Significado e duração da imunidade na COVID-19: parte 1

Transcrevemos abaixo trechos da reportagem publicada em 19/10/2020 na Science News. Veja a íntegra da reportagem aqui.

Surgem relatos de pessoas que contraíram a doença pela segunda vez. Embora a reinfecção ainda pareça ser rara, não está claro até que ponto a imunidade pode realmente proteger uma pessoa. A imunidade também está no noticiário porque um debate está fervendo entre os cientistas sobre a imunidade do rebanho, ponto em que um número suficiente de pessoas está imune a um patógeno para retardar sua disseminação. Embora a imunidade coletiva possa colocar o fim da pandemia à vista, os especialistas estimam que cerca de 40 a 60% da população precisaria estar infectada para alcançá-la.

Um grupo de pesquisadores está pressionando para que os governos alcancem a imunidade coletiva sem uma vacina, permitindo que a COVID-19 se espalhe entre aqueles de baixo risco, protegendo as populações vulneráveis. Essa abordagem, no entanto, coloca toda a população em risco de doença significativa e morte, segundo argumenta outro grupo de cientistas. Como o SARS-CoV-2 é um novo vírus, os cientistas não podem dizer por quanto tempo uma pessoa ficará protegida depois de se recuperar de uma infecção. Se a imunidade diminui rapidamente, isso prepara o cenário para surtos recorrentes, a menos que haja uma vacina.

O que realmente significa “imunidade”? Para os cientistas, imunidade significa resistência a uma doença adquirida por meio da exposição do sistema imunológico a ela, seja por infecção ou por vacinação. Mas imunidade nem sempre significa proteção completa contra o vírus.

Como o corpo constrói imunidade? O sistema imunológico tem duas maneiras de fornecer proteção duradoura: células T, que lembram o patógeno e desencadeiam uma resposta rápida, e células B, que produzem anticorpos – proteínas que o corpo fabrica para combater um patógeno específico. Idealmente, muito depois de a pessoa se recuperar de uma infecção, esses anticorpos permanecem no sangue. Então, se a pessoa for exposta ao mesmo patógeno novamente no futuro, esses anticorpos reconhecerão a ameaça e trabalharão para evitar que outra infecção apareça. As chamadas “células T de memória” também permanecem. Idealmente, elas fazem jus ao seu nome, reconhecem um patógeno encontrado anteriormente e ajudam a coordenar o sistema imunológico ou matam células infectadas. 

Se uma pessoa tem anticorpos, ela está imune? Para algumas doenças, como o sarampo, os anticorpos podem durar toda a vida. Mas para SARS-CoV-2, o júri ainda não decidiu. Não se sabe quanto tempo os anticorpos duram no sangue, ou – mais importante – se sua presença é um sinal de imunidade. Só porque uma pessoa tem anticorpos, não significa que sejam eficazes no combate ao vírus.

Anticorpos neutralizantes são aqueles que detêm o vírus em seu caminho, impedindo-o de infectar uma célula hospedeira e se replicar. Esses anticorpos normalmente reconhecem a proteína spike do vírus, que o ajuda a entrar nas células hospedeiras. Até agora, esses tipos de anticorpos têm sido o foco de estudos que buscam entender se uma pessoa pode ser imune. No entanto, ainda não se sabe qual quantidade de anticorpos neutralizantes é suficiente para proteção. E mesmo que sejam protetores, não está claro por quanto tempo essas proteínas imunológicas duram. Estudos de pacientes com COVID-19 recuperados demonstraram que os anticorpos para o coronavírus podem diminuir após uma infecção por SARS-CoV-2, mas, no geral, seus níveis permanecem relativamente estáveis por um período de três a seis meses.

NÃO PERCAM A CONTINUAÇÃO NO POST DE AMANHÃ.

FONTE: We still don’t know what COVID-19 immunity means or how long it lasts. Erin Garcia de Jesus. Science News. 19 de outubro de 2020.

2 respostas para “Significado e duração da imunidade na COVID-19: parte 1”

  1. Meu Igg é de 1,6 detectado pelo método ELISA.
    Tive COVID em março, ele continua positivo, isso me da imunidade?

    1. Oi, Cristina. Não há imunidade permanente na COVID-19. A quantidade de anticorpos tende a diminuir com o tempo, até ficar não reagente. Continue a se cuidar para não se reinfectar: use máscaras, lave as mãos frequentemente e pratique o distanciamento social.

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