O impacto da COVID-19 em pessoas com diabetes no Brasil.

Com até 16,8 milhões de pessoas ou 11,4% da população entre 20 e 79 anos com diabetes, o Brasil está entre os cinco principais países em relação à prevalência dessa doença. Além disso, mais de 135 mil mortes são causadas anualmente por esta condição e suas complicações. Cerca de 71% dos brasileiros com diabetes pertencem a um subgrupo mais exposto à hiperglicemia, o que os torna vulneráveis ​​a riscos ainda maiores de desfechos desfavoráveis ​​quando infectados pelo vírus SARS-CoV-2.

Os dados de indivíduos com diabetes foram coletados por meio de uma pesquisa anônima e não rastreável contendo 20 questões de múltipla escolha em português. As respostas da pesquisa foram coletadas de 22 de abril a 4 de maio.

A pesquisa foi respondida por 1.701 indivíduos, 75,54% eram do sexo feminino, 70,78% entre 18 e 50 anos, 64,96% dos entrevistados eram do Sudeste do Brasil, e os principais tipos de diabetes eram tipo 1 (60,73%) e tipo 2 (30,75 %). Entre as principais consequências relatadas da pandemia de COVID-19 estão: 95,1% redução da frequência de sair de casa (26,9% nunca saiu de casa desde o início da pandemia); entre os que monitoravam a glicemia em casa (91,5%), a maioria (59,4%) experimentou uma piora, que incluiu: 31,2% relataram maior variação na glicemia do que antes da pandemia, 20% glicemia maior e 8,2% níveis glicêmicos mais baixos. Além disso, 38,4% postergaram consultas médicas e / ou exames de rotina e 40,2% não agendaram consulta médica desde o início da pandemia. Dentre os hábitos recomendados para o tratamento do diabetes, a atividade física foi a mais impactada, com redução relatada por 59,5% dos entrevistados (14,7% com leve redução e 44,8% com grande redução).

A estratégia de distribuição de medicamentos e suprimentos médicos por 90 dias, a fim de evitar saídas mensais para adquirir os medicamentos, foi eficaz para apenas 21% dos 64,5% que recebiam seus medicamentos e insumos pelo SUS. Há necessidade premente das autoridades federais, estaduais e municipais brasileiras ampliarem as medidas implementadas a fim de atingir mais pessoas, além de fazer parceria com a sociedade civil, setor privado e canais de mídia para melhorar rapidamente a resposta e, desta forma, prevenir o aumento de indivíduos com diabetes infectados pelo SARS-CoV-2 e de complicações agudas e crônicas do diabetes.

FONTE: The impact of COVID-19 on people with diabetes in Brazil. Mark Thomaz Ugliara Barone, Simone Bega Harnik, Patrícia Vieira de Luca, Maria de Fatima Marinho de Souza, Deborah Carvalho Malta, Viviana Giampaoli. D i a b e t e s R e s e a r c h a n d C l i n i c a l P r a c t i c e 1 6 6 (2 0 2 0) 1 0 8 3 0 4. https://doi.org/10.1016/j.diabres.2020.108304

2 respostas para “O impacto da COVID-19 em pessoas com diabetes no Brasil.”

  1. Tenho diabetes tipo 2 muito bem controlado e cuidado. Minhas taxas são quase normais, e não tomo remédios, controlo só com exercícios e dieta. Ainda assim tenho o risco aumentado de complicações se pegar COVID-19?

    1. Olá, Maria. Os médicos estão atentos a isso. Caso você tenha sintomas suspeitos de COVID-19, informe ao teu médico imediatamente. É melhor prevenir do que remediar.

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