Você já imaginou que genes associados a fatores de risco para a COVID-19 podem ter vindo dos Neandertais?

Um artigo publicado na revista Nature aborda esse tema. São conhecidos vários fatores de risco para a COVID-19, porém nenhum deles explica plenamente por que umas pessoas têm sintomas leves ou são assintomáticas, enquanto outras pessoas ficam seriamente doentes. A resposta pode ser genética.

Um estudo identificou duas regiões no genoma associadas com a COVID-19 severa: uma no cromossoma 3, contendo seis genes, e a outra no cromossoma 9, associada ao tipo sanguíneo ABO. Recentemente, um novo estudo só confirmou a região do cromossoma 3 como significativa para o risco de COVID-19 severa.

No artigo da Nature, os pesquisadores avaliaram se os fatores de risco presentes no cromossoma 3 eram provenientes de fluxo gênico a partir dos Neandertais, uma hipótese levantada por causa das características genômicas dessa região. Vários estudos já identificaram fluxo gênico a partir dos Neandertais para essa região do cromossoma. Foi encontrado que todos os haplótipos (combinação de alelos gênicos adjacentes em um cromossoma) de risco associados à COVID-19 severa formavam um clado (grupo monofilético, contendo um ancestral em comum) com genomas de Neandertais.

Os haplótipos Neandertais estão praticamente ausentes na África, ocorrem no Sul da Ásia com frequência de 30%, na Europa com 8% e na América com 4%. Portanto, o haplótipo Neandertal pode ser um contribuinte substancial para o risco de COVID-19 severa em algumas populações.

Atualmente não se sabe qual característica na região genômica derivada dos Neandertais confere risco para a COVID-19 severa e quais seus efeitos específicos para o SARS-CoV-2.  Uma vez que essa característica seja elucidada, é possível especular sobre a suscetibilidade dos Neandertais a patógenos relevantes. De qualquer forma, em relação à presente pandemia, fica claro que o fluxo gênico a partir dos Neandertais teve trágicas consequências.

FONTE: The major genetic risk factor for severe COVID-19 is inherited from Neanderthals. Zeberg, H., Pääbo, S. Nature (2020). https://doi.org/10.1038/s41586-020-2818-3.

4 respostas para “Você já imaginou que genes associados a fatores de risco para a COVID-19 podem ter vindo dos Neandertais?”

  1. Minha esposa teve covid 19 e o squab atestou cura 23 dias após os primeiros sintomas. Fizemos três exames de IGG e IGM. Tudo em laboratório. Dos três, estas taxas cairam muito nas duas vezes collides depois de Suab bom. Na terceira amostra coletada três meses depois de considerado curada pelo resultado SUAB, o IGM e IGG subiram. O que significa isto?
    Ela ficou com a seguinte sequela: indisposição física e mental. Raciocine normal mas por pouco tempo. Com poucos minutos de conversa ou dinâmica física ela cansa. Pede silêncio e repouso física. Aconte isto mesmo com determinadas pessoas?

    1. Oi, Josival. Ela está com acompanhamento médico? Essa fase pós-COVID é perturbadora e é bom ter acompanhamento. Em relação às taxas de IgM e IgG, o esperado é que, com o tempo, IgM diminua e IgG aumente. Já se sabe que IgG acaba diminuindo com o tempo também e não é mais detectado após seis meses. Ela fez teste para IgM e IgG em separado ou fez anticorpos totais (IgM + IgG)? A interpretação vai ser diferente nesses dois tipos de teste. Outra coisa que pode ter influenciado os resultados é a marca do kit utilizado pelo laboratório. Os testes foram feitos no mesmo laboratório ou em laboratórios diferentes? Cada laboratório pode estar usando um determinado kit (existem vários aprovados pela ANVISA), sendo que os kits detectam anticorpos contra proteínas diferentes dos vírus. Alguns deles detectam contra proteínas comuns em vários tipos de vírus e podem dar resultados cruzados (detectar anticorpo contra outro vírus como se fosse o da COVID-19), enquanto outros detectam contra proteínas mais específicas do vírus da COVID-19. Nos escreva informando se os testes foram de anticorpos totais ou separados e se foram realizados no mesmo laboratório para que possamos ajudar na interpretação.

  2. Bom dia!
    Gostaria de saber se é possível a reinfecção pelo SARs COV 2?
    Pois em maio atestarei positivo pelo SWAB, mas meus IGG E IGM deram negativos, 4 meses depois.
    Sendo que em setembro, tive novamente, sendo detectado pelo swab e pelo teste Igg e IGA.
    Poderia me esclarecer? Grata

    1. Olá Suzana,
      Sim, é possível que tenhas sido reinfectada. A reinfecção é cientificamente difícil de provar na maioria dos casos, mas não quer dizer que não aconteça,ou mesmo que não seja comum. Outra possibilidade é a de que o vírus tenha ficado escondido em algumas células do seu corpo (células intestinais são reputadas como possíveis abrigos do vírus) e se reativado a partir daí, causando um novo ciclo de infecção produtiva, com sintomas, depois da baixa dos anticorpos. É importante manter as medidas de distanciamento até uma resposta mais definitiva da ciência. Espero ter ajudado.

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