Médicos paulistas divulgaram uma esperança no tratamento da COVID-19. Interessado?

O artigo foi divulgado na plataforma medRxiv, que distribui artigos completos na área de saúde, ainda não publicados oficialmente. Apesar do site alertar que os artigos divulgados ainda não foram avaliados pelos pares (processo de avaliação de artigos científicos para publicação) e, portanto, não devem ser considerados para aplicação clínica nem divulgados pela mídia como informações estabelecidas, a plataforma é um veículo importante de divulgação de novidades na área de saúde.

Sabe-se que a autópsia de pacientes de COVID-19 que foram a óbito revelou microtrombos no pulmão, sugerindo que a coagulação intravascular é importante na falência dos órgãos. A infecção com SARS-CoV-2 causa uma tempestade de citocinas (proteínas que regulam a resposta imunológica) que ativa a cascata de coagulação, causando trombose. Os microtrombos no pulmão obstruem os capilares envolvidos nas trocas gasosas, causando hipoxemia (baixa concentração de oxigênio no sangue arterial).

Ao observar um de seus pacientes, a equipe de médicos paulista considerou a hipótese de que a falência respiratória pudesse ser causada por obstrução extensa dos capilares pulmonares. Eles consideraram, então, o uso precoce de heparina (anticoagulante) no tratamento padrão adotado nos hospitais nos quais trabalhavam.

Nesse artigo, os médicos relatam o que aconteceu com os primeiros 27 pacientes tratados com heparina. Houve uma melhora significativa na troca gasosa e nos sintomas clínicos da COVID-19 nesses pacientes. Não foram observadas mortes ou complicações hemorrágicas causadas pela heparina ao longo do estudo.

Os autores alertam que este é um estudo não sistematizado, portanto, sem uso de grupos controle para comparação, além de ser um relato do caso de 27 pacientes apenas. Portanto, ainda não é possível adotar a heparina em todos os casos de pacientes com COVID-19.

MAS É UMA ESPERANÇA, NÃO É?

FONTE: Heparin therapy improving hypoxia in COVID-19 patients – a case series. Elnara Marcia Negri, Bruna Mamprim Piloto, Luciana Kato Morinaga

Carlos Viana Poyares Jardim, Shari Anne El-Dash Lamy, Marcelo Alves Ferreira, Elbio Antonio D’Amico e Daniel Deheinzelin. medRxiv doi: https://doi.org/10.1101/2020.04.15.20067017.