Neonato alimentado com leite materno positivo para SARS-CoV-2 permanece saudável.

Pesquisadores italianos publicaram um relato de caso sobre um recém-nascido que foi alimentado de forma inadvertida com leite materno positivo para o novo coronavírus.

As recomendações sobre a amamentação variam no mundo todo: algumas sociedades científicas recomendam a não separação das mães de seus bebês recém-nascidos e a amamentação. Outras recomendam uma abordagem de maior precaução. Até o momento, apenas dois estudos demonstraram a presença do SARS-CoV-2 em amostras de leite humano.

Uma criança nasceu por cesariana de emergência na 32ª semana de gestação e permaneceu na incubadora do hospital. Após o parto, a mãe ocasionalmente entrava na enfermaria, sempre usando máscaras e avental como precaução para a Unidade de Tratamento Intensiva (UTI).

No terceiro dia pós-parto, a mãe foi liberada para ir para casa, mas desenvolveu dor de garganta e astenia algumas horas após a liberação. Como ela não podia mais ir à UTI, um pequeno volume do leite materno fresco era levado ao hospital por um membro da família.

Nove dias após o parto, a mãe retornou ao hospital para uma consulta de acompanhamento e trouxe o leite materno coletado em casa (sem as precauções para coleta de leite de mães infectadas pelo SARS-CoV-2). Esse leite foi dado ao recém-nascido.

No exame clínico, a mãe estava febril e um suabe de nasofaringe testou positivo para o SARS-CoV-2. No dia seguinte, o resultado do RT-PCR do leite que havia sido dado para o bebê também foi positivo e a amamentação com o leite materno fresco foi descontinuada. Outra amostra de leite materno foi coletada com todos os cuidados para não haver contaminação, com a finalidade de pesquisa. Essa amostra testou positiva para o SARS-CoV-2 após manutenção a −80°C por 30 dias.

Apesar de ter sido inadvertidamente alimentado com leite materno positivo para o SARS-CoV-2, o bebê não desenvolveu sintomas de COVID-19. Suabes de nasofaringe e fecais testaram negativo para o vírus até o 18º dia de vida. As amostras de soro do bebê testaram negativas para IgG e IgM até o 25º dia de vida. O bebê foi alimentado com leite do banco de leite até a liberação do hospital, no 32º dia de vida. Como dois suabes de nasofaringe consecutivos da mãe testaram negativos para o vírus, a amamentação foi retomada.

Os autores concluíram que o leite humano pode ser um vetor para o SARS-CoV-2, mas os neonatos não necessariamente se infectam por esta via.

FONTE: An Uninfected Preterm Newborn Inadvertently Fed SARS-CoV-2–positive Breast Milk. Licia Lugli, Luca Bedetti, Laura Lucaccioni, William Gennari, Chiara Leone, Gina Ancora and Alberto Berardi. Pediatrics August 2020, e2020004960; DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2020-004960