Os desafios das arboviroses no Brasil.

Em editorial à revista Tropical Medicine and Infectious Disease, pesquisadores alertam sobre os principais desafios encarados pela população e autoridades de saúde pública no Brasil relativos às infecções por arbovírus, incluindo a ocorrência concomitante com a pandemia de COVID-19.

Condições ambientais e ecológicas ótimas dão suporte à reprodução dos mosquitos vetores de arbovírus em muitos estados brasileiros. Quatro sorotipos de Dengue, Zika e Chikungunya são disseminados pelo Aedes aegyptii em áreas urbanas.

O diagnóstico e notificação de infecções causadas por arbovírus em locais co-endêmicos (onde mais do que um arbovírus circula) são extremamente complexos. Doenças como as citadas acima possuem sintomas similares e podem diferir apenas na época de aparecimento, duração e severidade da doença.  Além disso, para a dengue e a Zika, a reação cruzada dos testes sorológicos representa uma questão séria, já que pode induzir diagnósticos errôneos. Essa reação cruzada é devida ao reconhecimento de regiões similares das proteínas virais pelos mesmos anticorpos. Por outro lado, estudos já demonstraram que a imunidade pré-existente para a dengue pode proteger da ou aumentar a infecção pela Zika. Esses problemas afetam as notificações das doenças aos órgãos de saúde governamentais e o seu tratamento adequado.

O número de casos notificados de dengue, Zika e Chikungunya em 2020 no Brasil alcançou mais de 660 mil em abril, refletindo um ano difícil para as arboviroses em nosso país. Apesar de que as maiores notificações pareceram ter ocorrido em março, é muito provável que o número de notificações de casos tenha caído como resultado da menor procura pelo sistema de saúde de pessoas infectadas por arbovírus por causa da pandemia de COVID-19.

A realidade é que as unidades de saúde têm lidado com um pico nas infecções por arbovírus e COVID-19 concomitantemente. Além dos problemas inerentes à sobrecarga do sistema de saúde, há complicações nos diagnósticos clínicos-epidemiológicos. Estudos têm demonstrado que casos de dengue podem ser diagnosticados erroneamente como infecções respiratórias e vice-versa.

É IMPORTANTE QUE TODOS QUE SENTIREM SINTOMAS PROCUREM ORIENTAÇÃO MÉDICA. SÓ ASSIM HAVERÁ UM DIAGNÓSTICO MAIS PRECISO E, CONSEQUENTEMENTE, UM TRATAMENTO CORRETO.

FONTE: The Endless Challenges of Arboviral Diseases in Brazil. Tereza Magalhaes, Karlos Diogo M. Chalegre, Cynthia Braga and Brian D. Foy. Trop. Med. Infect. Dis. 2020, 5, 75; doi:10.3390/tropicalmed5020075