Hospitalizações por COVID-19 no SUS.

Pesquisadores brasileiros estudaram o perfil das hospitalizações devidas à COVID-19 pelo SUS para identificar fatores associados com a mortalidade relacionada à doença. Foram analisados dados de hospitalizações por COVID-19 entre fevereiro e junho de 2020, disponíveis no DATASUS em 04 de agosto de 2020.

Das 89.405 hospitalizações observadas, 24,4% resultaram em óbito. Os pacientes hospitalizados foram predominantemente do sexo masculino (56,5%), com média de 58,9 anos. A duração da hospitalização foi de menos de 24 horas a 114 dias, com média de, aproximadamente, 7 dias. Do número total de hospitalizações, 22,6% necessitaram UTI.

As chances de óbito no hospital entre os homens foram quase 17% maiores do que entre as mulheres e aumentavam com a idade. Pessoas negras tiveram maior chance de óbito. Houve maior risco de óbito entre pacientes com comorbidades, sendo que a obesidade foi o fator que mais aumentou esse risco.

Alguns estados tiveram maior risco de morte em hospitais associada à COVID-19, como Amazonas e Rio de Janeiro. As chances de óbito hospitalar foram mais de 70% maiores em municípios com menos de 100 mil habitantes e a hospitalização no município de residência foi um fator protetor.

Os autores concluíram que houve uma grande variação da mortalidade por COVID-19 no SUS, associada a fatores demográficos e clínicos, desigualdade social, diferenças nas estruturas de serviços e qualidade do serviço de saúde.

FONTE: COVID-19 hospitalizations in Brazil’s Unified Health System (SUS). Carla Lourenço Tavares de Andrade, Claudia Cristina de Aguiar Pereira, Mônica Martins, Sheyla Maria Lemos Lima; Margareth Crisóstomo Portela. medRixv. 5 setembro 2020. https://doi.org/10.1101/2020.09.03.20187617.t.