Estratégias para promoção da vacinação contra o SARS-CoV-2.

Uma vacina contra o SARS-CoV-2 está sendo considerada uma peça-chave para a “volta ao normal”, mas análises têm sido feitas sobre as atitudes das pessoas em relação a uma vacina potencial. A aprovação da vacina é apenas o ponto inicial de uma longa e desafiadora corrida para alcançar a sua aceitação.

Em uma pesquisa realizada em abril de 2020 com 1000 adultos representativos da população dos EUA, foi visto que apenas 6 em cada 10 respondentes disseram “sim” quando perguntados se iriam se vacinar quando uma vacina estivesse disponível. Outras pesquisas semelhantes têm encontrado que cerca de 1 pessoa entre 10 respondentes diria “não” e 3 pessoas diriam “não sei”.  Diferentes estratégias de promoção da vacina serão necessárias para cada um desses grupos.

Os estudos permitiam que os respondentes justificassem as suas respostas. Respondentes do grupo do “não” disseram que não acreditavam, não queriam ou não se sentiam confortáveis com vacinas. Segurança, efeitos colaterais e descrença geral também foram respostas comuns. Pesquisas anteriores sobre aceitação de vacinas sugerem que esse grupo é difícil de persuadir. Dada a força do movimento antivacinação, a politização da vacinação e a escassez de recursos financeiros, talvez essa seja uma batalha que não valha a pena lutar.

O grupo “não sei” (cerca de 30% dos respondentes) é um que não podemos nos dar ao luxo de perder, mas que também é difícil de influenciar. As razões para esse grupo não ter certeza sobre a vacinação são similares às descritas para o grupo do “não”, mas a segurança, eficácia e novidade da vacina possuem uma maior importância para o grupo do “não sei”. A hesitação acerca da vacina contra o SARS-CoV-2 parece ser motivada pela velocidade sem precedentes no seu desenvolvimento, pela incerteza da aprovação pelo FDA (órgão responsável para aprovação de vacinas nos EUA) e pela limitação do suprimento da vacina. Esse grupo poderia, então, ser denominado “vamos aguardar para ver”. Essa hesitação torna esse grupo muito suscetível à desinformação sobre as vacinas contra o SARS-CoV-2.

Uma estratégia promissora contra a desinformação é denominada inoculação psicológica. A ideia é expor as pessoas a uma dose fraca de desinformação e oferecer imediatamente explicações lógicas que apontem as falhas e argumentações fracas ou maliciosas. O objetivo é que as pessoas reconheçam a desinformação quando ela for encontrada nas mídias sociais ou em outras fontes.

Agora vamos ao grupo do “sim” (60% dos respondentes). Apesar desse grupo ter a intenção de se vacinar, a percentagem dos que irão efetivamente se vacinar é menor. É sabido, pelas campanhas de vacinação para a Influenza, que as pessoas procrastinam, esquecem ou se justificam por razões logísticas ou financeiras.  A vacina deve ser gratuita e encontrar as pessoas onde elas estão (escolas, academias, etc). Focar na população que tem a intenção de se vacinar provavelmente irá resultar no melhor custo-benefício, na mitigação da doença e na melhoria da saúde pública.

E VOCÊ? EM QUE GRUPO VOCÊ SE ENCAIXA?

FONTE: SARS-CoV-2 Vaccine Acceptance: We May Need to Choose Our Battles. Alison M. Buttenheim. Annals of Internal Medicine. 4 setembro 2020. https://doi.org/10.7326/M20-6206.