QUEDA DAS NOTIFICAÇÕES DE DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA: SUBNOTIFICAÇÃO OU MENOR PROCURA DA POPULAÇÃO?

Contribuição de Júlia dos Santos Barcellos (Biomédica formada pela UniRitter)

Com o aumento de casos de pessoas contaminadas com o novo coronavírus SARS-CoV-2, o número de casos de outras doenças infecciosas, como a dengue, zika e chikungunya a partir da SE (Semana Epidemiológica) 12 tem apresentado uma queda brusca, de acordo com Boletim epidemiológico apresentado pelo Ministério da Saúde. Isso levantou a dúvida se era possível que a pandemia atual estivesse influenciando nestes casos de alguma maneira ou poderia estar havendo subnotificação dessas doenças.

Um estudo realizado no Piauí analisou que as ocorrências de dengue estavam próximas do padrão ocorrido nos anos anteriores na SE 10, porém a partir do período em que começaram os primeiros registros de casos confirmados de COVID-19 no estado na SE 12, houve uma diminuição  das notificações de dengue.

Já o estado do Alagoas, de acordo com os dados do Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, registrou 1.216 casos prováveis de dengue, 58 de zika e 33 de chikungunya, todos os números de casos apresentados neste ano sendo inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado. No estado da Paraíba, de acordo com o mesmo boletim, foram registrados 2.851 casos prováveis de dengue, uma queda de 79,57% comparado aos números registrados no último ano. Com relação ao chikungunya, foram notificados 310 casos prováveis, enquanto em 2019 houve 1.018 casos, e foram notificados 24 casos prováveis de zika, representando um decréscimo de quase 93% em comparação ao último ano, com 312 casos.

No Rio de Janeiro, foram registrados 3.261 casos prováveis de chikungunya nos últimos 5 meses, contra mais de 76 mil no mesmo período do ano passado. A dengue conta com quase 4 mil casos, enquanto no mesmo período em 2019 foi mais de 30 mil; a zika com 102 casos, contra 1500.

O boletim epidemiológico da Semana 23 de 2020 informou a diminuição dos casos prováveis em relação ao ano de 2019. O Ministério da Saúde argumenta que esta redução pode ser atribuída à mobilização que as equipes de vigilância epidemiológica estaduais estão realizando diante do enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus (Covid-19), após a confirmação dos primeiros casos no Brasil em março de 2020, ocasionando em um atraso ou subnotificação para os casos das arboviroses.

Claramente, essas subnotificações são um dos sinais do impacto que a pandemia tem no Sistema Único de Saúde. Esse impacto tende a ser maior em estados com condições mais precárias. Essas subnotificações podem em parte estar associadas à orientação da população a não procurar serviços de saúde a menos que esteja com sintomas sérios, assim como o desvio de recursos para a atenção à pandemia do COVID-19. Faz-se necessário a sensibilização dos profissionais para a suspeição e notificação, além de pesquisas relacionadas ao assunto e treinamento adequado dos profissionais da saúde, em função dos sistemas de saúde mostrarem desconhecimento a respeito dos efeitos da coinfecção em um mesmo indivíduo, o que pode resultar em diagnósticos errôneos e mal acompanhamento do paciente.

CUIDEM-SE, LAVEM AS MÃOS, FAÇAM DISTANCIAMENTO SOCIAL, PORÉM NÃO PODEMOS ESQUECER DE OUTRAS DOENÇAS E SEUS CUIDADOS!

Fonte: Mascarenhas, Márcio Dênis Medeiros, Batista, Francisca Miriane de Araújo, Rodrigues, Malvina Thais Pacheco, Barbosa, Ocimar de Alencar Alves, & Barros, Veruska Cavalcanti. (2020). Ocorrência simultânea de COVID-19 e dengue: o que os dados revelam?. Cadernos de Saúde Pública, 36(6), e00126520. Epub June 17, 2020.https://dx.doi.org/10.1590/0102-311×00126520

MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2020. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/boletins-epidemiologicos>. Acesso em: 7 de jul. de 2020.