Disfunção olfativa na COVID-19 pode ser parcial e despercebida pelo paciente.

A disfunção olfativa é comum durante e após infecções virais e está associada com dificuldade de alimentação, depressão e problemas de higiene e segurança. Durante a pandemia de COVID-19, ela tem sido reconhecida como um sintoma inicial e prevalente.  

Os autores brasileiros analisaram 57 pacientes, com diagnóstico de COVID-19 confirmado por RT-PCR, e 36 indivíduos saudáveis (controle). Vinte e três pacientes relataram perda de olfato. Em 17 desses, a perda de olfato foi o primeiro sintoma percebido.

Todos os participantes foram submetidos a um teste denominado Q-SIT, que consiste em cartões descartáveis individuais, cada um com tiras contendo odores microencapsulados (chocolate, banana e cigarro). O teste foi realizado por um médico treinado. Para cada odor, o paciente tinha que escolher entre as alternativas de respostas possíveis ou declarar que não percebia o odor. O escore final era classificado de 0-3, baseado no número de respostas corretas. Microsmia foi definida como uma habilidade olfativa diminuída.

Foram comparados três grupos de participantes: controles saudáveis, pacientes com COVID-19 sem perda olfativa e pacientes com COVID-19 com perda olfativa. Foi observado um efeito gradual com maiores escores de Q-SIT nos controles saudáveis, seguido pelos pacientes com COVID-19 sem perda olfativa e, por último, os com perda olfativa. A maior parte dos indivíduos com COVID-19 com perda olfativa erraram todas as perguntas (escore 0).

Esse estudo evidencia que a disfunção olfativa na COVID-19 é comum e mais prevalente do que os pacientes conseguem perceber. Déficits parciais (microsmia) são frequentes e não são percebidos. Os mecanismos implicados na disfunção olfativa associada à COVID-19 não são bem compreendidos, mas as células epiteliais são ricas no receptor ACE-2, que media a entrada do vírus nas células.  

FONTE: Smell dysfunction in COVID-19 patients: More than a yes-no question. Marco A. Lima, Marcus Tulius T. Silva, Raquel V. Oliveira, Otávio Espíndola, Ana Claudia Leite, Abelardo Araujo. Journal of the Neurological Sciences 418. August 25, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jns.2020.117107.