Distanciamento social voluntário

A pandemia de SARS-CoV-2 causou muitas mudanças na nossa vida rotineira. Muitos de nós estão familiarizados com o termo “achatar a curva”. A ideia é que o distanciamento social irá reduzir a taxa de disseminação da doença e a pressão no sistema de saúde. Porém, essas ordens de lockdown não podem ser mantidas indefinidamente. Deve-se levar em consideração o impacto do final prematuro do lockdown e se há alternativas a esta medida.

Logo no início de abril, ficou aparente que um único esforço de distanciamento social pode não ser suficiente para controlar a COVID-19. Assumindo que é possível ter uma boa coleta de dados por região, as autoridades de saúde pública devem poder liberar relatórios diários ou semanais que poderiam ser usados para promover o distanciamento social voluntário durante os períodos de maior carga infecciosa.

A viabilidade dessas medidas depende de vários fatores, incluindo a capacidade de coleta de dados, testagem e engajamento voluntário ao distanciamento social. A testagem tem sido realizada por amostragem porque é impossível testar todos os cidadãos de um país. Por meio da divulgação dos relatórios, pode-se alterar o comportamento das pessoas para favorecer o engajamento no distanciamento social voluntário à medida em que a dinâmica da infecção muda.

Isso irá aumentar a duração da infecção, mas irá achatar a curva, reduzir a pressão no sistema de saúde e a taxa de mortalidade. Além disso, essas medidas irão dar tempo para que tratamentos e vacinas sejam desenvolvidos.

Em relação à capacidade de engajamento da população às medidas de distanciamento social voluntário, uma grande preocupação é a capacidade de permanecer sem sair de casa para trabalhar. Se os esforços de distanciamento social tiverem que ser extremos e por longo tempo, essa questão será mais problemática. Mas ela também se aplica a outras situações que não a COVID-19: qualquer pessoa doente, especialmente com febre, tosse e outros sintomas de doenças infecciosas, deveria se engajar no distanciamento social.

VAMOS CRIAR O HÁBITO DE PERMANECER EM CASA SE ESTIVERMOS COM SINTOMAS DE DOENÇAS INFECCIOSAS, COMO FEBRE E TOSSE. VAMOS CUIDAR UNS DOS OUTROS. ESSA É A GRANDE LIÇÃO DA COVID-19.

FONTE: Voluntary Cyclical Distancing: A potential alternative to constant level mandatory social distancing, relying on an ‘infection weather report’ View. Daniel Goldman. medRixv doi: https://doi.org/10.1101/2020.05.02.20084947