Começam a ser publicados trabalhos de pesquisadores brasileiros sobre a COVID-19. Quer saber?

A pesquisa de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil é feita para caracterizar a circulação dos vírus influenza e outros vírus respiratórios. A COVID-19 foi detectada no Brasil na 9ª semana epidemiológica (as semanas epidemiológicas são contadas de domingo a sábado, iniciando em janeiro) e o teste para o SARS-CoV-2 foi introduzido no painel de vírus respiratórios testados na 12ª semana epidemiológica.

Pesquisadores brasileiros investigaram o padrão de hospitalizações pelas SRAGs no Brasil desde a entrada do novo coronavírus e compararam com o padrão dos últimos 10 anos.

Entre as semanas epidemiológicas 9 (primeiro caso detectado) e 12 (introdução do SARS-CoV-2 no painel de vírus testados em casos de SRAG), houve um aumento do número de casos de COVID-19. A taxa de hospitalização devido à SRAG, independente do agente etiológico (microrganismo que causou a síndrome), também aumentou. Estimativas de registro de SRAG, corrigidas por causa do atraso nas notificações, apontam que a real ocorrência das SRAGs na 12ª semana epidemiológica é 59% maior do que a oficial. Esse aumento no número de SRAGs se correlaciona com o aumento no número de casos de COVID-19.

Crianças de 0 a 2 anos representam a maior proporção de hospitalizações por SRAG entre os anos de 2010 a 2019, mas esse padrão mudou em 2020, quando a faixa etária com maior número de hospitalizações passou a ser 60 anos ou mais.

Como o teste para o vírus SARS-CoV-2 só foi introduzido no painel de investigação na 12ª semana epidemiológica, os pesquisadores analisaram os casos das semanas 9 a 12 que foram negativos para os vírus respiratórios mais comuns (influenza e outros). De 2010 a 2019, entre 50 e 70% dos testes deram negativo. Em 2020, a proporção aumentou para quase 95%.

Esses dados demonstram que a hospitalização por COVID-19 já estava sobrecarregando o sistema de saúde brasileiro mesmo antes dos casos serem confirmados como COVID-19.

A COVID-19 chegou ao Brasil em uma época do ano em que as SRAGs são pouco frequentes. Há uma tendência de aumento de SRAG no outono e inverno, especialmente nos estados do sul do país.

ISSO LANÇA UM ALERTA, NÃO É?

FONTE: COVID-19 and hospitalizations for SARI in Brazil: a comparison up to the 12th epidemiological week of 2020. Bastos LS, Niquini RP, Lana RM, Villela DAM, Cruz OG, Coelho FC, Codeço CT, Gomes MFC. Cad Saude Publica. 2020 Apr 22;36(4):e00070120. doi: 10.1590/0102-311X00070120.