Eventos de superdisseminação da COVID-19 são comuns e podem estar relacionados à faixa etária do indivíduo infectado.

Pesquisadores analisaram dados de vigilância referentes à COVID-19 na Geórgia, EUA. Os dados continham informações demográficas de 9.559 casos sintomáticos, incluindo idade, sexo, etnia e data de início dos sintomas, além de localização das residências. Dados de mobilidade antes e após a ordem de isolamento social foram obtidos por intermédio do Facebook, cujos usuários tinham o serviço disponível pelos celulares. Com isso foi possível calcular a distância diária percorrida por cada pessoa durante o período avaliado.

Foi estimado que o valor médio do número básico de reprodução (R0), que indica quantas pessoas são contagiadas a partir de um caso infectado, era 3,30 antes da ordem de isolamento (uma pessoa infectada disseminava o vírus para 3,30 pessoas em média). Os resultados sugeriram que a ordem de isolamento foi eficaz, com o R0 decaindo para abaixo de 1 entre uma e três semanas após a ordem.

Eventos de superdisseminação se referem a fenômenos nos quais certos indivíduos infectam um grande número de pessoas em comparação com o R0. Os resultados mostraram que os eventos de superdisseminação são comuns. Os autores relatam o caso do condado rural de Dougherty, onde houve evidência de superdisseminação associada à realização de um funeral na área.

Os resultados também mostraram que infectados com idade inferior a 60 anos tendem a ser os principais vetores da superdisseminação, quando comparados com infectados com idade superior a 60 anos.

Os autores concluem que os resultados desse trabalho têm importantes implicações para o desenho de medidas de controle mais eficazes, com medidas de intervenção mais direcionadas.

FONTE: Characterizing superspreading events and age-specific infectiousness of SARS-CoV-2 transmission in Georgia, USA. Max S. Y. Lau, Bryan Grenfell, Michael Thomas,  Michael Bryan, Kristin Nelson, and Ben Lopman. PNAS August 20, 2020 https://doi.org/10.1073/pnas.2011802117.