Publicado artigo com resultados preocupantes sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento da COVID-19.

No último dia 22 de maio foi publicado um artigo na revista The Lancet sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19. Esses medicamentos têm sido utilizados em alguns países, mesmo sem comprovação científica de sua eficácia no tratamento da COVID-19. Os autores comentam que estudos sistematizados sobre a eficácia desses medicamentos estão em andamento, mas argumentam que é necessária uma orientação urgente sobre o uso clínico dessas drogas.

Para tanto, os autores compilaram informações sobre mais de 96 mil pacientes de COVID-19 hospitalizados em vários continentes (América do Norte, Europa, Ásia, África, América Latina e Austrália). Os pacientes foram divididos em dois grupos: os que haviam sido tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina, em conjunto ou não com um antibiótico do grupo dos macrolídeos (ex: azitromicina); e os que não haviam sido tratados com essas drogas (grupo controle). A inclusão de pacientes nesse estudo foi bastante criteriosa, eliminando pacientes em estágios mais avançados da doença para que não influenciassem nas análises. Entre outros itens avaliados, os autores analisaram o número de dias de internação em UTI, uso de ventilação mecânica, aparecimento de arritmias cardíacas e taxa de mortalidade.

Foi observado que os regimes de tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina, sozinhas ou em combinação com o antibiótico, estavam associados com maior risco de arritmias cardíacas e óbito durante a hospitalização, além do aumento do tempo de uso de ventilação mecânica. Por outro lado, não foi observada diminuição do tempo de internação em UTI.

A cloroquina e a hidroxicloroquina podem estar associadas à toxicidade cardíaca por causa de sua conhecida relação com instabilidade elétrica, caracterizada por aumento do tempo entre a polarização e repolarização do ventrículo (prolongamento do intervalo QT). Isso pode causar arritmia cardíaca. Os danos ao coração causados pelo SARS-CoV-2 podem aumentar a propensão à arritmia cardíaca, causando preocupação sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19.

A RECOMENDAÇÃO DE TRATAMENTOS MÉDICOS NÃO COMPROVADOS É ARRISCADA, MESMO QUANDO NÃO SE CONHECE UM TRATAMENTO EFICAZ PARA UMA DOENÇA.

FONTE: Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis. Mandeep R Mehra, Sapan S Desai, Frank Ruschitzka, Amit N Patel. www.thelancet.com Published online May 22, 2020 https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31180-6.

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