Debate sobre a influência da temperatura na COVID-19: o caso do Brasil.

Em carta ao editor da revista Public Health, foram publicados dados brasileiros visando auxiliar no debate sobre a influência da temperatura na disseminação da COVID-19.

Em estudo anteriormente publicado por outros autores na mesma revista, com a utilização de modelagem estatística para avaliar se haveria ligação entre a temperatura ambiental e casos de COVID-19, foi concluído que havia uma relação negativa entre esses fatores, com menor temperatura sendo correlacionada com aumento do risco de infecção pelo SARS-CoV-2.

Isso, porém, não é o que tem sido visto no Brasil. Em 12 de junho, o Brasil era o segundo país com maior número de casos da doença no mundo. Enquanto o norte do Brasil é próximo ao equador e apresenta pouca variação de temperatura, o sul do país entrou agora na estação mais fria (inverno).

Entre março e junho de 2020, o número de casos de COVID-19 aumentou em média 1000% no Brasil. Esse aumento foi maior no norte do país em comparação com o sul. Quando comparamos as alterações no número de casos com as alterações de temperatura, a relação é positiva e altamente significativa, sugerindo que, pelo menos no Brasil, a transmissão do SARS-CoV-2 diminui, ao invés de aumentar, com as baixas temperaturas.

ATENÇÃO: ISSO NÃO QUER DIZER QUE NÃO HÁ RISCO DE INFECÇÃO PELO SARS-CoV-2 NO SUL DO BRASIL! AO CONTRÁRIO, O QUE TEMOS VISTO É AUMENTO DE NÚMERO DE CASOS, MAS DE FORMA MAIS CONTROLADA DO QUE VIMOS OCORRER NO NORTE DO PAÍS. CONTINUEM SE CUIDANDO.

FONTE: Bigoni A, Fink G, Adding to the debate on the influence of temperature on COVID-19: the case of Brazil, Public Health, https://doi.org/10.1016/j.puhe.2020.07.040.