Por quanto tempo um vírus pode permanecer em um corpo morto? Parte 4.

Quarta parte da série de posts baseados na entrevista concedida pelo virologista americano Matthew Koci, professor do Departamento de Ciência Avícola da Universidade Estadual da Carolina do Norte, EUA. A entrevista completa pode ser vista aqui.

Pergunta: Podemos identificar vírus em vestígios de décadas ou séculos atrás, com base em DNA ou RNA identificável (em vez de fazer um diagnóstico com base em sintomas físicos)?

Koci: A resposta curta aqui é sim. O vírus mais antigo que conheço que conseguimos detectar foi encontrado em um dente de 7.000 anos. Os pesquisadores foram capazes de detectar e sequenciar todo o genoma do vírus da hepatite B (HBV) neste dente antigo. O HBV tem um genoma de DNA em vez de um genoma de RNA (coronavírus, vírus da influenza e vírus Ebola têm genomas de RNA).

O genoma viral pode ser feito de RNA ou DNA. Como molécula, o DNA é muito mais estável no ambiente e, aparentemente, pode sobreviver em um dente por milhares de anos. É improvável que sejamos capazes de detectar vírus de RNA, como o do novo coronavírus, há tanto tempo, mas, dependendo do que aconteceu com o corpo da pessoa quando morreu, talvez. Se a pessoa foi embalsamada, congelada ou se os tecidos foram coletados em uma autópsia, poderíamos usá-los para identificar ou mesmo diagnosticar vírus.

Por exemplo, a última grande pandemia – a pandemia de influenza de 1918 – veio em um momento antes mesmo de sabermos que os vírus existiam. Foi só na década de 1930 que descobrimos o que eram os vírus, mas então esse vírus em particular havia desaparecido. Como não sabíamos o que era na época, as amostras não foram coletadas ou armazenadas de uma forma que as tornasse úteis mais tarde. Assim, durante décadas, ficamos especulando o que pode ter sido tão diferente no vírus de 1918 das cepas de influenza que vieram depois dele. Isso foi até o final da década de 1990, quando pesquisadores encontraram amostras de tecido preservadas de soldados que morreram de sintomas semelhantes aos da pneumonia durante a pandemia. Foram desenvolvidos métodos para extrair RNA dessas amostras de tecido (algo que as pessoas não achavam possível na época). Ao longo de vários anos, esses pesquisadores foram capazes de reunir todo o genoma do vírus influenza de 1918 – e eles usaram isso para ressuscitar esse vírus extinto.

POR QUE CIENTISTAS IRIAM RESSUSCITAR MONSTROS? NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO AMANHÃ…

FONTE: Quanto tempo os vírus podem sobreviver em um corpo morto? Matt Shipman, North Carolina State University. https://medicalxpress.com/news/2020-05-viruses-survive-dead-body.html. 21 DE MAIO DE 2020.