Será que o teste do RT-PCR é eficaz para detectar infecção em indivíduos assintomáticos?

Um artigo recém-disponibilizado na plataforma de preprints medRxiv (ainda não avaliado para publicação em revista científica) comparou a carga viral (quantidade de partículas virais) em pessoas com e sem sintomas. Ainda é pouco conhecida a relação entre a carga viral, a severidade da COVID-19 e o risco de transmissão.

Os autores empregaram a definição operacional de carga viral, baseada na quantidade de RNA viral detectada na amostra do paciente por qRT-PCR. Em contraste com o que ocorre na influenza, onde os indivíduos assintomáticos apresentam de 10 a 100 vezes menos carga viral do que indivíduos sintomáticos, vários estudos com o SARS-CoV-2 têm reportado que os níveis de RNA em indivíduos infectados assintomáticos são semelhantes aos indivíduos sintomáticos.

Foram realizados testes de qRT-PCR em suabes de nasofaringe de 32.480 pessoas, entre residentes e funcionários de instituições de assistência em Massachusetts, EUA. 2654 residentes (15,5%) e 624 funcionários (4,1%) testaram positivo para o SARS-CoV-2. Entre os residentes, 78,6% não apresentavam sintomas quando o teste foi feito. Um percentual similar de não sintomáticos (78,1%) foi encontrado entre os funcionários. Os autores utilizaram a denominação não sintomáticos porque não conseguiram diferenciar indivíduos verdadeiramente assintomáticos dos pré-sintomáticos (que irão apresentar sintomas em algum momento).

A carga viral encontrada foi similar entre indivíduos sintomáticos e não sintomáticos. Esse resultado sugere que o teste do qRT-PCR seja eficaz para a detecção de novas infecções em indivíduos que não apresentem sintomas quando da coleta de amostra para a realização do teste. Os autores concluem que isso reforça a confiança na viabilidade técnica de identificação de indivíduos infectados assintomáticos pelo teste do qRT-PCR.

FONTE: Comparison of viral levels in individuals with or without symptoms at time of COVID-19 testing among 32,480 residents and staff of nursing homes and assisted living facilities in Massachusetts. Niall J. Lennon, Roby P. Bhattacharyya , Michael J. Mina, Heidi L. Rehm, Deborah T. Hung, Sandra Smole, Ann Woolley, Eric S. Lander and Stacey B. Gabriel. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2020.07.20.20157792 26 de julho de 2020.