Cientistas da USP-Ribeirão Preto investigam se é possível reinfecção pela COVID-19.

Existem muitas perguntas em relação à COVID-19 e uma delas é saber se existe a possibilidade de reinfecção. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP investigam o caso de uma técnica de enfermagem que, em maio, apresentou os sintomas da COVID-19 (cefaleia intensa, fraqueza muscular, sensação febril, leve dor de garganta e congestão nasal). Foi realizado um primeiro exame de RT-PCR e o resultado foi negativo. Mas como os sintomas persistiram, repetiram o exame no nono dia, confirmando, então, a presença do novo coronavírus. No décimo dia, os sintomas desapareceram.

Entretanto, 38 dias depois, 27 de junho, a paciente voltou a apresentar mal-estar, mialgia, cefaleia intensa, fadiga, fraqueza, sensação febril, dor de garganta, perda do olfato e diminuição do paladar, diarreia e tosse. Submetida a novo RT-PCR para o vírus SARS-CoV-2, o resultado foi positivo. Nos dois momentos a paciente evoluiu bem, não precisou de internação hospitalar.

O diagnóstico da COVID-19 é baseado em três pilares: sintomas clínicos, exames laboratoriais e epidemiologia (contato com outros infectados), todos afirmativos nesse caso. Outros dois casos de possíveis reinfecções estão sendo investigados.

No mundo, muitas pessoas que tiveram infecção dois ou três meses atrás, com a COVID-19 confirmada via RT-PCR, voltaram a ter novos sintomas leves e um novo teste RT-PCR deu positivo. Esse quadro leva a uma série de perguntas: isso significa que é a mesma infecção (recidiva da mesma infecção)? Ou a pessoa pegou covid-19 mais uma vez, pois foi exposta ao vírus novamente? Neste último caso, isso significaria que ela não desenvolveu imunidade na primeira infecção? Ou os sintomas que ela apresenta são, na verdade, de influenza, rinovírus ou de qualquer outra infecção que atinja as vias respiratórias, mas o teste continua positivo devido a fragmentos do vírus da infecção passada, visto que o teste pode ficar positivo durante muito tempo? Essas são algumas questões que estão norteando o trabalho dos pesquisadores. E atualmente há mais perguntas que respostas.

FONTE: Teste positivo para covid-19 em quem já teve a doença leva cientistas a investigarem se é possível reinfecção. Rosemeire Talamone e Valéria Dias. Jornal da USP 06/08/2020.