Lições aprendidas no desenvolvimento de vacinas para a SARS e a MERS podem ajudar no desenvolvimento para a COVID-19.

Um artigo de revisão publicado na revista Infectious Diseases and Therapy discorre sobre os esforços para o desenvolvimento de vacinas para coronavírus relevantes clinicamente e argumenta que o conhecimento obtido no desenvolvimento de vacinas para a SARS, pandemia ocorrida em 2002/2003, e a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) pode auxiliar no desenvolvimento de vacinas para a COVID-19.

As razões para a falta de vacinas comerciais eficazes contra a SARS e a MERS são variadas. No caso da MERS, é provável que o desenvolvimento da vacina tenha sido retardado por causa da escassez de modelos animais para experimentação pré-clínica. Além disso, existe pouco interesse em uma vacina já que a doença é muito limitada geograficamente (atinge países do Oriente Médio).  No caso da SARS, provavelmente foi considerado sem sentido continuar a investir em uma vacina para uma doença que deixou de ser reportada em 2004.

Apesar de não existirem vacinas comercialmente disponíveis para essas doenças, foi realizado um esforço de pesquisa para o seu desenvolvimento. Após a pandemia de SARS, vários laboratórios em todo o mundo começaram as pesquisas para uma vacina. A maioria das vacinas tinha como alvo a glicoproteína da espícula (Spike) do vírus. Uma vacina que induzisse resposta imunológica forte contra essa proteína iria ter um efeito significativo impedindo a entrada do vírus na célula hospedeira. Também foram estudadas vacinas baseadas em partículas virais inativadas ou atenuadas, vírus recombinante, DNA e outras. Devido à virulência do vírus da SARS, estudos com seres humanos não foram conduzidos, portanto, o efeito protetor das vacinas não foi testado.

Várias vacinas foram desenvolvidas contra a MERS, a maioria também baseada na glicoproteína da espícula. O autor menciona que, ao que ele saiba, apenas uma vacina de DNA já foi avaliada em testes clínicos, mas nenhuma está disponível comercialmente.

O ideal é que a vacina confira proteção a longo prazo. Sabe-se que para o SARS-CoV (da SARS), as células de memória T foram detectadas nos indivíduos sobreviventes seis anos após a infecção. Além disso, anticorpos neutralizantes foram detectados 24 meses após a infecção, indicando um certo nível de proteção. No caso da MERS, sabe-se que os anticorpos neutralizantes persistem por 34 meses e as células de memória T foram detectadas 24 meses após a infecção.

ESSAS INFORMAÇÕES SÃO UM ALENTO. É POSSÍVEL QUE UMA VACINA EFICAZ CONTRA A COVID-19 SEJA DESENVOLVIDA.

FONTE:  Vaccines for SARS-CoV-2: Lessons from Other Coronavirus Strains. Eriko Padron-Regalado. Infect Dis Ther. 2020 Apr 23 : 1–20. doi: 10.1007/s40121-020-00300-x