla reflete\nacerca dos avan\u00e7os e limites da categoria g\u00eanero e apresenta autoras e suas\ncontribui\u00e7\u00f5es para pensar esse percurso, al\u00e9m dos desafios dentro e fora das universidades,\npesquisas, \u00e1reas do conhecimento.&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo ensaio que comp\u00f5e a obra, a autora afirma que as mobiliza\u00e7\u00f5es\nfeministas de 2015 s\u00e3o parte da quarta onda feminista. Segundo ela, as ondas\nn\u00e3o s\u00e3o inteiramente novas ou independentes, s\u00e3o for\u00e7as hist\u00f3ricas e vivas.\nComo protagonistas est\u00e3o as mulheres negras, l\u00e9sbicas, trans, intelectuais; integrantes\nda Primavera das Mulheres, da Marcha das Vadias, da Marcha das Mulheres Negras e\nda Marcha das Margaridas e protagonistas do #foratemer e #ficaquerida. <\/p>\n\n\n\n<p>Carla constr\u00f3i uma met\u00e1fora das ondas do mar: \u201cS\u00e3o movimentos que\ncome\u00e7am a subir a partir da calmaria inst\u00e1vel para se lan\u00e7ar contra a dureza da\nmisoginia, da viol\u00eancia, do preconceito velado; ora submerge, ora volta \u00e0\nsuperf\u00edcie\u201d (p. 40).&nbsp;As ondas feministas modificam-se diante do que chama\nde plasticidade do machismo no Brasil. Apresenta como desafio permanente a\nconstru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as entre os feminismos e entre as gera\u00e7\u00f5es e cita o exemplo\nda Fran\u00e7a, que viu a aproxima\u00e7\u00e3o entre marxistas e p\u00f3s-estruturalistas, \u201cambas\ncorrentes reconhecendo que as diferen\u00e7as de abordagem n\u00e3o s\u00e3o maiores do que as\nproximidades. Pensar o sexo como discurso, como fazem as p\u00f3s-estruturalistas,\nn\u00e3o impede que se acrescente a isso a percep\u00e7\u00e3o das marxistas de que g\u00eanero,\nra\u00e7a e classe e lugar de origem s\u00e3o marcadores de discrimina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m se\nsustentam em um discurso hegem\u00f4nico\u201d. (p. 60).<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer das considera\u00e7\u00f5es finais est\u00e3o presentes reflex\u00f5es sobre a palavra\n\u201cproblema\u201d. Segundo a pesquisadora, as mulheres s\u00e3o, historicamente, causadoras\nde problemas ao questionarem as desigualdades da ordem institu\u00edda. \u201cAs\ndemocracias representativas s\u00e3o hoje, na sua grande maioria, oligarquias\nsustentadas sobre a ideia de que h\u00e1 uma diferen\u00e7a clara e distinta entre quem\npode ser governado e quem pode governar\u201d (p. 66). Carla retoma a ideia de Judith\nButler de uma ontologia do corpo, uma esp\u00e9cie de distribui\u00e7\u00e3o desigual da\nprecariedade da vida a partir do g\u00eanero, da ra\u00e7a, da classe e da sexualidade. Para\nela, a viol\u00eancia estatal escancara a ideia de corpos que merecem viver e corpos\nque merecem morrer, e estes \u00faltimos s\u00e3o corpos de mulheres, gays, l\u00e9sbicas,\npessoas trans, jovens negros, entre outras. Carla dialoga com outros autores e\nnos auxilia a pensar os desafios para uma democracia real ou, como afirma\nButler, radical. <\/p>\n\n\n\n<p>Ter contato com os ensaios de Carla foi uma experi\u00eancia instigante por se tratar de uma importante pensadora do feminismo no Brasil, e por sua obra proporcionar uma maior visibilidade da vida e das contribui\u00e7\u00f5es de importantes mulheres brasileiras. Sua linguagem \u00e9 flu\u00edda e nos proporciona uma compreens\u00e3o da hist\u00f3ria do feminismo no Brasil e seus desafios.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-luminous-vivid-amber-color\"><em>Resenha do livro <\/em>Breve Hist\u00f3ria Cr\u00edtica do Feminismo no Brasil<em>, de Carla Rodrigues, publicado pela <strong><a href=\"https:\/\/revistasdecultura.com\/cadernos-ultramares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Oca Editorial  (abre numa nova aba)\">Oca Editorial <\/a><\/strong>(Lisboa, 2019)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\" class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\"><strong><em>Sobre a resenhista<\/em><\/strong><em>:<\/em><br><br><strong>Camila Tomazzoni Marcarini <\/strong>\u00e9 professora formada em Letras, atualmente doutoranda do PPG em Educa\u00e7\u00e3o da UFRGS. Estuda temas como universidade, feminismo, forma\u00e7\u00e3o humana, \u00e9tica e pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De leitura agrad\u00e1vel, o ensaio de Carla Rodrigues \u00e9 bastante simp\u00e1tico. Carla \u00e9 fil\u00f3sofa, professora de \u00c9tica da UFRJ e pesquisadora de epistemologias feministas. O feminismo apresentado no texto \u00e9 hist\u00f3rico, cr\u00edtico, vasto, plural, com a presen\u00e7a de mulheres guerreiras brasileiras, que s\u00e3o invisibilizadas na Hist\u00f3ria do Brasil. 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