É verdade que pode ter reativação do vírus causador da COVID-19 após o paciente ter sido considerado curado?

Os autores chineses analisaram 55 pacientes que tiveram pneumonia causada pela COVID-19. Dos 55 pacientes, cinco apresentaram reativação do vírus após terem recebido alta do hospital, o que equivale a 9% dos pacientes. Esses cinco pacientes tiveram resultados positivos para a presença do vírus entre quatro a 17 dias após terem apresentado resultados negativos.

Os cinco pacientes tinham idades entre 27 e 42 anos e nenhum tinha comorbidades (outras doenças associadas que são consideradas fatores de risco), como diabetes, hipertensão ou doença cardiovascular. Um deles tinha histórico de tuberculose. Nenhum dos pacientes desenvolveu pneumonia severa na reativação do vírus.

Os sintomas clínicos desses cinco pacientes foram similares ao relatado em pacientes sem reativação do vírus: febre, tosse, dor de garganta e fadiga. Isso significa que não há como diferenciar clinicamente os dois grupos.

Os autores mencionam que ainda temos questões urgentes a serem respondidas, como quais os fatores de risco associados a uma possível reativação da doença. De qualquer forma, é preocupante o fato de pacientes recuperados poderem ainda ser portadores do vírus. Por fim, os autores sugerem que pacientes recuperados sejam testados para a presença do vírus durante um período de tempo maior.

NESSES TEMPOS EM QUE COMEÇAMOS A DISCUTIR A VOLTA ÀS ATIVIDADES DE PESSOAS QUE JÁ TIVERAM A COVID-19, ESSES DADOS DEVEM SER LEVADOS EM CONTA.

FONTE: Clinical characteristics of severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 reactivation. Ye G, Pan Z, Pan Y, Deng Q, Chen L, Li J, Li Y, Wang X. J Infect. 2020 Mar 20. pii: S0163-4453(20)30114-6. doi: 10.1016/j.jinf.2020.03.001.