Mais lições da História…

Da Doença dos Legionários nos anos 1970 à AIDS, Ebola, SARS e COVID-19, as doenças contagiosas continuam a ameaçar as populações humanas.

Uma estrutura arquetípica de uma epidemia tem três atos. Os primeiros sinais são sutis e os cidadãos tendem a ignorar que algo está acontecendo até que a aceleração da doença e as mortes forçam esse reconhecimento. O reconhecimento inicia o segundo ato, no qual as pessoas pedem e oferecem explicações, gerando respostas públicas que fazem um terceiro ato tão dramático quanto a própria doença. As epidemias finalmente acabam, seja por causa de ações da sociedade ou por terem acabado as vítimas suscetíveis. Esse drama está acontecendo com a COVID-19.

As epidemias pressionam as sociedades e tornam visíveis estruturas latentes que não seriam evidentes de outra forma. Elas revelam o que realmente importa para uma população e quais os seus verdadeiros valores. Um aspecto dramático da resposta às epidemias é a necessidade de achar um responsável. Dos judeus da Europa medieval aos mercadores chineses, alguém é sempre culpado.

Esse coronavírus em particular pode ser novo, mas os historiadores já viram essa história antes. Um novo patógeno emergiu na China? Isso não é surpresa: a China foi o local de origem de várias pandemias no passado. As pessoas demoraram a reconhecer o perigo?

Dois aspectos familiares da resposta às epidemias são de cortar o coração: !) a estigmatização segue de perto os calcanhares da epidemia. A hostilidade para com os chineses tem sido recorrente, seja na peste que atingiu São Francisco em 1900, na SARS de 2003 ou na atual COVID-19; 2) epidemias muito frequentemente tiram a vida dos profissionais de saúde, principalmente por causa das condições inadequadas de trabalho.

TEMOS MUITO A APRENDER COM A HISTÓRIA.

FONTE: History in a Crisis – Lessons for Covid-19. Jones DS. N Engl J Med. 2020 Apr 30;382(18):1681-1683. doi: 10.1056/NEJMp2004361. Epub 2020 Mar 12.