A jornada de um paciente COVID-19 desde a admissão, passando pela recuperação até aprender a respirar novamente.

Pacientes com diagnóstico de COVID-19 podem apresentar sinais e sintomas leves a graves, podendo exigir internação prolongada na unidade de terapia intensiva. Dentre os que são admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI), os que respondem com sucesso ao tratamento podem ter alta hospitalar, mas o caminho para a recuperação total ainda pode ser estranho e longo.

No artigo é apresentado o relato de caso de um paciente crítico e os autores destacaram a jornada da doença e recuperação, com o objetivo de dar esperança e melhor compreensão àqueles que estão lutando contra o COVID-19.

A viagem de COVID-19 para a paciente do sexo feminino de 64 anos de idade começou com fadiga progressiva e tosse por alguns dias em casa. O esfregaço nasofaríngeo para o teste de RT-PCR foi positivo e havia infiltrados múltiplos bilaterais em sua radiografia de tórax. Ela tinha uma história de hipertensão crônica controlada, DMID e espondilite anquilosante cervical grave. Inicialmente, ela recebeu cuidados com ventilação não invasiva, mas devido à hipoxemia grave contínua e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) exigiu intubação e ventilação mecânica.

Ela passou nove semanas na unidade de terapia intensiva e sua internação foi complicada com ventilação mecânica prolongada seguida de desmame difícil, insuficiência renal e perda progressiva de peso. De forma progressiva, mas gradual, ela superou todos os obstáculos ao longo de sua jornada de recuperação e recebeu alta para voltar mais tarde para casa caminhando por conta própria como “Senhora Milagrosa”.

A verdadeira fase rochosa da vida começa nesse momento. Muitos pacientes podem sofrer problemas mentais, físicos e emocionais de longo prazo. A maioria deles sofre de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), déficits cognitivos como Alzheimer, ansiedade, depressão e problemas econômicos devido à perda de empregos. Além disso, eles enfrentam problemas com atividades rotineiras, como simplesmente tomar banho e se alimentar de maneira autônoma.

Muitos serviços de saúde não estão aceitando pacientes recuperados do COVID-19. As pessoas que sobrevivem à doença provavelmente voltarão ao mundo “sozinhas”, sem o apoio usual de seus entes queridos, devido ao medo do contágio. Este comportamento em relação aos sobreviventes em recuperação desta nova doença não tem precedentes.

Ressalta-se que a fase hospitalar de recuperação da batalha da COVID-19 está apenas na metade do caminho. É um desafio ainda maior lidar com os cuidados pós-COVID-19. Portanto, devemos abordar o COVID e os cuidados pós-COVID com o mesmo nível de consideração.

FONTE: The journey of a COVID-19 patient from admission to recovery and learning to breathe again. Rafique, Nosheela B.; Lal, Shankar, Mohammed, Yassir Azzain, Aglan, Ahmed Ibrahim. Anaesthesia Pain & Intensive Care ; 24(5):558-559, 2020. https://doi.org/10.35975/apic.v24i5.1365.