Casos de reinfecção sintomática e assintomática na presença de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2.

O fenômeno da reinfecção pelo SARS-CoV-2 é um dos debates da pandemia de COVID-19 e ainda não está claro se os casos são reinfecções reais ou uma possível infecção persistente de baixo nível. Parte do problema é que não existem critérios bem definidos para decidir o que é uma reinfecção real pelo SARS-CoV-2.  Os autores apresentam, em carta ao editor da revista Journal of Infection, seis casos de pacientes com reinfecção provável pelo SARS-CoV-2 e propõem critérios para a definição de reinfecção.

Os critérios foram baseados no conhecimento de que, na maioria dos casos de COVID-19, a transmissão do vírus atinge um mínimo em 28 dias após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2. Ainda não está claro o quão protetores são os anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2, nem o tempo de duração dessa proteção. Esses anticorpos apresentam um pico entre os dias 12 a 15 e irão conter uma proporção de anticorpos neutralizantes, que tornará a reinfecção muito improvável nesse período. Portanto, os autores assumiram que a reinfecção pelo SARS-CoV-2 não ocorre durante os primeiros 28 dias após o aparecimento da doença. À medida que o tempo passa, os anticorpos IgG decaem, aumentando a possibilidade de reinfecção.

Foram identificados seis pacientes que apresentaram resultados de RT-PCR positivos na primeira infecção, seguidos por resultados de RT-PCR negativos e IgG positivos. Após um determinado período, esses pacientes voltaram a apresentar RT-PCR positivo. Dois seis pacientes, os casos mais claros de possível reinfecção são o Caso 24 e Caso 26.  

Para o Caso 24, os testes de IgG foram positivos nos dias 88 e 92, enquanto o segundo resultado de RT-PCR positivo ocorreu no dia 87, indicando que a amostra de suabe positiva foi coletada em presença de IgG.  Esse caso foi sintomático. Da mesma forma, para o Caso 26, IgG foi positivo nos dias 62 e 85, enquanto o segundo teste de RT-PCR positivo foi realizado com amostras coletadas no dia 84. A reinfecção do Caso 26 foi assintomática. Os autores não cultivaram o vírus para checar a sua viabilidade, mas existem relatos na literatura de partículas viáveis do SARS-CoV-2 durante episódios potenciais de reinfecção.

Os autores consideram os Casos 24 e 26 como reinfecção verdadeira pelo SARS-CoV-2, já que os intervalos entre os dois episódios de COVID-19 foram longos (87 e 84 dias, respectivamente). Os dois testes de IgG mostraram que os anticorpos estavam presentes após o primeiro episódio de COVID-19 e persistiram até o segundo episódio.

A reinfecção com os quatro coronavírus causadores de gripe comum em humanos é conhecida, mesmo na presença de anticorpos, e é usual. Porém, infecções latentes ou reativadas são menos prováveis e ainda não foram descritas para a família de coronavírus.

FONTE: Setting the criteria for SARS-CoV-2 reinfection – six possible cases. Tomassini, Sara; Kotecha, Deevia; Bird, Paul W; Folwell, Andrew; Biju, Simon; Tang, Julian W. J Infect ; 2020 Aug 12. https://doi.org/10.1016/j.jinf.2020.08.011

2 respostas para “Casos de reinfecção sintomática e assintomática na presença de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2.”

  1. Recebi um caso semelhante, utilizando método de imunoensaio de fluorescência, o Paciente 65 anos no dia 30/11 testou negativo para o antígeno, no mesmo dia sua filha e esposa positivaram, no dia 04/12 o paciente retornou ao laboratorio e testou o IgG (32,5) ponto de corte, IgM Negativo, e hoje, 07/12 repetiu o Ag, 131,18. O intervalo é curtíssimo para reinfecção, mas tanto a metodologia quanto o laboratório são confiáveis. Gostaria que me auxiliassem a compreender este caso.

    1. Oi, Vítor. Como o teste que foi feito foi o de antígeno, apesar do grau de confiabilidade, deveria ser confirmado pelo padrão-ouro do RT-PCR. De qualquer forma, todos os testes podem dar resultados falso-positivos e falso-negativos. O ideal é ter repetições dos testes para maior confiança nos resultados. Ás vezes a gente fica confuso com as interpretações porque nos baseamos em um único resultado e não levamos em consideração a possibilidade de resultados falsos, que não são tão raros assim.

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