Prós e contras do plástico durante a pandemia de COVID-19: parte 3.

Terceira e última parte da transcrição do artigo sobre o papel do plástico durante a COVID-19.

Durante a pandemia, a produção de resíduos plásticos aumentou em todo o mundo, seja pelo aumento das embalagens ou pelo uso de EPIs pela população em geral, como máscaras. É importante lembrar que cada cidadão é responsável pelos resíduos que produz, bem como pelo seu descarte, e essa destinação inadequada pode causar ou agravar problemas ambientais. Esse plástico descartado de maneira inadequada acaba, de uma forma ou de outra, tendo como destino diversos corpos d’água (rios, mares e oceanos), aumentando o grave problema ambiental do plástico nas águas.

Infelizmente, notícias sobre a presença nos oceanos, mares e rios de máscaras e luvas que foram usadas para prevenir a propagação da COVID-19, têm sido cada vez mais comuns em todo o mundo. Não que as pessoas atirem suas máscaras e luvas nas águas, mas porque são atiradas em locais inadequados e são atingidas pelo vento, águas pluviais, sistemas de drenagem e esgoto, acabando nas águas. Cerca de 8–13 milhões de toneladas de plástico chegam aos corpos d’água por ano, sendo que o descarte inadequado de EPIs está piorando o problema. Assim, ao mesmo tempo que a crise trouxe melhorias ao meio ambiente como redução dos níveis de poluição do ar, referidos como efeitos indiretos positivos da COVID-19, houve agravamento da poluição marinha, o efeito indireto negativo da COVID-19 no meio ambiente, com a falta de consciência dos população como um grande aliado.

Esses EPIs pós-usados, chamados de ‘plásticos pandêmicos’, são piores do que uma simples garrafa de água descartada incorretamente, pois são perigosos em termos de contaminação por patógenos.

A luva descartada de forma inadequada na calçada pode acabar no mar por causa de uma forte tempestade e, por ação do meio ambiente, iniciar sua degradação. Com o passar do tempo, suas peças vão ficando cada vez menores, transformando-se em microplásticos e acabando sua destinação nos diversos alimentos e bebidas que serão consumidos pela população.

Além disso, o plástico descartado inadequadamente pode auxiliar na impermeabilização urbana, agravando o problema de enchentes nas cidades por meio do entupimento de bueiros causados ​​pelo acúmulo de resíduos transportados pela água da chuva ou ventos. Bueiros entupidos e resíduos descartados em locais inadequados podem se tornar ambientes ideais para a reprodução de insetos transmissores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, chikungunya, febre amarela e zika.

Por último, talvez o aspecto mais importante a ser considerado sobre a disposição irregular de EPIs pós-uso seja a possibilidade de contaminação, uma vez que são resíduos perigosos contaminados por patógenos. Mesmo sabendo que o tempo de sobrevivência do vírus é pequeno, poderia ser suficiente para atingir outros organismos, sofrer mutações e alterar características, além de colocar em risco a segurança das pessoas, principalmente das que trabalham no setor de limpeza das cidades.

É imprescindível lembrar que luvas e máscaras pós-usadas não são itens recicláveis.

VAMOS COLABORAR PARA REDUZIR A PRESENÇA DE PLÁSTICO PANDÊMICO NA NATUREZA.

FONTE: Pros and cons of plastic during the COVID-19 pandemic. De Sousa, F. D. B.. Recycling ; 5(4):1-17, 2020. https://doi.org/10.3390/recycling5040027