Curva epidêmica da COVID-19 no Brasil: a soma de múltiplas epidemias.

Esse é um estudo ecológico com análise de série temporal de novos casos e óbitos por COVID-19 no Brasil. Os dados referentes às unidades federativas brasileiras foram obtidos a partir do portal do Ministério da Saúde, entre 25 de fevereiro e 11 de julho de 2020.

Em 11 de julho, o Brasil havia alcançado 1.839.850 casos, com uma taxa de incidência de 8,94 casos por cada mil habitantes. A taxa de aceleração mais recente mostra que o país entrou no segundo estágio da fase de aceleração. O pico de novos casos correlacionou com a densidade populacional, mas não houve correlação significativa com o índice de desenvolvimento humano ou com a renda per capita.   

A maior taxa de incidência ocorreu no Amapá, seguido por Roraima e Distrito Federal, enquanto a menor taxa de incidência foi observada no Rio Grande do Sul. São Paulo teve a maior taxa de aceleração, enquanto a menor taxa de aceleração foi observada no Acre.

Foram identificados 14 estados na fase ascendente da curva epidêmica. Piauí, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estavam no primeiro estágio da fase de crescimento, com os números crescendo concomitantemente ao aumento da taxa de aceleração.

Outros estados, como Paraíba, Tocantins, Ceará e Pernambuco, tiveram um pico de novas infecções, mas o número de casos voltou a subir, ultrapassando o número anterior, e foram classificados na fase ascendente da curva epidêmica. Goiás e Paraná estão no segundo estágio da fase ascendente. Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Alagoas, Bahia, Maranhão e Espírito Santo mostraram um comportamento estável, sendo classificados na fase de pico da curva epidêmica.

Amapá, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Rio de Janeiro apresentaram uma aceleração negativa consistente, sendo classificados no primeiro estágio da curva de desaceleração, com o número de novos casos diminuindo com a desaceleração. Rio de Janeiro teve o maior valor de desaceleração.

O Brasil apresentou uma grande aceleração de novos casos e, ao final dessa série temporal analisada, estava atingindo o pico. A curva epidêmica representa uma soma de várias epidemias ocorrendo em cada estado, em diferentes fases e diferentes níveis de severidade.

FONTE: Covid-19 epidemic curve in Brazil: A sum of multiple epidemics, whose income inequality and population density in the states are correlated with growth rate and daily acceleration. Airandes de Sousa Pinto, Carlos Alberto Rodrigues, Carlito Lopes Nascimento Sobrinho, Edval Gomes dos Santos Junior, Lívia Almeida da Cruz, Paulo Cesar Nunes, Matheus Gomes Reis Costa, Manoel Otávio da Costa Rocha. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2020.09.09.20191353. Setembro 14, 2020.