O uso desnecessário de luvas cirúrgicas representa um risco para contaminação cruzada?

Veja essa contribuição da Dra. Sandra Mendes, da EPAGRI-SC.

Sabemos que vivemos tempos sem precedentes com o evento da pandemia do COVID-19. Estamos sendo bombardeados com informações para nos capacitar, evitar o contágio e consequentemente não adoecer. Desta enxurrada de informações, temos as recomendações para uso de álcool (70%), álcool na forma de gel e lavar as mãos com sabão por pelo menos 20 segundos (procedimento correto para higienização das mãos).  Ultimamente, tem sido orientado o uso correto de máscara de pano pela população.

 Já viu o SARS-CoV-2? O que não é visto, não é lembrado.

Nossa capacidade visual não nos permite, a olho nu, visualizar o coronavírus. Observar estruturas microscópicas com auxílio de equipamentos chamados microscópios é fascinante e permite que alguns de nós tenham a oportunidade de ver o vírus e estudá-lo.  Com isso, temos uma vantagem que é a percepção de imaginar quais as possibilidades de contaminação em nosso dia a dia. Infelizmente, a maioria da população não tem esta percepção de que o vírus pode estar presente em diferentes tipos de superfícies e suspensões.

O uso de luvas pode evitar ou reduzir o espalhamento do SARS-CoV-2?

SIZUN et al. (2020) sugeriram que superfícies e suspensões podem ser consideradas como possíveis fontes de contaminação que podem levar a infecções hospitalares por coronavirus em humanos (HCoV) e devem ser desinfetadas adequadamente.

Entre as superfícies estudadas, destacamos a luva cirúrgica de látex que foi testada com duas linhagens de HCoV (229E e OC43). Nas condições utilizadas nos experimentos, a persistência do vírus foi até 6 horas.

Segundo informativo da ANVISA/OMS, as luvas são recomendadas para os profissionais de saúde e somente no momento do procedimento por dois motivos importantes: i) evitar que os vírus presentes nas mãos transitoriamente sejam transferidos para o paciente e de um paciente para outro e, ii) reduzir o risco dos próprios profissionais de saúde adquirirem infecções dos pacientes.

O uso de luvas em situações não recomendadas representa um desperdício de recursos sem que, necessariamente, leve à redução de transmissão cruzada do vírus e pode resultar em perda da oportunidade para higienização das mãos.  O uso de luvas não substitui a necessidade de higienização das mãos com preparação alcoólica ou água e sabonete.

CUIDADO COM A FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA AO USAR LUVAS DE LÁTEX. É PREFERÍVEL NÃO USAR AS LUVAS E HIGIENIZAR AS MÃOS FREQUENTEMENTE.

VEJA AS DIRETRIZES DA OMS PARA O USO ADEQUADO DE LUVAS CIRÚRGICAS.

FONTE: Survival of human coronaviruses 229E and OC43 in suspension and after drying on surfaces: a possible source of hospital-acquired infections. Sizun J, Yu MW, Talbot PJ. J Hosp Infect 2000;46:55e60.

3 respostas para “O uso desnecessário de luvas cirúrgicas representa um risco para contaminação cruzada?”

  1. Conteúdo muito interessante e esclarecedor.
    Temos visto luvas sendo usadas em todos os lados (comercio, escolas, etc) e sem a informação completa.

    1. Oi, Helena. Infelizmente, isso é a realidade. Luvas e máscaras podem nos proteger, mas temos que saber como usar. O uso inadequado só atrapalha e dá a falsa sensação de segurança.

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